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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Saúde mental da juventude entra em estado de alerta, aponta estudo da Fiocruz

Com índices críticos de internações, especialista enfatiza que o sofrimento dos jovens precisa ser reconhecido, acolhido e tratado com prioridade nacional

 

Em meio à rotina acelerada, às pressões sociais e ao aumento de fatores estressores entre adolescentes e adultos jovens, a saúde mental dessa população se tornou um ponto crítico no país. A mais recente pesquisa da Fiocruz revela um retrato alarmante: os jovens brasileiros estão mais expostos a riscos graves, mas ainda têm menos acesso a suporte adequado.

Segundo o último relatório de saúde mental divulgado pelo Informe Epidemiológico sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira, a taxa de suicídio entre jovens chega a 31,2 casos por 100 mil habitantes, superior à taxa geral da população, de 24,7 por 100 mil. Entre homens jovens, esse índice aumenta para 36,8 por 100 mil, revelando uma vulnerabilidade significativamente maior nesse grupo.

Diante desse cenário, a psiquiatra Aline Sena da Costa Menezes, da ViV Saúde Mental e Emocional, destaca que os dados apontam para uma combinação de fatores clínicos e sociais que têm ampliado o risco entre jovens.

“Do ponto de vista técnico, observamos um acúmulo de determinantes, desde transtornos depressivos não diagnosticados até o uso problemático de substâncias, associado a contextos de desigualdade e insegurança emocional. Quando esses elementos se somam, criam um ambiente propício para a escalada de comportamentos autolesivos.”

A especialista reforça que interpretar esses números exige mais do que leitura estatística. “Cada dado representa um processo de adoecimento que, na maioria das vezes, começou muito antes de ser percebido. Por isso, a resposta não pode ser apenas emergencial; ela precisa ser estruturada, contínua e integrada, envolvendo serviços de saúde, família, escolas e toda a rede de suporte”, explica.


Alerta para internações

Além dos altos índices de mortalidade, o estudo aponta que homens jovens de 15 a 29 anos foram responsáveis por 61,3% das internações por transtornos mentais entre 2022 e 2024, com uma taxa 57% maior do que a registrada entre mulheres (450 por 100 mil). As causas mais frequentes, segundo a Fiocruz, incluem abuso de múltiplas substâncias, cocaína e álcool. Já entre mulheres jovens, a depressão aparece como o principal motivo.

Para a médica, o dado representa uma etapa tardia da jornada de adoecimento. “Em muitos casos, o sofrimento começou anos antes e não foi identificado ou tratado. Se a porta de entrada para o cuidado é a emergência psiquiátrica, significa que falhamos como sociedade em oferecer suporte antes”, ressalta.


Por que os jovens demoram ou evitam pedir ajuda?

O relatório da Fiocruz também destaca que, entre os obstáculos que afastam jovens do cuidado precoce estão o estigma, a falta de informação, sensação de invulnerabilidade, redes de apoio frágeis, desigualdades socioeconômicas e barreiras culturais.

De acordo com a psiquiatra da ViV, esses fatores criam uma percepção equivocada de que buscar ajuda é sinal de fraqueza.

“A juventude enfrenta uma cobrança constante por desempenho, sucesso, autossuficiência. Admitir sofrimento parece incompatível com essas expectativas. Isso silencia sintomas, mascara crises e retarda o acesso ao cuidado”, salienta o especialista.


Como ampliar o cuidado

Para enfrentar esse quadro, Dra. Aline frisa que é fundamental investir em políticas públicas integradas, campanhas de prevenção, formação de profissionais, ampliação do acesso a atendimentos psicológicos e psiquiátricos, e fortalecimento das redes comunitárias de apoio.

“Estamos diante de um problema multifatorial, que exige respostas igualmente amplas. A saúde mental da juventude precisa se tornar uma pauta prioritária, porque estamos falando de uma geração que carrega um sofrimento real e que precisa ser vista, ouvida e cuidada”, finaliza.

 

ViV Saúde Mental e Emocional
Mais informações pelo número 0800 323 5088.


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