Especialista do Hospital e Maternidade Sepaco explica os casos em que as transfusões são necessárias
Muitas pessoas associam a transfusão de sangue apenas a grandes emergências e acidentes. No entanto, dentro de maternidades, UTIs neonatais e centros de alta complexidade, os hemocomponentes são essenciais para o tratamento de pacientes extremamente vulneráveis, incluindo recém-nascidos prematuros, crianças submetidas a cirurgias cardíacas e pacientes em terapia intensiva. Durante o Junho Vermelho, campanha nacional de incentivo à doação de sangue, especialistas reforçam a importância desse gesto solidário, que contribui diretamente para salvar vidas e garantir a continuidade de tratamentos complexos.
Uma única doação de sangue pode beneficiar mais de um paciente. Isso ocorre porque o sangue coletado é processado e separado em diferentes partes, como concentrado de hemácias, plasma e plaquetas, utilizados conforme a necessidade clínica de cada paciente. Em recém-nascidos e crianças, esses hemocomponentes podem ainda ser fracionados em pequenos volumes, adequados ao peso e às necessidades individuais.
“Recém-nascidos submetidos a cirurgias cardíacas, por exemplo, frequentemente necessitam de transfusões de sangue e hemocomponentes durante o tratamento. Em muitos casos, esse suporte é fundamental para a manutenção da vida e para uma recuperação clínica adequada”, explica o médico Pablo Raphael Gomiero Alves, hematologista e hemoterapeuta no Hospital e Maternidade Sepaco.
Além das cardiopatias congênitas complexas, prematuros extremos também podem necessitar de múltiplas transfusões ao longo da internação, especialmente em decorrência da anemia da prematuridade e de outras condições associadas à imaturidade neonatal.
“O que muitas pessoas não sabem é que um único bebê prematuro extremo pode precisar de várias transfusões durante a internação. Por isso, a manutenção de estoques adequados de sangue e hemocomponentes é fundamental para garantir a assistência segura a esses pacientes tão vulneráveis”, destaca o especialista.
Entre as situações mais frequentes que podem exigir transfusão em recém-nascidos estão também hemorragias, incompatibilidades sanguíneas materno-fetais, infecções graves, cirurgias de alta complexidade e distúrbios de coagulação.
A transfusão nesse grupo de
pacientes requer cuidados rigorosos, incluindo o cálculo preciso dos volumes
conforme o peso corporal, a utilização de hemocomponentes especialmente
selecionados, monitorização contínua e acompanhamento por equipes capacitadas.
Todo o processo é realizado seguindo protocolos assistenciais e critérios de
segurança transfusional.
Doação de sangue: uma necessidade permanente
A necessidade de sangue e hemocomponentes é contínua nos hospitais
brasileiros. Como esses produtos não podem ser fabricados artificialmente e
possuem prazo de validade limitado, a manutenção de estoques adequados depende
da doação regular da população. Esse abastecimento é fundamental para garantir
a realização de cirurgias, tratamentos oncológicos, atendimentos de urgência e
o suporte a pacientes internados em unidades de terapia intensiva.
“Para quem nunca doou, o mais importante é dar o primeiro passo. Além de ajudar outras pessoas, é uma experiência que costuma transformar também quem doa”, afirma o Dr. Pablo Raphael.
Ele ressalta ainda que existem períodos tradicionalmente mais críticos para os bancos de sangue, como férias escolares, feriados prolongados e meses de inverno, quando o número de doadores tende a diminuir.
Maria Júlia Marcovecchio, captadora de doadores do Banco de Sangue de São Paulo, destaca que a doação de sangue continua cercada por mitos que afastam potenciais doadores.
“Muitas pessoas ainda acreditam que doar sangue faz mal à saúde ou provoca fraqueza prolongada. Na verdade, é um procedimento seguro e realizado sob rigorosos critérios de qualidade. O que nem todos percebem é que a necessidade de sangue é diária e envolve não apenas vítimas de acidentes ou pacientes cirúrgicos, mas também recém-nascidos prematuros, crianças e pacientes em tratamento de doenças graves. Cada doação pode fazer diferença para várias vidas”, afirma.
Quem pode doar sangue
• Ter entre 16 e 69 anos de idade (menores de 18
anos devem apresentar autorização formal do responsável legal);
• Pessoas entre 60 e 69 anos podem doar apenas
se já tiverem realizado doações antes dos 60 anos;
• Apresentar documento oficial com foto;
• Pesar no mínimo 50 kg;
• Estar em boas condições de saúde;
• Ter dormido pelo menos seis horas nas últimas
24 horas;
• Não comparecer em jejum;
• Evitar alimentos gordurosos nas três horas que
antecedem a doação.
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