Começo com uma pergunta simples: quando foi a última vez que você ouviu um CIO falar de tecnologia… sem mencionar tecnologia? Essa cena está se tornando cada vez mais comum. E há uma razão clara para isso.
Vivemos um período em que a volatilidade virou regra, e a decisão virou ativo
estratégico. O Gartner acaba de divulgar sua Agenda Executiva 2026, e um dado
chama atenção: mesmo sob pressão orçamentária, investimento em tecnologia está
subindo — não porque é moda, mas porque virou condição de sobrevivência.
Mas algo mais importante está acontecendo por baixo desses gráficos: o CIO está
deixando de ser comprador de tecnologia para se tornar orquestrador de impacto.
Durante décadas, o papel do CIO se dividiu entre eficiência operacional e
redução de custo. Hoje, o que está na mesa é outra coisa: competitividade. Não
à toa, as áreas que mais crescem em investimento — IA generativa, segurança
cibernética, integração de plataformas e dados — não são apenas tecnologias,
são capacidades.
A IA aparece com 88% de aumento de funding. Segurança, 84%. Customer
Relationship Platforms, 61%. Low-code/no-code, 58%. O que todas têm em comum?
Elas não resolvem apenas um problema técnico. Elas reconfiguram a forma como a
empresa opera.
A transformação deixou de ser projeto e virou arquitetura. Isso nos leva ao
ponto central da agenda: tecnologia deixou de ser ferramenta e passou a ser
narrativa estratégica. Em vez de perguntar “quanto custa?”, o conselho começa a
perguntar “o que habilita?” e “quanto acelera?”.
É aqui que entra a nova responsabilidade do CIO — que já não é mais entregar
plataforma, e sim entregar significado. Um sistema de integração não é mais
middleware; é o que permite que o marketing automatize jornadas, que o Customer Sucess personalize
suporte, que o financeiro minimize fraude e que a área comercial aumente
previsibilidade.
Tecnologia virou costura organizacional, o que também estabelece um novo pacto
interno. O CIO não está mais isolado no data center — está sentado ao lado do
CMO, do CFO, do COO e, cada vez mais, do CHRO. O Gartner chama isso de “C-suite
partnership strengthening”. É impossível escalar competitividade sozinho.
Se antes o CIO ouvia “precisamos de tecnologia para acompanhar o mercado”,
agora se ouve “precisamos de tecnologia para projetar o mercado”.
A agenda invisível
Mas existe uma agenda que não aparece no relatório, e é aqui que vale provocar:
o maior desafio dessa nova era não é técnico, é humano. Não é se a empresa vai
usar IA generativa, mas se ela vai usá-la com inteligência. Não é se vai
automatizar, mas o que vai automatizar. Não é se vai integrar dados, mas se vai
transformá-los em decisões, afinal eficiência sem intenção é só automação.
A década do impacto
Olhando para os próximos anos, vejo duas definições distintas de tecnologia: a
tecnologia que reduz complexidade e a tecnologia que gera impacto. A primeira
resolve o hoje. A segunda constrói o amanhã.
Minha provocação é essa: o verdadeiro papel do CIO será decidir quantos amanhãs
a empresa ainda vai ter.
Mario Marchetti - Diretor-Geral da Sinch para a América Latina
Sinch
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