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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Alta em casos de Burnout acende alerta para cuidados com a saúde mental

Apenas no primeiro semestre do ano anterior, foram registrados 71,6% de casos de todo o volume observado em 2024. A condição se caracteriza por um estado de exaustão física e emocional persistente, acompanhada de desmotivação, distanciamento afetivo em relação às atividades profissionais e queda no desempenho
 

O Burnout, síndrome associada ao estresse crônico no ambiente profissional, tem se tornado cada vez mais frequente em diferentes áreas de atuação, refletindo rotinas intensas, pressão por resultados e a dificuldade de estabelecer limites entre trabalho e vida pessoal. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma condição relacionada ao trabalho, a síndrome impacta diretamente a saúde mental e a qualidade de vida dos profissionais. 

Dados do Ministério da Previdência Social (MPS) apontam que, apenas no primeiro semestre de 2025, foram registrados 3.494 afastamentos por Burnout, o equivalente a 71,6% de todo o volume observado em 2024. A condição se caracteriza por um estado de exaustão física e emocional persistente, acompanhado de desmotivação, distanciamento afetivo em relação às atividades profissionais e queda no desempenho.

Diferentemente do cansaço ocasional, o Burnout se desenvolve de forma gradual e pode evoluir para quadros mais graves quando não identificado e tratado adequadamente. De acordo com Silvia Cury, psicóloga do Hcor, os sinais costumam aparecer de forma silenciosa. “Muitas pessoas normalizam o cansaço extremo e a sobrecarga emocional, sem perceber que esses já são alertas importantes. Irritabilidade constante, dificuldade de concentração, alterações no sono e sensação de incapacidade são sintomas que não devem ser ignorados”, explica.

Além dos fatores individuais, o contexto organizacional exerce papel central no desenvolvimento da síndrome. Jornadas extensas, metas inalcançáveis, excesso de demandas e a ausência de reconhecimento contribuem para o esgotamento progressivo dos profissionais. Para a especialista, a prevenção depende de uma abordagem conjunta. “Cuidar da saúde mental não é apenas uma responsabilidade individual. Ambientes de trabalho mais saudáveis, com espaço para diálogo, pausas e apoio psicológico, fazem toda a diferença na prevenção do Burnout”, afirma.


Tratamento e acompanhamento

O tratamento do Burnout envolve uma abordagem multidisciplinar, que considera tanto a saúde emocional quanto os fatores externos relacionados ao trabalho. O acompanhamento psicológico é um dos principais pilares, ajudando o paciente a compreender os gatilhos do estresse, desenvolver estratégias de enfrentamento e reconstruir uma relação mais saudável com o trabalho.

Em alguns casos, pode ser necessário o afastamento temporário das atividades profissionais para garantir a recuperação física e mental. Quando há sintomas associados, como ansiedade ou depressão, a avaliação psiquiátrica pode ser indicada para definição de um tratamento complementar, incluindo, quando necessário, o uso de medicação.

Segundo a especialista, o cuidado deve ser contínuo. “O tratamento do Burnout não se resume a descansar por alguns dias. É um processo que envolve mudanças de hábitos, revisão de prioridades e, muitas vezes, ajustes no ambiente de trabalho. O objetivo é promover uma recuperação sustentável, evitando recaídas”, destaca Silvia.

Além do acompanhamento profissional, práticas como atividade física regular, sono de qualidade, alimentação equilibrada e momentos de lazer são importantes aliadas no processo terapêutico. A participação ativa das empresas também é fundamental, com políticas que incentivem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a criação de ambientes mais acolhedores. 

Ampliar a conscientização sobre o Burnout é um passo essencial para reduzir o estigma em torno da saúde mental e estimular atitudes de cuidado, tanto por parte dos profissionais quanto das organizações.

 

Hcor

 

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