Pesquisar no Blog

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Junho Vermelho: uma única doação de sangue pode beneficiar diversos recém-nascidos e crianças em tratamento

Especialista do Hospital e Maternidade Sepaco explica os casos em que as transfusões são necessárias

 

Muitas pessoas associam a transfusão de sangue apenas a grandes emergências e acidentes. No entanto, dentro de maternidades, UTIs neonatais e centros de alta complexidade, os hemocomponentes são essenciais para o tratamento de pacientes extremamente vulneráveis, incluindo recém-nascidos prematuros, crianças submetidas a cirurgias cardíacas e pacientes em terapia intensiva. Durante o Junho Vermelho, campanha nacional de incentivo à doação de sangue, especialistas reforçam a importância desse gesto solidário, que contribui diretamente para salvar vidas e garantir a continuidade de tratamentos complexos. 

Uma única doação de sangue pode beneficiar mais de um paciente. Isso ocorre porque o sangue coletado é processado e separado em diferentes partes, como concentrado de hemácias, plasma e plaquetas, utilizados conforme a necessidade clínica de cada paciente. Em recém-nascidos e crianças, esses hemocomponentes podem ainda ser fracionados em pequenos volumes, adequados ao peso e às necessidades individuais. 

“Recém-nascidos submetidos a cirurgias cardíacas, por exemplo, frequentemente necessitam de transfusões de sangue e hemocomponentes durante o tratamento. Em muitos casos, esse suporte é fundamental para a manutenção da vida e para uma recuperação clínica adequada”, explica o médico Pablo Raphael Gomiero Alves, hematologista e hemoterapeuta no Hospital e Maternidade Sepaco. 

Além das cardiopatias congênitas complexas, prematuros extremos também podem necessitar de múltiplas transfusões ao longo da internação, especialmente em decorrência da anemia da prematuridade e de outras condições associadas à imaturidade neonatal. 

“O que muitas pessoas não sabem é que um único bebê prematuro extremo pode precisar de várias transfusões durante a internação. Por isso, a manutenção de estoques adequados de sangue e hemocomponentes é fundamental para garantir a assistência segura a esses pacientes tão vulneráveis”, destaca o especialista. 

Entre as situações mais frequentes que podem exigir transfusão em recém-nascidos estão também hemorragias, incompatibilidades sanguíneas materno-fetais, infecções graves, cirurgias de alta complexidade e distúrbios de coagulação. 

A transfusão nesse grupo de pacientes requer cuidados rigorosos, incluindo o cálculo preciso dos volumes conforme o peso corporal, a utilização de hemocomponentes especialmente selecionados, monitorização contínua e acompanhamento por equipes capacitadas. Todo o processo é realizado seguindo protocolos assistenciais e critérios de segurança transfusional.

 

Doação de sangue: uma necessidade permanente 

A necessidade de sangue e hemocomponentes é contínua nos hospitais brasileiros. Como esses produtos não podem ser fabricados artificialmente e possuem prazo de validade limitado, a manutenção de estoques adequados depende da doação regular da população. Esse abastecimento é fundamental para garantir a realização de cirurgias, tratamentos oncológicos, atendimentos de urgência e o suporte a pacientes internados em unidades de terapia intensiva.

 “Para quem nunca doou, o mais importante é dar o primeiro passo. Além de ajudar outras pessoas, é uma experiência que costuma transformar também quem doa”, afirma o Dr. Pablo Raphael. 

Ele ressalta ainda que existem períodos tradicionalmente mais críticos para os bancos de sangue, como férias escolares, feriados prolongados e meses de inverno, quando o número de doadores tende a diminuir. 

Maria Júlia Marcovecchio, captadora de doadores do Banco de Sangue de São Paulo, destaca que a doação de sangue continua cercada por mitos que afastam potenciais doadores. 

“Muitas pessoas ainda acreditam que doar sangue faz mal à saúde ou provoca fraqueza prolongada. Na verdade, é um procedimento seguro e realizado sob rigorosos critérios de qualidade. O que nem todos percebem é que a necessidade de sangue é diária e envolve não apenas vítimas de acidentes ou pacientes cirúrgicos, mas também recém-nascidos prematuros, crianças e pacientes em tratamento de doenças graves. Cada doação pode fazer diferença para várias vidas”, afirma. 

 

Quem pode doar sangue 

• Ter entre 16 e 69 anos de idade (menores de 18 anos devem apresentar autorização formal do responsável legal);

• Pessoas entre 60 e 69 anos podem doar apenas se já tiverem realizado doações antes dos 60 anos;

• Apresentar documento oficial com foto;

• Pesar no mínimo 50 kg;

• Estar em boas condições de saúde;

• Ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas;

• Não comparecer em jejum;

• Evitar alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados