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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Relógio avisou que seu coração está batendo diferente. É preciso se preocupar?

Smartwatches conseguem identificar alterações no ritmo cardíaco, mas especialista alerta que ignorar a notificação ou tratá-la como um diagnóstico são dois erros comuns
 

 “Ritmo cardíaco irregular detectado.” O aviso aparece no relógio e a dúvida é quase imediata: meu coração está com algum problema? Com a popularização dos smartwatches, alertas sobre frequência cardíaca alta, baixa ou batimentos irregulares passaram a fazer parte da rotina de muita gente. A tecnologia pode ajudar a perceber alterações que antes passariam despercebidas, mas também criou um novo desafio: saber o que fazer com essa informação. 

Segundo o cirurgião cardíaco, Dr. Marcelo Sobral, presidente da Associação Brasileira de Estimulação Cardíaca (ABEC), o primeiro ponto é não entrar em pânico, mas também não ignorar notificações recorrentes. “O relógio pode perceber uma alteração no ritmo cardíaco e dar um alerta importante, mas ele não fecha um diagnóstico. Se esses avisos começam a se repetir, principalmente quando aparecem junto com palpitação, tontura, falta de ar, fraqueza ou sensação de desmaio, é importante procurar avaliação médica”, explica. 

Os relógios mais modernos utilizam sensores para acompanhar os batimentos e identificar padrões que fogem do esperado. Alguns modelos conseguem inclusive registrar uma espécie de eletrocardiograma simplificado. Um dos principais usos estudados é a identificação da fibrilação atrial, arritmia caracterizada por batimentos irregulares e que pode aumentar o risco de complicações como o AVC. 

E os aparelhos têm mostrado bons resultados. Uma revisão publicada em 2025 no JACC: Advances, que reuniu 26 estudos e mais de 17 mil pacientes, encontrou sensibilidade de 95% e especificidade de 97% dos smartwatches na identificação da fibrilação atrial. Os números mostram o potencial da tecnologia, mas não significam que o relógio acerta sempre. 

“Existe uma diferença entre o dispositivo identificar um padrão suspeito e o médico confirmar que aquela pessoa realmente apresenta uma arritmia. O relógio funciona como um sinal de atenção e pode fornecer informações muito úteis, mas os dados precisam ser interpretados dentro do contexto de cada paciente”, afirma Sobral. 

Uma notificação isolada também não significa necessariamente que exista uma doença cardíaca. Movimento durante a leitura, mau contato do sensor com a pele e outras interferências podem prejudicar o registro. Da mesma forma, a ausência de alertas não garante que esteja tudo bem, já que algumas arritmias são intermitentes e podem não ser registradas pelo aparelho. 

“Se a pessoa está sentindo o coração disparar ou bater de maneira irregular, apresenta palpitações recorrentes, tontura, falta de ar ou episódios de desmaio, ela não deve esperar o relógio confirmar que existe alguma coisa errada. Sintoma é sintoma, independentemente do que aparece na tela”, alerta o especialista. 

Quando as notificações se repetem, a orientação é guardar os registros do aparelho e apresentá-los ao médico. Horário, frequência cardíaca e eventuais traços feitos pelo smartwatch podem ajudar na investigação. Dependendo do caso, exames como eletrocardiograma e Holter podem ser necessários para confirmar ou descartar uma arritmia. 

Para Sobral, a tecnologia é uma aliada quando utilizada da maneira correta. “O smartwatch colocou informações sobre o coração no pulso de milhões de pessoas e isso pode ajudar a perceber alterações mais cedo. Mas existe uma regra simples: o relógio pode alertar, não diagnosticar. Se algo chamou atenção ou existem sintomas, é hora de procurar avaliação médica”, conclui.
  

Associação Brasileira de Estimulação Cardíaca - ABEC


Baixa umidade do ar exige atenção redobrada com a saúde

O ar seco pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares; crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos à fumaça estão entre os grupos mais vulneráveis
 

A combinação entre a baixa umidade relativa do ar e a fumaça provocada pelas queimadas frequentes em algumas regiões exige atenção redobrada com a saúde durante o período de tempo seco. Além de aumentar o risco de desidratação, o ar seco compromete a umidade natural das mucosas das vias respiratórias, reduzindo a proteção contra partículas e poluentes. Esse cenário pode irritar e inflamar o sistema respiratório, intensificar sintomas e agravar quadros de asma, bronquite e outras doenças pulmonares. 

Entre os efeitos mais comuns da baixa umidade e da exposição à fumaça estão irritação nos olhos e na garganta, ressecamento das vias respiratórias, sangramento nasal, tosse seca, dor de cabeça e agravamento de sintomas respiratórios. Em quadros mais intensos, a desidratação e o comprometimento da função respiratória podem evoluir e exigir avaliação e atendimento médico. 

Segundo o médico pneumologista Claudio Leal, do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, especialmente respiratórias e cardiovasculares, estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do tempo seco. Também merecem atenção redobrada os trabalhadores rurais e outras pessoas expostas diretamente às queimadas, sobretudo quando submetidas a esforço físico em condições de baixa umidade e altas temperaturas. 

“A baixa umidade reduz a proteção natural das vias respiratórias. Os cílios presentes na traqueia e nos brônquios ajudam a filtrar partículas e impurezas, mas o ressecamento prejudica esse mecanismo de defesa. Com a chegada da fumaça, partículas finas e outros poluentes podem alcançar regiões mais profundas dos pulmões. Em pessoas com vias aéreas mais sensíveis, como pacientes com asma e bronquite, isso pode provocar inflamação, estreitamento dos brônquios, tosse e chiado no peito. O risco é ainda maior para crianças e idosos, que podem apresentar piora mais rápida dos sintomas”, explica o especialista.
 

Quando procurar atendimento médico? 

Nem todo desconforto provocado pelo tempo seco representa uma emergência, mas alguns sinais exigem atenção. A população deve procurar atendimento médico diante de falta de ar ou dificuldade intensa para respirar, chiado persistente, tosse seca intensa e contínua, sinais de desidratação como tontura ou confusão mental. 

“Também merecem avaliação médica quadros de febre acompanhada de catarro amarelo ou esverdeado e sangramento nasal frequente que não cessa espontaneamente. Já situações como falta de ar intensa mesmo em repouso, dificuldade para falar frases completas por causa da respiração, piora rápida dos sintomas, dor ou aperto no peito e coloração arroxeada ou azulada dos lábios, língua ou pontas dos dedos, são sinais de alerta para procurar atendimento de urgência”, alerta Claudio Leal. 

Outro indicativo importante é o esforço excessivo para respirar. É possível observar, por exemplo, se as costelas e a barriga afundam durante a respiração ou se as narinas se abrem e se movimentam rapidamente.
 

Prevenção 

Alguns cuidados podem reduzir os impactos do clima seco e da exposição à fumaça:

  • Beber água regularmente, mesmo sem sentir sede;
  • Aumentar a umidade dos ambientes, utilizando umidificadores ou toalhas úmidas, por exemplo;
  • Manter portas e janelas fechadas quando houver presença de fumaça no ambiente externo;
  • Lavar as narinas várias vezes ao dia com soro fisiológico;
  • Evitar exercícios físicos ao ar livre, especialmente durante períodos de fumaça;
  • Utilizar máscara de proteção quando houver necessidade de exposição à fumaça;
  • Evitar espanadores de pó e produtos de limpeza com cheiro forte;
  • Lavar cobertores antes de utilizá-los, reduzindo a presença de ácaros.

Saúde precisa estar acima dos ciclos eleitorais!

Artigo de Opinião: presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr.


A cada eleição, a saúde retorna ao centro do debate público. É natural que candidatos apresentem propostas, estabeleçam prioridades e defendam diferentes caminhos. O problema surge quando programas estruturantes são tratados como marcas de governo, e não como compromissos permanentes da sociedade. Nessa área, a descontinuidade tem consequências graves: interrompe linhas de cuidado, fragiliza equipes, atrasa diagnósticos, amplia filas e compromete a confiança da população.

O Rio Grande do Sul precisa discutir a saúde como política de Estado. Isso significa desenvolver ações capazes de atravessar mandatos, resistir às trocas de gestão e preservar o planejamento técnico diante das mudanças políticas. A Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), como entidade representativa da classe médica, tem o papel de contribuir para esse diálogo com os Poderes Públicos, gestores e a sociedade, sempre com foco na qualidade assistencial, na valorização profissional e na segurança do paciente.

Alguns temas precisam ocupar posição central. O primeiro é o acesso. Reduzir filas para consultas, exames, cirurgias e atendimentos especializados exige gestão eficiente, financiamento adequado, integração entre Estado e municípios e redes regionais bem organizadas. Não basta anunciar mutirões pontuais. É necessário assegurar um fluxo permanente, regulação transparente e capacidade contínua de resposta.

Outro eixo é a prevenção. Vacinação, vigilância epidemiológica, atenção básica e educação da população evitam agravamentos, internações e mortes. Um sistema que investe somente quando a doença já avançou chega tarde. Campanhas de imunização, rastreamento, controle de enfermidades crônicas e incentivo a hábitos saudáveis devem ser protegidos de instabilidades administrativas.

A saúde mental também precisa receber atenção prioritária. A procura por assistência cresce entre crianças, adolescentes, adultos e idosos, pressionando escolas, famílias, unidades básicas, emergências e hospitais. Enfrentar esse cenário requer uma rede articulada, equipes qualificadas, acesso ao tratamento, acompanhamento contínuo e integração com as áreas de assistência social, educação e segurança pública.

A incorporação da tecnologia também deve ser fomentada, tanto na assistência como na gestão. A telessaúde, como alternativa para minimizar a desigualdade de acesso à assistência médica, deve ser ofertada em regiões com menor oferta de especialistas. Outrossim, a implementação de uma plataforma única interoperável de dados de saúde no SUS, melhorando a continuidade do atendimento do paciente na atenção primária, especializada e hospitalar.

O período eleitoral também deve ser um momento de compromisso. Com esse propósito, a AMRIGS será um espaço para debates com candidatos ao Governo do Estado. O encontro está marcado para o dia 30 de setembro, a partir das 13h15, com transmissão ao vivo pela Rádio Guaíba e pelo canal da AMRIGS no YouTube. A entidade abre suas portas porque entende que a Medicina, a saúde e a vida das pessoas precisam permanecer no centro das decisões públicas.

Governos passam. As necessidades da população permanecem. A maturidade democrática está na capacidade de transformar promessas de campanha em políticas duradouras, sustentadas por evidências, responsabilidade técnica e respeito tanto por quem cuida quanto por quem precisa ser cuidado.

 

Dr. Gerson Junqueira Jr. - Presidente da AMRIGS


Uma em cada quatro pessoas idosas sofre queda em um ano; exercício pode ajudar a preservar capacidade funcional

Para o especialista Jauan Anselmo, dados da Fiocruz reforçam a importância de estratégias individualizadas para manutenção da força, equilíbrio e autonomia para quem entra a quem está na terceira idade.

 

Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, a prática de exercícios físicos ganha importância principalmente para a manutenção da força, da mobilidade e da independência. O desafio, segundo o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, é adaptar a prescrição à realidade de um corpo que passa por mudanças progressivas, em vez de simplesmente reproduzir protocolos desenvolvidos para pessoas mais jovens.

 

A necessidade de um planejamento individualizado se torna ainda mais evidente diante dos riscos associados à perda de força e às quedas. Dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que 25,1% dos idosos brasileiros residentes em áreas urbanas sofreram ao menos uma queda em um período de 12 meses, o equivalente a uma em cada quatro pessoas.

 

Para Jauan, envelhecer não significa abandonar exercícios de força ou reduzir a atividade física a caminhadas. O que muda é a necessidade de controlar melhor variáveis como volume, intensidade, frequência, recuperação e complexidade dos movimentos.

 

“O corpo que envelhece continua respondendo ao treinamento e precisa dele. O erro está em acreditar que podemos manter indefinidamente a mesma carga, o mesmo volume e a mesma frequência que utilizávamos aos 20 ou 30 anos. A prescrição precisa acompanhar as mudanças do indivíduo. Em muitos casos, reduzir o volume e aumentar a qualidade do estímulo é justamente o que permite treinar por mais tempo, com segurança e funcionalidade”, explica.

 

Força para combater a perda muscular

 

A preocupação também passa pela sarcopenia, caracterizada pela redução de massa, força e função muscular. Segundo estudo publicado em 2024 na Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, da Universidade de São Paulo (USP), aponta prevalência de 5% a 13% entre pessoas com 65 anos ou mais, podendo chegar a 50% após os 80 anos.

 

Treinar para envelhecer bem é entender qual estímulo aquele corpo consegue receber, assimilar e recuperar. A pessoa precisa desenvolver força suficiente para subir uma escada, levantar de uma cadeira, carregar uma sacola ou reagir a um desequilíbrio. O objetivo final é preservar a autonomia”, afirma o especialista em fisiologia do exercício.

 

Nesse cenário, o exercício físico é uma das ferramentas para preservar a capacidade funcional. Uma pesquisa longitudinal publicada em 2025 na Ageing International, com dados do UK Biobank, acompanhou 1.918 adultos de meia-idade e identificou que níveis maiores de atividade física de intensidade moderada a vigorosa estiveram associados a menor risco de desenvolvimento de sarcopenia.

 

Excesso também pode ser um problema

 

Se a ausência de atividade favorece a perda de capacidade física, o excesso de treinamento sem recuperação adequada também pode comprometer a evolução. A síndrome de overtraining, por exemplo, está associada a queda de desempenho, fadiga persistente, alterações musculares e imunológicas e maior ocorrência de problemas relacionados à recuperação.

 

Por isso, segundo Jauan – que atua na área de forma personalizada –, a lógica do treinamento para pessoas mais velhas deve considerar não apenas o exercício realizado, mas também sono, recuperação, histórico de lesões, doenças preexistentes, nível de condicionamento e resposta individual aos estímulos.

 

Tentar combater o envelhecimento com uma lógica de treinamento que não respeita o próprio envelhecimento é um perigo. A pessoa que quer continuar ativa aos 60, 70 ou 80 anos precisa pensar em consistência, não em provar todos os dias quanto consegue suportar. Uma prescrição inteligente é aquela que permite que você continue treinando amanhã, no próximo mês e nos próximos anos”, conclui.



Jovens de 16 a 24 anos lideram o tabagismo no Brasil, aponta pesquisa do A.C.Camargo e da Nexus

19% da Geração Z são fumantes ativos; no cenário nacional, 1 em cada 3 brasileiros convivem com o fumo passivo

 

A geração que cresceu vendo campanhas antitabagismo é hoje a que mais fuma no Brasil. É o que mostra a pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C.Camargo Cancer Center com a Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu mais de 2 mil pessoas nas 27 unidades da federação. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 19% se declaram fumantes ativos, de cigarros comuns ou eletrônicos, acima da média nacional (17%) e de todas as outras faixas etárias.

O levantamento mostra ainda que o risco não se limita a quem fuma: um em cada três brasileiros (33%) convive frequentemente com pessoas que fumam por perto, em casa ou no trabalho. A exposição é maior no Sul, com 41%, e entre os jovens de 16 a 24 anos, com 37%, a mesma faixa que lidera o consumo ativo. O tabagismo passivo também aumenta o risco de câncer de pulmão mesmo em quem nunca acendeu um cigarro. 

Levamos décadas para reduzir o tabagismo no Brasil. Ver a faixa mais jovem da população liderando o consumo e, ao mesmo tempo, a exposição involuntária mostra que essa conquista não está garantida. Em oncologia, o intervalo entre a exposição e a doença se mede em décadas: o que observamos hoje entre os jovens é um dado que ainda não virou diagnóstico”, afirma o Dr. Helano Freitas, Líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax. 

A pesquisa também aponta que o tabagismo tende a estar associado a um conjunto mais amplo de comportamentos de risco. Entre os fumantes, 84% acumulam até quatro outros hábitos considerados nocivos na rotina, como sedentarismo e consumo de alimentos ultraprocessados e frituras em excesso. Por outro lado, entre quem nunca fumou, 18% declaram não ter nenhum hábito ruim, percentual que representa o dobro do registrado entre os fumantes (9%). Por outro lado, os ex-fumantes têm a maior concentração com apenas 1 hábito ruim de toda a pesquisa (44%) e baixas taxas de múltiplos deslizes, o que indica que a decisão de abandonar o cigarro costuma ser acompanhada por uma reorganização geral do estilo de vida, mantendo apenas um deslize residual no dia a dia. 

Outro achado do estudo chama muita atenção. Entre os que se declaram fumantes, 63% avaliam a própria saúde como "ótima/boa". Esse otimismo aparece com percentual ainda maior do que o das pessoas que nunca fumaram (61%), ainda que dentro da margem de erro da pesquisa, significando que os fumantes se sentem, no mínimo, tão saudáveis quanto os não fumantes. 

Neste mês, existe a campanha nacional de conscientização sobre a prevenção, os riscos e o diagnóstico precoce do câncer de pulmão, conhecida por Agosto Branco. O INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028. 

O tabagismo segue presente em cerca de 85% dos diagnósticos e o principal recado desta agenda continua sendo eliminar o hábito de fumar, mas também proteger quem está por perto. Vale lembrar que nunca ter fumado não afasta o risco e, portanto, nenhum sintoma respiratório persistente deve ser ignorado”, diz Helano Freitas.


Metodologia

A Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs). A amostra foi controlada a partir de quotas de sexo, idade, PEA, região e condição do município. A margem de erro no total da amostra é de 2 p.p., com intervalo de confiança de 95%. Após a coleta, foi aplicado um fator de ponderação para corrigir eventuais distorções em relação ao plano amostral; devido ao arredondamento, a soma dos percentuais pode variar de 99% a 101%. A etapa de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026. Estatístico responsável: Neale El-Dash, Conre 8656-A.


Robótica no câncer de próstata: tecnologia pode ajudar a preservar funções importantes?

O diagnóstico de câncer de próstata costuma trazer uma preocupação além do tratamento da doença: os possíveis impactos da cirurgia sobre a continência urinária e a função sexual. 

Quando a prostatectomia radical é indicada, a cirurgia robótica é uma alternativa. A tecnologia permite ao cirurgião trabalhar com visão ampliada e movimentos mais precisos, o que pode favorecer a preservação de estruturas importantes ao redor da próstata. 

Segundo o urologista Dr. Fernando Leão, especialista em cirurgia robótica, a possibilidade de preservar essas funções depende principalmente das características do tumor e das condições individuais do paciente. 

"O principal objetivo é retirar o câncer com segurança. Quando as características da doença permitem, buscamos preservar as estruturas responsáveis pela continência urinária e pela função sexual. A cirurgia robótica é uma importante ferramenta nesse processo."

 

Nem todo paciente pode ter os nervos preservados

Ao redor da próstata existem estruturas nervosas relacionadas à ereção. Entretanto, quando o tumor está próximo ou comprometendo essas estruturas, a preservação pode não ser segura do ponto de vista oncológico. 

"Não podemos prometer a preservação da função sexual em todos os casos. A prioridade sempre será o controle do câncer. A possibilidade de preservar os nervos é avaliada individualmente."

 

Robótica não significa recuperação imediata

Mesmo quando estruturas importantes são preservadas, a recuperação da continência e da função sexual pode levar tempo e varia de acordo com cada paciente. 

O acompanhamento após a cirurgia também é importante e pode incluir medidas de reabilitação, como fisioterapia do assoalho pélvico e estratégias para recuperação da função sexual. 

"A cirurgia é apenas uma etapa. O acompanhamento após o procedimento também é fundamental para ajudar o paciente a recuperar suas funções e retomar a qualidade de vida."

 

Dr. Fernando Leão, urologista - Médico formado pela Universidade Severino Sombra, com residência em Urologia na Santa Casa de Misericórdia de Campinas. Membro da SBU, American Urological Association e European Association of Urology.



O lado bom da internet: 7 em cada 10 brasileiros estão cuidando melhor da saúde bucal graças à IA e conteúdos digitais

iStock

Idas frequentes ao dentista e melhorias na escovação estão entre os

principais reflexos do contato com conteúdos online sobre saúde bucal

 



Muito se fala sobre os impactos negativos da internet, mas pouco sobre como o ambiente digital também pode contribuir para mudanças positivas… especialmente quando o assunto é a saúde bucal.

De acordo com um levantamento da Dental Speed, 7 em cada 10 brasileiros afirmam ter melhorado seus hábitos de higiene bucal após consumir conteúdos digitais sobre o tema.

Além da troca regular da escova de dentes, 35,6% dos respondentes apontaram ter passado a realizar consultas e limpezas com maior frequência, indicando que as redes também podem estimular a procura por acompanhamento profissional.

A pesquisa, que ouviu centenas de pessoas de todas as regiões do país, investigou como a internet e IA são usadas para buscar informações sobre saúde bucal, além de analisar como o consumo dessas informações influencia hábitos de prevenção, cuidados diários e o relacionamento com os profissionais da área. Confira:



Principais descobertas do estudo:

· 8 em cada 10 brasileiros consomem conteúdos sobre saúde bucal todos os meses;

· 69,8% passaram a cuidar melhor da saúde bucal graças a informações na internet;

· 60,8% já recorrem à IA com certa regularidade para obter orientações sobre saúde bucal.



O que os pacientes pesquisam antes de chegar ao consultório?

Em 2026, buscar informações sobre saúde bucal na internet já virou rotina para a maioria dos brasileiros. Para se ter uma ideia, ao longo do levantamento, 8 em cada 10 entrevistados revelaram consumir conteúdos sobre o tema todos os meses, contato que, para 43,4%, ocorre semanalmente – seja via Google ou redes sociais.

Nesse cenário, as ferramentas de inteligência artificial também vêm ganhando espaço como fonte de consulta: 60,8% das pessoas ouvidas disseram recorrer à IA com certa regularidade para obter orientações sobre saúde bucal, muitas vezes antes mesmo de procurar um dentista.



Quais temas mais geram interesse nos pacientes?

Entre os temas de maior interesse, prevalecem os cuidados diários e a prevenção, com tópicos como higiene bucal, cáries, saúde da gengiva e alimentação, somando cerca de 80% das menções.

A estética do sorriso, com destaque para clareamento, facetas e lentes de contato dental, aparece em seguida, citada por 56,6%, enquanto uma parcela similar dos entrevistados (51,4%) demonstraram interesse na relação entre saúde bucal e saúde geral.

 



Novos cuidados bucais com ajuda da internet 

Além do consumo de informações sobre o tema, o estudo da Dental Speed chama atenção para como a internet contribui para mudanças de comportamento mais amplas relacionadas aos cuidados bucais. 

Nesse sentido, o hábito mais mencionado pelos entrevistados foi a melhora na higiene bucal (69,8%). A ida ao dentista também ganhou mais espaço na rotina dos brasileiros: mais de um terço dos entrevistados (35,6%) passaram a marcar consultas e limpezas preventivas com maior frequência.

 


"Os dados mostram que o acesso à informação não afasta o paciente do consultório, pelo contrário: incentiva a busca por acompanhamento profissional. Isso demonstra que conteúdos sobre saúde bucal, quando bem construídos, não competem com o dentista, mas ajudam a fortalecer a confiança e a importância da consulta como parte da jornada de cuidado", comenta Suhwan Oh, Diretor de Marketing da Dental Speed.


Metodologia

Nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões do Brasil e conectados à internet. O índice de confiabilidade do levantamento é de 95%, e a margem de erro é de 3,3 pontos percentuais.

Ao todo, os participantes responderam a perguntas sobre seus hábitos de consumo de conteúdos relacionados à saúde bucal no ambiente digital, o uso da internet e de ferramentas de IA para buscar informações sobre o tema, além da influência dessas plataformas na adoção de práticas preventivas e na compra de produtos odontológicos.

 

Exame alterado nem sempre significa doença. Veja como interpretar resultados sem cair no autodiagnóstico

Milhões de exames laboratoriais são realizados todos os anos no Brasil, mas um resultado fora da faixa de referência nem sempre indica um problema de saúde. Especialista explica por que a interpretação deve considerar o histórico clínico e a avaliação médica


 

A facilidade de acessar resultados de exames pela internet trouxe mais agilidade ao acompanhamento da saúde, mas também favoreceu um comportamento cada vez mais comum: tentar interpretar os próprios resultados antes da consulta médica. O problema é que um exame alterado, isoladamente, nem sempre significa a presença de uma doença. A interpretação correta depende da análise conjunta dos sintomas, histórico do paciente, idade, uso de medicamentos e outros fatores clínicos. 

"Os exames laboratoriais são ferramentas fundamentais para auxiliar o diagnóstico, mas eles não devem ser analisados de forma isolada. Pequenas alterações podem ocorrer por diversos motivos, como jejum inadequado, prática intensa de atividade física, uso de medicamentos ou até características individuais. Por isso, quem fecha o diagnóstico é o médico, e não o exame", explica Maria Gabriela de Lucca, médica patologista clínica do DB Diagnósticos. 

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), cerca de 70% das decisões médicas são apoiadas por exames laboratoriais. Apesar da importância desses testes, especialistas alertam que os chamados valores de referência representam intervalos obtidos a partir de uma população saudável e não significam, necessariamente, que qualquer resultado fora desses limites indique uma doença. 

Um colesterol discretamente elevado, uma alteração temporária nas enzimas do fígado ou uma pequena variação na contagem de células do sangue, por exemplo, podem não ter relevância clínica quando analisados no contexto adequado. Em muitos casos, o médico opta apenas por repetir o exame após algum tempo ou correlacionar o resultado com outros testes antes de definir qualquer conduta. 

Outro erro frequente é comparar resultados com os de amigos ou familiares ou buscar interpretações em sites e redes sociais. Além de cada pessoa possuir características próprias, diferentes laboratórios podem utilizar metodologias e intervalos de referência distintos, o que reforça a necessidade de uma avaliação individualizada. 

"O paciente deve enxergar o exame como uma peça importante do quebra-cabeça, e não como a resposta definitiva. A combinação entre avaliação clínica, exames laboratoriais e, quando necessário, exames de imagem é o que permite um diagnóstico seguro e um tratamento adequado", destaca o especialista. 

Para garantir resultados confiáveis, também é importante seguir corretamente as orientações de preparo antes da coleta, como respeitar o tempo de jejum quando indicado, informar o uso de medicamentos e comunicar qualquer condição que possa interferir na análise. Em caso de dúvidas ou de um resultado alterado, a recomendação é evitar conclusões precipitadas e procurar orientação médica. 

Mais do que apontar possíveis alterações, os exames laboratoriais contribuem para o acompanhamento da saúde, o diagnóstico precoce de diversas doenças e o monitoramento da resposta aos tratamentos. Quando interpretados de forma adequada, tornam-se aliados importantes para decisões clínicas mais precisas e para um cuidado mais seguro com o paciente.

DB Diagnósticos


Perimenopausa pode começar até dez anos antes da menopausa e sintomas costumam ser confundidos com estresse, alerta especialista

Identificação precoce da condição abre janela de oportunidade em um período da vida em que o organismo responde melhor à reposição hormonal

 

Insônia, cansaço persistente, dificuldade para emagrecer, aumento da gordura abdominal, irritabilidade, perda de libido e sensação de “névoa mental”. Embora muitas mulheres associem esses sintomas ao envelhecimento, ao estresse ou à rotina intensa, eles podem estar relacionados a uma fase pouco conhecida da saúde feminina: a perimenopausa. 

Um estudo recente publicado na revista Menopause, realizado com mais de 7.600 mulheres nos Estados Unidos, reforça esse cenário: 34% das participantes não tinham certeza sobre seu estágio reprodutivo, percentual que chegou a 42% entre as mulheres de 40 a 44 anos. 

Segundo o médico Dr. Joaquim Menezes, especialista em longevidade, performance e saúde hormonal, a perimenopausa pode começar até uma década antes da menopausa propriamente dita e costuma passar despercebida justamente porque os sinais surgem de forma gradual e muitas vezes desconectada. 

“A maioria das mulheres acredita que as mudanças hormonais começam apenas quando a menstruação para. Na prática, as oscilações hormonais podem se iniciar anos antes, mesmo com ciclos menstruais ainda presentes. O problema é que os sintomas aparecem de forma fragmentada e acabam sendo atribuídos ao estresse, à idade ou ao excesso de trabalho”, explica. 

A menopausa é caracterizada pela interrupção definitiva da menstruação por 12 meses consecutivos. Já a perimenopausa corresponde ao período de transição, marcado principalmente por oscilações nos níveis de estrogênio e progesterona, hormônios fundamentais para o funcionamento de diversos sistemas do organismo. 

“O estrogênio não atua apenas na fertilidade. Ele participa da regulação do sono, da cognição, do metabolismo, da saúde cardiovascular, da integridade óssea, da produção de colágeno e até da modulação de neurotransmissores ligados ao humor e ao bem-estar. Quando esses níveis começam a oscilar, o impacto pode ser sentido em todo o organismo”, afirma o especialista. 

Entre os sintomas mais comuns estão alterações do sono, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, irritabilidade, redução da libido, ganho de peso, especialmente na região abdominal, além das conhecidas ondas de calor. 

De acordo com Dr. Joaquim, um dos maiores desafios é que muitas mulheres passam anos tratando sintomas isolados sem investigar a causa hormonal subjacente. 

“Não é raro encontrarmos pacientes que receberam tratamentos para insônia, ansiedade ou ganho de peso sem que a questão hormonal tenha sido adequadamente avaliada. Em alguns casos, estamos tratando a consequência sem abordar o mecanismo que está provocando aquela alteração”, destaca.

 

Janela de oportunidade

O especialista explica que existe um conceito amplamente discutido na medicina chamado "janela de oportunidade", período em que determinados tecidos do organismo ainda apresentam maior capacidade de resposta aos hormônios. 

“Os receptores hormonais presentes em estruturas como ossos, vasos sanguíneos, pele e sistema nervoso mantêm uma resposta mais favorável nos primeiros anos após o início da queda hormonal. Por isso, a identificação precoce dos sintomas e uma avaliação individualizada podem fazer diferença importante na qualidade de vida e na prevenção de problemas futuros”, afirma. 

Entre os benefícios associados ao acompanhamento adequado estão a preservação da massa óssea, a manutenção da saúde cardiovascular, a proteção da qualidade da pele e do colágeno, além da melhora dos sintomas que afetam diretamente o bem-estar e a produtividade. 

Dr. Joaquim ressalta, entretanto, que não existe uma solução única para todas as mulheres. A decisão sobre estratégias terapêuticas deve ser individualizada e baseada em histórico clínico, exames laboratoriais, fatores de risco e objetivos de cada paciente. 

“Perimenopausa e menopausa não precisam ser vividas no escuro. Hoje temos muito mais conhecimento científico e recursos diagnósticos do que há algumas décadas. O primeiro passo é entender que determinadas mudanças não precisam ser encaradas como algo inevitável ou simplesmente ‘normal da idade’. Quando identificamos a causa, podemos construir um plano de cuidado muito mais eficiente”, conclui.

 


Dr. Joaquim Menezes - Médico especialista em Emagrecimento definitivo, longevidade, performance física e mental. Após transformar sua própria saúde emagrecendo mais de 30 kgs, transformou a vida de mais de 12000 mil pessoas a recuperarem vitalidade, composição corporal, energia e presença. Já tratou e acompanhou mais de 2.000 pacientes com emagrecimento definitivo que utilizaram como estratégia medicamentosa o uso do Mounjaro, a tirzepatida. Atua a partir de uma visão integral — metabolismo, performance e longevidade trabalhando em sinergia — para resultados que ultrapassam o físico e devolvem energia, clareza, autoestima e presença. Sua atuação ao lado de atletas, executivos e pessoas que buscavam reencontrar vitalidade consolidou uma filosofia de cuidado profundo, preciso e humano.


Instituto Evollution


Estomatite: o que é essa inflamação que provoca feridas dolorosas na boca?


Apesar do nome, a estomatite não tem relação com o estômago. Especialista explica as principais causas do problema, como diferenciá-lo de outras lesões na boca e por que alguns fatores típicos do inverno podem favorecer seu aparecimento

 

Pelo nome, muita gente imagina que a estomatite tenha alguma relação com o estômago. Mas, na realidade, trata-se de uma inflamação da mucosa da boca, que pode atingir regiões como língua, gengivas, parte interna das bochechas, céu da boca e lábios. Além de dolorosa, ela pode dificultar tarefas simples do dia a dia, como comer, beber e até falar.

Segundo a otorrinolaringologista Dra. Cleonice Hirata, do Hospital Paulista, o termo não se refere a uma doença específica, mas sim a um processo inflamatório que pode ter diferentes origens. "A estomatite pode ser causada por infecções virais, fúngicas e, mais raramente, bacterianas, além de traumas provocados por mordidas, aparelhos ortodônticos ou próteses mal adaptadas, assim como alergias, doenças autoimunes, tumores, deficiências nutricionais e até reações a determinados medicamentos", explica a especialista.


Nem toda ferida na boca é estomatite

Um dos equívocos mais frequentes é considerar qualquer ferida na boca como estomatite — ou acreditar que toda estomatite seja apenas uma afta. Enquanto a afta costuma surgir como uma pequena úlcera isolada, arredondada e bem delimitada, a estomatite geralmente envolve uma inflamação mais extensa da mucosa, podendo causar múltiplas lesões, vermelhidão, inchaço, ardência e dor intensa.

Em alguns casos, especialmente quando a origem é viral, também podem surgir febre e aumento dos gânglios do pescoço. Outro ponto de atenção são as lesões persistentes. Feridas que não cicatrizam em até duas semanas, apresentam endurecimento, sangram com facilidade ou sofrem alterações de cor precisam ser avaliadas por um especialista para descartar outras doenças, incluindo lesões pré-cancerosas ou câncer de boca.


Afinal, o inverno aumenta os casos?

Embora muitas pessoas percebam um aumento das feridas na boca durante os meses mais frios, o inverno, por si só, não provoca estomatite diretamente.

O que acontece é que essa época do ano reúne diversos fatores que favorecem seu aparecimento ou agravamento. Entre eles estão a maior circulação de vírus respiratórios, o hábito de permanecer por mais tempo em ambientes fechados, o ressecamento da mucosa provocado pelo clima seco e pela menor ingestão de água, além da queda temporária da imunidade associada a infecções, estresse, noites mal dormidas e alimentação inadequada.

"Não existe uma relação direta entre o frio e a estomatite. O inverno cria um cenário que favorece alguns tipos da doença, principalmente aqueles relacionados a infecções virais e ao ressecamento da mucosa", destaca a médica.


Quem merece atenção especial?

A estomatite pode acometer pessoas de qualquer idade, mas alguns grupos apresentam maior predisposição. Entre eles estão crianças, devido à maior exposição a vírus em creches e escolas; idosos, especialmente aqueles que utilizam próteses dentárias ou apresentam boca seca; e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, câncer, HIV ou outras condições que comprometem o sistema imunológico.

Pacientes em tratamento com medicamentos imunossupressores, quimioterapia ou radioterapia também apresentam maior risco de desenvolver o problema.


Como prevenir?

Embora nem todos os casos possam ser evitados, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de desenvolver estomatite.

Entre as principais recomendações estão manter uma boa higiene bucal, escovando corretamente os dentes e utilizando fio dental diariamente; ingerir água regularmente para evitar o ressecamento da mucosa; manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas e minerais; corrigir próteses ou aparelhos que estejam causando atrito; evitar alimentos que provoquem irritação quando houver sensibilidade e não compartilhar objetos de uso pessoal quando houver suspeita de infecções virais.

O acompanhamento periódico com médico e dentista também contribui para identificar precocemente alterações na cavidade oral.


Quando procurar um especialista?

Na maioria das vezes, pequenas lesões desaparecem espontaneamente em poucos dias. No entanto, alguns sinais indicam que a avaliação médica não deve ser adiada.

É importante procurar atendimento quando as feridas persistirem por mais de 14 dias sem apresentar cicatrização, forem muito grandes, numerosas ou extremamente dolorosas, surgirem repetidamente sem causa aparente ou estiverem associadas à febre alta, dificuldade para engolir ou sinais de desidratação.

Também merecem investigação lesões que sangram com frequência, apresentam endurecimento, mudam de aspecto ou surgem em pessoas com baixa imunidade. 

"Nessas situações, a avaliação profissional é fundamental para identificar a causa da estomatite, indicar o tratamento mais adequado e descartar outras doenças que podem exigir acompanhamento específico", conclui a Dra. Cleonice Hirata.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

El Niño: exposição ao calor extremo sobrecarrega coração e pode causar complicações

 Diante de previsão de ondas de calor para os próximos meses, cardiologista da Casa de Saúde São José explica como evitar complicações e faz alerta para casos mais graves

 

Os sintomas do El Niño já começaram a fazer efeito em grande parte do território nacional. Exemplo disso foi o vendaval que acometeu a Região Sudeste neste fim de julho, com grandes danos e, inclusive, mortes. O fenômeno climático, provocado pelo aquecimento excessivo das águas do Oceano Pacífico, deve ter uma de suas manifestações mais agressivas em 2026. 

Os efeitos do El Niño são diversos. Enquanto as regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste devem sofrer com chuvas abaixo da média, o sul do país pode ter que lidar com ventos fortes, granizo e inundações para o trimestre de agosto, setembro e outubro, revela o boletim mensal do Painel El Niño 2026-2027. No entanto, as projeções apontam um efeito comum a praticamente todo o território nacional: o aumento agressivo das temperaturas, com possibilidade de episódios de onda de calor, baixa umidade e queimadas. Nesse cenário de eventos climáticos extremos, muitas pessoas podem passar mal. Segundo a Dra. Julianny Freitas, cardiologista da Casa de Saúde São José, há um aumento significativo de atendimentos relacionados ao calor excessivo. 

Os pacientes costumam relatar sintomas de: tontura, fraqueza intensa, cansaço incomum, dor de cabeça, náuseas, vômitos, palpitações, pressão baixa e desidratação. De forma geral, o calor extremo provoca dilatação dos vasos sanguíneos, perda de líquidos e sais minerais pelo suor, o que, em casos mais graves, também pode levar à taquicardia, desmaios, arritmias cardíacas e maior risco de infarto em pessoas vulneráveis. Isso acontece porque o coração precisa trabalhar mais para manter a circulação quando o corpo está desidratado, gerando um estado de sobrecarga no órgão. 

“Para evitar complicações, especialmente as cardiovasculares, o paciente deve se hidratar constantemente, mesmo sem sede, evitar exposição ao sol e exercício físico intenso entre 10h e 16h, usar roupas leves, aderir a uma alimentação leve e permanecer em locais ventilados”, recomenda a médica. Idosos, crianças, diabéticos, hipertensos, atletas, trabalhadores com exposição ao sol e pessoas com doenças cardíacas, arritmias e insuficiência cardíaca fazem parte do grupo mais vulnerável ao calor. Por isso, é necessário redobrar os cuidados com uma hidratação mais rigorosa, ajuste da rotina e avaliação médica constante.
 

Exaustão por calor X Choque térmico

É importante conhecer também as diferentes manifestações do calor excessivo no corpo humano. Afinal, existem dois tipos principais de casos de alta gravidade: exaustão pelo calor e intermação (também conhecida como choque térmico ou heat stroke). Enquanto o primeiro sintoma causa um superaquecimento um pouco mais leve, o segundo é considerado uma emergência médica grave. 

“A exaustão por calor causa sudorese intensa, fraqueza, tontura, náuseas e pele fria ou úmida. Ao observar uma pessoa com esses sinais, é preciso deslocá-la para um local fresco, oferecer água ou bebida isotônica, afrouxar as roupas, deitar o corpo e elevar as pernas. Já na intermação, a temperatura corporal fica acima de 40 °C e o indivíduo apresenta pele quente e seca, confusão mental ou perda de consciência e até mesmo convulsões. Nesse caso, é fundamental chamar socorro médico urgente e resfriar o corpo rapidamente com água fria e ventilação. Não ofereça líquidos caso o paciente esteja confuso ou desacordado”, explica a Dra. Julianny. 

Em casos ainda mais sérios, a junção entre calor, desidratação e falta de apoio médico imediato pode levar à morte. E isso pode ser ainda mais grave para as mulheres. Segundo estudo publicado na Nature Medicine, o sexo feminino sofreu com 56% mais mortes induzidas pelo calor em comparação com os homens. A pesquisa realizada por pesquisadores de Barcelona analisou dados de 35 países durante o verão europeu de 2022, considerado o mais quente da história. 

Exemplo direto desse impacto é o caso do falecimento da fã da cantora Taylor Swift, em 2023, no Rio de Janeiro, que se tornou um paradigma para a criação de novas medidas contra o calor extremo. Após a primeira apresentação da artista na cidade, que registrou sensação térmica próxima a 60°C e mais de mil desmaios, foi criado o protocolo de calor pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Programas como este devem ser cada vez mais acionados pelas prefeituras e governos durante o El Niño, com o objetivo de informar a população sobre os cenários de risco relacionados às ondas de calor e eventos climáticos extremos, além de determinar a tomada de decisões em relação ao cancelamento de eventos ao ar livre. 

Segundo a cardiologista da Casa de Saúde São José, em situações como essa, a observação dos sintomas causados pelo calor ajuda na percepção de um corpo já incapaz de se autorregular, o que demanda a busca por atendimento médico imediato. Para se proteger desse estado grave, é importante beber muita água, buscar ambientes frescos e evitar o consumo de álcool.


Umidificador de ar ajuda ou faz mal? Veja mitos e cuidados com o aparelho

Apesar de aliviar o desconforto provocado pelo tempo seco, equipamento não previne doenças respiratórias e, sem limpeza, favorece a proliferação de bactérias

 

Nariz e garganta ressecados, tosse seca, ardência nos olhos e dificuldade para respirar são queixas comuns nos períodos de baixa umidade. Para aliviar esses sintomas, muitas famílias recorrem ao umidificador de ar, especialmente nos quartos de crianças, idosos e pessoas com rinite ou asma. O aparelho, no entanto, deve ser utilizado com cautela. Deixá-lo ligado durante toda a noite, não trocar a água ou descuidar da limpeza pode elevar excessivamente a umidade do ambiente e provocar o efeito contrário ao esperado. 

Afinal, o umidificador faz bem ou mal à saúde? Segundo Allan Napoli, professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), a resposta depende da necessidade e, principalmente, da forma de utilização. “O umidificador pode aliviar o desconforto causado pelo ressecamento das vias respiratórias, mas não deve ser usado de maneira indiscriminada. O objetivo é tornar o ambiente mais confortável, e não deixá-lo permanentemente úmido”, explica.

 

Umidificador previne gripes e resfriados?

Não. O aparelho não elimina vírus ou bactérias nem impede a transmissão de doenças. Sua função é acrescentar umidade ao ar, contribuindo para reduzir o ressecamento das mucosas do nariz e da garganta. “O equipamento pode ajudar no alívio de alguns sintomas, mas não substitui medidas de prevenção, como vacinação, higiene das mãos, ventilação dos ambientes e redução do contato com pessoas doentes”, afirma o especialista. O umidificador também não deve substituir tratamentos prescritos para rinite, asma, bronquite ou outras condições respiratórias.

 

Posso deixar o aparelho ligado a noite inteira?

Não é recomendável manter o umidificador funcionando por muitas horas sem acompanhar o nível de umidade do quarto. O excesso favorece a proliferação de mofo e ácaros, que podem desencadear ou agravar alergias e crises respiratórias. O ideal é utilizar um higrômetro para medir a umidade do ambiente. O higrômetro é um aparelho simples, frequentemente vendido integrado a um termômetro digital, é uma excelente ferramenta de prevenção e manejo ambiental. Ele é especialmente útil para pacientes com asma, bronquite, rinite alérgica, olho seco e dermatite atópica.

Benefícios do uso do higrômetro

  • Mais precisão: o higrômetro mostra quando o ar está realmente seco. Assim, o umidificador é usado apenas quando necessário.
  • Evita excesso de umidade: deixar o umidificador ligado por muito tempo pode aumentar demais a umidade do ambiente. Acima de 60%, há maior risco de proliferação de ácaros, fungos e mofo, que podem piorar alergias.

Como usar o higrômetro corretamente?

  1. Umidade ideal: mantenha a umidade do ambiente entre 50% e 60%.
  2. Onde colocar: deixe o higrômetro em um local neutro do quarto, como sobre uma cômoda. Evite colocá-lo perto do umidificador, da cama ou sob luz solar direta.
  3. Regra simples: se a umidade estiver abaixo de 40%, ligue o umidificador. Quando chegar a 60%, desligue o aparelho.


Aparelhos com sensor, temporizador ou desligamento automático também ajudam a evitar o uso excessivo. Janelas embaçadas, paredes úmidas, condensação e cheiro de mofo são sinais de que o aparelho deve ser desligado. “Pessoas com asma ou rinite precisam ter atenção redobrada. Um quarto muito úmido, fechado e com acúmulo de poeira pode piorar os sintomas, principalmente quando há tapetes, cortinas, bichos de pelúcia e outros materiais que concentram ácaros”, alerta o professor do CEUB.

 

Umidificador sujo pode espalhar microrganismos?

Sim. A água parada e a falta de limpeza favorecem a formação de biofilme e a multiplicação de fungos e bactérias. Quando o aparelho é acionado, esses microrganismos podem ser lançados no ambiente junto com a névoa. Por isso, não basta completar o reservatório quando a água acaba. A recomendação é descartar diariamente a água que restou, lavar o recipiente conforme as orientações do fabricante e deixá-lo secar antes do próximo uso. “O reservatório deve ser tratado como qualquer utensílio que permanece em contato com água. Se não houver limpeza adequada, o aparelho pode dispersar substâncias irritantes e produzir um efeito contrário ao desejado”, explica Allan.
 

Qualquer água pode ser usada?

Depende do modelo e das orientações do fabricante. Em alguns aparelhos, principalmente os ultrassônicos, a água com maior concentração de minerais pode deixar resíduos internos e espalhar um pó esbranquiçado sobre móveis e outras superfícies. Quando indicada no manual, a água destilada ou desmineralizada ajuda a reduzir o acúmulo de minerais. Independentemente do tipo escolhido, a água deve ser trocada todos os dias. Essências, medicamentos, desinfetantes, álcool ou outros produtos não devem ser acrescentados ao reservatório, a menos que o aparelho tenha sido desenvolvido especificamente para essa finalidade.

 

Vapor quente ou névoa fria: qual é mais seguro para crianças?

A principal diferença está na segurança. Os aparelhos de vapor quente podem provocar queimaduras se forem tocados ou derrubados. Por isso, modelos de névoa fria costumam ser mais indicados para ambientes com crianças. O equipamento deve permanecer fora do alcance, sobre uma superfície firme e distante da cama, das paredes, de cortinas e de aparelhos eletrônicos. A névoa também não deve ser direcionada para o rosto da criança. Nos casos de asma, alergias ou doenças respiratórias recorrentes, o uso frequente deve ser discutido com um profissional de saúde.

 

Bacia com água e toalha molhada funcionam?

Essas alternativas podem aumentar discretamente a umidade, mas oferecem menos controle que o aparelho. A água parada também exige cuidado para evitar contaminação, acidentes com crianças e proliferação de insetos. A toalha deve ser retirada, lavada e completamente seca após o uso. Deixá-la molhada por longos períodos pode contribuir para o aparecimento de mau cheiro e mofo.

 

O que realmente ajuda durante o tempo seco?

O umidificador é apenas uma medida complementar. Outros cuidados são importantes para reduzir os efeitos da baixa umidade: 

  • beber água regularmente, mesmo sem sentir sede;
  • utilizar soro fisiológico para hidratar as narinas;
  • manter os cômodos limpos e ventilados;
  • evitar o acúmulo de poeira;
  • trocar roupas de cama e toalhas com frequência;
  • evitar fumaça de cigarro e outros agentes irritantes;
  • reduzir atividades físicas nos horários mais quentes e secos;
  • manter o tratamento de doenças respiratórias conforme orientação médica. 

Tosse persistente, chiado no peito, febre, cansaço intenso, lábios arroxeados ou dificuldade para respirar exigem avaliação médica e não devem ser atribuídos apenas ao clima. “O aparelho pode proporcionar conforto, mas não trata a causa de uma doença respiratória. Se os sintomas persistirem ou se agravarem, é necessário procurar atendimento, especialmente quando se trata de crianças pequenas, idosos ou pessoas com condições preexistentes”, conclui o especialista do CEUB.

 

Centro Universitário de Brasília - CEUB


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