Janeiro é o mês de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico do câncer de colo do útero. Apesar de ser uma doença altamente prevenível, ela permanece como um relevante problema de saúde pública no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, trata-se do terceiro tipo de tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras (excluídos os tumores de pele não melanoma), com cerca de 17 mil novos casos estimados por ano, afetando principalmente mulheres entre 25 e 64 anos, sobretudo em regiões com menor acesso aos exames preventivos.
Na maioria dos casos, o câncer de colo do útero está associado à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente pelos tipos de alto risco oncogênico. Quando identificado precocemente por meio do rastreamento adequado, o câncer pode ser interrompido ainda na fase de lesões precursoras e, nos estágios iniciais, apresenta taxas de cura superiores a 90%.
De acordo com a Dra. Karla Kabbach, médica patologista com ênfase em Ginecopatologia, com atuação no Hospital Israelita Albert Einstein e membro do Departamento de Especialidades da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), o câncer de colo do útero segue como uma das principais causas de morte por câncer feminino em regiões menos desenvolvidas do país, com impacto desproporcional em áreas como a Região Norte, onde ainda persistem barreiras significativas de acesso ao rastreamento e ao diagnóstico precoce.
A especialista destaca as novas Diretrizes de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, adotadas no Brasil desde 2025, que estabelecem o teste de HPV como exame primário, substituindo o Papanicolaou como primeira linha de rastreamento. Alinhadas às evidências científicas internacionais, essas diretrizes ampliam a capacidade de identificar mulheres em maior risco de forma mais precoce e eficaz.
Professora e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Dra. Karla reforça que é fundamental que o SUS esteja plenamente adequado a essas recomendações, garantindo acesso ao teste de HPV, fluxo diagnóstico eficiente e acompanhamento adequado das pacientes. Nesse contexto, o patologista exerce papel central ao analisar, de forma microscópica e precisa, as amostras obtidas em biópsias, confirmando o tipo e o grau das lesões e fornecendo informações decisivas para orientar a conduta clínica e o tratamento.
A SBP se coloca à disposição da imprensa para
comentar avanços no rastreamento, aspectos diagnósticos e a importância do
diagnóstico precoce na redução da mortalidade por câncer de colo do útero, além
de esclarecer as novas Diretrizes de Rastreamento, contribuindo para uma
informação qualificada e baseada em evidências científicas.
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