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sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Saúde íntima

Vergonha, falta de informação e fatores sociais são
desafios à prevenção dos cânceres ginecológicos
 

Diálogo e disseminação de conhecimento são fundamentais para evitar diagnóstico da doença em estágio avançado, avalia especialista do Hospital Santa Catarina – Paulista
 

Falar sobre saúde íntima feminina ainda é tabu. Com vergonha ou desconforto, muitas mulheres evitam o tema, o que atrapalha a prevenção às doenças que atingem os órgãos do sistema reprodutor feminino, como os cânceres do colo do útero, ovários, vagina e vulva. A falta de diálogo acarreta em atraso na busca por exames, desconhecimento quanto às formas de prevenir e o que mais preocupa: diagnóstico tardio. 

Segundo o Dr. Aumilto Augusto da Silva Júnior, oncologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, a consequência mais grave está na descoberta tardia de que há algo errado, em geral quando a doença já está em estágio avançado. “Romper esse tabu é fundamental. Quanto mais falarmos sobre saúde íntima, mais mulheres terão informação, acesso a exames e chance de prevenir o câncer ginecológico”, afirma. 

No Brasil, estima-se cerca de 30 mil novos casos deste tipo por ano. Embora todas as mulheres tenham algum risco de desenvolver esses tipos de câncer, eles aumentam a partir de fatores sociais, culturais, biológicos e comportamentais, explica o especialista. Para o Dr. Aumilto, a prevenção depende não apenas de exames e vacinas, mas também de garantir conhecimento e acesso igualitário para todas. 

Isso porque a ameaça cresce para quem tem escolaridade menor, baixa renda, dificuldade de entrada em serviços de saúde e reside em regiões afastadas. Outros pontos que aumentam a probabilidade são: histórico de mutações genéticas, doenças hereditárias, infecção persistente por HPV, início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e imunossupressão (HIV). 

“O tabu em falar sobre saúde íntima ainda afasta muitas mulheres dos serviços de saúde. Elas devem se sentir seguras para conversar com seus médicos e cuidar ativamente da sua saúde, sem ressalvas. Quanto mais informação, prevenção e acesso à saúde, menores serão os impactos dos cânceres ginecológicos”, reforça o oncologista do Hospital Santa Catarina – Paulista.
 

Sinais e sintomas

Os sinais no corpo da mulher podem variar, mas alguns sintomas merecem atenção: dor ou pressão na região pélvica que não passa; sensação de estar cheia muito rápido, mesmo comendo pouco; sangramento fora do período menstrual e após a menopausa ou ainda menstruações muito longas ou intensas.
 

Histórico familiar

Quando há histórico familiar de câncer ginecológico (colo do útero, ovário, endométrio ou vulva), é importante redobrar a atenção com: acompanhamento regular, calendário de exames preventivos, vacinação (HPV), rastreamento diferenciado, observação atenta para alterações na pele ou mucosa e controle da obesidade, diabetes e hipertensão.
 

Cuidados básicos

  • Estilo de vida: manter alimentação equilibrada, praticar exercícios, não fumar e evitar excesso de álcool. Usar preservativo.
  • Consultas regulares ao ginecologista:  exames preventivos, conversa sobre histórico familiar e avaliação da necessidade de vacinações.
  • Investigação: devido à alta incidência de câncer de colo uterino no Brasil, o rastreamento para infecção do HPV (teste de DNA) e a vacinação contra o vírus são ações importantes.


Redução de riscos e prevenção

  • Câncer de útero: uso de anticoncepcional oral, atividade física regular e, em alguns casos, terapia hormonal podem ajudar a reduzir o risco.
  • Câncer de ovário: uso prolongado da pílula, gestações, amamentação e cirurgias como laqueadura ou retirada do útero após fim da vida reprodutiva estão associados a menor risco.
  • Câncer de colo do útero: vacina contra HPV e exames preventivos (teste por DNA) são as melhores formas de proteção.
  • Câncer de vulva: consultas ginecológicas regulares ajudam a identificar alterações precocemente. A vacina contra HPV também protege.
     

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