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terça-feira, 23 de junho de 2026

Linfoma de Hodgkin tem cura? Entenda os sinais, diagnóstico e tratamento

Febre persistente, suor noturno e aumento dos gânglios estão entre os sinais de alerta da doença, que apresenta elevados índices de cura quando identificada precocemente

 

A internação do ex-técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, após o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, chamou a atenção para uma doença que atinge milhares de brasileiros todos os anos. Embora seja um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, responsável por parte das defesas do organismo, muitas pessoas ainda desconhecem seus sintomas e as possibilidades de tratamento.

 

Segundo o médico Roberto Luiz Silva, hematologista e responsável técnico pelo Departamento de Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia, o principal desafio está justamente na identificação precoce da doença.

 

"Muitos pacientes convivem por semanas ou meses com sintomas que podem ser confundidos com problemas comuns do dia a dia, como cansaço persistente, febre recorrente ou suor noturno excessivo. Por isso, é importante observar sinais que não melhoram com o tempo", explica.


 

O que é o linfoma de Hodgkin?

 

O linfoma de Hodgkin é um câncer que se desenvolve nos linfócitos, células fundamentais para o funcionamento do sistema imunológico. A doença costuma atingir os linfonodos, conhecidos popularmente como gânglios, localizados em regiões como pescoço, axilas e virilha.

 

Apesar de ser menos frequente do que outros tipos de linfoma, apresenta uma característica bastante positiva: quando diagnosticado precocemente, possui elevadas taxas de cura.

 

"Mesmo em situações mais desafiadoras, a Medicina dispõe hoje de diversas opções terapêuticas. Quanto mais cedo a doença for identificada maiores são as chances de cura e de controle da doença", ressalta o médico.

No Brasil, o número estimado de casos novos de linfoma de Hodgkin, para cada ano do triênio de 2026 a 2028, é de 3.070 casos, com risco estimado de 1,41 por 100 mil habitantes. Desse total, 1.740 são estimados em homens e 1.330 em mulheres.

 

Sintomas que merecem atenção

 

Os sinais podem surgir de forma gradual e, muitas vezes, passam despercebidos. Entre os sintomas mais comuns estão:

 

• Aumento dos gânglios linfáticos, geralmente sem dor;


• Febre persistente sem causa aparente;


• Suor noturno intenso;


• Perda de peso sem explicação;


• Cansaço excessivo e prolongado;


• Coceira no corpo sem motivo identificado.


A presença desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer, mas a persistência deles deve motivar a avaliação médica.


 

Diagnóstico precoce faz toda a diferença


O diagnóstico do linfoma envolve exames clínicos, laboratoriais e de imagem. Em muitos casos, a confirmação ocorre por meio da biópsia de um linfonodo aumentado.

 

Segundo o hematologista do IBCC, identificar corretamente o subtipo da doença é fundamental para definir o tratamento mais adequado. "Hoje sabemos que cada linfoma possui características próprias. O diagnóstico preciso permite escolher terapias mais personalizadas e aumentar as chances de sucesso", afirma.


 

Tratamentos evoluíram nos últimos anos

 

Nas últimas décadas, os avanços da Hematologia transformaram o cenário dos pacientes com linfoma. Além da Quimioterapia, atualmente existem terapias-alvo, imunoterapia e transplante de medula óssea para situações específicas.

 

A imunoterapia, por exemplo, utiliza mecanismos capazes de estimular o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais.

"Temos tratamentos cada vez mais eficazes e direcionados. Em muitos casos conseguimos obter excelentes resultados com menos efeitos adversos do que no passado", destaca o especialista. 


Em um cenário de constantes avanços na hematologia, o principal desafio continua sendo fazer com que os pacientes cheguem mais cedo ao diagnóstico. A informação, aliada ao acompanhamento especializado, segue sendo uma das ferramentas mais importantes para aumentar as chances de sucesso no tratamento.



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