Pesquisar no Blog

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Astigmatismo atinge cerca de 20 milhões de brasileiros e exige atenção à saúde visua

Foto: Imagem de benzoix no Magnific
Irregularidade ocular provoca distorções visuais e demanda diagnóstico precoce, explica oftalmologista 


Você conhece alguém que tenha astigmatismo? Sabia que o problema é mais comum do que imagina? Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com essa alteração visual, muitas vezes sem diagnóstico adequado ou acompanhamento regular. Apesar de amplamente conhecido, o quadro ainda é subestimado, principalmente quando comparado à miopia, o que pode atrasar a busca por avaliação especializada e comprometer a qualidade de vida. 

“Existe uma percepção equivocada de que o astigmatismo causa apenas leve desconforto, porém a distorção visual pode ser bastante significativa e interferir em diversas atividades do dia a dia”, explica o Dr. Alfredo Pigatin Neto, oftalmologista do H.Olhos. 

Caracterizado por uma curvatura irregular da córnea ou do cristalino, o problema impede que os raios luminosos sejam focados corretamente sobre a retina, resultando em imagens borradas ou distorcidas em qualquer distância. Diferente de outros erros refrativos, essa condição não se restringe a perto ou longe, afetando a nitidez de forma global. “O paciente pode enxergar linhas tortas, perceber sombras nas letras ou ter dificuldade em manter foco contínuo durante leitura e uso de telas”, afirma. Esses sinais, muitas vezes ignorados, podem evoluir para quadros de fadiga ocular intensa. 

Além da visão embaçada, sintomas como dores de cabeça frequentes, ardência, lacrimejamento e sensação de esforço constante são comuns, especialmente após longos períodos de concentração. Crianças também podem ser impactadas, apresentando queda no rendimento escolar ou desinteresse por atividades que exigem atenção visual. “Quando não identificado precocemente, o astigmatismo pode prejudicar o desenvolvimento, já que a dificuldade para enxergar interfere diretamente na aprendizagem”, ressalta o oftalmologista. 

A confirmação ocorre por meio de consulta oftalmológica completa, com exames que analisam refração e estruturas oculares. Esse processo permite identificar o grau da irregularidade e definir a melhor estratégia de correção. Óculos com lentes cilíndricas ou lentes de contato específicas costumam ser indicados para compensar a curvatura desigual. “A escolha do método deve considerar o perfil do paciente, rotina e necessidades visuais, garantindo conforto e eficiência na adaptação”, explica. 

Em situações específicas, principalmente quando há graus elevados ou intolerância às opções convencionais, procedimentos cirúrgicos podem ser recomendados. Técnicas modernas possibilitam remodelar a superfície corneana, corrigindo a irregularidade e melhorando a qualidade da visão. “A cirurgia refrativa evoluiu muito nos últimos anos, oferecendo segurança e bons resultados, desde que haja indicação criteriosa e avaliação individualizada”, destaca. 

Mesmo sendo comum, o astigmatismo exige atenção contínua. Consultas periódicas são essenciais para monitorar possíveis mudanças e ajustar a correção ao longo do tempo. O cuidado preventivo evita complicações e contribui para o bem-estar visual em todas as fases da vida. “Enxergar bem não deve ser encarado como luxo, mas como parte fundamental da saúde, e qualquer alteração precisa ser investigada com seriedade”, finaliza o Dr. Alfredo Pigatin Neto.


Maio Amarelo: especialista alerta para os impactos das longas jornadas de moto na saúde da coluna

 

Campanha de conscientização no trânsito também chama atenção para os riscos físicos enfrentados por motociclistas que passam muitas horas por dia pilotando; dor lombar, hérnia de disco e desgaste precoce da coluna estão entre os principais problemas.


Durante o Maio Amarelo, campanha internacional de conscientização para redução de acidentes e promoção de um trânsito mais seguro, um outro ponto importante merece atenção: os impactos da rotina de quem passa muitas horas na motocicleta sobre a saúde da coluna.
 

Motociclistas profissionais, entregadores e trabalhadores que dependem da moto no dia a dia estão expostos a uma combinação de fatores que pode comprometer a saúde musculoesquelética ao longo do tempo, como vibração contínua, impacto repetitivo e manutenção prolongada da mesma postura. 

De acordo com o ortopedista e cirurgião da coluna, Dr. André Evaristo Marcondes, permanecer muitas horas pilotando aumenta o risco de dor lombar, desgaste precoce da coluna e compressões nervosas. 

“A motocicleta gera vibração constante e exige que o corpo permaneça por muito tempo na mesma posição, o que aumenta a pressão sobre os discos intervertebrais. Com o passar do tempo, isso pode levar a dor lombar crônica, hérnia de disco, inflamações musculares e até compressões de nervos”, explica o especialista. 

A discussão é especialmente oportuna no Maio Amarelo, já que a campanha propõe uma reflexão ampla sobre segurança e preservação da vida no trânsito, o que também inclui olhar para a saúde física de quem vive grande parte da rotina sobre duas rodas. 

Estudos na área de saúde ocupacional mostram que trabalhadores expostos à vibração de corpo inteiro, como motociclistas e motoristas profissionais, apresentam maior incidência de lombalgia e alterações degenerativas na coluna, condição descrita em pesquisas internacionais e em dados de organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a International Labour Organization (ILO). 

Segundo o Dr. André Evaristo, o risco aumenta quando a rotina inclui jornadas prolongadas, poucas pausas e circulação frequente em vias irregulares. “Quem trabalha o dia inteiro na moto sofre microimpactos repetidos, precisa manter tensão muscular constante e muitas vezes não tem tempo para descanso. Esse conjunto favorece desgaste precoce da coluna e piora de problemas já existentes”, afirma. 

O especialista destaca que algumas medidas podem ajudar a reduzir os danos, mesmo para quem depende da motocicleta para trabalhar. “Fazer pausas ao longo do dia, manter fortalecimento da musculatura do abdômen e das costas, ajustar a posição de pilotagem e procurar avaliação médica quando a dor se torna frequente são cuidados importantes. Ignorar os sintomas pode fazer com que o problema evolua e leve até à necessidade de tratamento cirúrgico”, orienta. 

No contexto do Maio Amarelo, o médico reforça que a segurança no trânsito também passa por condições adequadas de trabalho, prevenção e atenção aos sinais do corpo. 

“Dor persistente na coluna não deve ser considerada normal, principalmente em profissionais que passam muitas horas pilotando. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de controlar a dor e evitar lesões mais graves”, conclui Marcondes.

 

Fonte:
Dr. André Evaristo (@dr.andrecoluna) - Mestre em Saúde Pública Global pela University of Limerick (Irlanda), possui especialização em Cirurgia de Coluna, em Ortopedia e Traumatologia, e graduação em Medicina pela Universidade de Marília. Preceptor do Grupo de Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina do ABC. É membro da North American Spine Society (NASS), Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Fez residência médica em Ortopedia e Traumatologia no Hospital do Servidor Público Municipal (SP) e, atualmente, atende no Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês, AACD e Grupo C.O.T.C. Centro de Ortopedia, Traumatologia e Coluna
Instagram



Novo Nordisk lança nova condição especial (combo) para Wegovy® 2,4 mg: na compra de duas canetas, a terceira sai sem custo para o paciente

  • Nova política de preços oferece desconto superior a 30% no custo do tratamento por tempo limitado, com início em 11 maio
  • Iniciativa integra estratégia da Novo Nordisk para ampliar o acesso a tratamentos inovadores de diabetes, sobrepeso e obesidade
  • Ação comercial acontece após a aprovação regulatória da dosagem de 7,2 mg pela Anvisa

 

A Novo Nordisk, líder global em saúde, reforça sua estratégia de ampliação de acesso ao anunciar novas condições especiais de preço para Wegovy® 2,4 mg (semaglutida injetável), com o objetivo de apoiar o paciente no início e na manutenção do tratamento para perda de peso. 

De 11 a 31 de maio de 2026, com possibilidade de extensão do prazo, os pacientes poderão adquirir três canetas de Wegovy® 2,4 mg (semaglutida injetável) pagando por apenas duas unidades, o que equivale a um desconto superior a 30% no custo do tratamento. Para aderir ao combo, é necessário que o paciente tenha prescrição médica para três unidades de 2,4 mg de Wegovy®. O paciente também precisa estar cadastrado no NovoDia, programa de suporte da Novo Nordisk, e realizar a compra diretamente no e-commerce ou nas lojas físicas das redes credenciadas. 

No início de maio, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) realizou a aprovação da nova dosagem de Wegovy® 7,2 mg no Brasil, que demonstrou perda de peso de 25% em 1 a cada 3 pacientes e perda de peso média de 21% segundo o estudo STEP UP.¹ A nova dosagem aprovada de 7,2 mg deve ser aplicada com três injeções de 2,4 mg no mesmo dia, uma vez por semana, conforme orientação médica. 

“A Novo Nordisk tem o compromisso de liderar a inovação em medicamentos para obesidade e perda de peso para assegurar uma melhor qualidade de vida para a população. Quando um profissional de saúde prescreve Wegovy® a quem vai se beneficiar do tratamento, esse pode ser o impulso inicial para ajudar a pessoa a controlar o peso e adotar hábitos mais saudáveis, melhorar a alimentação, e estar mais disposta a praticar atividade física, ajudando a alcançar os resultados desejados”, explica Allan Finkel, General Manager da Novo Nordisk no Brasil. 

A ação integra uma estratégia mais ampla de ampliação de acesso. Em março de 2026, a Novo Nordisk anunciou uma política de preço para apoiar o início do tratamento para perda de peso ao oferecer a caneta inicial de Wegovy® (apresentação de 0,25 mg) sem custo, desde que prescrita em conjunto com a dose de tratamento indicada pelo profissional de saúde. A condição é válida até o final de maio e enquanto durarem os estoques.


Nova política de preços para Rybelsus® (semaglutida oral)

A Novo Nordisk também desenvolveu mecanismos para apoiar o paciente na compra de Rybelsus® (semaglutida oral). Na compra de duas caixas de qualquer dosagem de Rybelsus® (3 mg, 7 mg ou 14 mg), o custo mensal do tratamento sai por R$ 565,00 (e-commerce) ou R$ 615,00 (em lojas físicas). A condição é por tempo ilimitado.



Novo Nordisk
www.novonordisk.com.br
Instagram, Facebook, LinkedIn e YouTube.

 

Referência:
1. Wharton S et al. Lancet Diabetes Endocrinol 2025;13:949–963.


Veganismo pode aumentar o risco de anemia

 


Especialista explica por que dietas restritivas exigem atenção redobrada ao consumo de ferro e acompanhamento nutricional adequado

 

A decisão de seguir uma alimentação vegana ou vegetariana tem se tornado cada vez mais comum, seja por questões de saúde, sustentabilidade ou escolhas pessoais. Recentemente, o tema voltou ao debate após declarações da modelo Gisele Bündchen sobre mudanças em sua alimentação e os impactos percebidos em sua saúde, reacendendo discussões sobre os desafios nutricionais de dietas restritivas.

Embora padrões alimentares baseados em vegetais possam trazer benefícios e ser perfeitamente saudáveis, a restrição de alimentos de origem animal exige atenção especial ao consumo de nutrientes essenciais, entre eles o ferro, mineral fundamental para o transporte de oxigênio no organismo e prevenção da anemia.

De acordo com o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, dietas veganas e vegetarianas podem ser saudáveis e equilibradas, desde que bem planejadas. O principal ponto de atenção está na ingestão e absorção de ferro, já que a principal fonte de ferro de alta biodisponibilidade é encontrada em alimentos de origem animal.

“O ferro presente em vegetais existe, mas sua absorção costuma ser menor quando comparada ao ferro heme, encontrado em carnes e vísceras. Isso significa que pessoas vegetarianas e veganas precisam ter um olhar ainda mais atento para a composição da dieta e para possíveis sinais de deficiência”, explica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a anemia afeta cerca de 1,62 bilhão de pessoas no mundo, sendo a deficiência de ferro sua principal causa. Mulheres em idade fértil, gestantes, crianças e pessoas com dietas restritivas estão entre os grupos de maior risco.

Dados publicados pelo periódico científico Nutrients apontam que vegetarianos e veganos podem apresentar estoques de ferro mais baixos quando comparados à população onívora, especialmente mulheres, devido à combinação entre maior necessidade fisiológica e menor biodisponibilidade do mineral na dieta.

Entre os alimentos vegetais ricos em ferro estão feijões, lentilha, grão-de-bico, tofu, vegetais verde-escuros, sementes e oleaginosas. Ainda assim, especialistas reforçam que a absorção pode ser prejudicada por compostos presentes em alguns alimentos, como fitatos e polifenóis, encontrados em cereais integrais, café e chás.

Uma estratégia recomendada é associar fontes vegetais de ferro ao consumo de vitamina C, presente em frutas cítricas, acerola, morango e kiwi, que melhora a absorção do nutriente.

Os sinais de deficiência de ferro incluem cansaço excessivo, falta de concentração, queda de cabelo, palidez, unhas frágeis e baixa imunidade. Quando identificados, devem ser avaliados por um profissional de saúde.

“O mais importante não é demonizar nenhum padrão alimentar, mas entender que cada escolha nutricional exige responsabilidade e acompanhamento. Em alguns casos, a suplementação pode ser necessária para garantir níveis adequados de ferro e prevenir complicações”, reforça Dr. Carlos.

Com o crescimento do número de adeptos às dietas baseadas em vegetais, o debate sobre nutrição individualizada ganha ainda mais relevância. A orientação profissional continua sendo essencial para garantir saúde, equilíbrio e prevenção de deficiências nutricionais.


 

Carnot® Laboratórios

 

Câncer: quando a observação ativa prevalece sobre o tratamento imediato

Os linfomas não Hodgkin indolentes são tumores de crescimento lento. Como parte deles é incurável, o tratamento é realizado quando o tumor progride a ponto de comprometer o organismo, provocar sintomas e debilitar a saúde do paciente.

 

Neste ano, 12.560 casos de linfoma não Hodgkin deverão ser diagnosticados1. Trata-se de um câncer do sangue que surge quando um tipo de glóbulo branco se multiplica de forma desordenada e se acumula nos gânglios linfáticos. É classificado como agressivo ou indolente, de acordo com a progressão. Os linfomas indolentes crescem lentamente, muitas vezes sem manifestações clínicas. Segundo o protocolo, se forem diagnosticados em fases iniciais, devem ser apenas monitorados. O tratamento ocorrerá caso haja evolução da doença associada ou não a alguma sintomatologia. 

“Os linfomas não Hodgkin indolentes são muitas vezes incuráveis. Para manter a qualidade de vida do paciente, são tratados quando se desenvolvem a ponto de causar obstrução em uma estrutura do organismo, complicações clínicas ou dor. A terapia visa manter a doença sob controle, proporcionando ao paciente uma longa sobrevida sem a presença de sintomas”, explica o hematologista Eric Pena, da Oncologia D’Or. 

Os principais sinais da doença são o surgimento de caroços ou ínguas (gânglios inchados) na virilha, no pescoço e nas axilas, febre sem motivo no final do dia, suor noturno, perda de peso maior que 10% sem causa aparente e sensação de cansaço ou fraqueza. 

Atualmente, o arsenal terapêutico para a doença é bastante amplo. Os médicos podem prescrever imunoterapias, sobretudo para tratar os linfomas mais comuns como o folicular, o linfocítico e o marginal.

 Caroços ou ínguas (gânglios inchados) no pescoço
estão entre os sintomas mais comuns da doença

A doença


Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o linfoma não Hodgkin ocupa a 11ª posição entre os tumores mais incidentes no Brasil, sem considerar o câncer de pele não melanoma. A doença afeta o sistema linfático — uma rede de pequenos vasos e gânglios que integra os sistemas circulatório e imunológico. Sua função é coletar e filtrar o líquido que se acumula nos tecidos, reconduzindo-o à corrente sanguínea. 

O linfoma não Hodgkin engloba mais de 60 diferentes neoplasias. O subtipo indolente mais frequente é o folicular, cuja incidência é maior em adultos na casa dos 50 e 60 anos, e, às vezes, atinge a medula óssea. O segundo mais comum é o linfocítico, que ocorre principalmente entre os 60 e 70 anos. O terceiro é o linfoma marginal, subtipo associado às mucosas, podendo acometer órgãos como olhos, baço e estômago. Incide em adultos a partir dos 50 anos.

Quando paciente sem manifestação de sintomas é diagnosticado com a doença em estágios iniciais, o protocolo recomenda apenas a observação ativa. “No começo, a pessoa é submetida mensalmente a exames físicos e de sangue. Na ausência da progressão do tumor, a realização dos exames é espaçada, podendo ocorrer a cada trimestre e, posteriormente, duas vezes por ano”, observa o médico Eric Pena.

Fatores de risco

Segundo o INCA1, os principais fatores de risco incluem condições que comprometem o sistema imune, como doenças hereditárias, transplantes de órgãos, uso prolongado de drogas imunossupressoras, doenças autoimunes ou infecção pelo HIV. Infecções pelo vírus Epstein-Barr e pelo vírus linfotrópico de células T humanas do tipo 1, assim como pela bactéria Helicobacter pylori, também estão associadas ao aumento de risco.
 

Estudos mostram que ter parentes de primeiro grau com linfoma não Hodgkin aumenta o risco de desenvolver a doença. Os riscos ocupacionais e ambientais estão associados à exposição a substâncias químicas (pesticidas, benzeno), radiação ionizante e radiação ultravioleta1.
 

Não há exames de rastreio específico para esse tipo de câncer. O acompanhamento médico regular favorece o diagnóstico precoce, porque muitas vezes esses tumores são descobertos por acaso em exames de rotina ou para apurar a origem de outras queixas.

 

Oncologia D'Or


Referência

Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil. Instituto Nacional de Câncer (INCA), Rio de Janeiro.


Cuidado domiciliar ganha protagonismo com envelhecimento da população e amplia atuação da enfermagem

 

No Dia Internacional da Enfermagem (12/5), especialista destaca papel estratégico do enfermeiro no cuidado à pessoa idosa dentro de casa

 

O rápido envelhecimento da população brasileira tem transformado a forma como o cuidado em saúde é prestado, especialmente no atendimento à pessoa idosa. Nesse cenário, o cuidado domiciliar vem ganhando protagonismo e ampliando o papel dos profissionais de enfermagem, que passam a atuar não apenas na assistência direta, mas também no planejamento, na prevenção e na orientação de pacientes e familiares. 

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o Brasil passa por uma mudança demográfica acelerada. Entre 2000 e 2023, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais quase dobrou, passando de 8,7% para 15,6% da população. Em números absolutos, esse grupo saltou de 15,2 milhões para 33 milhões de pessoas. Pela primeira vez, o país já tem mais idosos do que jovens entre 15 e 24 anos — marco registrado em 2023. A tendência deve se intensificar: a projeção é que, em 45 anos, os idosos representem 37,8% da população brasileira, o equivalente a 75,3 milhões de pessoas. 

Segundo o coordenador do curso de Enfermagem do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), Alexandro Marcos, a maior longevidade da população e o aumento do número de idosos vivendo sozinhos têm impulsionado a demanda por esse tipo de atendimento. “Estamos vivendo um momento muito promissor para o cuidado domiciliar. As pessoas estão vivendo mais e, muitas vezes, sozinhas, o que exige uma estrutura de cuidado cada vez mais qualificada dentro de casa”, afirma. 

No ambiente domiciliar, o enfermeiro assume uma função estratégica na gestão do cuidado, sendo responsável por avaliar o contexto do paciente, estruturar o plano terapêutico e acompanhar sua execução ao longo do tempo. “O enfermeiro atua como um gerenciador do plano de cuidados, adaptando as condutas à realidade do paciente e do ambiente em que ele vive. Estar em casa faz toda a diferença para a pessoa idosa, porque permite um cuidado mais humanizado e alinhado à sua rotina e história”, explica. 

Além da assistência direta, o profissional também exerce um papel fundamental na educação em saúde. “O enfermeiro é um educador e orienta tanto o paciente quanto familiares e cuidadores, formais ou informais, garantindo que o cuidado continue mesmo em sua ausência”, completa.


Formação 

A atuação com a população idosa exige formação específica. Há especializações em geriatria, com foco no tratamento de doenças, e em gerontologia, que aborda o envelhecimento de forma integral, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais. “Além da formação técnica, o profissional precisa desenvolver habilidades socioemocionais, como sensibilidade, paciência e equilíbrio emocional. Estamos lidando com um público que possui limitações próprias do envelhecimento e que demanda um olhar mais atento e humanizado”, destaca. 

Outro ponto central do cuidado domiciliar é a prevenção. O acompanhamento próximo permite a identificação precoce de sinais e sintomas, reduzindo riscos de complicações e internações. “A detecção precoce é fundamental para prevenir agravamentos e contribuir para a qualidade de vida. O envelhecimento não precisa estar associado à doença, mas exige acompanhamento constante e qualificado”. 

Apesar do avanço na área, o Brasil ainda enfrenta desafios para atender à crescente demanda por cuidados com a população idosa, especialmente na formação de profissionais especializados e na estruturação de serviços adequados. “O país ainda não está totalmente preparado para esse crescimento. Temos um número cada vez maior de idosos e ainda poucos profissionais capacitados para atender essa demanda. Há avanços, especialmente com o uso de tecnologias voltadas ao envelhecimento, mas ainda existem lacunas importantes”, avalia.


UniFAJ

UniMAX

 

 

O que é lúpus? Entenda sinais, causas e por que o diagnóstico é complex

Freepik
No Dia Mundial do Lúpus, especialista explica os desafios para identificar a doença e alerta para sintomas

 

O diagnóstico de uma doença pode ser comparado a um quebra-cabeça, e, no caso do lúpus, essa montagem costuma ser mais longa e desafiadora. No Dia Mundial do Lúpus, celebrado em 10 de maio, o alerta é para os sinais variados e pouco específicos da doença, que dificultam a identificação precoce.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o Brasil tem entre 150 mil e 300 mil pessoas com a doença, que atinge principalmente mulheres entre 20 e 45 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade e sexo.

A dificuldade no diagnóstico ficou popular até na cultura pop, como na série Doutor House, em que o lúpus era frequentemente cogitado e descartado. E isso não é ficção. “A doença pode se confundir com outras condições, exigindo uma investigação detalhada, com avaliação clínica e exames laboratoriais específicos”, explica o reumatologista Leonardo Zambom, do Hospital e Maternidade São Luiz Osasco, da Rede D’Or.


O que é o lúpus

O lúpus é uma doença autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar células saudáveis do próprio corpo, podendo causar inflamações em diversos órgãos.

A condição pode se apresentar de duas formas principais:

• Lúpus cutâneo: restrito à pele, com manchas avermelhadas, especialmente em áreas expostas ao sol (rosto, orelhas, colo e braços);

• Lúpus sistêmico: mais grave, podendo afetar múltiplos órgãos, além de articulações e pele.

Entre os sintomas mais comuns do Lúpus estão febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo. Outros são específicos de cada órgão acometido, como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação na pleura, hipertensão e/ou problemas nos rins.

As manifestações da doença podem afetar o trabalho, a vida social e o emocional dos pacientes. Sem cura, o tratamento é adaptado a cada caso.

“O lúpus tem origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais. Exposição solar, infecções e até alguns medicamentos podem atuar como gatilhos”, destaca o médico do São Luiz Osasco. A unidade possui maior e mais completa estrutura hospitalar da cidade e conta ainda com corpo clínico renomado, tecnologia de ponta, pronto-socorro, hotelaria diferenciada e serviços de alta complexidade.


Exames e investigação

O diagnóstico costuma começar pelo exame Fator Antinuclear (FAN), que identifica a presença de autoanticorpos, comuns em pacientes com lúpus. Outros testes, como o Anti-SM (Anti Smith), ajudam a confirmar o diagnóstico, enquanto o Anti-DNA funciona como um indicador da atividade da doença.

Exames gerais, como hemograma, função renal e análise de urina, também são fundamentais para avaliar possíveis impactos no organismo.


Tratamento e qualidade de vida

Apesar de não ter cura, o lúpus pode ser controlado. A base do tratamento inclui medicamentos como a hidroxicloroquina, além de corticoides e imunossupressores nos casos mais ativos. Em situações específicas, terapias imunobiológicas também podem ser indicadas.

“Hoje há um avanço importante na medicina personalizada, que permite ajustar o tratamento conforme o perfil de cada paciente, aumentando as chances de controle da doença e melhorando a qualidade de vida”, finaliza o especialista.

 

Rede D’Or


Saúde bucal pode influenciar risco de AVC, aponta estud

  Pesquisa revela que doenças gengivais e cáries aumentam em até 86% as chances de derrame e outros problemas vasculares  

 

A conexão entre a saúde bucal e o bem-estar do corpo humano é mais profunda do que se imagina. A má higiene bucal não causa apenas desconfortos locais, mas pode ser um fator determinante para a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC). Uma pesquisa  publicada na Neurology Open Access, revista da Academia Americana de Neurologia, revelou que indivíduos portadores de doença gengival possuem 86% mais chances de sofrer um AVC isquêmico em comparação àqueles que mantêm a saúde bucal em dia. 

 

O estudo, que acompanhou quase seis mil adultos durante duas décadas, demonstrou que, entre os participantes com idade média de 63 anos, a incidência de AVC foi maior conforme o agravamento das condições bucais, saltando de 4% entre pessoas com boca saudável para 7% naquelas com doença gengival e atingindo 10% nos casos em que havia também a presença de cáries. 

 

O dado mais alarmante da pesquisa reside na persistência do risco mesmo após o ajuste de variáveis relacionadas ao estilo de vida como tabagismo, idade e índice de massa corporal. Nesses cenários, o risco de AVC permaneceu 86% maior entre quem apresentava o quadro combinado de cáries e gengivite, e 44% superior entre os que sofriam isoladamente de doenças gengivais. 

 

O neurologista e professor da Afya Montes Claros, Dr Marcelo José da Silva de Magalhães, comenta que uma das explicações para essa relação é que as bactérias presentes nessas condições bucais liberam substâncias inflamatórias, levando a um estado de inflamação crônica no organismo. “Esse processo contínuo pode favorecer o desenvolvimento da aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de colesterol nas paredes das artérias. Esse acúmulo, por sua vez, é um dos principais fatores que podem levar à obstrução dos vasos e, consequentemente, ao AVC”.

 

A gravidade da correlação se estende para outros eventos fatais, como o infarto, na qual as chances de ocorrência crescem 36% quando problemas bucais são negligenciados. Dr Marcelo José ressalta que antes de um AVC isquêmico, alguns pacientes podem apresentar um ataque isquêmico transitório (AIT). “Esse quadro se manifesta por sintomas neurológicos de curta duração, geralmente de poucos minutos, como fraqueza ou dormência em braço ou perna, alterações na fala ou diminuição da visão. Diante de qualquer um desses sinais, é fundamental procurar atendimento médico imediato para investigação. O AIT, quando não tratado, pode evoluir posteriormente para um AVC isquêmico, cujo tratamento é mais complexo”, complementa o neurologista.


 

Importância da higienização bucal correta 

 

O cenário torna-se mais crítico quando analisamos o panorama brasileiro, que aponta para uma falha estrutural no acesso aos cuidados preventivos desde os primeiros anos de vida. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), divulgados em 2025, 41,2% das crianças brasileiras de apenas cinco anos já possuem dentes com cáries não tratadas, sendo que 10% desse contingente necessita de intervenções odontológicas de urgência. 

 

De acordo com a dentista e professora da Afya Contagem, Dra Paula Lima Bosi, quando falamos em prevenir complicações maiores, como inflamações sistêmicas, infarto ou AVC relacionados à saúde bucal, tudo começa com hábitos simples do dia a dia.

 

“A escovação correta, pelo menos duas a três vezes ao dia, é fundamental. Não se trata apenas de escovar, mas de fazer isso de forma adequada. Usar uma escova macia, limpar todas as superfícies dos dentes e alcançar a região da gengiva ajuda a remover a placa bacteriana, principal responsável por cáries e doenças gengivais. O uso diário do fio dental é um dos hábitos mais importantes, e também um dos mais negligenciados. Ele remove resíduos e placas entre os dentes, áreas onde a escova não alcança e onde, com frequência, começam a gengivite e a periodontite”.

 

O levantamento indica que 43,9% dos jovens entre 15 e 19 anos convivem com cáries, um reflexo direto de hábitos alimentares carregados de açúcares processados somados a uma rotina de higiene insuficiente. A dentista ainda ressalta que a higienização da língua merece atenção, devido ao poder de acumular grande quantidade de bactérias e, quando não é limpa, contribui para o aumento da carga bacteriana na boca. 


“O enxaguante bucal pode ser um aliado, quando indicado. Embora não seja necessário para todos, ele pode ajudar especialmente pessoas com maior tendência à gengivite ou ao acúmulo de placa. Por fim, as visitas regulares ao dentista são essenciais. Consultas periódicas permitem identificar problemas ainda no início, acompanhar a saúde da gengiva e evitar que condições simples evoluam para quadros mais grave”, conclui a especialista.



Aeróbicos ou musculação: qual estratégia é mais eficaz para quem tem risco cardíaco

Combinação entre exercícios potencializa a proteção cardiovascular em pessoas com histórico familiar

 

A prática regular de exercícios físicos está entre as principais recomendações para prevenir doenças cardiovasculares e pode reduzir em cerca de 40% o risco de mortalidade, segundo o European Journal of Preventive Cardiology. Ainda assim, é comum que pessoas com histórico familiar de infarto ou doenças coronarianas tenham dúvidas sobre qual caminho seguir entre tantas modalidades, como corrida, crossfit ou musculação. 

Durante muito tempo, os exercícios aeróbicos foram considerados os principais aliados do coração, mas hoje, a visão é mais ampla e a proteção cardiovascular é maior quando diferentes modalidades são combinadas. É o que explica Daniel Terrível, cardiologista do Hospital IGESP. 

“Os exercícios aeróbicos, como caminhada ou corrida na esteira, têm impacto direto no músculo cardíaco e no sistema circulatório. Eles aumentam o volume sistólico, permitindo que o coração bombeie mais sangue a cada batimento, o que reduz a frequência cardíaca em repouso. Também ajudam a controlar a pressão arterial e a elevar o HDL, o chamado bom colesterol, além de melhorar a capacidade do organismo de absorver e utilizar o oxigênio”, explica Daniel Terrível, cardiologista do Hospital IGESP. 

Se o aeróbico atua diretamente no condicionamento cardiorrespiratório, a musculação complementa esse efeito ao trabalhar outros mecanismos importantes para a saúde do coração. Embora ainda seja associada principalmente ao ganho de massa muscular, ela também tem papel relevante na proteção cardiovascular. 

“O treinamento resistido contribui para reduzir a rigidez arterial e melhorar a função do endotélio, camada que reveste os vasos sanguíneos. Também aumenta a sensibilidade à insulina, auxiliando na prevenção e no controle do diabetes e da obesidade, fatores de risco importantes para o infarto. Além disso, o ganho de força muscular reduz a sobrecarga do coração em atividades do dia a dia”, complementa o médico. 

Nesse contexto, as duas práticas não competem, mas se complementam. “A estratégia mais indicada é a combinação das modalidades. A esteira melhora a resistência cardiorrespiratória e a eficiência do miocárdio, enquanto a musculação atua no metabolismo, na pressão arterial e no controle glicêmico e lipídico”, reforça o especialista. 

Mais do que escolher entre uma ou outra atividade, o ponto principal está na consistência e na segurança. Para quem tem histórico familiar de infarto, a integração entre exercícios aeróbicos e musculação tende a ser a abordagem mais completa. 

“Antes de iniciar qualquer rotina, é fundamental buscar orientação médica e manter os exames em dia. Com acompanhamento adequado, é possível definir a frequência cardíaca segura e as cargas ideais, garantindo que o exercício seja, de fato, um aliado da saúde do coração”, finaliza o cardiologista do Hospital IGESP.

 

Rede IGESP


Fibromialgia: saiba quais são os sintomas e formas de tratamento da doença

Dor crônica generalizada atinge cerca de 3% de toda a população brasileira


O Dia Mundial de Conscientização sobre a Fibromialgia, celebrado em 12 de maio, reforça uma luta de milhões de pessoas em todo o planeta que, todos os dias, precisam lidar com dores que impactam, de maneira crônica, a qualidade de vida. Segundo uma estimativa da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), cerca de 2,5% da população mundial é afetada pela doença, em especial mulheres entre 30 e 50 anos de idade.

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada que gera dor musculoesquelética difusa e sintomas associados, como fadiga persistente, distúrbios do sono, alterações cognitivas e até mesmo aspectos de ansiedade, depressão e problemas gastrointestinais. A sobreposição com outras condições e a ausência de marcadores laboratoriais específicos tornam o diagnóstico predominantemente clínico.

No Brasil, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde baseado em dados da SBR, 3% da população brasileira convive com a fibromialgia. Considerando a população estimada pelo IBGE em aproximadamente 213 milhões de habitantes em 2025, o percentual equivale a cerca de 6,4 milhões de brasileiros portadores da doença.

Carlos Trindade, coordenador de pós-graduação de Clínica em Dor da Afya, a serviço da Afya Educação Médica Curitiba, explica quais são os principais sintomas da fibromialgia, as formas de diagnóstico, tratamento e convivência com os efeitos da doença no dia a dia.


Quais são os primeiros sinais que a pessoa deve prestar atenção, que podem ser o princípio de uma fibromialgia?

“Ela começa com sinais que parecem desconexos e justamente por isso são ignorados por anos. Os principais marcadores são o sono não restaurador (a pessoa dorme oito horas e acorda exausta), fadiga desproporcional, dor muscular que muda de lugar a cada semana, rigidez matinal que melhora com o movimento e algo que os pacientes chamam de névoa mental: dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação de ‘câmera lenta’.

Quando os sintomas começam a se sobrepor de forma persistente, especialmente em momentos de estresse físico ou emocional, é sinal de que o sistema nervoso central começou a processar a dor de forma amplificada, o que chamamos de sensibilização central, quando o cérebro deixa de ser um receptor passivo de estímulos e passa a gerar a experiência dolorosa por conta própria. O erro mais comum, aqui, é tratar cada sintoma de forma isolada, pois a fibromialgia é uma desregulação integrada e precisa ser lida assim desde o início”.


Como funciona o diagnóstico e qual deve ser o entendimento do paciente sobre essa "nova rotina"?

“Não existe exame de sangue ou imagem que feche o diagnóstico, isso é algo que o paciente precisa entender. Ele se baseia em alguns critérios do Colégio Americano de Reumatologia, que avaliam a distribuição da dor pelo corpo, a duração mínima de três meses dos sintomas e a presença de manifestações como fadiga, distúrbio do sono e sintomas cognitivos.

O diagnóstico real, que muda o curso do tratamento, é a investigação sistêmica do que mantém o sistema nervoso sensibilizado: meta-inflamação de baixo grau, deficiências nutricionais que afetam neurotransmissão (vitamina D, magnésio, ômega-3), disfunção mitocondrial, eixo intestino-cérebro alterado, sobrecarga psicoemocional crônica. A fibromialgia não é uma condição psicogênica — é uma condição biológica com expressão integrada”.


Existe cura para a fibromialgia? Se não, como funciona o tratamento, tanto medicamentoso quanto terapias/atividades?

 “O paciente precisa entender que, quem espera um remédio resolver, não melhora. A fibromialgia exige uma reorganização do estilo de vida, não um remédio diário: sono regular e profundo, atividade física graduada, nutrição anti-inflamatória, manejo do estresse e suporte multiprofissional. Cura, no sentido clássico, não existe; o que existe é a remissão clínica sustentada, na qual pacientes bem tratados podem passar anos com sintomas mínimos ou ausentes.

O tratamento se sustenta em frentes integradas, não em uma única intervenção. Na medicamentosa, o papel é pontual, com antidepressivos duais, anticonvulsionantes específicos e moduladores de sono. Na frente comportamental, atividade física regular e de baixo impacto, regulação do sono, terapia cognitivo-comportamental e manejo do estresse. Já na frente metabólica e nutricional, é preciso corrigir deficiências nutricionais, reduzir inflamação sistêmica de baixo, dar suporte ao eixo intestino-cérebro e modular a resposta ao estresse via ritmo circadiano. São intervenções complementares.

Existe ainda uma frente intervencionista e tecnológica, com infusão venosa de medicamentos de ação moduladora sobre a sensibilização central, terapias com laser, ondas de choque, magnoterapia e neuromodulação”.

 

Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br


Vacina antes do embarque deve entrar no planejamento das famílias para a Copa do Mund

 

Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul alerta para risco de sarampo em viagens internacionais e orienta conferência da caderneta vacinal de crianças e adolescentes antes da ida aos países-sede 

 

A preparação das famílias que pretendem viajar para a Copa do Mundo de 2026 deve ir além de passagens, hospedagem e ingressos. Com jogos programados a partir de 11/06 nos Estados Unidos, México e Canadá, a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) alerta pais e responsáveis sobre a necessidade de verificar, com antecedência, a vacinação contra o sarampo de crianças e adolescentes. O Ministério da Saúde publicou orientação específica para viajantes diante dos surtos registrados nos países-sede e recomenda que a proteção esteja atualizada antes do embarque.

O sarampo é uma doença viral grave e extremamente contagiosa. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias eliminadas ao tossir, falar, espirrar ou respirar próximo de outras pessoas. Em ambientes com grande circulação, como aeroportos, aviões, estádios e pontos turísticos, o risco de exposição aumenta quando há pessoas não vacinadas. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Região das Américas registrou forte crescimento de casos em 2025 e no início de 2026, o que reforça a importância da vacinação e da vigilância.

O presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Marcelo Pavese Porto, destaca que a medida mais segura é revisar a caderneta vacinal antes da viagem. “Nos países-sede está circulando sarampo, e o sarampo é uma doença altamente contagiosa. Nove em cada dez pessoas não vacinadas podem se infectar quando expostas ao vírus. As crianças são especialmente vulneráveis e podem desenvolver formas graves da doença”, alerta.

Entre os principais sintomas estão febre alta, tosse seca, coriza, conjuntivite, mal-estar intenso e manchas vermelhas na pele, que geralmente começam no rosto ou atrás das orelhas e se espalham pelo corpo. Também podem aparecer pontos brancos na mucosa da boca. A pessoa infectada pode transmitir o vírus de quatro dias antes até quatro dias depois do surgimento das manchas. 

 

Vacinação 

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e a tetra viral, que também inclui proteção contra varicela, estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme indicação para cada faixa etária. A recomendação é que pais e responsáveis procurem uma unidade de saúde com a caderneta vacinal para avaliação, especialmente se houver viagem internacional programada. O Ministério da Saúde orienta que a situação vacinal seja conferida antes da viagem para países com surto de sarampo.

Marcelo Pavese Porto reforça que a vacinação é uma atitude de proteção individual e coletiva. “A boa notícia é que o sarampo tem vacina, e a vacina é altamente eficaz. Ela está disponível gratuitamente no SUS. Então, verifique se você está vacinado e, principalmente, se os seus filhos estão protegidos antes da viagem.  Quem ama protege e quem protege com amor, vacina!. Vacine, viaje em segurança e desfrute da Copa do Mundo”, orienta.

A SPRS salienta que não há tratamento específico para o sarampo. O cuidado é baseado em medidas de suporte, como hidratação, controle da febre e acompanhamento médico, podendo incluir vitamina A em situações indicadas para reduzir complicações. Entre os riscos associados à doença estão pneumonia, otite, diarreia, encefalite e, em casos graves, óbito.


 Marcelo Matusiak


Fique atento: nem toda a emergência oftalmológica causa dor

Magnific
O Dr. Pedro Soriano alerta sobre os sintomas que podem indicar condições oculares graves que exigem tratamento imediato 


Acidentes oculares são assustadores, tanto pela dor quanto pelo receio de perder a visão. Sofrer uma pancada, perfuração ou queimadura no olho exige atendimento oftalmológico imediato, pois há risco de ocorrerem lesões irreversíveis e até mesmo cegueira total. Mas nem toda emergência oftalmológica provoca dor ou sinais facilmente percebidos. 

Quem faz o alerta é o Dr. Pedro Soriano, oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco, o HOPE. O médico explica que “qualquer sinal sutil no campo visual deve ser rapidamente investigado. Perceber flashes de luz, pontos pretos, sombras, redução ou perda súbita de visão, mesmo que temporária, são indicações de que há algo errado”.
 

Sinais de alerta de que é preciso procurar um pronto atendimento

- Dor ocular excessiva, vermelhidão ou baixa visual;

- Sensibilidade intensa à luz (fotofobia);

- Presença de secreção abundante;

- Trauma ocular recente;

- Sensação de “cortina” ou sombra na visão;

- Visão de flashes luminosos, pontos pretos ou manchas flutuando;

- Olho vermelho acompanhado de dor e náuseas.
 

Emergências oftalmológicas mais comuns 

- Traumas oculares (contusões, perfurações, acidentes domésticos ou esportivos). Proteja o olho com um disco rígido sem pressionar ou tentar abrir à força. Não aplique colírios sem orientação médica e procure atendimento imediato;

- Corpos estranhos na superfície ocular (principalmente em trabalhadores expostos a poeira, metal ou areia). Lave o olho com soro fisiológico ou água limpa e evite esfregar. Não tente retirar objetos presos ou profundos e nem utilize pinças, cotonetes ou objetos improvisados. Procure atendimento médico se não melhorar;

- Queimaduras químicas (produtos de limpeza, álcool, ácidos ou substâncias alcalinas). Lave imediatamente com água corrente ou soro fisiológico por pelo menos 15 a 20 minutos. Não utilize colírios caseiros ou qualquer substância sem orientação. Procure atendimento oftalmológico urgente;

- Conjuntivites agudas (principalmente virais e bacterianas); Higienize as mãos com frequência e evite contato com outras pessoas. Não compartilhe objetos pessoais e busque a avaliação de um especialista para o diagnóstico correto;

- Crises de glaucoma agudo (aumento súbito da pressão ocular). Busque o pronto atendimento oftalmológico;

- Descolamento de retina (quando a retina, camada do olho sensível à luz, se separa da parte posterior do olho, interrompendo o suprimento de sangue e nutrientes). Procure atendimento imediatamente;

- Úlceras de córnea (frequentes em usuários de lentes de contato). Não utilize colírios sem orientação e busque atendimento oftalmológico urgente. 

O oftalmologista do HOPE reforça que “realizar consultas oftalmológicas regularmente é fundamental para a prevenção de diversas doenças oculares que podem evoluir de forma silenciosa e levar à perda permanente da visão, quando diagnosticadas tardiamente. Além disso, o acompanhamento periódico permite atualizar o grau dos óculos, avaliar a saúde ocular como um todo e reduzir o risco de complicações futuras”.


Posts mais acessados