quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Exposição de crianças nas redes sociais: riscos e formas de proteção

Plan Brasil alerta para consequências da exposição de meninas e meninos no ambiente digital e compartilha orientações de segurança para famílias
 

A denúncia recente feita pelo youtuber Felca trouxe à tona os riscos associados à exposição excessiva de crianças e adolescentes nas redes sociais. A prática, muitas vezes vista como uma forma de registrar e compartilhar momentos da infância, pode, na verdade, comprometer o desenvolvimento emocional, social e psicológico das crianças. A exposição pode causar danos duradouros à autoestima, à privacidade e à segurança, além de tornar crianças e adolescentes vulneráveis a violências como abuso, assédio, exploração sexual, aliciamento e cyberbullying. 

Um dos efeitos mais preocupantes é a adultização precoce, quando crianças são colocadas em contextos ou recebem responsabilidades que não condizem com sua idade. Isso pode gerar insegurança, distorção da autoimagem e acelerar de forma inadequada o desenvolvimento socioemocional. Muitas vezes, a própria exposição de momentos íntimos, engraçados ou constrangedores acaba sendo vista como entretenimento por adultos, mas é internalizada pela criança como vergonha ou humilhação, afetando seu bem-estar e sua percepção de valor pessoal. Mesmo que no presente ela não compreenda totalmente o impacto, essa percepção tende a se intensificar no futuro, à medida que desenvolve maturidade e consciência sobre o conteúdo pessoal compartilhado. 

Nesse contexto, o Projeto de Lei 2628/2022, que propõe, entre outros temas, a regulamentação do chamado “sharenting”, prática de compartilhar a vida de filhos nas redes sociais, surge como um passo importante para proteger os direitos da infância, definindo limites legais e responsabilidades para os responsáveis e para as plataformas de redes sociais. 

Para além da legislação, especialistas reforçam que famílias precisam adotar uma postura crítica e consciente antes de publicar qualquer conteúdo envolvendo crianças e adolescentes. “A infância é uma fase sensível de construção de identidade e autoestima, logo precisa também ser respeitada no ambiente digital. Garantir segurança e privacidade é um dever compartilhado entre famílias, plataformas e sociedade”, alerta Gezyka Silveira. 

Confira abaixo 10 dicas sugeridas pela especialista da Plan Brasil para reduzir os riscos da exposição:

  1. Evite divulgar informações sensíveis, como nome da escola, localização, rotina, endereço, placas de carro ou qualquer dado que facilite a identificação da criança.
     
  2. Não publique imagens íntimas ou constrangedoras, mesmo que pareçam inofensivas ou engraçadas.
     
  3. Prefira compartilhar com restrição, usando stories para amigos próximos ou aplicativos com mensagens criptografadas.
     
  4. Desative o compartilhamento e o download das imagens sempre que a plataforma permitir – e caso não permita, não publique.
     
  5. Mantenha os perfis fechados e controle quem pode ver as publicações.
     
  6. Não poste em tempo real, especialmente durante viagens ou passeios frequentes.
     
  7. Envolva a criança na decisão sobre o que será publicado, respeitando sua opinião e seu direito à privacidade.
     
  8. Adie ao máximo o acesso direto das crianças às redes sociais, mesmo após os 13 anos, acompanhando de perto e oferecendo orientação contínua.
     
  9. Use ferramentas de controle parental para monitorar o conteúdo acessado por adolescentes e limitar o tempo.
     
  10. Fortaleça o vínculo com diálogo e presença ativa, ensinando sobre respeito, segurança e responsabilidade no ambiente digital.


Plan Brasil
www.plan.org.br


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