Para o presidente da Abpass Almir Ribeiro Neto, promover escolhas alimentares equilibradas é essencial para frear o avanço da obesidade e melhorar a qualidade de vida da população
Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice de sobrepeso e obesidade entre
adultos brasileiros cresceu 2,2 vezes mais rápido que nos Estados Unidos,
passando de 42,9% em 2001 para 60,9% em 2020. O dado acende um alerta, segundo
a Associação Brasileira de Promoção da Alimentação Saudável e Sustentável
(Abpass), sobre o impacto dos maus hábitos alimentares e a importância de uma
nutrição equilibrada para a saúde da população brasileira.
Um dos motes
importantes para que a população adote hábitos alimentares equilibrados está no
ambiente de trabalho. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, há mais
de 103 milhões de pessoas empregadas no Brasil. Desse número, o Programa de
Alimentação do Trabalhador (PAT) aponta que mais de 21,5 milhões de brasileiros
se alimentam diariamente por meio de iniciativas corporativas de alimentação,
em um universo de mais de 300 mil empresas participantes. Isso mostra que as
organizações podem influenciar positivamente a saúde e o bem-estar da população
economicamente ativa.
“Esse cenário
mostra o impacto das refeições oferecidas pelas empresas. A jornada de trabalho
padrão implica que uma ou duas refeições sejam feitas na própria organização ou
em seu entorno, o que tem impacto direto na saúde dos brasileiros”, comenta
Almir Ribeiro Neto, presidente da Abpass.
Segundo pesquisa
encomendada pela Sapore ao Instituto QualiBest, em 2024, metade dos
entrevistados que almoçam em restaurantes corporativos afirmaram que, se
tivessem acesso à informação calórica das refeições, fariam escolhas
diferentes. Já um estudo da OMS indica que a adoção de hábitos alimentares
saudáveis pode aumentar a performance no trabalho em até 20% e reduzir
significativamente os afastamentos por questões de saúde. Para a Abpass, essa
mudança depende de políticas mais claras e de uma conscientização coletiva
sobre a importância da alimentação no ambiente corporativo.
A associação usa
como referência o Guia Alimentar para a População Brasileira, que apresenta um
conjunto de informações e recomendações voltadas à promoção de uma alimentação
mais saudável. As medidas combatem o consumo de alimentos ultraprocessados —
que, segundo estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde
da Universidade de São Paulo (Nupens/USP), teve um aumento médio de 5,5% nos
últimos dez anos.
Almir acrescenta
que uma dieta baseada em alimentos in natura e minimamente processados combate
não apenas o avanço do excesso de peso e das doenças crônicas não
transmissíveis (DCNTs), como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares,
mas também reduz o número de afastamentos do trabalho e, consequentemente, os
custos com saúde corporativa.
“Os refeitórios empresariais ainda refletem uma lógica ultrapassada, em que o preço da refeição é o principal critério de contratação. Esse modelo ignora o impacto que uma alimentação equilibrada pode gerar na saúde dos trabalhadores e na sustentabilidade das próprias empresas. Estudos internacionais da Organização Mundial da Saúde mostram que a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis pode elevar em até 20% a performance no trabalho”, afirma o presidente.
Refeições equilibradas no trabalho tendem a influenciar positivamente os hábitos alimentares no ambiente familiar. Ou seja, melhorar a alimentação no ambiente corporativo é uma questão de saúde pública e de sustentabilidade. Empresas que investem em qualidade de vida reduzem custos com saúde, aumentam o engajamento e contribuem para um futuro mais equilibrado.
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