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Pesquisadores
chineses publicaram no início deste mês no Britsh Journal of Nutrition estudo
transversal sobre o efeito da dieta mediterrânea na miopia
de adolescentes, utilizando dados do
NHANES (Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição) realizado a cada dois
anos nos EUA.
Participaram do estudo 2.473 adolescentes americanos com idades entre 12 e 18 anos, sendo 1.090 com miopia maior ou igual a 0,5 dioptria e 1.383 sem miopia. Para os pesquisadores, embora haja evidências de que a herança genética não seja a única determinante da miopia, fatores ambientais, como por exemplo, a alimentação, pode estar por trás da projeção da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 51% da população global com miopia até 2050.
As
estatísticas do estudo mostram que o consumo abusivo de açúcar e carboidratos
refinados aumentou em 41% a miopia de uma parcela de participantes em
comparação aos que mantiveram a dieta mediterrânea.
Porque
a dieta tem este efeito
Para
o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Burnier e
membro fundador da ABRACMO (Academia Brasileira de Controle da Miopia) o
segredo da dieta mediterrânea para nossos olhos e saúde sistêmica é a melhora
da circulação. Isso porque, quando a circulação está comprometida o aporte de
oxigênio e nutrientes diminuem em todo o globo ocular, incluindo a coroide
responsável pela nutrição da esclera, parte branca do olho. Por isso, a esclera
que funciona como o arcabouço do globo ocular, se torna maleável e facilita o
crescimento do olho acima do normal. O especialista
explica que a alimentação mediterrânea facilita a circulação, a esclera se
torna mais resistente e impede o crescimento anormal do olho. “Apesar disso, até agora, não há
evidência de que a alimentação ou suplementação sozinhas revertam ou interrompam
a miopia” afirma Queiroz Neto. Entretanto, a alimentação rica em grãos
integrais, verduras, frutas, nozes, pescados e azeite podem modular fatores
fisiológicos envolvidos na progressão, funcionando como coadjuvantes, não como
tratamento isolado, assinala.
Como
a criança se torna míope
O
oftalmologista explica que a principal alteração fisiológica do olho míope é o
aumento do comprimento axial – distância entre a córnea (lente externa do olho)
e a parte detrás da retina. Por isso, é tão importante o tipo de alimentação
que uma criança recebe, salienta. “Alimentos ultraprocessados e refinados, a
gordura saturada e o excesso de açúcar enfraquecem a esclera e aumentam o risco
de crescimento do olho acima dos 23 a 24 mm que caracterizam a boa visão. O especialista
ressalta que cada milímetro a mais indica 2,5 dioptrias de miopia. Em olhos com
alta miopia o comprimento axial é de 26mm ou mais, o fundo do olho se torna
frágil e aumenta o risco de perda da visão na idade adulta por descolamento e
outras condições na retina, glaucoma e catarata.
O risco das telas
“Nossos
olhos não foram feitos para permanecerem fixos diante de uma tela por mais de
duas horas ininterruptas”, diz o oftalmologista. Isso porque, explica,
trabalham para ver, piscamos cinco vezes menos em frente às telas, a lágrima
resseca, os olhos são bombardeados por milhões de pontos luminosos, ardem e
este esforço intensivo causa dor de cabeça. Um estudo de Queiroz Neto com 360
crianças de 6 a 9 anos revela que na infância o uso de telas por mais de duas
horas dobra o risco de miopia e também causa miopia acomodativa, um espasmo dos
músculos ciliares que movimentam o cristalino do olho para alternar a
focalização nas várias distâncias. O especialista explica que a miopia
transitória é um turvamento da visão que pode durar meses ou se tornar um mal
permanente caso os hábitos não sejam modificados. A criança com miopia
transitória se sente bem em frente ao computador, avisa, mas como não enxerga à
distância com frequência têm queda no rendimento escolar. A miopia é o mal do
século quando o assunto é saúde ocular. Queiroz Neto ressalta que há evidências
de que as atividades ao ar livre por pelo menos duas horas, especialmente nos
horários de alta luminosidade aumentam a produção de dopamina, hormônio que
diminui o risco de miopia. O problema é que a criança não sabe como enxerga.
Por isso, são os pais que devem estar atentos, especialmente no período de
férias para não comprometer o aprendizado na volta às aulas, conclui.

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