Pesquisar no Blog

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Entre a euforia e o cansaço: os diferentes impactos do Carnaval na saúde mental

No Brasil o Carnaval é tradicionalmente associado à alegria, à liberdade e à celebração coletiva. Para muitas pessoas, o período representa uma pausa necessária na rotina, funcionando como uma verdadeira válvula de escape emocional. Cidades como São Paulo, atraem milhões de pessoas para aproveitar a festividade. Em 2025, por exemplo, um levantamento da Secretaria de Turismo e Viagens mostrou que cerca de 4,5 milhões de pessoas participaram do carnaval na cidade, distribuídas pelos mais de 700 blocos de rua.

A professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, Mariana Ramos, afirma que o Carnaval pode ter um efeito ambíguo sobre a saúde mental, já que não é vivenciado da mesma forma por todos. “Enquanto para algumas pessoas a festa desperta alegria, energia e senso de pertencimento, para outras pode provocar ansiedade, desconforto emocional, sensação de inadequação e sobrecarga social”, explica. 


Para muitas pessoas, no entanto, o Carnaval funciona como um espaço legítimo de expressão, ao permitir liberar emoções reprimidas, brincar com identidades e se conectar coletivamente, o que pode ser libertador e terapêutico. A psicóloga esclarece que o momento favorece a diminuição das inibições sociais, seja pelo clima de descontração, seja pelo afastamento temporário das obrigações profissionais e pessoais. 


“O cérebro tende a interpretar o Carnaval como um período fora da rotina, uma espécie de exceção às regras. O aumento dos estímulos prazerosos, do contato social intenso e da sensação de liberdade favorece a liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como a dopamina, o que pode gerar euforia, motivação e prazer, mas também levar à exaustão física e emocional quando não há respeito aos próprios limites”, afirma Mariana.


Por outro lado, esse mesmo cenário pode ser fonte de sofrimento emocional para quem não se identifica com a festa. “Existe uma expectativa coletiva de felicidade que nem sempre corresponde ao que a pessoa está sentindo. Quando ela não consegue ou não deseja participar, pode surgir culpa, comparação e até isolamento emocional”, alerta a professora.


Ambientes com excesso de estímulos, como multidões, barulho intenso e mudanças bruscas na rotina de sono, também contribuem para o desgaste psicológico. Nesse sentido, a profissional explica que pessoas mais sensíveis, introvertidas ou que já convivem com ansiedade podem se sentir sobrecarregadas, porque o corpo entra em estado de alerta constante, o que favorece irritabilidade, cansaço mental e crises de ansiedade.


Por isso, a especialista enfatiza a importância de respeitar os próprios limites para preservar a saúde mental durante o período. “É preciso entender que não existe uma forma certa de viver o Carnaval. Curtir a festa ou optar por descansar, viajar ou ficar em casa são escolhas igualmente válidas. Autocuidado também é saber dizer não”, conclui.



Iniciativas exemplares


No Brasil, algumas experiências já mostram como o Carnaval pode ser também um espaço de cuidado, pertencimento e inclusão para pessoas em sofrimento psíquico. No Rio de Janeiro, por exemplo, blocos como o Loucura Suburbana” e o Zona Mental” se tornaram referências ao promoverem a participação ativa de usuários, familiares e profissionais da rede de saúde mental em uma folia planejada, acolhedora e segura. Mais do que apenas festas de rua, essas iniciativas funcionam como ferramentas de cidadania e combate ao estigma, criando ambientes onde a alegria do Carnaval se une ao respeito, à escuta e à proteção emocional. Com estrutura organizada, acompanhamento e proposta inclusiva, os blocos mostram que é possível celebrar sem negligenciar vulnerabilidades, transformando a festa em um momento de convivência comunitária, fortalecimento de vínculos e valorização da saúde mental como parte essencial do bem-estar coletivo. 



Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados