Plan Brasil alerta para consequências da exposição
de meninas e meninos no ambiente digital e compartilha orientações de segurança
para famílias
A
denúncia recente feita pelo youtuber Felca trouxe à tona os riscos associados à
exposição excessiva de crianças e adolescentes nas redes sociais. A prática,
muitas vezes vista como uma forma de registrar e compartilhar momentos da
infância, pode, na verdade, comprometer o desenvolvimento emocional, social e
psicológico das crianças. A exposição pode causar danos duradouros à
autoestima, à privacidade e à segurança, além de tornar crianças e adolescentes
vulneráveis a violências como abuso, assédio, exploração sexual, aliciamento e
cyberbullying.
Um
dos efeitos mais preocupantes é a adultização precoce, quando crianças são
colocadas em contextos ou recebem responsabilidades que não condizem com sua
idade. Isso pode gerar insegurança, distorção da autoimagem e acelerar de forma
inadequada o desenvolvimento socioemocional. Muitas vezes, a própria exposição
de momentos íntimos, engraçados ou constrangedores acaba sendo vista como
entretenimento por adultos, mas é internalizada pela criança como vergonha ou
humilhação, afetando seu bem-estar e sua percepção de valor pessoal. Mesmo que
no presente ela não compreenda totalmente o impacto, essa percepção tende a se
intensificar no futuro, à medida que desenvolve maturidade e consciência sobre
o conteúdo pessoal compartilhado.
Nesse
contexto, o Projeto de Lei 2628/2022, que propõe, entre outros temas, a
regulamentação do chamado “sharenting”, prática de compartilhar a vida de
filhos nas redes sociais, surge como um passo importante para proteger os
direitos da infância, definindo limites legais e responsabilidades para os
responsáveis e para as plataformas de redes sociais.
Para
além da legislação, especialistas reforçam que famílias precisam adotar uma
postura crítica e consciente antes de publicar qualquer conteúdo envolvendo
crianças e adolescentes. “A infância é uma fase sensível de construção de
identidade e autoestima, logo precisa também ser respeitada no ambiente
digital. Garantir segurança e privacidade é um dever compartilhado entre
famílias, plataformas e sociedade”, alerta Gezyka Silveira.
Confira
abaixo 10 dicas sugeridas pela especialista da Plan Brasil para reduzir os
riscos da exposição:
- Evite
divulgar informações sensíveis, como nome da escola,
localização, rotina, endereço, placas de carro ou qualquer dado que
facilite a identificação da criança.
- Não
publique imagens íntimas ou constrangedoras,
mesmo que pareçam inofensivas ou engraçadas.
- Prefira
compartilhar com restrição, usando stories para amigos
próximos ou aplicativos com mensagens criptografadas.
- Desative
o compartilhamento e o download das imagens sempre que a
plataforma permitir – e caso não permita, não publique.
- Mantenha
os perfis fechados e controle quem pode ver as
publicações.
- Não
poste em tempo real, especialmente durante
viagens ou passeios frequentes.
- Envolva
a criança na decisão sobre o que será publicado,
respeitando sua opinião e seu direito à privacidade.
- Adie
ao máximo o acesso direto das crianças às redes sociais,
mesmo após os 13 anos, acompanhando de perto e oferecendo orientação
contínua.
- Use
ferramentas de controle parental para monitorar o conteúdo
acessado por adolescentes e limitar o tempo.
- Fortaleça
o vínculo com diálogo e presença ativa,
ensinando sobre respeito, segurança e responsabilidade no ambiente
digital.
Plan Brasil
www.plan.org.br
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