Mesmo sem menstruação, os ovários continuam produzindo hormônios e provocam oscilações que mantêm irritabilidade, ansiedade e dores mensais
Mulheres que retiram o útero em busca
de alívio para sintomas intensos de tensão pré-menstrual (TPM) frequentemente
se deparam com uma surpresa: os desconfortos emocionais e físicos persistem
mensalmente, mesmo sem menstruação. A explicação reside na produção contínua de
hormônios pelos ovários, que provocam quedas bruscas de progesterona antes do
ciclo esperado, gerando irritabilidade, ansiedade, enxaquecas, dores mamárias e
cólicas em cerca de 75% a 85% das pacientes, segundo estudo publicado no Journal
of Women's Health (2022), que analisou 1.200 mulheres
pós-histerectomia.
A TPM, caracterizada por oscilações
hormonais de estradiol e progesterona ao longo do ciclo menstrual, não depende
do útero e sim dos ovários. "Antes da menstruação, há uma queda importante
da progesterona, o que desencadeia sintomas como mudanças de humor,
irritabilidade, ansiedade, cólicas, dor na mama e enxaqueca. Mesmo sem útero,
os ovários continuam produzindo hormônios normalmente, mantendo essas
oscilações e os sintomas pré-menstruais intactos", explica a ginecologista
Dra.
Ana Maria Passos, especialista em
saúde da mulher 40+.
A retirada apenas do útero
(histerectomia simples) elimina o sangramento, mas preserva a função ovariana,
perpetuando o ciclo hormonal. Já a ooforectomia, remoção dos ovários, induz
menopausa cirúrgica, com queda abrupta de estradiol e progesterona,
intensificando sintomas como fogachos, ressecamento vaginal e elevando riscos
de osteoporose (até 50% maior, conforme dados da North American Menopause
Society, 2023), doenças cardiovasculares e declínio cognitivo. "Quem
retira só o útero continua com oscilações hormonais e sintomas; quem tira os
ovários entra em menopausa abrupta, com complicações graves para a saúde a
longo prazo", alerta a Dra. Ana Maria Passos.
Esses sintomas impactam diretamente a
qualidade de vida e a rotina profissional. Mulheres relatam uma semana mensal
"complicada", com ansiedade e irritabilidade que comprometem a
produtividade no trabalho e os relacionamentos interpessoais. "Isso faz
cair a qualidade de vida, pois acontece todo mês, atrapalhando o desempenho
profissional e a interação com colegas", pontua a especialista.
Para mitigar os efeitos, hábitos
saudáveis são aliados: atividade física regular, dieta anti-inflamatória rica
em fibras, que melhora a microbiota intestinal e a metabolização estrogênica,
reduzindo a dominância estrogênica responsável pela maioria dos sintomas, e
acompanhamento médico contínuo, mesmo sem menstruação. Terapias hormonais, como
reposição de progesterona, surgem como alternativa eficaz para perimenopausa,
endometriose, adenomiose e transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), forma
exacerbada da TPM. "Melhorar a dominância estrogênica com exercício,
alimentação, adequação da microbiota e reposição progesterona equilibra
os sintomas, promovendo longevidade saudável", recomenda a Dra.
Familiares e parceiros têm papel crucial: compreender a oscilação mensal e oferecer apoio emocional alivia o impacto. "É essencial conversar abertamente sobre o tratamento em busca de melhora, pois a reação deles influencia diretamente o bem-estar da mulher", orienta a médica. Desmistificar a ideia de que histerectomia "resolve" a TPM é vital. Muitas optam pela cirurgia após gestações concluídas, esperando o fim dos incômodos, mas ignoram a persistência ovariana, ou os riscos da remoção total. "Mulheres pensam que o útero é o vilão, mas os ovários mantêm a produção hormonal. Retirá-los piora tudo, com sintomas relacionados ao declínio hormonal de forma abrupta, risco de osteoporose, declínio cognitivo e riscos cardiovasculares", conclui a especialista, defendendo planejamento hormonal para um envelhecimento saudável.
Dra. Ana Maria Passos - Com mais de 19 anos de atuação como Ginecologista e Obstetra em Porto Alegre (RS), a Dra. Ana Maria Passos atende em sua AME Clínica, onde realiza um cuidado integral na saúde da mulher. Com pós-graduação em Nutrologia e em Longevidade Saudável, ela traz um olhar atento à alimentação equilibrada e à suplementação, focando na prevenção e nos cuidados para um envelhecimento saudável. Especialista em saúde da mulher, atua com ênfase em perimenopausa, menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, gestação e puerpério. Reconhecida por sua abordagem humanizada e atualizada, utiliza suplementação e reposição hormonal para promover o bem-estar feminino, especialmente em mulheres acima dos 40 anos. É uma fonte confiável para entrevistas, artigos e conteúdos sobre saúde feminina, buscando ampliar o acesso à informação e promover qualidade de vida por meio de acompanhamento médico regular e terapias inovadoras.

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