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| Em muitos pacientes, a dor e a fraqueza causadas pela fibromialgia podem ser incapacitantes Shutterstock |
Condição afeta milhões de pessoas, impacta a qualidade de vida e ainda enfrenta desinformação e atraso no diagnóstico
Fevereiro Roxo é o mês dedicado à conscientização sobre doenças crônicas que ainda enfrentam preconceito, atraso no diagnóstico e desinformação. Entre elas está a fibromialgia, condição que causa dor generalizada, fadiga e impacto significativo na qualidade de vida de milhões de pessoas.
Apesar
de não ser uma doença rara (2 a 4% da população mundial, e entre 5 a 7 milhões
de brasileiros), a fibromialgia ainda é cercada por mitos, especialmente a
falsa ideia de que se trata de uma dor “emocional” ou “psicológica”.
Especialistas alertam: a dor é real, complexa e precisa de tratamento adequado.
O
que é fibromialgia?
A fibromialgia é classificada como uma dor nociplástica, um tipo de dor crônica em que não há uma lesão estrutural visível nos nervos ou músculos. O que ocorre é uma alteração no funcionamento do sistema nervoso, que passa a interpretar estímulos normalmente inofensivos como dolorosos.
“A fibromialgia não é uma dor imaginária. O sistema nervoso do paciente está em estado de hiperatividade, como se fosse um alarme que dispara o tempo todo”, explica Dr. Caio Martins, clínico geral e especialista em Dor e Cefaleia, médico do Eco Medical Center, disponível através do setor de Medicina da Dor.
Diferente
de dores localizadas, a fibromialgia provoca dor difusa, que pode atingir
várias regiões do corpo ao mesmo tempo. Além disso, costuma vir acompanhada de
outros sintomas que impactam profundamente a rotina, como:
- dor muscular generalizada
- fadiga constante
- sono não reparador
- dificuldade de concentração e memória (“névoa mental”)
- sensibilidade ao toque
- irritabilidade e redução da produtividade
“Muitos pacientes dormem várias horas, mas acordam cansados, como se não tivessem descansado. Isso afeta o trabalho, a vida social e até os relacionamentos”, destaca o Dr. Caio.
A empresa
global de saúde Viatris realizou um estudo com 553 pacientes de fibromialgia em
seis países e constatou que 48% deles relataram a necessidade de limitar suas
atividades profissionais. No Brasil, especificamente, esse percentual chegou a
57%. E os impactos não foram só no trabalho. Na vida pessoal, 45% destas
pessoas limitaram a atividade sexual com o parceiro.
Quais
são as causas da fibromialgia?
Na maioria dos casos, não existe uma causa única identificável. A fibromialgia está associada a uma predisposição genética, podendo ser desencadeada ou agravada por fatores como estresse prolongado, distúrbios do sono, ansiedade e depressão (não como causa, mas como gatilhos) e sedentarismo.
“Ansiedade e depressão não causam fibromialgia, mas podem intensificar as crises. Por isso, o tratamento precisa olhar para o paciente como um todo”, reforça o especialista.
Um dos pontos mais importantes no entendimento da fibromialgia e da dor crônica em geral é que dor intensa não significa, necessariamente, lesão ativa no corpo. “Na dor crônica, muitas vezes o problema está na sensibilização do cérebro, não em um dano físico em andamento”, explica Dr. Alexandre Beck, médico anestesista, especialista em Dor, também médico do Eco Medical Center, disponível pelo setor de Medicina da Dor.
A intensidade
da dor pode variar de leve a incapacitante, interferindo diretamente na
capacidade de trabalhar, realizar tarefas simples e manter qualidade de vida.
Existe
exame para diagnosticar fibromialgia?
Não. O diagnóstico da fibromialgia é clínico, feito a partir da avaliação médica detalhada e da exclusão de outras doenças que possam causar sintomas semelhantes. “Não existe exame que confirme fibromialgia. Por isso, o diagnóstico correto depende de uma escuta cuidadosa e de experiência na avaliação da dor”, ressalta o Dr. Alexandre.
Embora não exista cura definitiva, a fibromialgia pode (e deve) ser tratada. O objetivo é reduzir a dor, controlar as crises e melhorar a qualidade de vida.
O
tratamento da fibromialgia costuma envolver uma abordagem multidisciplinar,
incluindo:
- Ajustes no sono
- Atividade física gradual e orientada
- Fisioterapia
- Terapia psicológica
- Medicamentos específicos (quando indicados)
- Infiltrações em pontos-gatilho (trigger points)
“O exercício físico é uma das bases do tratamento, mas precisa ser iniciado de forma progressiva. Começar errado pode piorar a dor e afastar o paciente do tratamento”, alerta o Dr. Caio.
Já o Dr. Alexandre reforça a importância da precocidade. “Quanto mais tempo a dor crônica permanece sem tratamento adequado, mais difícil se torna o controle. Procurar ajuda especializada cedo faz toda a diferença”.
Eco Medical Center
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