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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Maquiagens e fantasias inadequadas podem trazer riscos à saúde infantil no Carnaval

Endocrinologista pediatra e docente de medicina da UniMAX alerta para riscos à saúde da pele, ao desenvolvimento hormonal e para a adultização precoce das crianças durante a folia

 

Com a chegada do Carnaval, período marcado por alegria, cores e brincadeiras, é importante redobrar a atenção aos cuidados com a saúde infantil. O uso inadequado de maquiagens, glitters e fantasias pode trazer riscos à pele e ao desenvolvimento das crianças, além de reforçar um processo precoce de adultização. O alerta é da endocrinologista pediatra e docente do curso de Medicina do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), Dra. Lívia Franco.

Segundo a especialista, maquiagens desenvolvidas para adultos não são indicadas para o público infantil, já que podem conter fragrâncias, conservantes e corantes em concentrações inadequadas para a pele das crianças. “A pele infantil é mais sensível e permeável, o que aumenta o risco de dermatites de contato, irritações nos olhos e reações alérgicas”, explica.

Outro ponto de atenção envolve os chamados desreguladores endócrinos, substâncias presentes em alguns cosméticos que podem interferir no funcionamento natural dos hormônios. De acordo com a docente, durante a infância, o sistema hormonal ainda está em desenvolvimento e a pele é mais permeável, o que torna a criança mais suscetível à absorção dessas substâncias.

Embora o uso eventual não determine, por si só, um problema de saúde, a orientação é evitar produtos não indicados para crianças, já que a exposição a desreguladores endócrinos é considerada cumulativa ao longo da vida, e a infância é um período de maior vulnerabilidade biológica.

O uso de glitter comum e tintas faciais que não são próprias para crianças também merece cuidado. Esses produtos podem causar microlesões na pele, irritações oculares, dermatites e até infecções, além do risco de inalação ou ingestão acidental, especialmente entre crianças menores.

As fantasias também entram na lista de atenção. Muitas são confeccionadas com tecidos sintéticos, quentes e pouco respiráveis. Em dias de calor intenso, comuns em diversas cidades do Brasil durante o período do Carnaval, esses materiais favorecem as assaduras, coceiras, dermatites e infecções de pele, principalmente em áreas de dobra, como pescoço, axilas e virilhas. O calor, o suor e o atrito da roupa com a pele potencializam ainda mais esses problemas, sobretudo em bebês e crianças pequenas.

Além dos riscos físicos, a médica destaca a importância de refletir sobre a adultização infantil. “O uso de maquiagens pesadas, roupas e fantasias sexualizadas ou inspiradas em padrões adultos pode antecipar comportamentos e expectativas que não são adequados à infância”, afirma. Para ela, a infância deve ser um período de brincar, imaginar e se expressar de forma lúdica e segura, sem a necessidade de reproduzir estéticas ou comportamentos do mundo adulto.

Para garantir um Carnaval mais seguro, a recomendação é optar exclusivamente por maquiagens e tintas com indicação para uso infantil e procedência confiável, evitar glitter comum e produtos sem rotulagem adequada, priorizar fantasias de algodão ou tecidos leves e respiráveis, além de evitar roupas apertadas, com muitos elásticos ou acessórios rígidos. Também é fundamental retirar a maquiagem assim que a criança chegar em casa, utilizando sabonete suave.

Com informação e escolhas simples, o Carnaval pode ser um momento saudável, divertido e seguro. “O cuidado começa na prevenção e na preservação da infância, garantindo que as crianças possam aproveitar essa fase de forma leve, protegida e adequada à sua idade”, conclui a especialista.

 

Lívia Franco - médica endocrinologista pediatra, coordenadora pedagógica da 3ª série e docente do curso de Medicina da UniMAX, em Indaiatuba (SP). Graduada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (2017), realizou Residência Médica em Pediatria no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC) e em Endocrinologia Pediátrica na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Possui MBA em Gestão em Saúde pela USP e pós-graduação em Educação Médica com foco em Metodologias Ativas (Grupo UniEduK).


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