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terça-feira, 23 de junho de 2026

Baleias chegam mais cedo ao litoral brasileiro: entre a recuperação das espécies e o alerta climático

Embora populações de jubartes e baleias-francas sigam em recuperação, chegada precoce ao litoral brasileiro em 2026 pode estar associada à menor oferta de alimentos nos polos

 

A temporada de baleias no litoral brasileiro começou antes do esperado em 2026. Pesquisadores já registraram a presença de baleias-jubarte e baleias-francas semanas antes do período habitual de migração. Embora o crescimento populacional dessas espécies possa influenciar o cenário, cientistas apontam que a migração antecipada está, muito provavelmente, associada à menor disponibilidade de alimentos na Antártica, um reflexo direto dos impactos das mudanças climáticas na região polar.

 

Os primeiros sinais dessa antecipação foram observados ainda no primeiro semestre. Em abril, Ilhabela (SP) registrou o primeiro avistamento de uma baleia-jubarte da temporada. Já no início de maio, uma baleia-franca foi observada em Torres (RS), ocorrência considerada a mais precoce dos últimos 40 anos de monitoramento da espécie na região.

 

Historicamente concentrado entre os meses de julho e outubro, o período de maior ocorrência da migração de baleias para a costa brasileira representa um dos fenômenos naturais mais importantes do Atlântico Sul. As águas mais quentes e calmas do nosso litoral funcionam como um grande berçário natural, onde as fêmeas dão à luz e amamentam seus filhotes antes da viagem de retorno à Antártica. Esse ambiente seguro é essencial para a conservação das espécies, especialmente porque, embora as baleias-jubarte não estejam mais na lista de espécies ameaçadas, as baleias-francas ainda são classificadas como "Em Perigo" na Lista Nacional Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção do Brasil.

 

“O início antecipado da temporada de baleias reforça a importância de acompanharmos cada vez mais de perto as transformações que acontecem no oceano. Esses animais são indicadores da saúde marinha e exercem funções essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. Quando protegemos as baleias, também protegemos serviços ambientais que beneficiam diretamente a sociedade, como a regulação do clima, a pesca e o turismo sustentável”, destaca Liziane Alberti, oceanógrafa e especialista em conservação da biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.


 

Mais do que visitantes: baleias ajudam a regular o clima

 

Além da importância para a biodiversidade, as baleias desempenham papel fundamental para o equilíbrio climático. “Ao se alimentarem em profundidade e retornarem à superfície, elas ajudam a fertilizar o ambiente marinho com nutrientes que estimulam o crescimento do fitoplâncton, organismo responsável por absorver cerca de 40% do dióxido de carbono produzido no planeta e gerar mais de 50% do oxigênio da Terra. Isso mostra como a conservação desses animais está diretamente ligada à saúde do oceano e ao equilíbrio climático”, explica Camila Domit, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Associação MarBrasil.

 

Uma única grande baleia pode acumular, em média, 33 toneladas de carbono ao longo da vida, enquanto um carvalho-vivo – uma das árvores mais eficientes na captura de carbono, retém cerca de 12 toneladas.

 

No caso das jubartes que frequentam a costa brasileira, estima-se que a população atual represente entre 700 mil e 875 mil toneladas de carbono armazenadas na natureza.

 

Um estudo do Instituto Baleia Jubarte e da Great Whale Conservancy, em parceria com pesquisadores internacionais, calculou que as baleias que utilizam a costa brasileira geram aproximadamente US$ 82,5 bilhões em serviços ecossistêmicos ao longo de suas vidas, considerando benefícios relacionados à captura de carbono, fertilização do oceano e turismo de observação.



 

Temporada impulsiona turismo, ciência e conservação

 

A expectativa para 2026 é de aumento na movimentação turística e científica associada à observação de baleias. Municípios como Ilhabela e São Sebastião (SP) ampliaram ações de monitoramento e fiscalização, incluindo o uso de drones e embarcações credenciadas para garantir a segurança dos animais e dos visitantes. Em Santa Catarina, a Rota da Baleia Franca ganhou uma nova estrutura de observação voltada à educação ambiental e ao turismo científico.

 

Em janeiro de 2026, o Tratado Global do Oceano entrou em vigor após ser ratificado por mais de 60 países, incluindo o Brasil, e representa um avanço importante para a proteção das espécies migratórias ao criar mecanismos para ampliar áreas marinhas protegidas em águas internacionais e contribuir para a meta global de proteger 30% do oceano até 2030.


 

 

Rede de Especialistas em Conservação da Natureza - RECN - Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes em www.fundacaogrupoboticario.org.br

 

 

Pesquisa do Sebrae-SP mostra que Festas juninas devem beneficiar cerca de 64 mil pequenos negócios em São Paulo

 

Consumidores valorizam produtos artesanais. Maioria das compras é realizada em pequenos empreendimentos 


As tradicionais festas juninas seguem movimentando a economia paulista e gerando oportunidades para os pequenos negócios. Pesquisa realizada pelo Sebrae-SP aponta que as vendas relacionadas às festividades devem beneficiar cerca de 64 mil pequenos negócios no Estado de São Paulo em 2026, sendo aproximadamente 34 mil Microempreendedores Individuais (MEIs) e 29 mil Micro e Pequenas Empresas (MPEs).
 

O levantamento mostra que os consumidores que pretendem participar das comemorações devem prestigiar principalmente eventos próximos de casa. Entre os entrevistados, 68% afirmaram que pretendem frequentar festas em seus próprios bairros e 63% em outros bairros da mesma cidade. Já 32% planejam participar de festas em outras cidades e 9% em outros estados. 

A conexão entre as festas juninas e os pequenos negócios é percebida pela maioria dos consumidores. Para 60% dos entrevistados, os produtos consumidos durante as festividades estão associados a pequenos empreendimentos. Outros 32% relacionam esses produtos tanto a pequenos negócios quanto a grandes empresas. 

Entre os principais locais de compra de produtos típicos das festas juninas estão os pequenos comércios (36%), seguidos por feiras livres e outros pontos de venda (33%), lojas de festas e papelarias (26%) e lojas de roupas e armarinhos (22%). 

Além de movimentar diversos segmentos do comércio, as festividades impulsionam a busca por produtos com características valorizadas pelos consumidores. A pesquisa revela que 66% priorizam produtos feitos com ingredientes de qualidade e 61% buscam opções artesanais ou caseiras, reforçando o potencial competitivo dos pequenos empreendedores que investem em diferenciação e produção própria. 

Os gastos também representam uma oportunidade para o setor. Segundo o levantamento, os consumidores pretendem desembolsar entre R$ 51 e R$ 200 em compras relacionadas às festas juninas. 

As comemorações também estimulam o turismo regional. Entre os entrevistados que pretendem viajar para participar das festividades, 53% devem permanecer fora por um ou dois dias. Desse grupo, 60% costumam adquirir produtos e serviços de pequenos negócios durante a viagem, incluindo hospedagem, alimentação e transporte. 

Para Felipe Ferreira de Barros, Coordenador de Pesquisas do Sebrae-SP, os resultados reforçam a importância das festas juninas para a economia. “Trata-se de uma das principais datas sazonais para geração de renda em diversas cadeias produtivas, especialmente nos setores de alimentação, vestuário, artesanato, eventos e turismo”.

 

Metodologia

A pesquisa “Festas Juninas 2026” foi elaborada a partir de duas sondagens. A primeira, com consumidores, foi realizada por e-mail pelo Instituto Consulting entre os dias 21 e 30 de abril de 2026. A segunda, com empreendedores, foi realizada por telefone em abril deste ano e integra um suplemento da pesquisa Indicadores Sebrae-SP, desenvolvida com a colaboração da Fundação Seade.

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Por que o setor da beleza não sente períodos de crise como outros segmentos? Especialista avalia

 CEO de rede de salões avalia o desempenho da indústria e aponta estratégias que podem ser utilizadas pelas marcas

 

Em momentos de crise econômica, empresas avaliam táticas e recursos para atravessarem o período. No entanto, diante de épocas turbulentas, um setor não se mostra afetado: o da beleza. De acordo com Gisela Prochaska, CEO do Stylebar – rede de salões de beleza –, o mercado é um dos mais resilientes historicamente dentro da economia, com destaque para a atuação brasileira no segmento.

 

“Hoje, o Brasil é um dos maiores mercados de beleza no mundo, e isso mostra como o setor já faz parte da rotina e do estilo de vida das pessoas. Ou seja, não é mais visto como luxo, e sim como necessidade emocional, social e profissional”, afirma. Ela completa que “o consumidor pode até reduzir grandes gastos”, mas dificilmente abandona por completo os hábitos ligados à estética.

 

Atualmente, a indústria representa 2% do PIB brasileiro, além de colocar o país como o terceiro maior usuário no setor do mundo. Em 2025, a economia interna no ramo ultrapassou o valor de US$ 1 bilhão em exportações pela primeira vez em sua história. Além disso, o desempenho apontou um crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Os dados foram comentados por Luiz Carlos Dutra, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).

 

Ao refletir sobre o porquê dos rendimentos na área da beleza se manterem em épocas conturbadas, a especialista ressalta que “as pessoas tendem a buscar pequenas recompensas emocionais que tragam sensação de cuidado, normalidade e bem-estar”, algo que estaria conectado à confiança. Ela ainda cita o efeito “lipstick effect”, em que o consumidor reduz grandes consumos, mas mantém pequenos prazeres acessíveis.

 

De acordo com Prochaska, o setor vende muito mais segurança do que estética. Isso porque quem vai a um salão, por exemplo, busca desacelerar da rotina e recuperar a validação pessoal. A CEO também pontua que “beleza mexe com o estado emocional” e que há uma “forte ligação” entre imagem e comodidade.

 

Estratégias adotadas 

A empreendedora estipulou algumas táticas que marcas utilizam, elencando cinco pilares principais trabalhados por elas. A conveniência e a agilidade, por exemplo, são as que mais auxiliam em momentos de crise, já que “o tempo virou luxo”, segundo a especialista.

 

Ela ainda analisa a importância da fidelização e da experiência ao frisar que “o cliente não busca apenas serviço, mas sim acolhimento, compreensão e confiança”. Além disso, também aponta para a gestão e a tecnologia como diferenciais nos dias atuais. Em sua visão, os recursos modernos podem acelerar treinamentos, reduzirem erros e melhorarem a padronização de uma rede.

 

Prochaska ressalta que a empresa deve ter posicionamento forte e claro, incluindo a adoção de recorrência em seus padrões comportamentais. “Em épocas de instabilidade, é comum que pessoas escolham marcas nas quais confiam. Branding deixou de ser estética e passou a ser percepção de valor. Beleza funciona por meio de hábito. Quem consegue criar frequência e praticidade constrói negócios mais resilientes”, diz.


 

O comportamento do consumidor

 

A mudança de hábitos acompanha os períodos de desequilíbrio. Apesar de mais seletivo e racional, o consumidor segue comprando. É quando passa a priorizar locais onde perceba qualidade, praticidade e custo-benefício. Além disso, cresce a busca por serviços que entreguem resultado rápido e experiência eficiente.

 

A especialista sinaliza a diferença existente no uso de produtos e de serviços no contexto econômico. “Em alguns momentos, o consumidor pode substituir parte do consumo de serviços por manutenção em casa, aumentando a procura por produtos. Em outros, ele reduz compras por impulso de produtos, mas mantém serviços ligados à rotina”, explica.


 

O cenário pode mudar no futuro?

 

Prochaska vê a ascensão do setor para os próximos anos, principalmente para marcas que conseguirem unir tecnologia, experiência, conveniência e gestão eficiente. Ela inclusive faz um alerta aos negócios menos inovadores – uma vez que, com o cliente mais exigente, a perda de espaço pode ser inevitável. 


Por outro lado, também observa que operações profissionalizadas, escaláveis e com posicionamento forte devem ganhar mais volume no segmento. “As inteligências artificiais ainda farão cada vez mais parte desse processo, com personalização e análise de dados dentro da beleza”, de acordo com a empresária.



Santiago, no Chile, é o destino internacional mais procurado por brasileiros para julho



Levantamento do Kayak aponta a capital chilena como o destino internacional mais buscado para as férias de julho de 2026, com o menor preço médio de passagem no período, de R$ 1.994. Especialistas de uma das maiores escolas de idiomas do Brasil explicam como noções básicas de espanhol podem facilitar a experiência dos turistas brasileiros no país. 

 

Neve, vinhos e experiências gastronômicas colocam Santiago, no Chile, entre os destinos mais desejados para quem pretende viajar ao exterior nas férias de inverno. Segundo levantamento do Kayak sobre as melhores escolhas para o período, a capital chilena lidera as buscas internacionais feitas por viajantes do Brasil para julho de 2026. A cidade também registra o menor preço médio de passagem entre os destinos analisados, com valor de R$ 1.994. A procura cresce ainda mais no  inverno quando muitos turistas brasileiros escolhem a capital chilena como ponto de partida para estações de esqui próximas, como Valle Nevado e Portillo.

Falar espanhol, no entanto, pode fazer diferença na experiência, especialmente em restaurantes, hotéis, estações de esqui, lojas e deslocamentos pela cidade. Para Reginaldo Kaeneêne, CEO e fundador da KNN Idiomas Brasil, uma das maiores escolas de idiomas do Brasil, o domínio de expressões básicas ajuda o turista a ter mais autonomia e segurança durante a viagem. Segundo ele, o espanhol é idioma oficial em 21 países e ocupa a segunda posição entre as línguas mais faladas do mundo. 

“O Chile reúne fatores que explicam essa procura dos brasileiros no inverno: proximidade com o Brasil, acesso à neve, boa gastronomia, vinhos reconhecidos internacionalmente e uma capital com estrutura turística consolidada. Quando o turista domina o espanhol básico, ele ganha autonomia, circula com mais segurança e cria uma conexão mais real com a cultura”, afirma o CEO. 

Apesar da proximidade entre português e espanhol, algumas expressões usadas no Chile podem confundir brasileiros. Especialistas da KNN Idiomas listaram termos úteis para quem pretende viajar ao país nas férias de julho:

  1. ¿Cuánto cuesta?

Significa “quanto custa?”. É uma das expressões mais importantes para compras, feiras, lojas e restaurantes.

  1. ¿Dónde queda?

Equivale a “onde fica?”. Pode ser usada para pedir orientação sobre ruas, estações de metrô, hotéis, pontos turísticos ou restaurantes.

  1. Quisiera hacer una reserva

Significa “gostaria de fazer uma reserva”. É útil em restaurantes, hotéis, passeios turísticos e traslados.

  1. ¿Aceptan tarjeta?

Quer dizer “aceitam cartão?”. A frase ajuda em compras, táxis, bares, cafeterias e pequenos estabelecimentos.

  1. Necesito ayuda

Significa “preciso de ajuda”. É uma expressão direta e importante em situações de dúvida, emergência ou dificuldade de comunicação.

Segundo Reginaldo, a recomendação para quem vai viajar é estudar frases ligadas a situações reais, como chegada ao aeroporto, check-in no hotel, pedidos em restaurantes, compras, transporte e emergências. “A prática prévia reduz a insegurança e melhora a compreensão auditiva, principalmente em países onde a velocidade da fala e o vocabulário regional podem surpreender turistas brasileiros”, conclui. 

Além de Santiago, Lisboa, em Portugal, e Buenos Aires, na Argentina, completam o pódio dos destinos internacionais mais procurados por brasileiros para as férias de julho.   



KNN Idiomas
www.knnidiomas.com.br


O Brasil está velho e isso não deveria ser ruim


O Brasil envelheceu e isso é um fato. A questão é que ainda nos comportamos como se não estivesse. Embora a longevidade seja celebrada como uma conquista da Medicina e das condições de vida, muitos setores da sociedade ainda demonstram dificuldade em conviver com o envelhecimento de forma natural, inclusiva e respeitosa.

 

Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Segundo o Censo Demográfico de 2022, o País já possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,8% da população.

 

Nas últimas semanas, uma rua residencial de São Paulo foi foco de discussão envolvendo instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) e moradores. De um lado, argumentos sobre zoneamento urbano e o possível mal-estar que essas instituições, e seus residentes, causavam aos vizinhos. De outro, preocupações relacionadas ao cuidado, à dignidade e ao lugar que reservamos às pessoas idosas em nossa sociedade.

 

Independentemente dos aspectos jurídicos que cercam o caso, o episódio nos convida a uma reflexão mais profunda: o Brasil está preparado para encarar o envelhecimento da população?

 

Viver mais e melhor é uma grande vitória. O problema é que nem sempre estamos preparados para as consequências dessa conquista.

 

Quem cuidará dos idosos mais dependentes? Como apoiar famílias que enfrentam o desafio do cuidado? Que tipo de cidade queremos construir para uma população que envelhece? Qual será o papel das instituições, dos profissionais de Saúde, da comunidade e do poder público nesse cenário? 

Essas são perguntas que precisam ocupar espaço no debate público. 

Não por acaso, o Estatuto da Pessoa Idosa reconhece que envelhecer com dignidade depende da participação de toda a sociedade. A lei atribui a todos a responsabilidade compartilhada de garantir não apenas saúde e proteção, mas também convivência familiar e comunitária (Art. 3º).

 

O Estatuto ainda veda qualquer forma de discriminação, negligência ou violência contra a pessoa idosa (Art. 4º) e determina que todos têm o dever de protegê-la de situações humilhantes, constrangedoras ou desumanas (Art. 10, §3º).

 

Em outras palavras, a legislação brasileira reconhece que o cuidado não se resume à assistência, pelo contrário, ele envolve pertencimento, respeito e o direito de o idoso continuar ocupando seu lugar na vida em comunidade.

 

Quando refletimos sobre o espaço das pessoas idosas em nossas cidades não estamos discutindo apenas infraestrutura ou serviços, mas a convivência e o valor que atribuímos à experiência humana em todas as fases da vida.

 

Independentemente dos desdobramentos jurídicos, o caso do bairro paulistano revelou percepções e discursos que merecem reflexão à luz dos princípios estabelecidos pelo Estatuto da Pessoa Idosa.

 

A violência contra a pessoa idosa não se manifesta apenas por agressões físicas. Ela também está presente quando há humilhação, desrespeito, discriminação ou atitudes que reduzem a dignidade e a autonomia de quem envelhece. Muitas vezes, manifesta-se de forma silenciosa, por meio da exclusão social, da invisibilidade e da ideia equivocada de que a velhice representa incômodo para a sociedade.

 

No Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, vale ampliar nossa compreensão sobre o tema. Afinal, nem toda violência deixa marcas visíveis.

 

Às vezes, ela se manifesta em atitudes que reforçam a ideia de que a velhice é problema, incômodo ou algo que deveria permanecer distante dos nossos olhos. Outras vezes, surge na dificuldade de enxergar a pessoa por trás da fragilidade, reduzindo sua existência a um estereótipo ou a uma condição de saúde.

 

Talvez o maior desafio da nossa sociedade seja justamente construir uma cultura do cuidado. Historicamente, o cuidado dos idosos foi atribuído às famílias, porém, elas mudaram. Vivemos mais, temos menos filhos, as mulheres estão cada vez mais inseridas no mercado de trabalho e os arranjos familiares se tornaram mais diversos. Ao mesmo tempo, cresce o número de idosos que vivem com doenças crônicas, limitações funcionais ou algum grau de dependência.

 

Nesse contexto, o cuidado deixa de ser responsabilidade individual e passa pela responsabilidade coletiva. É aqui que entra o conceito de ecossistema do cuidado. Cuidar de uma pessoa idosa envolve familiares, cuidadores profissionais, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais, hospitais, serviços de atenção básica e instituições especializadas. Nenhum desses atores consegue responder sozinho aos desafios da longevidade.

 

Em uma sociedade que envelhece rapidamente e na qual as famílias estão menores e mais sobrecarregadas, a demanda por cuidados de longa duração tende a crescer nas próximas décadas. As ILPIs fazem parte desse ecossistema.

 

Durante muito tempo, esses espaços foram associados exclusivamente ao abandono familiar. Hoje, essa visão não corresponde à realidade de milhares de famílias brasileiras. Em muitos casos, são as ILPIs que oferecem assistência especializada, segurança, estímulo à convivência, acompanhamento multiprofissional e suporte contínuo para idosos que necessitam de cuidados mais complexos. 

Isso não significa substituir a família, mas ampliar sua capacidade de cuidar. Não significa assumir a responsabilidade que é do Estado, mas ser parte do sistema que cuida e inclui a pessoa idosa. 

Países que avançaram na construção de políticas para o envelhecimento compreenderam que a convivência entre gerações fortalece a sociedade. Em diversas cidades da Europa, programas aproximam idosos e estudantes universitários, promovem moradias compartilhadas e incentivam espaços de encontro entre crianças, adultos e idosos. A lógica é simples: quanto mais integradas as gerações estiverem, maior será a compreensão mútua e menor será o preconceito.

 

O Brasil ainda está construindo esse caminho. O envelhecimento populacional não deve ser visto como ameaça, mas como oportunidade para repensarmos nossas cidades, nossas políticas públicas e nossas relações humanas. Afinal, falar sobre velhice é falar sobre o futuro de todos nós.

 

A discussão que hoje acontece em uma rua de São Paulo não é apenas sobre uma instituição, um bairro ou uma licença de funcionamento. Ela simboliza um debate muito maior sobre a sociedade que estamos construindo.

 

Mais de duas décadas após a criação do Estatuto da Pessoa Idosa, o desafio brasileiro já não é apenas garantir direitos no papel. É transformá-los em cultura efetiva de cuidado, inclusão e convivência.

 

Uma sociedade preparada para envelhecer não é aquela que apenas aumenta a expectativa de vida, mas a que reconhece o valor da experiência, acolhe a fragilidade quando ela surge e garante que ninguém seja excluído por causa da idade. 


A forma como tratamos nossos idosos hoje revela, em grande medida, a sociedade que desejamos construir para nós mesmos amanhã.

 

Felipe Vecchi - médico geriatra e diretor médico e operacional da BSL Saúde. Graduado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP), possui residência em Clínica Médica pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (SP) e especialização em Geriatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atua na coordenação de modelos integrados de cuidado, reabilitação e assistência de longa permanência para pessoas idosas, com foco em autonomia, qualidade de vida e apoio às famílias cuidadoras.



Inteligência Cênica: a nova soft skill que define quem crescerá na carreira

Consultor com mais de 35 anos de experiência, Ronaldo Loyola apresenta em livro conceito inédito para profissionais que desejam ganhar os holofotes no "teatro corporativo"  

 

O ambiente corporativo tornou-se o grande palco do século XXI e, nele, a forma de atuar com outras pessoas é tão determinante quanto a competência técnica. É a partir dessa premissa que Ronaldo Loyola, executivo multidisciplinar com mais de 35 anos de experiência corporativa, lança Inteligência Cênica - A nova soft skill do mundo corporativo pela editora Ipê das Letras.

Com formação em Administração, Ciências Contábeis e pós-graduação em Gestão de Pessoas, Gestão Empresarial, Psicologia Organizacional, Medicina Comportamental, Neurociência e Direitos Humanos, Responsabilidade Social, Sustentabilidade, o autor reúne um repertório acadêmico amplo e multidisciplinar. Essa base sólida, aliada à prática profissional, sustenta a criação de um conceito absolutamente inédito no universo corporativo: a Inteligência Cênica.

Segundo Loyola, os espaços de trabalho funcionam como um “teatro invisível”, no qual cada profissional atua simultaneamente nos bastidores, sob os holofotes e diante de uma plateia silenciosa que observa, avalia e constrói reputações. Nesse cenário, carreiras não naufragam apenas por falhas técnicas, mas, sobretudo, pela ausência de presença, pela incapacidade de ler contextos emocionais e pela dificuldade de equilibrar autenticidade e estratégia. A Inteligência Cênica surge então como a soft skill que sustenta relações profissionais mais éticas, saudáveis e eficazes.

Longe de associar atuação à falsidade, o especialista defende a Inteligência Cênica como presença lúcida e a habilidade de estar inteiro, verdadeiro e consciente, adaptando a forma sem trair a essência. Para ele, a capacidade de se adaptar a diferentes situações se faz necessária especialmente em um tempo em que a Inteligência Artificial domina processos, mas não substitui sentido, empatia e consciência humana.

A cada capítulo, Loyola convida o leitor a se observar em ação e a identificar gatilhos emocionais, máscaras profissionais, excessos, silêncios e incoerências, não para gerar culpa, mas para ampliar a lucidez. Ao mostrar que quem não reconhece o próprio script acaba sendo conduzido pelo ego, pelo medo ou pelo modo automático, ele vai além das competências tradicionais ensinadas no mundo corporativo. Trata-se de uma reflexão estratégica ancorada na vivência real do autor no chão de fábrica, nas salas de diretoria e nos bastidores organizacionais.

Ao longo da obra, são exploradas as práticas de leitura de contexto, comunicação estratégica, presença cênica e manutenção da ética e integridade. Elas permitem que profissionais compreendam dinâmicas de poder, ajustem sua comunicação ao clima emocional dos ambientes, utilizem corpo, voz e silêncio como instrumentos de credibilidade e mantenham coerência entre discurso e prática. Essas dimensões contrapõem a ingenuidade corporativa e a chamada “autenticidade brutal”, que, segundo o autor, frequentemente destrói carreiras ao confundir sinceridade com ausência de discernimento. 

Com linguagem provocadora e sem romantizar empresas, a obra também dialoga com temas urgentes do mundo organizacional. Ao conectar Inteligência Cênica à gestão de emoções, à saúde mental e à prevenção de riscos psicossociais previstos na NR-01, Loyola oferece uma abordagem prática para lidar com burnout, assédio moral e ambientes tóxicos. Liderança, nesse contexto, deixa de ser apenas posição hierárquica e passa a simbolizar o espelho emocional da equipe, capaz de sustentar serenidade, sentido e direção mesmo em cenários de crise. 

Para o autor, essa forma de liderar não é abstrata nem teórica. “Ela se manifesta de maneira clara na atuação de líderes que engajam a partir da própria postura”, define. Casos reconhecidos mundialmente, como Luiza Trajano, Satya Nadella e Abílio Diniz, ilustram como presença, narrativa e coerência ética transformam culturas organizacionais mais do que discursos  ou autoridade formal. O livro também amplia o debate para o ambiente digital, onde as redes sociais expandem o palco corporativo e tornam a reputação um ativo construído ou destruído em tempo real.

Inteligência Cênica - A nova soft skill do mundo corporativo é direcionado para profissionais que atuam ou desejam atuar em ambientes organizacionais complexos e para todas as pessoas inquietas e críticas que entendem que a excelência técnica, isoladamente, não sustenta uma carreira no longo prazo. Uma leitura essencial para quem percebe o trabalho como um palco político, emocional e simbólico e deseja compreender esse jogo com lucidez, estratégia e ética, sem abrir mão da própria essência. 

Divulgação

Ficha técnica

TítuloInteligência Cênica – A nova soft skill do mundo corporativo
Autoria: Ronaldo Loyola 
Editora: Ipê das Letras
ISBN: 78-6528601844
Páginas: 220 
Preço: R$ 60,90
Onde encontrarAmazon 

Sobre o autor  

Ronaldo Loyola - sócio-fundador da Loyola HR Consulting (LHRC). Executivo multidisciplinar com mais de 35 anos de experiência corporativa, atuou em posições de alta liderança nos segmentos de serviços, comércio e indústria. É Pós-Graduado em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Sustentabilidade e em Neurociências e Comportamento pela PUC-RS; Pós-Graduado em Medicina Comportamental pelo Departamento de Psicobiologia da UNIFESP; Pós-Graduado em Psicologia Organizacional pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, possui MBA em Gestão de Pessoas e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), além de Especialização em Business and Management pela University of California - UCI (EUA). É Bacharel em Administração de Empresas (CRA 049739-SP) e em Ciências Contábeis (CRC 1SP222141/04). Possui certificação internacional em Mapeamento de Cultura Organizacional pela metodologia Richard Barrett, além de formações em Hipnose Moderna, Hipnose Não Verbal, Programação Neurolinguistica (PNL) e Coaching Profissional Internacional pela SLAC. Atua também como professor de pós-graduação em cursos de MBA, ministrando disciplinas como: Gestão de Mudanças e Cultura Organizacional, Business Partner em RH, Employer Branding, Avaliação e Engajamento de Equipes Comerciais e Aprendizagem Corporativa com uso de Inteligência Artificial. Reconhecido por sua capacidade de unir ciência, arte e gestão, é o criador e difusor do conceito de Inteligência Cênica.
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São João sem dívidas: 5 dicas para curtir a festa sem estourar o orçamento

Cartão de crédito, compras por impulso e despesas não planejadas estão entre os principais riscos para o orçamento nesta época do ano. 

 

As festividades de São João seguem entre as celebrações mais tradicionais do calendário brasileiro e movimentam diversos setores da economia, desde alimentação até vestuário e entretenimento. Em 2025, uma pesquisa do Instituto Locomotiva e QuestionPro, revelou que quatro em cada dez brasileiros pretendiam gastar mais de R$ 200 nos festejos de São João, impulsionados por despesas com comidas típicas, roupas temáticas, eventos e confraternizações. 

Embora o período seja marcado pela diversão e pelo fortalecimento das tradições culturais, o aumento dos gastos exige atenção ao planejamento financeiro. Isso porque muitas das despesas relacionadas às festas juninas costumam ocorrer de forma pulverizada ao longo do mês, o que dificulta a percepção do impacto real sobre o orçamento familiar. 

"O problema não está em participar das comemorações, mas em gastar sem planejamento. Muitas vezes, pequenas despesas feitas ao longo das semanas passam despercebidas e, quando a fatura do cartão chega, o valor surpreende. Por isso, é importante definir previamente quanto será destinado às festas e respeitar esse limite", afirma Daiane Alves, educadora financeira da Neon. 

A especialista explica que gastos com alimentação, bebidas, transporte por aplicativo, ingressos para eventos e compras de última hora são alguns dos principais responsáveis pelo aumento das despesas nesta época do ano. Quando somados, esses custos podem representar um impacto significativo nas finanças, especialmente para quem já possui parcelas ou outras obrigações financeiras em andamento. 

"O cartão de crédito pode ser um aliado na organização financeira quando utilizado de forma consciente, mas também pode dar uma falsa sensação de disponibilidade de recursos. Antes de realizar qualquer compra, é importante avaliar se aquele gasto realmente cabe no orçamento e se não comprometerá o pagamento das demais contas do mês", explica. 

Para ajudar os consumidores a aproveitar o período sem prejudicar a saúde financeira, a educadora financeira da Neon reuniu cinco recomendações práticas:
 

1. Defina um orçamento antes de começar a gastar

Antes de comprar roupas, ingressos ou alimentos, estabeleça um valor máximo para as comemorações. Ter um limite definido ajuda a evitar compras impulsivas e facilita o controle dos gastos.
 

2. Priorize eventos gratuitos ou de baixo custo

Muitas cidades oferecem programações públicas durante o período junino. Aproveitar essas opções pode reduzir significativamente os gastos sem comprometer a experiência.
 

3. Evite parcelar despesas de consumo imediato

Comidas, bebidas e ingressos são consumidos em poucos dias. Parcelar esse tipo de gasto pode fazer com que a diversão dure um fim de semana, mas a dívida permaneça por vários meses.
 

4. Compartilhe custos com amigos e familiares

Organizar encontros em grupo e dividir despesas com alimentos, decoração e transporte pode tornar as comemorações mais econômicas para todos os participantes.
 

5. Acompanhe os gastos em tempo real

Registrar as despesas durante o período ajuda a identificar excessos antes que eles se tornem um problema. Aplicativos financeiros e ferramentas de controle de gastos podem ser aliados importantes nesse processo.

Segundo Daiane, o mais importante é lembrar que o lazer não deve comprometer a estabilidade financeira dos meses seguintes. "As festas juninas fazem parte da cultura brasileira e podem ser aproveitadas sem culpa. O segredo está em equilibrar diversão e planejamento. Quando existe consciência sobre os próprios limites financeiros, é possível participar das comemorações sem transformar um momento de alegria em uma preocupação futura", finaliza a especialista.

  

Neon

 

Airbnb em condomínios: STJ suspende processos no país e prepara decisão que pode mudar o mercado de locações curtas

Tema 1.443 vai definir se a simples cláusula de destinação residencial basta para barrar aluguéis de curta temporada em prédios residenciais; enquanto isso, ações judiciais ficam suspensas

 

A disputa entre moradores, síndicos, investidores e plataformas de locação de curta temporada acaba de ganhar um novo capítulo no Superior Tribunal de Justiça. Após decidir, em maio, que estadias curtas em condomínios residenciais exigem aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos quando houver alteração da destinação das unidades, o STJ agora deu um passo ainda mais amplo: suspendeu, em todo o país, os processos judiciais que discutem o tema e criou o Tema 1.443. 

Na prática, a Corte vai fixar uma tese vinculante para orientar todos os casos semelhantes no Brasil. O ponto central da discussão é direto, mas de enorme impacto: a cláusula de “destinação residencial” prevista na convenção condominial, sozinha, já é suficiente para impedir locações de curta temporada por plataformas como Airbnb, mesmo que o condomínio não tenha uma proibição expressa? 

Para o advogado especialista em Direito Condominial, Dr. Issei Yuki, a decisão mostra que o tema deixou de ser uma briga pontual entre vizinhos e passou a ser uma das grandes discussões jurídicas do mercado imobiliário atual. “O STJ está reconhecendo que essa controvérsia ultrapassou os limites de casos isolados. A locação de curta temporada em condomínios residenciais envolve direito de propriedade, segurança, sossego, destinação do prédio e impacto econômico. Por isso, a resposta precisa ser uniforme, e não depender de decisões diferentes em cada tribunal.” 

Com a afetação ao rito dos recursos repetitivos, os processos pendentes que tratam da mesma questão ficam suspensos até que o STJ defina a tese final. Isso significa que ações judiciais em andamento sobre a possibilidade de aluguéis curtos em condomínios residenciais entram em compasso de espera. 

A medida não resolve imediatamente se o Airbnb pode ou não ser proibido em todos os condomínios, mas indica que o tribunal pretende pacificar uma questão que vinha gerando decisões divergentes no país. 

O debate é sensível porque envolve dois lados fortes. De um lado, proprietários alegam o direito de usar e explorar economicamente seus imóveis, inclusive por meio de locações de curta duração. De outro, condomínios argumentam que a alta rotatividade de hóspedes descaracteriza a finalidade residencial do prédio, aumenta a circulação de desconhecidos, dificulta o controle de acesso e pode afetar a segurança e o sossego dos moradores. 

O julgamento anterior da Segunda Seção já havia trazido um recado relevante: a exploração reiterada e profissional de imóveis residenciais para estadias curtas pode descaracterizar a finalidade residencial do condomínio. Naquela ocasião, prevaleceu o entendimento de que esse tipo de uso depende de aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos. 

Agora, o Tema 1.443 aprofunda a discussão. A dúvida que o STJ irá enfrentar é se, em condomínios com destinação exclusivamente residencial, seria necessário existir uma cláusula expressa proibindo locações curtas, ou se a própria finalidade residencial já bastaria para impedir esse modelo. 

Segundo Dr. Issei Yuki, esse detalhe é decisivo. “A diferença parece técnica, mas muda completamente a vida dos condomínios. Se o STJ entender que a destinação residencial já basta para restringir as locações curtas, muitos condomínios terão respaldo para agir mesmo sem uma cláusula específica contra Airbnb. Se entender o contrário, será necessária uma previsão expressa e bem construída na convenção.” 

Enquanto a tese definitiva não é julgada, síndicos e administradoras precisam evitar decisões improvisadas. A suspensão nacional dos processos não significa que os condomínios devam ignorar situações em andamento, mas exige cautela na condução dos conflitos. 

O caminho mais seguro é revisar a convenção, analisar o regimento interno, verificar se já existem deliberações em assembleia sobre o tema e documentar eventuais reclamações envolvendo hóspedes, barulho, uso indevido de áreas comuns, festas, danos ou falhas no controle de acesso.

Também é recomendável que condomínios que desejam permitir esse tipo de atividade estabeleçam regras objetivas: cadastro prévio de hóspedes, limite de ocupação, responsabilização do proprietário, tempo mínimo de permanência, regras para uso de áreas comuns e penalidades em caso de descumprimento. 

Já para investidores, o alerta é ainda maior. Comprar um imóvel residencial pensando exclusivamente em renda por aluguel de curta temporada se tornou uma decisão que exige análise jurídica prévia. A localização, a mobília e a rentabilidade projetada não bastam. É preciso avaliar a convenção, as atas de assembleia e o posicionamento do condomínio. 

Um apartamento atrativo para hospedagem pode se tornar inviável se o prédio não autorizar esse uso ou se a tese do STJ fortalecer a possibilidade de restrição com base apenas na destinação residencial. 

A discussão também recoloca no centro do debate a função social da propriedade. O proprietário continua tendo direitos sobre sua unidade, mas, dentro de um condomínio, esse direito convive com regras coletivas. O prédio residencial não é apenas um conjunto de unidades privadas; é uma estrutura de convivência, segurança e uso comum. 

Por isso, o julgamento do Tema 1.443 tende a ter efeito direto sobre milhares de condomínios, ações judiciais, investidores e proprietários que utilizam plataformas digitais para locações de curta duração. 

Para Dr. Issei Yuki, o momento exige prudência, informação e atualização jurídica. “O pior caminho agora é agir no impulso. Nem o proprietário deve presumir que pode anunciar livremente, nem o condomínio deve agir sem base documental. Até a definição final do STJ, a palavra de ordem é cautela. O que está em jogo não é apenas o Airbnb, mas o limite entre o uso individual do imóvel e a vontade coletiva dentro do condomínio.” 

A decisão final do STJ ainda não tem data para ser julgada, mas o recado já está dado: o tema não será mais tratado como uma simples disputa entre vizinhos. A locação de curta temporada em condomínios residenciais entrou definitivamente na agenda dos grandes debates jurídicos do país.

E, quando a tese for fixada, ela poderá redefinir não apenas o funcionamento de plataformas como Airbnb em prédios residenciais, mas também a forma como condomínios brasileiros entendem propriedade, convivência e destinação residencial.  



Issei Yuki Júnior - Graduado em Direito pela Universidade São Francisco com especialização em Direito de Família e Sucessões, e mais de 25 anos de experiência como advogado nas áreas de Direito Civil e Processual Civil, Família e Sucessões, Direito Condominial, Direito do Consumidor e Consultoria empresarial e societária.
Yuki, Lourenço Sociedade de Advogados


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