No Brasil o Carnaval é tradicionalmente associado à alegria, à liberdade e à celebração coletiva. Para muitas pessoas, o período representa uma pausa necessária na rotina, funcionando como uma verdadeira válvula de escape emocional. Cidades como São Paulo, atraem milhões de pessoas para aproveitar a festividade. Em 2025, por exemplo, um levantamento da Secretaria de Turismo e Viagens mostrou que cerca de 4,5 milhões de pessoas participaram do carnaval na cidade, distribuídas pelos mais de 700 blocos de rua.
A professora de
Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Mariana Ramos, afirma que o
Carnaval pode ter um efeito ambíguo sobre a saúde mental, já que não é
vivenciado da mesma forma por todos. “Enquanto para algumas pessoas a festa
desperta alegria, energia e senso de pertencimento, para outras pode provocar
ansiedade, desconforto emocional, sensação de inadequação e sobrecarga social”,
explica.
Para muitas
pessoas, no entanto, o Carnaval funciona como um espaço legítimo de expressão,
ao permitir liberar emoções reprimidas, brincar com identidades e se conectar
coletivamente, o que pode ser libertador e terapêutico. A psicóloga esclarece
que o momento favorece a diminuição das inibições sociais, seja pelo clima de
descontração, seja pelo afastamento temporário das obrigações profissionais e
pessoais.
“O cérebro tende a
interpretar o Carnaval como um período fora da rotina, uma espécie de exceção
às regras. O aumento dos estímulos prazerosos, do contato social intenso e da
sensação de liberdade favorece a liberação de neurotransmissores ligados ao
bem-estar, como a dopamina, o que pode gerar euforia, motivação e prazer, mas
também levar à exaustão física e emocional quando não há respeito aos próprios
limites”, afirma Mariana.
Por outro lado,
esse mesmo cenário pode ser fonte de sofrimento emocional para quem não se
identifica com a festa. “Existe uma expectativa coletiva de felicidade que nem
sempre corresponde ao que a pessoa está sentindo. Quando ela não consegue ou
não deseja participar, pode surgir culpa, comparação e até isolamento
emocional”, alerta a professora.
Ambientes com
excesso de estímulos, como multidões, barulho intenso e mudanças bruscas na
rotina de sono, também contribuem para o desgaste psicológico. Nesse sentido, a
profissional explica que pessoas mais sensíveis, introvertidas ou que já
convivem com ansiedade podem se sentir sobrecarregadas, porque o corpo entra em
estado de alerta constante, o que favorece irritabilidade, cansaço mental e
crises de ansiedade.
Por isso, a
especialista enfatiza a importância de respeitar os próprios limites para
preservar a saúde mental durante o período. “É preciso entender que não existe
uma forma certa de viver o Carnaval. Curtir a festa ou optar por descansar,
viajar ou ficar em casa são escolhas igualmente válidas. Autocuidado também é
saber dizer não”, conclui.
Iniciativas
exemplares
No Brasil, algumas
experiências já mostram como o Carnaval pode ser também um espaço de cuidado,
pertencimento e inclusão para pessoas em sofrimento psíquico. No Rio de
Janeiro, por exemplo, blocos como o “Loucura Suburbana” e o “Zona
Mental” se tornaram referências ao promoverem a participação ativa de usuários,
familiares e profissionais da rede de saúde mental em uma folia planejada,
acolhedora e segura. Mais do que apenas festas de rua, essas iniciativas
funcionam como ferramentas de cidadania e combate ao estigma, criando ambientes
onde a alegria do Carnaval se une ao respeito, à escuta e à proteção emocional.
Com estrutura organizada, acompanhamento e proposta inclusiva, os blocos
mostram que é possível celebrar sem negligenciar vulnerabilidades, transformando
a festa em um momento de convivência comunitária, fortalecimento de vínculos e
valorização da saúde mental como parte essencial do bem-estar coletivo.
Afya
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