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terça-feira, 23 de junho de 2026

Gripe e resfriado: entenda por que o frio favorece as infecções respiratórias

Queda das temperaturas, ambientes fechados e ar mais seco criam cenário ideal para a circulação de vírus; especialista orienta como reduzir os riscos durante o inverno 

 

Com a chegada dos dias mais frios, aumenta também o número de pessoas com nariz entupido, espirros, dor de garganta, tosse e febre. Embora muita gente atribua esses sintomas simplesmente ao frio, a explicação para o aumento das infecções respiratórias no outono e no inverno é mais complexa — e envolve mudanças no ambiente e no comportamento das pessoas. 

Segundo a otorrinolaringologista Dra. Cristiane Passos Dias Levy, especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista, as baixas temperaturas favorecem a circulação de vírus por diferentes mecanismos. 

“O frio, por si só, não causa gripe ou resfriado. O que acontece é que, nessa época do ano, as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação e maior proximidade umas das outras, facilitando a transmissão dos vírus respiratórios”, explica.

Além disso, o ar mais frio e seco interfere diretamente nos mecanismos naturais de defesa do organismo. “O nariz funciona como uma espécie de filtro do sistema respiratório. Quando a umidade do ar diminui, as mucosas ficam mais ressecadas e a capacidade de eliminar partículas, vírus e bactérias se torna menos eficiente”, afirma a médica.

 

Vírus encontram ambiente ideal 

Diversos estudos mostram que vírus respiratórios, incluindo os da gripe e do resfriado comum, apresentam maior estabilidade e capacidade de transmissão em ambientes frios e com baixa umidade. 

Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os vírus influenza costumam apresentar maior circulação justamente nos meses de outono e inverno, período em que também ocorre aumento das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diversas regiões do país. 

Neste ano, autoridades sanitárias têm observado maior circulação da cepa Influenza A (H3N2), reforçando a importância da vacinação anual para ampliar a proteção da população. 

“A vacina é a principal forma de prevenção contra as formas mais graves da gripe e suas complicações. Como os vírus sofrem mutações frequentes, a composição do imunizante é atualizada periodicamente para acompanhar as cepas em circulação”, destaca Cristiane.

 

Gripe e resfriado não são a mesma coisa 

Embora muitas vezes sejam tratados como sinônimos, gripe e resfriado apresentam diferenças importantes.

O resfriado costuma ser provocado por rinovírus e outros agentes respiratórios. Os sintomas geralmente são mais leves, com coriza, congestão nasal, espirros e discreto mal-estar. 

Já a gripe, causada pelos vírus influenza, tende a provocar febre alta, dores no corpo, fadiga intensa, dor de cabeça e comprometimento mais significativo do estado geral. 

“Uma gripe pode evoluir para complicações importantes, especialmente em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Por isso, não deve ser encarada como um simples resfriado forte”, alerta a especialista.

 

Quem corre mais risco? 

Alguns grupos merecem atenção especial durante os meses mais frios:

  • idosos;
  • crianças pequenas;
  • gestantes;
  • pessoas com asma ou rinite alérgica;
  • pacientes com doenças cardíacas ou pulmonares;
  • indivíduos com imunidade comprometida.

Nesses casos, infecções aparentemente simples podem evoluir com maior facilidade para quadros mais graves, como sinusites bacterianas, pneumonias e agravamento de doenças respiratórias pré-existentes.

 

Como se proteger durante o inverno 

Apesar do aumento natural da circulação viral, algumas medidas simples ajudam a reduzir significativamente o risco de infecção:

  • manter a vacinação contra a gripe em dia;
  • higienizar as mãos com frequência;
  • evitar ambientes fechados e pouco ventilados;
  • manter boa hidratação;
  • realizar lavagem nasal com soro fisiológico;
  • cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar;
  • evitar contato próximo com pessoas sintomáticas;
  • usar máscara, quando necessário.

A lavagem nasal, segundo a especialista, é uma aliada importante durante os períodos de clima seco. “O soro fisiológico ajuda a hidratar a mucosa nasal e favorece a eliminação de partículas inaladas, contribuindo para o funcionamento adequado das defesas naturais do organismo”, explica.

 

Quando procurar atendimento médico 

Embora a maioria das infecções respiratórias seja autolimitada, alguns sinais merecem avaliação médica:

  • febre persistente;
  • sintomas que pioram após melhora inicial;
  • duração prolongada do quadro.

“Buscar orientação médica precocemente é importante principalmente para pacientes dos grupos de risco. O diagnóstico correto permite indicar o tratamento mais adequado e evitar complicações”, conclui a Dra. Cristiane.

  

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia



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