Paquera,
romance e química no ar: quem já viveu o Carnaval sabe que algo muda. As
pessoas ficam mais abertas ao contato, ao flerte e às conexões rápidas. Mas
essa atmosfera não é só cultural ou emocional — o cérebro e o olfato têm um
papel direto nesse fenômeno, explica a aromaterapeuta e neurocientista Daiana
Petry.
Segundo
a especialista, o Carnaval reúne uma combinação poderosa de estímulos que
favorecem a atração: proximidade física, dança, calor, música, luzes e,
principalmente, cheiros.
Diferente
dos outros sentidos, o cheiro não passa primeiro pelas áreas racionais do
cérebro. Ele segue direto para o sistema límbico, região ligada às emoções, à
memória e ao comportamento afetivo.
“O
olfato é um sentido profundamente emocional. Ele pode aumentar a sensação de
conexão, familiaridade e prazer, muitas vezes de forma inconsciente”, explica
Daiana.
É
por isso que, em ambientes intensos como o Carnaval, os cheiros se tornam parte
fundamental da experiência — e da atração.
Porque a sedução aumenta no Carnaval?
O
calor, a dança e a proximidade fazem o corpo produzir mais suor. E, embora a
palavra “suor” possa soar pouco romântica, ele carrega substâncias químicas que
funcionam como sinais biológicos sutis de atração, conhecidos popularmente como
feromônios.
“Cada
pessoa tem um odor corporal único, influenciado por fatores genéticos e
hormonais. Em situações de maior contato social, como no Carnaval, o cérebro
pode interpretar esses sinais olfativos como compatibilidade ou atração”,
afirma a especialista.
Esses
sinais não são percebidos de forma consciente, mas ajudam o cérebro a decidir,
em segundos, se alguém parece interessante ou não.
Além
do cheiro natural do corpo, perfumes e aromas também participam dessa “dança
química”.
Aromas
quentes, adocicados ou amadeirados, por exemplo, costumam estar associados a
sensações de conforto, proximidade e sensualidade. Já notas cítricas e frescas
transmitem leveza, energia e abertura social.
“Os
aromas não criam atração sozinhos, mas podem intensificar a percepção de presença,
marcar a memória emocional e aumentar a sensação de proximidade”, explica
Daiana.
Ou
seja: o cheiro pode ser um dos motivos pelos quais alguém se torna inesquecível
depois de um encontro de Carnaval.
Durante
o Carnaval, o cérebro também está sob efeito de maior liberação de dopamina e
outros neurotransmissores ligados ao prazer e à recompensa. Com as barreiras
sociais mais flexíveis, o sistema emocional ganha mais espaço do que o racional
— e o olfato entra como um facilitador dessa conexão.
“É um cenário perfeito para o cérebro associar cheiros a emoções intensas, criando memórias afetivas rápidas e profundas”, conclui Daiana.
Daiana Petry @daianagpetry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial.Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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