Em meio à expansão do novo modelo, 8 em cada 10 trabalhadores que contrataram a modalidade comprometem mais de 81% da renda com dívidas
Um ano após a
criação do Crédito do Trabalhador, o mercado de consignado privado passou por
uma mudança significativa no perfil das operações realizadas no país. Dados
proprietários da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, mostram
que apesar da forte expansão da modalidade, as instituições financeiras
passaram a operar com contratos menores e prazos de pagamento mais curtos. Como
resultado, o número de novos contratos saltou de cerca de 11 mil para mais de
25 mil no período analisado, enquanto o valor médio dos empréstimos caiu 73%,
passando de R$ 8,6 mil para R$ 2,3 mil.
Segundo dados do
Banco Central, o volume mensal liberado em consignado privado passou de R$ 1,5
bilhão para quase R$ 11 bilhões após a implementação do Crédito do Trabalhador.
No mesmo período, a modalidade apresentou crescimento superior ao registrado em
outras linhas de crédito, impulsionada pela ampliação do acesso ao consignado
para trabalhadores CLT fora dos modelos tradicionais de convênio entre empresas
e instituições financeiras.
Além disso, é
possível identificar que a expansão do novo consignado foi acompanhada por uma
mudança relevante na estrutura das operações. De acordo com o estudo inédito da
Serasa Experian, o prazo médio dos contratos caiu 48% após a criação do
programa, enquanto o número médio de instituições financeiras ofertando crédito
por empresa foi de 4 para 21, indicando mais concorrência e a pulverização das
concessões entre bancos.
“O Crédito do
Trabalhador levou bancos e empresas a reorganizarem a lógica de concessão
diante de um novo perfil operacional do mercado. O primeiro ano do programa
mostrou que existia uma demanda reprimida entre trabalhadores CLT, ao mesmo
tempo em que exigiu das instituições financeiras uma adaptação para ofertar
crédito em um ambiente mais amplo e competitivo”, afirma Délber Lage, CEO da
SalaryFits, empresa da Serasa Experian.
8 em
cada 10 trabalhadores comprometem mais de 81% da renda com dívidas
O levantamento aponta
ainda que 78% dos trabalhadores que contrataram o novo consignado possuem mais
de 81% da renda comprometida com dívidas de empréstimos e outras obrigações
financeiras.
Por fim, o
estudo também indica que a adesão ao novo consignado foi mais intensa entre
perfis com menor histórico de acesso ao crédito. Segundo a análise da datatech,
86% dos empréstimos foram contratados por trabalhadores posicionados nas faixas
mais baixas do score de crédito, enquanto apenas 21% dos tomadores tinham
pontuação acima de 600.
“É fundamental
ressaltar que, à medida que o consignado passa a fazer parte da rotina
financeira de mais trabalhadores, cresce também a importância de planejamento e
educação financeira para garantir decisões mais conscientes na contratação do crédito”,
conclui Délber.
Metodologia
O estudo da Serasa Experian analisou 191.798 contratos de empréstimo consignado privado vinculados a 88 empresas. Foram consideradas operações realizadas até abril de 2026, envolvendo 61 instituições financeiras.
Experian
experianplc.com
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