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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Meu filho não vai ficar na mesma turma do melhor amigo. E agora?

O início do ano letivo costuma ser um momento de ansiedade não só para as crianças e adolescentes, mas também para pais e mães. Quando o aluno descobre que não ficará na mesma classe do melhor amigo ou da melhor amiga, surgem frustração, insegurança e, muitas vezes, sofrimento emocional, que nem sempre os adultos sabem como acolher. trazer mudanças na rotina escolar e familiar. 

Para a psicóloga Karen Scavacini, doutora em psicologia pela USP e fundadora do Instituto Vita Alere, esse tipo de experiência pode ser um primeiro contato da criança com frustrações cotidianas e com a necessidade de adaptação a novos contextos. “Nem toda frustração é um problema a ser corrigido. Muitas fazem parte do desenvolvimento emocional”, explica. 

Segundo a especialista, o papel dos adultos é ajudar a criança a compreender e atravessar esse momento com segurança emocional. “Acolher o sentimento, sem minimizar nem dramatizar, é fundamental. Dizer que ‘não é nada’ pode invalidar a experiência da criança, assim como tentar resolver tudo por ela pode impedir que desenvolva recursos próprios”, afirma. 

Karen destaca que não ficar na mesma turma não significa perda de vínculos. “Amizades podem ser mantidas fora da sala de aula, enquanto novas relações se constroem. Esse equilíbrio favorece autonomia, flexibilidade emocional e adaptação social.” 

Ainda assim, alguns sinais merecem atenção dos adultos, como mudanças persistentes de comportamento, recusa prolongada à escola ou sofrimento que se estende além do período de adaptação. “Nesses casos, vale conversar com a escola e, se necessário, buscar orientação profissional”, orienta. 

Para pais e responsáveis, o desafio está em encontrar o meio-termo entre acolher e superproteger. “A função do adulto não é eliminar desconfortos, mas oferecer suporte para que a criança desenvolva segurança emocional ao lidar com eles”, conclui.




Karen Scavacini - Psicóloga, mestre em Saúde Pública pelo Karolinska Institutet (Suécia) e doutora em Psicologia pela USP. Fundadora do Instituto Vita Alere, que há 13 anos é referência nacional em saúde mental, prevenção e posvenção do suicídio, é criadora do Mapa Saúde Mental e responsável pelo Centro de Inovação e Pesquisa em Saúde Mental, Tecnologia e Suicidiologia. Atua há mais de 25 anos com saúde mental, e há mais de 10 anos com o bem-estar digital. Trabalha com escolas, universidades e empresas. Responsável pelo programa Skillslab da Escola de Economia da Fgv. Representante do IASP no Brasil. É pesquisadora, autora de livros e cartilhas, palestrante, TEDx Speaker e articuladora de ações inovadoras que integram cuidado emocional, comunicação e tecnologia.


Instituto Vita Alere


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