Com índices críticos de internações, especialista
enfatiza que o sofrimento dos jovens precisa ser reconhecido, acolhido e
tratado com prioridade nacional
Em meio à rotina
acelerada, às pressões sociais e ao aumento de fatores estressores entre
adolescentes e adultos jovens, a saúde mental dessa população se tornou um
ponto crítico no país. A mais recente pesquisa da Fiocruz revela um retrato
alarmante: os jovens brasileiros estão mais expostos a riscos graves, mas ainda
têm menos acesso a suporte adequado.
Segundo o último
relatório de saúde mental divulgado pelo Informe Epidemiológico sobre a
Situação de Saúde da Juventude Brasileira, a taxa de suicídio entre jovens
chega a 31,2 casos por 100 mil habitantes, superior à taxa geral da população,
de 24,7 por 100 mil. Entre homens jovens, esse índice aumenta para 36,8 por 100
mil, revelando uma vulnerabilidade significativamente maior nesse grupo.
Diante desse
cenário, a psiquiatra Aline Sena da Costa Menezes, da ViV Saúde Mental e
Emocional, destaca que os dados apontam para uma combinação de fatores clínicos
e sociais que têm ampliado o risco entre jovens.
“Do ponto de vista
técnico, observamos um acúmulo de determinantes, desde transtornos depressivos
não diagnosticados até o uso problemático de substâncias, associado a contextos
de desigualdade e insegurança emocional. Quando esses elementos se somam, criam
um ambiente propício para a escalada de comportamentos autolesivos.”
A especialista reforça
que interpretar esses números exige mais do que leitura estatística. “Cada dado
representa um processo de adoecimento que, na maioria das vezes, começou muito
antes de ser percebido. Por isso, a resposta não pode ser apenas emergencial;
ela precisa ser estruturada, contínua e integrada, envolvendo serviços de
saúde, família, escolas e toda a rede de suporte”, explica.
Alerta para
internações
Além dos altos
índices de mortalidade, o estudo aponta que homens jovens de 15 a 29 anos foram
responsáveis por 61,3% das internações por transtornos mentais entre 2022 e
2024, com uma taxa 57% maior do que a registrada entre mulheres (450 por 100
mil). As causas mais frequentes, segundo a Fiocruz, incluem abuso de múltiplas
substâncias, cocaína e álcool. Já entre mulheres jovens, a depressão aparece
como o principal motivo.
Para a médica, o
dado representa uma etapa tardia da jornada de adoecimento. “Em muitos casos, o
sofrimento começou anos antes e não foi identificado ou tratado. Se a porta de
entrada para o cuidado é a emergência psiquiátrica, significa que falhamos como
sociedade em oferecer suporte antes”, ressalta.
Por que os
jovens demoram ou evitam pedir ajuda?
O relatório da
Fiocruz também destaca que, entre os obstáculos que afastam jovens do cuidado
precoce estão o estigma, a falta de informação, sensação de invulnerabilidade,
redes de apoio frágeis, desigualdades socioeconômicas e barreiras culturais.
De acordo com a
psiquiatra da ViV, esses fatores criam uma percepção equivocada de que buscar
ajuda é sinal de fraqueza.
“A juventude
enfrenta uma cobrança constante por desempenho, sucesso, autossuficiência.
Admitir sofrimento parece incompatível com essas expectativas. Isso silencia
sintomas, mascara crises e retarda o acesso ao cuidado”, salienta o especialista.
Como ampliar
o cuidado
Para enfrentar
esse quadro, Dra. Aline frisa que é fundamental investir em políticas públicas
integradas, campanhas de prevenção, formação de profissionais, ampliação do
acesso a atendimentos psicológicos e psiquiátricos, e fortalecimento das redes
comunitárias de apoio.
“Estamos diante de
um problema multifatorial, que exige respostas igualmente amplas. A saúde
mental da juventude precisa se tornar uma pauta prioritária, porque estamos
falando de uma geração que carrega um sofrimento real e que precisa ser vista,
ouvida e cuidada”, finaliza.
ViV Saúde Mental e Emocional
Mais informações pelo número 0800 323 5088.
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