Redes Cordiais e Embaixada do Reino
Unido disponibilizam curso e guia gratuito para professores das
redes pública e privada
unsplash
Após os aprendizados com a COP30, a educação climática ganha centralidade
nas escolas brasileiras. Entre narrativas negacionistas, conteúdos distorcidos
nas redes sociais e a ausência de referências confiáveis, professores e alunos
ficam expostos a um ambiente informacional confuso, que dificulta o debate
qualificado em sala de aula. Por isso, o Redes Cordiais, em parceria com a
Embaixada do Reino Unido, manterá disponível na volta às aulas o curso:”No Clima
Certo: combatendo a desinformação climática nas escolas”.
Professores das redes pública e privada podem acessá-lo gratuitamente na
plataforma Avamec. Adicionalmente, como material de apoio, os professores
podem contar com o guia No Clima Certo, que pode ser acessado aqui.
De acordo com os dados mais recentes do Censo Escolar 2024, cerca de um terço das mais de 179 mil escolas públicas e privadas no Brasil não desenvolveu nenhuma ação de educação ambiental ou sobre mudanças climáticas no último ano, o que representa aproximadamente 60 mil instituições sem atividades ligadas ao tema no currículo escolar. O levantamento mostra disparidades regionais: o Sudeste lidera com o pior desempenho, com cerca de 42% das escolas sem qualquer ação ambiental, seguido pelo Norte, com 39%, enquanto estados como Tocantins, Santa Catarina e Espírito Santo aparecem entre os que mais implementam iniciativas, mas ainda assim com cobertura insuficiente frente à emergência climática.
No curso, com uma abordagem diferenciada, os professores aprendem com especialistas de referência em clima, ciência e comunicação, um time que reuniu os principais temas estruturantes em 20 horas de conteúdo. Todo o material é oferecido de forma online e assíncrona, com videoaulas, slides e referências bibliográficas que apoiam a aplicação em sala de aula. O curso reúne especialistas como Claudio Angelo e Roberto Kaz (Observatório do Clima), Jean Ometto (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE), Cinthia Leone (Climainfo), Matheus Soares(Desinformante) e Thaís Lazzeri (Instituto Fala). Também participam nomes ligados à educação e à divulgação científica, como Laila Zaid (Cuíca), Kizzy Terra (Programação Dinâmica), Rafaela Lima (Mais Ciência), Cecília Alves Amorim (Carta Amazônica), Liz Nóbrega (Aláfia Lab), Karina Santos, (ITS Rio) Clara Becker, Januária Alves, Bibiana Maia da Silva e Ana D’Angelo (Redes Cordiais) e Graham Knight (Embaixada do Reino Unido).
O Guia No Clima Certo é dividido em quatro eixos: 1 - Fundamentos sobre as mudanças climáticas, 2 - O que é desinformação, 3 - Negacionismo e desinformação climática e 4 - Narrativas digitais: da ciência ao feed. Cada unidade explica os conceitos relacionados ao tema e, ao final, sugere uma série de conteúdos de apoio e atividades que podem ser trabalhadas com os alunos.
“A escola é um ambiente estratégico para o combate à desinformação
climática. É nela que se forma o olhar crítico, a confiança na ciência e a
capacidade de distinguir fatos de manipulações. A desinformação climática é
hoje uma das maiores ameaças à ação ambiental. Criada para manipular, gerar
medo e proteger interesses econômicos, ela se espalha nas redes sociais mais
rápido que os fatos”,
comenta Clara Becker, diretora executiva do Redes Cordiais.
A crise climática e a opinião dos brasileiros
Desde 1880, dados científicos mostram um aquecimento global
contínuo e inequívoco, acelerado no século 21. No Brasil, de acordo com o
Relatório Bienal de Transparência do Brasil, vivemos 14 ameaças climáticas distribuídas
pelas cinco regiões do país. Destacam-se o aumento de chuvas no Sul, Norte e
Sudeste, com riscos de inundações, deslizamentos e alagamentos; tendência de
seca mais intensa no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste; e maior ocorrência de
ventos severos em quase todas as regiões, capazes de desencadear ciclones
extratropicais.
Apesar de sua importância, a crise climática ainda não é um tema
amplamente conhecido pela população. Segundo uma pesquisa do ITS Rio, apenas
22% consideram saber muito sobre aquecimento global e mudanças climáticas.
Ainda assim, 74% acreditam que é mais importante proteger o meio ambiente mesmo
que signifique menos crescimento econômico e empregos. Os dados mostram a
importância de trabalhar o tema em sala de aula para que as próximas gerações
tomem melhores decisões quanto ao clima.
Cenário da educação climática no Brasil
Um levantamento de abrangência nacional realizado pela Nova
Escola, em parceria com o Office for Climate Education (OCE), aponta um que 38%
dos professores não se sentem preparados para trabalhar os conceitos
científicos relacionados às mudanças climáticas, enquanto mais de 40% das
escolas ainda não incorporaram um plano de ação climática em seus Projetos
Político-Pedagógicos. Apesar dessas limitações, o interesse por qualificação é
elevado: 86% dos docentes manifestam disposição para participar de processos de
formação continuada. A pesquisa ouviu 1.600 docentes e identificou como
principais entraves a carência de formação específica, o baixo apoio institucional
e a escassez de materiais pedagógicos.
Redes Cordiais
www.redescordiais.org.br
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