Febre persistente, suor noturno e aumento dos gânglios estão entre os sinais de alerta da doença, que apresenta elevados índices de cura quando identificada precocemente
A internação do ex-técnico da Seleção
Brasileira, Carlos Alberto Parreira, após o diagnóstico de linfoma de Hodgkin,
chamou a atenção para uma doença que atinge milhares de brasileiros todos os
anos. Embora seja um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, responsável
por parte das defesas do organismo, muitas pessoas ainda desconhecem seus
sintomas e as possibilidades de tratamento.
Segundo o médico Roberto Luiz Silva,
hematologista e responsável técnico pelo Departamento de Transplante de Medula
Óssea do IBCC Oncologia, o principal desafio está justamente na identificação
precoce da doença.
"Muitos pacientes convivem por semanas
ou meses com sintomas que podem ser confundidos com problemas comuns do dia a
dia, como cansaço persistente, febre recorrente ou suor noturno excessivo. Por
isso, é importante observar sinais que não melhoram com o tempo", explica.
O
que é o linfoma de Hodgkin?
O linfoma de Hodgkin é um câncer que se
desenvolve nos linfócitos, células fundamentais para o funcionamento do sistema
imunológico. A doença costuma atingir os linfonodos, conhecidos popularmente
como gânglios, localizados em regiões como pescoço, axilas e virilha.
Apesar de ser menos frequente do que outros
tipos de linfoma, apresenta uma característica bastante positiva: quando
diagnosticado precocemente, possui elevadas taxas de cura.
"Mesmo em situações mais desafiadoras,
a Medicina dispõe hoje de diversas opções terapêuticas. Quanto mais cedo a
doença for identificada maiores são as chances de cura e de controle da
doença", ressalta o médico.
No Brasil, o número estimado de casos novos
de linfoma de Hodgkin, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 3.070
casos, com risco estimado de 1,41 por 100 mil habitantes. Desse total, 1.740
são estimados em homens e 1.330 em mulheres.
Sintomas
que merecem atenção
Os sinais podem surgir de forma gradual e,
muitas vezes, passam despercebidos. Entre os sintomas mais comuns estão:
• Aumento dos gânglios linfáticos, geralmente sem dor;
• Febre persistente sem causa aparente;
• Suor noturno intenso;
• Perda de peso sem explicação;
• Cansaço excessivo e prolongado;
• Coceira no corpo sem motivo identificado.
A presença desses sintomas não significa
necessariamente que a pessoa tenha câncer, mas a persistência deles deve
motivar a avaliação médica.
Diagnóstico
precoce faz toda a diferença
O diagnóstico do linfoma envolve exames
clínicos, laboratoriais e de imagem. Em muitos casos, a confirmação ocorre por
meio da biópsia de um linfonodo aumentado.
Segundo o hematologista do IBCC,
identificar corretamente o subtipo da doença é fundamental para definir o
tratamento mais adequado. "Hoje sabemos que cada linfoma possui características
próprias. O diagnóstico preciso permite escolher terapias mais personalizadas e
aumentar as chances de sucesso", afirma.
Tratamentos
evoluíram nos últimos anos
Nas últimas décadas, os avanços da Hematologia
transformaram o cenário dos pacientes com linfoma. Além da Quimioterapia,
atualmente existem terapias-alvo, imunoterapia e transplante de medula óssea
para situações específicas.
A imunoterapia, por exemplo, utiliza
mecanismos capazes de estimular o próprio sistema imunológico a reconhecer e
combater as células tumorais.
"Temos tratamentos cada vez mais eficazes e direcionados. Em muitos casos conseguimos obter excelentes resultados com menos efeitos adversos do que no passado", destaca o especialista.
Em um cenário de constantes avanços na hematologia, o principal desafio continua sendo fazer com que os pacientes cheguem mais cedo ao diagnóstico. A informação, aliada ao acompanhamento especializado, segue sendo uma das ferramentas mais importantes para aumentar as chances de sucesso no tratamento.
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