Compreender as dificuldades emocionais dos
pequenos trata-se de construir pontes de comunicação e garantir o direito à
identidade
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A inclusão de
crianças surdas começa quando as pessoas abandonam o olhar de
"falta" ou "deficiência" e passam a enxergar a potência da
experiência visual. A surdez não é um obstáculo, mas uma característica
que exige adaptações específicas para garantir o
pleno desenvolvimento cognitivo, emocional e social. E, desta
forma, é possível criar ambientes seguros onde a comunicação e o
aprendizado possam florescer.
Professor
e escritor, Filipe Macedo tem perda bilateral, e transformou sua
condição em uma jornada pela acessibilidade. Ele destaca que o acolhimento
começa quando a família e a escola decidem aprender a escutar
verdadeiramente a criança — seja pela Libras ou a leitura
visual do mundo — estabelecendo vínculos reais de comunicação.
Conhecido
como "Passarinho" e autor do livro Família da
Libras – Sentimentos (Ciranda
na Escola), Macedo reforça que a maior barreira para uma criança
surda não é o silêncio, mas a exclusão comunicativa dentro de casa ou sala de
aula. A partir das experiências e obras do escritor,
preparamos 5 dicas essenciais para caminhar com a inclusão
e empatia.
- Para a criança surda, o rosto é
a principal fonte de informação. Antes de começar a falar ou sinalizar,
certifique-se de que a criança está olhando para você. Use expressões
faciais condizentes com a mensagem: se a notícia é alegre, sorria; se é um
alerta, seja sério.
- O cérebro da criança surda é
altamente visual. Utilize figuras, desenhos, mapas mentais e objetos reais
para explicar conceitos abstratos. Em sala de aula, o uso de recursos
visuais não beneficia apenas o aluno surdo, mas torna o aprendizado mais
rico para todos os alunos.
- Mesmo que a criança utilize
aparelhos auditivos ou implante coclear, a LIBRAS é uma ferramenta de
identidade e conforto. Ter acesso a uma língua de modalidade
visual-espacial garante que a criança não sofra de "privação
linguística".
- Um ambiente escuro é, para o
surdo, o equivalente a um ambiente barulhento para um ouvinte. Garanta que
a luz esteja sempre de frente para quem fala/sinaliza e nunca atrás (o que
cria sombras no rosto). Na escola, posicione a criança em um
lugarestratégico onde ela tenha uma visão ampla da sala e do
professor (a).
- Apresente referências de
adultos surdosou com deficiência auditiva bem-sucedidos para a
criança. É fundamental que a criança entenda que ela pode ser o que
quiser. Evite superproteção; incentive-a a resolver pequenos problemas e a
se comunicar com o mundo, mostrando que a surdez é apenas uma parte de
quem ela é, e não o todo.
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