Endocrinologista pediatra e docente de medicina da UniMAX alerta para riscos à saúde da pele, ao desenvolvimento hormonal e para a adultização precoce das crianças durante a folia
Com a chegada do Carnaval,
período marcado por alegria, cores e brincadeiras, é importante redobrar a
atenção aos cuidados com a saúde infantil. O uso inadequado de maquiagens,
glitters e fantasias pode trazer riscos à pele e ao desenvolvimento das
crianças, além de reforçar um processo precoce de adultização. O alerta é da
endocrinologista pediatra e docente do curso de Medicina do Centro
Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), Dra. Lívia Franco.
Segundo a especialista,
maquiagens desenvolvidas para adultos não são indicadas para o público
infantil, já que podem conter fragrâncias, conservantes e corantes em
concentrações inadequadas para a pele das crianças. “A pele infantil é mais
sensível e permeável, o que aumenta o risco de dermatites de contato,
irritações nos olhos e reações alérgicas”, explica.
Outro ponto de atenção envolve
os chamados desreguladores endócrinos, substâncias presentes em alguns
cosméticos que podem interferir no funcionamento natural dos hormônios. De
acordo com a docente, durante a infância, o sistema hormonal ainda está em
desenvolvimento e a pele é mais permeável, o que torna a criança mais
suscetível à absorção dessas substâncias.
Embora o uso eventual não
determine, por si só, um problema de saúde, a orientação é evitar produtos não
indicados para crianças, já que a exposição a desreguladores endócrinos é
considerada cumulativa ao longo da vida, e a infância é um período de maior
vulnerabilidade biológica.
O uso de glitter comum e
tintas faciais que não são próprias para crianças também merece cuidado. Esses
produtos podem causar microlesões na pele, irritações oculares, dermatites e
até infecções, além do risco de inalação ou ingestão acidental, especialmente
entre crianças menores.
As fantasias também entram na
lista de atenção. Muitas são confeccionadas com tecidos sintéticos, quentes e
pouco respiráveis. Em dias de calor intenso, comuns em diversas cidades do
Brasil durante o período do Carnaval, esses materiais favorecem as assaduras,
coceiras, dermatites e infecções de pele, principalmente em áreas de dobra,
como pescoço, axilas e virilhas. O calor, o suor e o atrito da roupa com a pele
potencializam ainda mais esses problemas, sobretudo em bebês e crianças
pequenas.
Além dos riscos físicos, a
médica destaca a importância de refletir sobre a adultização infantil. “O uso
de maquiagens pesadas, roupas e fantasias sexualizadas ou inspiradas em padrões
adultos pode antecipar comportamentos e expectativas que não são adequados à
infância”, afirma. Para ela, a infância deve ser um período de brincar,
imaginar e se expressar de forma lúdica e segura, sem a necessidade de
reproduzir estéticas ou comportamentos do mundo adulto.
Para garantir um Carnaval mais
seguro, a recomendação é optar exclusivamente por maquiagens e tintas com
indicação para uso infantil e procedência confiável, evitar glitter comum e
produtos sem rotulagem adequada, priorizar fantasias de algodão ou tecidos
leves e respiráveis, além de evitar roupas apertadas, com muitos elásticos ou
acessórios rígidos. Também é fundamental retirar a maquiagem assim que a
criança chegar em casa, utilizando sabonete suave.
Com informação e escolhas simples, o Carnaval pode ser um momento saudável, divertido e seguro. “O cuidado começa na prevenção e na preservação da infância, garantindo que as crianças possam aproveitar essa fase de forma leve, protegida e adequada à sua idade”, conclui a especialista.
Lívia Franco
- médica endocrinologista pediatra, coordenadora pedagógica da 3ª série e
docente do curso de Medicina da UniMAX, em Indaiatuba (SP). Graduada em
Medicina pela Universidade Federal Fluminense (2017), realizou Residência
Médica em Pediatria no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC) e em
Endocrinologia Pediátrica na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Possui MBA
em Gestão em Saúde pela USP e pós-graduação em Educação Médica com foco em
Metodologias Ativas (Grupo UniEduK).
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