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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Hanseníase: uma das doenças mais antigas do mundo ainda é questão de saúde pública

O Brasil é o segundo país do mundo entre os que registram novos casos. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade alerta sobre a importância do diagnóstico precoce
 

Uma doença que tem origem há mais de quatro mil anos ainda acomete populações em todo o mundo, inclusive no Brasil, que ocupa a segunda posição entre os países que registram novos casos de hanseníase, de acordo com o Ministério da Saúde. No Dia Mundial Contra a Hanseníase, celebrado no último domingo de janeiro, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) alerta para a importância do diagnóstico precoce e da prevenção, especialmente entre as populações social e economicamente mais vulneráveis, que são as mais suscetíveis à doença. 

A hanseníase é conhecida por muitos de forma distante, geralmente associada apenas aos livros de história e a filmes que retratam épocas antigas. No entanto, ela está mais presente nos dias atuais do que se imagina. Antigamente denominada lepra, a doença teve sua nomenclatura alterada após a descoberta do agente infeccioso, em 1873. 

“Além de acometer a pele, com manchas que podem ser brancas, avermelhadas, castanhas ou marrons, causando dor e alterações de sensibilidade ao frio e ao calor, a hanseníase pode provocar danos neurológicos e sequelas. Esses danos são causados pelo bacilo Gram-positivo aeróbio Mycobacterium leprae e incluem disfunção nervosa, perda de sensibilidade, dor neuropática e comprometimento motor. Outros sintomas são formigamentos nas mãos e nos pés, regiões que também podem apresentar perda de força muscular e sensibilidade”, detalha Arthur Fernandes, médico de família e comunidade, diretor do Departamento de Comunicação da SBMFC. 

O diagnóstico é realizado principalmente por meio de exame clínico, podendo ser complementado por exames laboratoriais e, quando necessário, por métodos moleculares. Após a confirmação, o tratamento é feito com medicamentos distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As Unidades Básicas de Saúde, presentes em todo o território nacional, oferecem suporte ao diagnóstico, tratamento e prevenção da doença. Quanto mais precoce for o diagnóstico e o início do tratamento, menores são as chances de desenvolvimento de sequelas. 

“Uma das prioridades do tratamento é evitar a transmissão para pessoas próximas àquela que recebeu o diagnóstico confirmado. Devido ao estigma social e a fatores históricos, ainda existe a crença de que a hanseníase é transmitida por abraços ou pelo uso dos mesmos objetos. No entanto, a principal forma de transmissão ocorre por meio de gotículas respiratórias, como espirros, tosse, fala ou contato próximo e prolongado”, explica Arthur.
  


Medicina de Família e Comunidade

SBMFC - Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade

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