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segunda-feira, 22 de junho de 2026

O 'labirinto' da ELA: por que o diagnóstico leva até 16 meses e como sinais confundidos atrasam a jornada do paciente

No Dia Mundial da Esclerose Lateral Amiotrófica, neurologista detalha a "odisseia" de pacientes que passam por múltiplos especialistas e recebem diagnósticos equivocados antes de descobrir a doença, e revela os sinais de alerta que não podem esperar.


Fraqueza para segurar objetos, tropeços que se tornam frequentes, cãibras insistentes e uma fala que começa a falhar. Para muitos, esses poderiam ser sinais do envelhecimento ou um problema de coluna. Para outros, são as primeiras pistas de um "labirinto" diagnóstico que pode durar até 16 meses: a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). 

Neste 21 de junho, Dia Mundial de Conscientização sobre a ELA, o foco se volta para um dos maiores adversários de pacientes e médicos: o tempo. Estudos internacionais1,2 mostram o longo percurso que muitos enfrentam, passando por diferentes especialistas e acumulando hipóteses diagnósticas antes de uma resposta definitiva. É um período de incerteza que atrasa o início do cuidado essencial. 

“A ELA é uma doença de difícil diagnóstico. Não há um único teste que a confirme, então o diagnóstico é um processo de investigação minucioso para descartar outras condições, como hérnias de disco, esclerose múltipla e miastenia gravis”, Dr. Paulo Sgobbi, neurologista especialista em doenças neuromusculares e membro do Departamento Científico de Doença do Neurônio Motor/ELA da Academia Brasileira de Neurologia. “Essa sobreposição de sintomas é o que torna a jornada do paciente tão desafiadora.”
 

Quando os sintomas podem ser confundidos com outras doenças

A ausência de um exame específico faz com que a ELA seja considerada uma doença de exclusão, ou seja, o diagnóstico é estabelecido após a avaliação criteriosa e o descarte de outras condições que podem apresentar manifestações semelhantes. 

Entre elas estão hérnias de disco, neuropatias periféricas, miastenia gravis, esclerose múltipla, miopatias e compressões medulares. Essa sobreposição de sintomas contribui para que o diagnóstico seja um processo desafiador em diferentes países e sistemas de saúde. 

“Não é incomum que pacientes procurem inicialmente ortopedistas, clínicos gerais ou outros especialistas em busca de explicações para sintomas aparentemente inespecíficos. O mais importante é observar a progressão do quadro e buscar avaliação neurológica quando há perda gradual da força muscular ou comprometimento crescente das funções motoras”, afirma o médico.
 

Sinais que merecem atenção

Os primeiros sintomas podem variar de acordo com a região inicialmente acometida, mas alguns sinais costumam ser mais frequentes, como fraqueza progressiva em braços e pernas; dificuldade para segurar objetos ou realizar tarefas rotineiras e tropeços e quedas recorrentes. Também deve-se atentar para a ocorrência frequente de cãibras, contrações musculares involuntárias, alterações na fala e dificuldade para engolir. 

Segundo o especialista, a progressão dos sintomas é uma característica importante da doença. “Nem toda fraqueza muscular significa ELA. Entretanto, quando há piora gradual dos sintomas ao longo do tempo, é importante investigar a causa e não atribuir automaticamente essas alterações ao envelhecimento, a problemas ortopédicos ou desordens emocionais”, ressalta o neurologista.
 

Por que reconhecer a doença mais cedo faz diferença

Embora ainda não exista cura para a ELA, reduzir o intervalo entre os primeiros sintomas e a confirmação do diagnóstico pode fazer diferença para pacientes e familiares. O reconhecimento precoce permite acesso mais rápido ao acompanhamento especializado e à atuação de uma equipe multidisciplinar composta por neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e outros profissionais envolvidos no cuidado. 

“Receber o diagnóstico de ELA representa uma mudança importante para pacientes e familiares. Quanto mais cedo a doença é identificada, mais rapidamente é possível organizar o cuidado e lançar mão das estratégias disponíveis para preservar a funcionalidade e oferecer maior previsibilidade bem como melhor qualidade de vida ao paciente e à sua rede de apoio”, finaliza Sgobbi.
 

Informação também é uma forma de cuidado

Embora a ELA ainda represente um desafio para a medicina, ampliar o conhecimento sobre seus sinais e sintomas é um passo importante para reduzir atrasos diagnósticos e favorecer o encaminhamento para centros especializados. Para os especialistas, promover a conscientização sobre a doença significa criar condições para que mais pessoas tenham acesso ao cuidado em momento oportuno, um fator que pode fazer diferença em uma condição progressiva e de alta complexidade.




Biogen
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Referência:

1. National Library of Medicine, 2020 Oct. Disponível em: Link

2. National Library of Medicine, 2014 Jul. Disponível em: Link



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