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O Dia do Imigrante (25/6) é uma oportunidade para refletirmos sobre os deslocamentos humanos para além das fronteiras geográficas. Migrar envolve expectativas e projetos de vida, mas também revela contradições de uma realidade marcada por desigualdades e pela fragilidade das redes de proteção.
O Brasil foi historicamente constituído por
diferentes fluxos migratórios. Hoje, milhares de pessoas chegam ao país em
busca de melhores oportunidades, muitas vezes fugindo de conflitos, crises
econômicas ou situações de extrema vulnerabilidade.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública
(MJSP), o país abriga pouco mais de 2 milhões de pessoas de outras
nacionalidades, entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de
reconhecimento da condição de refugiado, de aproximadamente 200 países.
Entretanto, apenas cerca de 414 mil estão inseridas formalmente no mercado de
trabalho.
A urgência pela sobrevivência, as barreiras
linguísticas e culturais, o desconhecimento da legislação e as dificuldades de
acesso às redes de apoio deixam muitos estrangeiros expostos à exploração, à
informalidade e a vínculos ocupacionais marcados por baixos salários e ausência
de garantias sociais e trabalhistas.
Esse cenário está relacionado a um processo mais
amplo de enfraquecimento da proteção social. A chamada desertificação dos
direitos sociais, associada à perda de garantias trabalhistas, favorece a
expansão da informalidade, que hoje alcança cerca de 40 milhões de brasileiros,
e cria condições para diferentes formas de escravização contemporânea. A
precarização, nesse sentido, deixa de ser exceção e passa a ser naturalizada
como parte das relações de trabalho.
Por isso, acolher quem atravessa fronteiras significa
reafirmar que direitos não podem depender da origem ou nacionalidade. Uma
sociedade democrática precisa garantir mecanismos de integração e combater
práticas que submetem pessoas a processos exploratórios e/ou de exclusão.
Esse compromisso exige políticas públicas
específicas para a população migrante, com ações nas áreas de assistência
social, saúde, educação, regularização documental, moradia e inserção
profissional, além do fortalecimento da fiscalização contra violações que
atingem trabalhadores brasileiros e estrangeiros.
Garantir que aqueles que chegam ao país possam
reconstruir suas trajetórias é parte da construção de uma democracia que não
transforme a vulnerabilidade em destino.
Reginaldo Ghiraldelli - doutor em Serviço Social e organizador da obra Trabalho e (Des)Proteção Social no Brasil (Cortez Editora).

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