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| IMAGEM: DC - criada com IA Gemini |
Você já parou para pensar em quanta
gente que fica de fora quando um site ou um aplicativo não são plenamente
acessíveis? Quantas pessoas são diretamente prejudicadas pelo fato de que
poucos programadores e designers conhecem e aplicam acessibilidade digital em
seus projetos? E o que temos que fazer para mudar esse quadro capacitista e
excludente?
O primeiro passo é entender que estamos
tratando de questões fáceis de resolver! Não se trata de nenhum bicho
tecnológico de sete cabeças, de nada que necessariamente custe uma fortuna para
corrigir! Basicamente, é utilizar arquitetura correta de programação, evitando
problemas estruturais e de design, como impedir o uso do leitor de tela e a
navegação pelo teclado, exigir o mouse para tudo, não oferecer contraste adequado,
apresentar imagens sem legenda, não dispor de tradutor de Libras, entre outros
recursos de acessibilidade e assistividade.
Manter um site ou um aplicativo sem
acessibilidade, além de liability, com possíveis consequências
civis e criminais, também alija milhões de potenciais consumidores e clientes,
que simplesmente não conseguem acesso ao conteúdo, produtos e serviços
disponíveis, assim como outros tantos que, apesar de conseguirem acessar, não o
fazem por razões éticas, pelo sentimento de não querer se relacionar com uma
organização que, notoriamente, não investe em acessibilidade.
Apesar dos imprecisos dados do IBGE,
sabemos que, no Brasil, a população com deficiências moderadas e severas
representa, arredondando, 8% do total, ou algo como 15 milhões de brasileiras e
brasileiros. Somados a aqueles com deficiências leves, que a metodologia do
nosso censo não consegue captar, mas que eu me arrisco a estimar em mais uns 10
milhões, já contabilizamos cerca de 25 milhões com algum tipo de deficiência!
Considerando que cada uma dessas pessoas relaciona-se direta e proximamente com
pelo menos mais três, chegamos a 100 milhões de compatriotas potencialmente
sensíveis às mazelas enfrentadas e inclinados, como mostram pesquisas, a
valorizarem quem valoriza e promove ações acessíveis e inclusivas.
Neste contexto, é fundamental, também,
incluirmos os idosos nesta equação, já que vivemos um processo acelerado de
envelhecimento da população e que, dos cerca de 32 milhões de idosos, 30%
apresentam alguma deficiência, representando 50% dessa população! Ou seja, a
tendência é que esses percentuais continuem aumentando gradualmente e que os
longevos passem a ser a maioria da população com deficiência no Brasil… e no
mundo!
Resumindo, estamos falando de uma massa
enorme de consumidores/clientes/cidadãos que têm sérias dificuldades ou
simplesmente não conseguem usar grande parte dos sites, aplicativos e novas
tecnologias da atualidade, que, cada vez mais, passam a ser os únicos caminhos
disponíveis para acionamento ou resolução de uma série de questões do nosso dia
a dia. Não podemos deixar que a evolução tecnológica represente exclusão no seu
acesso e utilização!
Do ponto de vista legal, não existe
mais zona cinzenta. O artigo 63 da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015)
é claro ao determinar que sites de empresas com atuação no país devem ser
plenamente acessíveis. Some-se à LBI a Lei 10.098/2000, o Decreto 5.296/2004 e
outros diplomas legais que tratam da eliminação de barreiras na comunicação e
na informação e claro que faz tempo que acessibilidade digital deixou de ser
recomendação e passou a ser obrigação jurídica, ética e de mercado.
Isso tudo ajudou a preparar o terreno
para o momento em que estamos agora, que é o de colocar tudo isso em prática e
começar a observar mais e mais acessibilidade na web brasileira. E é exatamente
nesse cenário que entram as novas normas da ABNT, que tiram o tema do abstrato
e o transformam em prática concreta.
A ABNT NBR 17.060 estabelece
requisitos para acessibilidade em aplicativos de dispositivos móveis, trazendo
diretrizes objetivas para garantir que apps possam ser usados por todas as
pessoas. Já a ABNT NBR 17.225, lançada em 11 de março de 2025 (Dia
da Acessibilidade Digital no Brasil), define como tornar acessíveis sites e
conteúdos web em geral. Em outras palavras, as normas deixam claro o que
precisa ser feito, agora é fazer e exigir que todo o mundo faça, que haja
fiscalização e que, simplesmente, a legislação e a normatização vigentes sejam
cumpridas.
Para os leitores do Diário do
Comércio, a boa notícia é que ficou fácil fazer a coisa certa.
Acessibilidade digital não depende mais de grandes investimentos ou projetos
mirabolantes. Depende de método. Depende de incorporar práticas de
acessibilidade desde o início do desenvolvimento do site ou aplicativo. Depende
de adotar as normas da ABNT como checklist diário da equipe de TI, UX,
marketing e comunicação, sem esquecer do pessoal de compliance, que
vai ficar feliz em ver, finalmente, a filial local, no caso das multinacionais,
por exemplo, adotar práticas de acessibilidade há anos já mandatórias em suas
matrizes.
E, sim, não tem jeito, acessibilizar
seu site vai demandar algum investimento na contratação de um especialista.
Mas, por favor, não veja isto como uma despesa, como um custo. Acessibilidade
tem que ser vista como estratégia, estratégica, com impacto direto para as
pessoas com deficiência e reflexos positivos para todos. Quando o site ou app é
acessível, mais pessoas navegam, mais pessoas entendem o que você oferece e
mais pessoas encontram o que estão buscando. Vende mais quem atende melhor.
A combinação de legislação adequada,
normas técnicas práticas, inovação tecnológica e uma década de esforços para
consolidar essa pauta vem criando um ambiente favorável à transformação digital
acessível e inclusiva. Em 2025, manter site ou aplicativo fora dos padrões
significa perder clientes, arriscar sanções e transmitir a pior mensagem
possível: a de que sua empresa não se importa com os direitos de uma parcela
significativa da sociedade.
Com a NBR 17060 e a NBR 17225, acabou a
desculpa. É hora de levar acessibilidade digital e comunicacional para o centro
da estratégia e transformar suas interfaces digitais, sua imagem, em canais
verdadeiramente pensados e abertos para todos!
**As opiniões expressas em artigos são
de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com
as do Diário do Comércio**
Cid
Torquato - CEO
do ICOM e ex-secretário municipal da Pessoa com Deficiência em São Paulo
Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/o-seu-site-e-acessivel-e-o-seu-app

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