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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Como aproveitar o carnaval sem ignorar os próprios limites emocionais

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Psiquiatra orienta sobre autocuidado, prevenção de crises e atenção redobrada para quem já está em tratamento


O carnaval é, para muitos brasileiros, sinônimo de alegria, encontros e celebração. Ruas cheias, música alta, agendas intensas e poucas horas de descanso fazem parte do pacote. No entanto, em meio à euforia coletiva, vale a atenção para evitar que a saúde mental não fique em segundo plano.

Isso porque, embora seja um período esperado com entusiasmo, a intensidade típica da festa pode representar desafios que não devem ser ignorados, especialmente para pessoas que convivem com transtornos como ansiedade, depressão ou algum grau de dependência química.

Segundo Ricardo Patitucci, psiquiatra da unidade da ViV Saúde Mental e Emocional no Rio de Janeiro, o carnaval não precisa ser encarado como um risco em si, mas como um momento que exige mais consciência emocional e respeito aos próprios limites.

“A ideia de que é preciso aproveitar tudo, estar presente em todos os eventos e sustentar um estado constante de animação pode gerar frustração, exaustão e sofrimento psíquico”, explica o psiquiatra da ViV.

Para ele, curtir o carnaval de forma saudável passa por entender que cada pessoa vive a festa de maneira diferente. E isso precisa ser respeitado.

 

Alegria coletiva, impactos individuais

Ambientes com excesso de estímulos sensoriais, consumo de álcool, alterações bruscas na rotina de sono e maior exposição social podem funcionar como gatilhos emocionais. Em pessoas mais sensíveis, esses fatores podem intensificar sintomas de ansiedade, irritabilidade, crises de pânico ou episódios depressivos.

“O corpo e a mente dão sinais quando algo não vai bem. Ignorar esses sinais em nome da diversão pode cobrar um preço alto depois”, alerta o especialista.

Por isso, uma das principais orientações é manter práticas básicas de autocuidado mesmo durante a folia, como dormir adequadamente, se alimentar bem, hidratar-se e reservar momentos de pausa. “Não se trata de abrir mão da festa, mas de equilibrar prazer e bem-estar”, frisa Patitucci.

 

Atenção redobrada para quem está em tratamento

Para pessoas que já realizam acompanhamento psiquiátrico ou psicológico, o carnaval exige cuidados específicos. A interrupção do uso de medicamentos, o consumo excessivo de álcool e a quebra abrupta da rotina podem comprometer a estabilidade emocional conquistada ao longo do tratamento.

“Misturar álcool com medicamentos psiquiátricos, por exemplo, tende a reduzir a eficácia do tratamento ou provocar efeitos adversos importantes”, ressalta o médico.

Nesses casos, o planejamento é fundamental. Avaliar quais ambientes são mais seguros, estabelecer horários, evitar excessos e, principalmente, respeitar os próprios limites são atitudes que ajudam a atravessar o período festivo com mais segurança.

“Não compare o seu carnaval com o do outro. Cada pessoa tem uma história, um momento de vida e uma condição emocional diferente”, reforça.

 

Como reconhecer e agir diante de uma crise

Mesmo com cuidados, crises de saúde mental podem acontecer. Identificar sinais precoces, como sensação de sufocamento, pensamentos acelerados, tristeza intensa, isolamento ou perda de controle emocional, é essencial para agir rapidamente.

O especialista orienta que, diante de uma crise, o mais importante é buscar um ambiente calmo, afastar-se de estímulos intensos e procurar apoio de alguém de confiança ou de um serviço de saúde.

“Crise não é fraqueza, é um sinal de que algo precisa de atenção”, afirma. Em situações mais graves, procurar atendimento especializado ou serviços de urgência pode ser decisivo para evitar agravamentos.

 

Consumo consciente: uma tendência que merece atenção

Pesquisas recentes indicam uma redução no consumo de bebidas alcoólicas entre jovens, sinalizando uma mudança de comportamento associada a escolhas mais conscientes em relação à saúde física e mental. Um levantamento da consultoria MindMiners mostra que apenas 45% dos jovens entre 18 e 26 anos afirmam consumir bebidas alcoólicas, percentual inferior ao observado entre as gerações anteriores.

Essa tendência aponta para uma relação menos central do álcool com socialização e lazer, o que pode servir de referência positiva em períodos tradicionalmente marcados por excessos, como o carnaval.

Para o psiquiatra, esse movimento é especialmente relevante quando se fala em saúde mental.

“O álcool é um fator de risco importante para o agravamento de transtornos como depressão e ansiedade, além de representar um desafio significativo para pessoas com histórico de dependência química”, explica.

Patitucci destaca que reduzir ou evitar o consumo durante a folia pode ser uma escolha de cuidado, não de privação, sobretudo para quem já convive com algum grau de vulnerabilidade emocional.

 

Curtir também é saber parar

O carnaval pode, sim, ser um momento de leveza e celebração, desde que vivido com consciência. Respeitar limites, fazer escolhas alinhadas ao próprio bem-estar e entender que saúde mental também faz parte da festa são atitudes que ajudam a transformar a experiência em algo verdadeiramente positivo.

“A melhor folia é aquela da qual a pessoa consegue voltar inteira emocionalmente e fisicamente”, conclui o especialista da ViV.

 

ViV Saúde Mental e Emocional
Mais informações pelo número 0800 323 5088.


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