Especialista da UniCesumar explica que o papel de toda a comunidade escolar, gestores a colegas, é crucial para garantir que a inclusão de crianças neurodivergentes saia do papel e se torne realidade
Em um cenário onde o Brasil reconhece 2,4 milhões de pessoas com autismo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2025, a discussão sobre a inclusão de crianças neurodivergentes no sistema de ensino torna-se mais urgente do que nunca. Com uma alta concentração de diagnósticos na faixa etária de 5 a 9 anos, o país enfrenta o desafio de transformar escolas em espaços verdadeiramente inclusivos, que não apenas acolham, mas também potencializem o desenvolvimento de cada aluno.
Um dos maiores obstáculos para a inclusão é a rigidez do sistema escolar, que muitas vezes impõe um modelo único de aprendizagem e socialização. Para crianças neurodivergentes, essa falta de flexibilidade se manifesta em barreiras atitudinais, sensoriais e pedagógicas, que vão desde a dificuldade de adaptação a ruídos e estímulos visuais até a falta de metodologias de ensino diversificadas.
"O ideal de homogeneidade no processo de aprendizagem mobiliza a resistência a adaptações. Submetidas a contínuas experiências de exclusão e isolamento, a criança não consegue focar sua disposição interna para a aprendizagem, o que prejudica o desenvolvimento de sua capacidade cognitiva, gerando desmotivação, ansiedade e comprometimento da autoestima", destaca Juliana Alencar, psicóloga e professora do curso de Pedagogia EAD da UniCesumar.
A escola, como espaço fundamental de socialização,
tem o dever de forjar um ambiente de pertencimento, pautado nos direitos
humanos, onde a diferença e a igualdade são valores indissociáveis. Isso
significa investir em adaptações físicas, como espaços de conforto sensorial, e
em adaptações pedagógicas, como currículos flexíveis e avaliações continuadas,
que valorizem as potencialidades de cada aluno.
Capacitação docente e o
esforço coletivo pela inclusão
Para Juliana, o erro mais comum no processo de inclusão é confundi-lo com o simples acesso ao ensino regular, sem garantir a participação efetiva na comunidade escolar. Frequentemente, a criança neurodivergente é vista como responsabilidade exclusiva do professor de apoio, e não como aluno de toda a escola.
“A capacitação de professores e de toda a equipe escolar é crucial para desmistificar preconceitos e instrumentalizar os profissionais com ações que potencializem o desenvolvimento socioemocional e intelectual dos alunos. No entanto, a inclusão é um trabalho coletivo que envolve gestores, colegas de classe e, fundamentalmente, a família, que atua como principal rede de apoio em alinhamento com a escola”, explica a docente da UniCesumar.
A convivência com a diversidade na escola não
beneficia apenas a criança neurodivergente, que desenvolve seu sentimento de
pertencimento, mas também os alunos neurotípicos, que aprendem na prática
valores como empatia e respeito. “Ao romper com estigmas históricos e se
organizar para atender cada aluno em sua singularidade, a escola pavimenta o
caminho para uma sociedade mais democrática, ética e humana”, conclui a
especialista.
UniCesumar

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