Janeiro costuma ser visto como um mês de retração
econômica: contas acumuladas, faturas altas e consumidores mais cautelosos em
gastar. Diante desse cenário, muitas empresas pisam no freio e reduzem esforços
comerciais. Mas, e se o início do ano não fosse um problema, e sim uma
oportunidade de ativar os consumidores e manter um bom resultado de
vendas?
Depois de tantos gastos no período comemorativo de
final de ano, o caixa do cliente entra em modo sobrevivência temporário,
focando nas despesas obrigatórias que costumam arcar após o Ano Novo, como
os impostos e investimentos em educação. Todas as contas chegam juntas,
comprimindo o orçamento disponível para compras impulsivas.
Uma pesquisa divulgada pelo IBGE comprova isso.
Segundo seus dados divulgados, em janeiro de 2025, as vendas varejistas
registraram uma queda de 0,1% em relação ao mesmo período do ano
anterior. Pode parecer pouco, mas, para um setor tão promissor e
movimentado como este, ter uma retração de vendas evidencia o momento delicado
do brasileiro em acabar gastando com o que não for necessário.
Do lado das empresas, o reflexo desse
comportamento costuma ser previsível: redução de campanhas, adiamento de
investimentos e comunicação genérica. Quando oferta e estímulo caem ao mesmo
tempo, a sensação de “mercado parado” se instala. Mas, é justamente aqui
está o ponto chave: o dinheiro não some, ele só muda de destino.
Quando o consumidor está pressionado
financeiramente, ele não para de comprar — ele passa a comprar melhor. Isso
exige das marcas uma comunicação mais empática, útil e conectada ao momento
real do cliente. Marcas que ignoram este contexto falam com um consumidor que
não existe, enquanto aquelas que reconhecem esse cenário e ajustam a proposta de
valor ganham atenção, confiança e conversão. Tudo é questão de estratégia.
O começo do ano exige que as empresas invistam em
campanhas personalizadas com o timing adequado, focando que cada
decisão de compra precisa fazer sentido. Personalizar não significa chamar
pelo nome, mas entender questões como: o que esse cliente já adquiriu, seus
gostos, e o que tende a resolver seu problema agora. Junto a isso, entra
o timing, respeitando o momento financeiro do
consumidor. Ofertas mal posicionadas soam insensíveis, enquanto as bem
contextualizadas transmitem maior inteligência e vendem.
Existem algumas estratégias que funcionam
especialmente bem quando o orçamento está pressionado: reengajamento com foco
em valor, não em desconto (eficiência, economia de tempo ou redução de custo
futuro são mais persuasivos do que descontos rasos); up-sell e cross-sell orientados
à utilidade (destacando produtos e serviços complementares que aumentem o
aproveitamento do que o cliente já tem); e condições comerciais
flexíveis (como parcelamento, planos escalonados e ofertas progressivas,
diluindo o impacto financeiro sem corroer margem).
Manter uma comunicação ativa com quem já
confia na marca é outro ponto indispensável, já que clientes ativos e
inativos recentes têm menor barreira de compra. Em tempos de orçamento
apertado, confiança vira ativo financeiro. Quanto aos canais mais
indicados para construir esse relacionamento, dê preferência por meios mais
diretos e contextuais.
Alguns que acabam ganhando maior protagonismo nesse
sentido incluem o WhatsApp, proporcionando conversas rápidas, próximas e
resolutivas; o RCS, ideal para explicar valor, planos e diferenciais de forma
visual; SMS, sendo mais eficiente para chamadas claras à ação; e o e-mail
segmentado, ótimo para conteúdos educativos, comparativos e ofertas mais
elaboradas. Independentemente de qual for utilizado, lembre-se que a relevância
da mensagem é o que realmente fará a diferença na conversão.
Empresas orientadas por dados entendem que janeiro
não precisa ser um mês de empurrar produtos, e sim de resolver problemas reais
de seu público-alvo. Uma boa estratégia construída nesse sentido permite um
faturamento contínuo, mesmo em períodos tradicionalmente vistos como
desafiadores.
Ter um faturamento sem pausa não é otimismo, é
inteligência aplicada ao contexto real do consumidor. No final, as organizações
que souberem como ajustar seu discurso, canais e ofertas, continuarão vendendo
– enquanto as que sumirem do radar, perderão relevância. As que aguardarem
março para iniciar seus planejamentos de vendas, começarão o ano atrás de seus
concorrentes.
Renata Reis - CRO da Pontaltech, empresa especializada em soluções integradas de VoiceBot, SMS, e-mail, WhatsApp, chatbot e RCS.
Pontaltech
Nenhum comentário:
Postar um comentário