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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Carnaval acende alerta nos condomínios: aumento do consumo de álcool e conflitos familiares eleva risco de violência doméstica


Com a chegada do Carnaval, condomínios em todo o país registram aumento significativo na circulação de visitantes, realização de festas e permanência prolongada nas áreas comuns. O clima de celebração, porém, também traz desafios: o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, discussões conjugais e tensões familiares podem intensificar episódios de violência doméstica, inclusive dentro e fora das unidades, alcançando corredores, elevadores, garagens e demais espaços coletivos. 

Casos recentes de mulheres agredidas em áreas comuns de condomínios reacenderam uma discussão urgente: qual é a responsabilidade da gestão condominial diante dessas situações? Especialistas são categóricos ao afirmar que síndicos, administradoras e equipes de portaria precisam estar preparados para agir, tanto na prevenção quanto na resposta imediata. 

Segundo Gabriel Borba, CEO da GB Serviços, empresa especializada em gestão condominial, o período de Carnaval exige atenção redobrada. “Há um aumento natural de conflitos nesse período, principalmente em razão do consumo de álcool e de desavenças conjugais. O condomínio precisa estar atento e preparado para agir rapidamente em caso de agressão, sempre priorizando a integridade da vítima.” 

A orientação é clara: em situações de flagrante violência, a equipe deve acionar imediatamente a polícia e seguir os protocolos internos de segurança, evitando omissão. A atuação rápida pode ser decisiva para proteger a vítima e impedir que a agressão se agrave. Há ainda casos em que a vítima já se separou ou possui histórico de violência anterior. Nesses cenários, medidas preventivas são fundamentais. 

“Uma medida essencial é que a vítima informe formalmente a administração e a portaria do condomínio e solicite o bloqueio e a exclusão do cadastro do agressor. Esse pedido deve ser feito por escrito, garantindo registro oficial da restrição. Assim, o ex-companheiro não terá mais acesso liberado ao prédio, já que sua entrada será barrada automaticamente pelos sistemas de segurança”, explica Borba. Segundo ele, trata-se de uma providência simples, mas capaz de evitar riscos graves. 

O executivo reforça que o controle de acesso deve ser rigoroso, especialmente em períodos festivos. “É importante orientar a portaria a exigir sempre o código de segurança antes de liberar entradas e nunca flexibilizar regras por conta do clima de festa. A equipe deve estar instruída e preparada para impedir o acesso de pessoas com restrição, sempre respeitando a lei e os protocolos estabelecidos.”
 

Cultura do silêncio ainda é obstáculo

Outro ponto sensível é a cultura do silêncio. Em muitos casos, vizinhos escutam discussões, gritos ou pedidos de socorro, mas evitam denunciar por receio de se envolver. “No Carnaval, quando há mais barulho e movimentação, situações de violência podem passar despercebidas ou serem confundidas com discussões pontuais. Por isso, é essencial que moradores estejam atentos e comuniquem qualquer situação suspeita à administração ou diretamente às autoridades”, alerta Borba. 

Ele reforça que as vítimas muitas vezes estão fragilizadas emocionalmente e têm dificuldade de buscar ajuda sozinhas. “O condomínio pode e deve estimular um ambiente de acolhimento, deixando claro que denúncias serão tratadas com seriedade e confidencialidade.”
 

Legislação e responsabilidade

A Lei Maria da Penha prevê medidas protetivas que podem incluir restrições de aproximação e de frequência a determinados locais. Além disso, estados como São Paulo já contam com legislações que obrigam síndicos e administradores a comunicarem às autoridades casos suspeitos ou confirmados de violência doméstica ocorridos nas dependências do condomínio. 

O descumprimento dessas obrigações pode gerar responsabilização civil e até penal, especialmente em situações de omissão diante de risco evidente.
 

Boas práticas para o período de Carnaval

Para reforçar a segurança, especialmente durante o Carnaval, especialistas recomendam:

  • Treinamento da equipe condominial para identificar sinais de violência e saber como agir.
  • Reforço nos protocolos de segurança durante festas e períodos de maior circulação.
  • Campanhas internas de conscientização, incentivando moradores a denunciarem situações suspeitas.
  • Protocolos formais de comunicação, com registros escritos e assinados.
  • Bloqueio e exclusão imediata do cadastro do agressor mediante solicitação formal da vítima.
  • Uso rigoroso de código de segurança e controle de acesso nas portarias.
  • Parceria com órgãos de proteção à mulher para capacitação e orientação da equipe.

Mais do que reagir a episódios de agressão, os condomínios podem desempenhar um papel estratégico na prevenção da violência doméstica, sobretudo em períodos críticos como o Carnaval. Ao fortalecer protocolos, promover conscientização e agir com responsabilidade, a gestão condominial contribui diretamente para transformar o ambiente em um espaço mais seguro e acolhedor para todos os moradores.


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