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sábado, 31 de janeiro de 2026

Por que algumas crianças desafiam tanto os adultos? Neuropsicopedagoga aponta 5 erros comuns na educação infantil

 Disputas de poder, regras inconsistentes e ameaças emocionais estão entre os comportamentos mais normalizados pelos adultos e que, segundo especialista, aumentam o desafio entre pais e filhos em vez de educar.


Por que algumas crianças parecem desafiar tudo o tempo todo, mesmo em famílias amorosas e bem-intencionadas? Para Isa Minatel Neuropsicopedagoga, uma das maiores referências em comportamento infantil no Brasil, a resposta não está na criança, mas na forma como os adultos conduzem os limites.

Autora dos best-sellers “Crianças Sem Limites” e Temperamentos Sem Limites”, com mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, Isa explica que muitos comportamentos desafiadores são, na verdade, respostas previsíveis a erros comuns de condução emocional, frequentemente defendidos como “educação firme”.

“A criança não desafia porque quer dominar o adulto. Ela reage ao modelo que está sendo apresentado. Quando o adulto compete, ameaça ou muda as regras conforme o cansaço, a criança aprende a se defender não a cooperar”, explica.

A especialista lista cinco erros frequentes que fazem a criança desafiar ainda mais:
 

1-Transformar educação em disputa de poder

Frases como “é agora!”, “já falei!” e “porque eu mandei” criam um cabo de guerra emocional. “Quando o adulto entra na disputa, a criança sente que precisa vencer. Guia não compete. Guia orienta”, afirma Isa.
 

2-Mudar regras de acordo com o humor do adulto

Um comportamento permitido em um dia e reprimido no outro gera insegurança. “A criança não aprende a regra, ela aprende a testar o estado emocional do adulto”, diz.
 

3-Usar ameaça emocional como se fosse limite

Frases como “vou contar para o seu pai” ou “então você não vai mais comigo” não ensinam limites. “Isso ensina medo, não autorregulação”, alerta.
 

4- Ignorar o temperamento da criança

Falar alto com crianças sensíveis ou usar ordens secas com crianças de perfil líder aumenta a resistência. “O mesmo pedido, feito do jeito errado, vira conflito”, explica.
 

5-Querer obediência antes de compreensão

Segundo Isa, esse é o erro mais defendido pelos adultos. “Sem vínculo, toda orientação soa como ataque. Primeiro é preciso acompanhar emocionalmente, depois conduzir.”

A abordagem defendida por Isa Minatel é baseada na Disciplina do Equilíbrio, método que propõe limites claros sem violência emocional, respeitando o desenvolvimento neurológico e o temperamento infantil.

“O desafio diminui drasticamente quando a criança sente: ‘ele me entende’. Educação não é sobre vencer a criança, é sobre formar um adulto emocionalmente saudável”, conclui. 



Isa Minatel - neuropsicopedagoga, autora dos best-sellers “Crianças Sem Limites”, “Temperamentos Sem Limites” e das obras recém-lançadas “Filho não vem com manual” e “Disciplina do Equilíbrio”. Com mais de 15 mil alunos em seus cursos. Isa Minatel já soma mais de 1 milhão de pessoas em suas redes sociais. Criadora da metodologia Disciplina do Equilíbrio, Isa impacta famílias, escolas e profissionais no Brasil e no exterior, integrando ciência, vínculo e espiritualidade em sua abordagem.
isa.minatel.


Como o sono influencia a saúde mental e o bem-estar emocional?

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Alimentação equilibrada e suplementação adequada são aliadas de noites reparadoras e da estabilidade emocional 

 

Dormir bem é um dos fundamentos do equilíbrio emocional, com influência direta no humor, na memória, na concentração e na capacidade de lidar com o estresse. Noites mal dormidas, por outro lado, podem intensificar ansiedade, irritabilidade e cansaço mental. Para Carla Fiorillo, coordenadora de conteúdo da Puravida, a alimentação atua como recurso fundamental, para favorecer tanto a qualidade do sono quanto o bem-estar psicológico. 

Uma alimentação equilibrada auxilia na regulação dos ritmos biológicos e da produção de neurotransmissores relacionados ao relaxamento e ao prazer. Nutrientes como triptofano, magnésio, vitaminas do complexo B e ômega-3 participam de processos que favorecem a sensação de calma e a indução do sono. “O consumo regular de grãos integrais, leguminosas, frutas, verduras, sementes, oleaginosas e fontes de gorduras boas contribui para esse equilíbrio, especialmente se feito de forma regular e em horários adequados”, explica Carla. A especialista pontua ainda que evitar excessos de cafeína, açúcar e refeições muito pesadas à noite também gera impacto significativo. 

Além disso, a suplementação pode complementar a rotina alimentar quando a alimentação não supre todas as necessidades nutricionais ou em períodos de maior estresse, sempre com orientação profissional. “Compostos que auxiliam no relaxamento muscular e na regulação do ciclo do sono têm sido associados a uma melhora da qualidade do descanso, refletindo positivamente no humor e na disposição ao longo do dia. Um bom exemplo disso são suplementos com o ácido gama-aminobutírico. Conhecido também como GABA, ele é um neurotransmissor que, segundo estudos publicados em revistas científicas como Nutraceuticals, Molecules e Frontiers in Neuroscience, participa da regulação do fluxo de estímulos no cérebro, associado ao relaxamento e ao equilíbrio da atividade nervosa”, conta a nutricionista.   

Por fim, a especialista destaca que, ao longo do Janeiro Branco, olhar para o sono como parte essencial do autocuidado estimula a mudança de hábitos: “Investir em escolhas nutricionais inteligentes é priorizar noites mais tranquilas, dias mais produtivos e em um estado emocional mais equilibrado. Isso reforça que cuidar da mente também passa pelo prato".  

 

Puravida
www.puravida.com.br


Nikolas Ferreira, a Psicologia das Massas e a função do herói - uma leitura freudiana do fenômeno coletivo

 

Deputado federal mais votado da história de Minas Gerais e o mais votado do Brasil nas eleições de 2022, Nikolas Ferreira (PL) monopolizou as atenções na última semana ao organizar a “Caminhada por Liberdade e Justiça”. O parlamentar saiu de seu estado de origem, sozinho, na segunda-feira (19/1), e chegou seis dias e muitos quilômetros depois ao destino final, em Brasília-DF, acompanhado de milhares de pessoas que encontraram em suas palavras ou em sua agenda conexão. 

Enquanto muitos se uniram ao jovem liberal na marcha, e outros, mesmo que à distância, admiraram e torceram pelo ato, houve quem criticasse - e até aí, tudo bem. Afinal, Democracia, no sentido mais amplo da palavra, se forja, também, na discordância. O interessante, contudo, é analisar como tudo isso se deu, entre idolatria e julgamentos, à luz da Psicologia. 

Quando a dor coletiva se torna insuportável, a massa não pergunta quem é o mais virtuoso, ou quem tem menos pecados para representá-la. Ela busca por quem suporta ocupar o lugar que ficou vazio, longe do perfeccionismo moral. E, o vazio, aqui, é estrutural e acomete, geralmente, os extremos na estrutura Política. 

Do ponto de vista da Psicologia das Massas, Sigmund Freud defendia que o comportamento coletivo não é uma simples soma de indivíduos racionais. Tal formulação é central. Quando o indivíduo se insere de forma comunitária, ele não apenas se dilui nela; ele transfere para o comandante funções psíquicas que já não consegue sustentar sozinho — como esperança, ordem, direção moral e sentido. Este líder passa, então, a funcionar como um eixo organizador do psiquismo coletivo. Historicamente, este mecanismo se repete. Não é moda; é estrutura. Tem método. 

A figura de Jesus, por exemplo, pode ser compreendida — do ponto de vista psicológico, e não teológico — como alguém que ocupou lugar indiscutivelmente simbólico na humanidade, mesmo sem contar com aparato institucional, sem o apoio do Exército e sem o mínimo de proteção. À época, Cristo encarnou um ideal que já não encontrava sustentação nas estruturas vigentes. 

Na contemporaneidade, tal fenômeno reaparece em figuras que provocam, incomodam e polarizam, justamente porque ocupam um lugar que muitos recusam por medo das inúmeras consequências, incluindo as sociais, políticas e jurídicas. Sim, para ocupar este espaço, é preciso mais que carisma! É imprescindível deter coragem e (arrisco) um certo flerte com a inconsequência. 

Ainda na esteira da análise freudiana, enquanto homens são atacados, o mecanismo psíquico que os produziu continua ativo. Indivíduos passam, mas os símbolos não se rendem; permanecem. Ideias não sangram e se preciso, elas mudam de hospedeiro. 

Em algum momento da História, um líder, a exemplo de Nikolas e de outros tantos que o antecederam, pode até cair, mas sua função simbólica permanece disponível para ser ocupada novamente. 

O que significa dizer que o instinto coletivo não desaparece. Ele atravessa o tempo. Quando tentam silenciá-lo, ele se desloca. Quando tentam esmagá-lo, ele se reorganiza. Quando tentam apagá-lo, ele se multiplica. 



Dra. Luciana Inocêncio é psicóloga, psicanalista, palestrante e escritora; especialista em Transtornos Graves das Psicoses, pelo Colégio de Psicoanalísis de Madrid (Espanha); especialista em Psicologia Hospitalar e em Especialidades Médicas, pela Universidade de São Paulo (USP); especialista em Psicologia Clínica e em Teoria Psicanalítica, pela Pontifícia Universidade Católica (PUC); tem formação em Psicanálise, pela Escola Brasileira de Psicanálise; e formação em Psicologia | Bacharel e Licenciatura, pela Universidade Braz Cubas (UBC); é autora dos livros “Psicanálise Presente na Vida Cotidiana”, “As Aventuras de Elvis”, “A Comida como Fuga Emocional”, “O Poder da Terapia na Terceira Idade”, e “Narcisistas”.


Início do ano letivo e a preocupação dos pais com a vida escolar dos filhos

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No início de ano, as expectativas de muitos pais em relação à escola e à vida escolar de seus filhos estão à flor da pele. “Escolhemos bem a instituição de ensino?” “Será que minha filha ou filho se relacionará bem com os colegas? E com os professores?” Esses são apenas alguns dos receios e questionamentos que passam na cabeça de muitos pais. 

“Nessa questão de vida escolar dos filhos, há diversos pais que esperam que os professores saibam como se aproximar emocionalmente de seus filhos, que ofereçam desafios que os façam se desenvolver - mas sem estresse - que saibam lidar com a turma e criem um ambiente socialmente saudável, e assim por diante. Mas será que a escola e o professor têm realmente essa função?”, provoca a psicanalista e hipnoterapeuta Yafit Laniado, criadora da Relacionamentoria, consultoria especializada no relacionamento entre pais e filhos. 

Yafit explica que um dos objetivos da escola, se não o mais importante, é preparar as crianças para a vida real. Treiná-las para agir e fazer o bem no mundo. “Esse processo envolve a superação de dificuldades. No ambiente escolar, um professor não consegue se adaptar a 35 crianças, cada uma com suas necessidades, desejos e interesses. Algumas atividades agradarão e serão mais adequadas para uma criança do que para outra. E tudo bem. 

Boa parte do aprendizado na escola é como lidar com uma realidade que não foi escolhida.” 

“Se estamos educando nossos filhos para serem pessoas boas e honestas, o primeiro passo é aprender a ser respeitoso, esperar sua vez, adiar a gratificação e agir com gentileza. Todas essas ferramentas serão fundamentais para enfrentar situações em que nem tudo sairá conforme o planejado”, ressalta Yafit. 

A especialista alerta para os perigos de vender ilusões aos filhos, em nome de uma proteção. “Quem disse que o mundo vai se adaptar ao nosso filho? Sabemos que ele não funciona assim. Todos temos que nos adaptar às regras de convivência social nas comunidades que estamos inseridos. Por isso, expectativas realistas em relação ao mundo preparam nossos filhos para a vida adulta”. 

“Nos acostumamos a achar que difícil é sinônimo de ruim. Mas, precisamos encarar a dificuldade de outra forma, como um trampolim para o crescimento e o desenvolvimento pessoal. É a superação da dificuldade que nos permite crescer e amadurecer”, afirma Yafit, que conclui: “Quando seu filho estiver atravessando alguma dificuldade, não se desespere. Enxergue a dificuldade como algo bom. E através da nossa tranquilidade nossos filhos terão a confiança necessária para crescer e superar os desafios.”

 

Criar gêmeas na pré-adolescência: quando a maternidade pede menos culpa e mais consciência


A pré-adolescência chega como um marco silencioso, e transformador, dentro de casa. Para quem é mãe de gêmeas, esse período pode trazer camadas extras de desafios, dúvidas e, principalmente, culpa. Culpa por não conseguir atender às duas da mesma forma. Culpa por perceber diferenças emocionais. Culpa por se perguntar, em silêncio, se está fazendo o suficiente.

“Sou mãe de gêmeas e falo desse lugar real, vivido. A ideia de que gêmeas deveriam crescer de forma igual, sentir as mesmas coisas e reagir do mesmo jeito ainda é muito presente. Mas a pré-adolescência escancara uma verdade essencial: elas compartilham o nascimento, não o processo emocional. Cada filha vive esse momento a partir de sua própria identidade, ritmo e sensibilidade.” explica Núria Santos, mãe gemelar e especialista em inteligência emocional.

É comum que uma demonstre mais autonomia enquanto a outra ainda precise de colo. Que uma queira se diferenciar e a outra busque pertencimento. Essas diferenças, longe de serem um problema, são sinais saudáveis de construção de identidade. “O desafio para nós, mães, é não transformar essas diferenças em comparação, e muito menos em culpa.”, ressalta Núria.

Criar filhos não é aplicar uma fórmula perfeita. É educar com base naquilo que somos, na história que carregamos, nos valores que recebemos, nas tradições do nosso país e nos aprendizados que a vida adulta nos trouxe. Não existe maternidade neutra ou isenta de emoção. Existe maternidade consciente.

Na pré-adolescência, o foco não deve ser evitar conflitos entre irmãs, eles fazem parte do crescimento. O verdadeiro trabalho está em ensinar ferramentas emocionais: ajudar a nomear sentimentos, respeitar limites, lidar com frustrações e entender que amar não significa ser igual. Tratar gêmeas como um bloco único pode parecer mais simples, mas tende a gerar insegurança e silenciamento emocional.

“Aprendi, ao longo desse caminho, que criar momentos individuais com cada filha faz toda a diferença. Não é sobre dividir o amor, mas aprofundar a presença. Também aprendi a observar minhas palavras. Comparações, mesmo sutis, têm peso. Aquilo que para um adulto parece incentivo, para uma pré-adolescente pode se transformar em uma ferida difícil de nomear.”, relata Núria Santos.

Às mães de gêmeas, fica um recado direto: não se trata de falha, mas de esforço real dentro das condições possíveis. A maternidade acontece a partir do repertório emocional, dos recursos disponíveis e do estágio de maturidade de cada mulher naquele momento. Crianças não precisam de mães idealizadas, e sim de presença, humanidade e abertura para o aprendizado contínuo.

Na intersecção entre maternidade e vida profissional, especialmente no empreendedorismo e na liderança, a percepção é semelhante. Nem todos os processos são controláveis, nos negócios ou na criação dos filhos. Há dias em que o avanço acontece mais pela confiança do que pela execução plena. A crença de que limites também fazem parte do cuidado amplia a forma de liderar, comunicar e maternar, tornando essas experiências mais conscientes e sustentáveis.

“Criar gêmeas na pré-adolescência é um exercício diário de escuta, consciência e fé. É entender que formar caráter não passa pela perfeição, mas pela presença. E que amar profundamente não é tratar igual, é respeitar quem cada filha é, e quem ainda está se tornando.”, exalta Núria Santos, mãe gemelar e especialista em comportamento familiar.

 

 Núria Santos - CEO da Tijoleste e mentora do método Evo, Núria Santos atua com inteligência emocional aplicada e empreendedorismo feminino. Sua metodologia combina práticas de autoconhecimento, neurociência emocional e estratégia de performance.

 

Como a ida de adolescentes para universidades no exterior afeta a saúde emocional das famílias

Especialistas apontam que separações antecipadas elevam ansiedade e reconfiguram vínculos entre pais e filhos


 

O número de brasileiros que viajam ao exterior para cursar universidades tem crescido e, com ele, a ansiedade dos pais. Dados do Institute of International Education (IIE) mostram que a mobilidade estudantil global alcançou níveis recordes após a pandemia, com aumento consistente de jovens passando longos períodos fora de casa. 

Pesquisas do Journal of Family Psychology indicam que essas transições aceleram estágios da vida adulta, autonomia, independência financeira e afastamento físico, criando desafios emocionais tanto para os jovens quanto para os responsáveis. O início do ano letivo internacional, entre janeiro e março, é o período de maior estresse relatado pelas famílias. 

Especialistas em desenvolvimento familiar destacam que essas mudanças mobilizam mecanismos emocionais profundos. Do ponto de vista psicológico, a separação precoce ativa processos ligados ao vínculo de apego, especialmente entre mães e filhos primogênitos. Estudos baseados na Teoria do Apego, de John Bowlby, mostram que ciclos de afastamento rápido podem gerar sentimentos de ameaça ou perda simbólica, ainda que a relação permaneça saudável. Essa experiência explica por que muitos pais relatam sintomas como hiperpreocupação, irritabilidade, alterações no apetite e até dificuldades de concentração nas semanas que antecedem e sucedem a partida dos filhos. 

Para a psicóloga Dra. Andrea Beltran, os pais frequentemente vivenciam um ciclo emocional complexo. “Há orgulho pela conquista, mas também medo, vazio e insegurança. Essa combinação pode antecipar sensações típicas do ninho vazio, mesmo que os filhos ainda sejam muito jovens”, afirma. “É uma separação abrupta que exige reorganização da rotina e da identidade parental.” 

Um estudo da Universidade de Heidelberg mostra que a distância física altera padrões de comunicação e aumenta a sensação de perda de controle parental, gerando ansiedade, distúrbios do sono e preocupação excessiva. Ao mesmo tempo, jovens relatam sentimento de solidão nas primeiras semanas, criando um período de instabilidade emocional para toda a família. 

O processo de separação costuma impactar mais intensamente famílias latino-americanas, que tendem a manter laços afetivos mais estreitos e rotinas domésticas interdependentes. Isso torna a ruptura geográfica ainda mais sensível. Além disso, o tempo de adaptação pode variar conforme fatores como idade do jovem, características de personalidade, rede de apoio no destino e qualidade do vínculo prévio com os pais. 

A Dra. observa que esse não é um sofrimento patológico, mas uma etapa de adaptação. “A família precisa construir novas formas de vínculo. Videochamadas estruturadas, conversas sobre expectativas e reforço da rede social local ajudam muito na adaptação dos pais.” 

Segundo pesquisas da APA, famílias que planejam emocionalmente essa transição apresentam índices menores de ansiedade após os primeiros meses. “Não basta preparar documentação, moradia e finanças. A preparação emocional é igualmente essencial”, reforça Beltran. 

A psicóloga acrescenta que a experiência pode fortalecer o vínculo familiar a longo prazo. “Quando o processo é vivido com diálogo e maturidade, cria-se um novo modelo de relação: mais confiante, aberto e baseado em autonomia.” 

Nesse contexto, a transição deixa de ser apenas uma mudança geográfica e se torna um processo de amadurecimento coletivo. Para a especialista, reconhecer o impacto emocional da partida, ajustar expectativas e construir novos rituais de convivência, mesmo à distância, permite que a experiência seja vivida de forma menos angustiante e mais estruturada. Quando encarada com preparo e suporte, a ida dos jovens ao exterior não representa uma ruptura, mas uma reconfiguração do vínculo familiar, abrindo espaço para relações mais maduras, seguras e conscientes.


Talento é superestimado: o sucesso que o Brasil celebra ignora quem nunca teve acesso ao processo

Por trás das histórias inspiradoras de genialidade, idiomas e carreiras brilhantes existe um fator raramente discutido: acesso, permanência e privilégio 

 

Em entrevistas, eventos e redes sociais, histórias de pessoas que falam múltiplos idiomas, transitam entre culturas e constroem trajetórias admiradas costumam ser celebradas como prova de talento extraordinário, disciplina e força de vontade. O que quase nunca aparece é o bastidor: quantas oportunidades existiram, quantas redes de apoio sustentaram o caminho, e quantas pessoas ficaram pelo meio por nunca terem tido acesso ao mesmo processo. 

Ao observar trajetórias reais ao longo de sua atuação com comportamento humano e desenvolvimento, Jonathas Groscove, publicitário e estrategista digital, identificou um padrão recorrente: nem todos desistem porque querem, muitos desistem porque não conseguem permanecer. 

Durante décadas, o sucesso foi romantizado como resultado exclusivo de mérito individual. Mas uma análise mais profunda do comportamento humano revela uma verdade incômoda: resultados sustentáveis não nascem do talento, e sim da possibilidade de permanecer em processos ao longo do tempo, algo historicamente disponível para poucos. 

A gente ama celebrar o resultado, mas ignora o caminho. E quando ignora o caminho, ignora também quem nunca teve chance de percorrê-lo”, afirma Jonathas Groscove, especialista em comportamento humano digital e posicionamento estratégico. 

Dominar 11 idiomas, por exemplo, não é apenas consequência de cursos ou métodos de ensino. É fruto de vivências culturais, deslocamentos, convivência contínua com diferentes contextos e, principalmente, da chance de não precisar interromper o próprio desenvolvimento para sobreviver. 

Para pessoas pertencentes a grupos historicamente minorizados, o acesso a viagens, intercâmbios, formações e ambientes de aprendizado sempre foi mais limitado. Muitas trajetórias não são interrompidas por falta de capacidade, mas por ausência de estrutura, incentivo, acolhimento e sustentação emocional e financeira. 

A meritocracia virou uma forma elegante de culpar quem não teve acesso ao processo”, provoca o empresário.

Quando alguém precisa provar seu valor o tempo inteiro, o aprendizado deixa de ser crescimento e passa a ser desgaste”, completa Jonathas. 

A desistência precoce, frequentemente rotulada como falta de foco ou disciplina, revela um ponto pouco discutido: sobreviver em ambientes que não foram pensados para você custa mais energia, mais esforço e mais solidão. E esse custo raramente entra na conta quando histórias de sucesso são celebradas. 

Viajar, aprender idiomas e conviver com culturas diferentes permite compreender algo essencial: cada pessoa carrega um ritmo próprio, e medir trajetórias com a mesma régua é uma distorção perigosa, especialmente em empresas, escolas e instituições que dizem buscar diversidade e impacto social. 

“Processo não é sobre velocidade. É sobre permanência. E permanência só existe quando há estrutura, pertencimento e tempo”, reforça Jonathas. 

Enquanto empresas, instituições e a própria sociedade continuarem celebrando apenas resultados, sem revisar os processos que os sustentam. seguiremos confundindo privilégio com mérito e inspiração com exceção. 

Porque compreender processos é compreender pessoas.

E compreender pessoas é o primeiro passo para construir uma sociedade mais justa, eficiente e verdadeiramente humana.

 

 

Jonathas Groscove - influenciador digital, publicitário e empresário brasileiro conhecido por sua forte presença nas redes sociais e por defender valores como empatia, superação e conexões humanas no ambiente de negócios. Atuando no marketing digital, ele ganhou destaque com campanhas e cases de sucesso voltados à representatividade e à inovação, tornando-se uma figura reconhecida entre jovens empreendedores.


Por que a adaptação escolar ainda é um dos principais desafios para crianças e famílias?

A adaptação escolar continua entre os maiores desafios para crianças e famílias porque não se resume ao primeiro dia de aula. Entrar na escola, na educação infantil ou nos anos iniciais, mexe com a rotina, desloca vínculos importantes e coloca a criança diante de um ambiente novo, com regras, adultos e colegas ainda desconhecidos. É um período em que curiosidade e entusiasmo costumam andar junto de ansiedade e insegurança. 

Nesse contexto, a maneira como família e escola conduzem a adaptação é decisivo, tendo em vista que, quando os adultos tratam esse início com calma, firmeza e coerência, a criança tende a se sentir mais segura para explorar o novo ambiente. Já quando há pressa, insegurança ou mensagens contraditórias, o processo costuma ficar mais pesado e prolongado. É nessa combinação entre acolhimento e previsibilidade que se constrói uma entrada mais tranquila na vida escolar.
 

Adaptação escolar na educação infantil 

Quando falamos em educação infantil, a adaptação escolar exige sensibilidade e constância, pois a separação da família e a entrada em um ambiente desconhecido ainda são experiências muito novas para a criança. Um passo importante nesta etapa é demonstrar segurança ao levar à criança pela primeira vez à escola, acalmá-la e demonstrar confiança, além de usar palavras de incentivo, ajudando a fortalecer sua autonomia e reduzir a ansiedade. 

Nos primeiros dias, o choro é comum, e explicar que o reencontro vai acontecer em breve contribui para que a criança entenda a dinâmica escolar e sinta-se protegida. Com o tempo, essa reação diminui à medida que ela cria vínculos com as pessoas e com a rotina da escola. 

Manter uma rotina estável é importante nesse começo, pois a repetição de horários, pessoas e caminhos cria previsibilidade, e essa previsibilidade dá à criança um suporte mais consistente para se organizar internamente e entender o que vem a seguir. Também é importante que a família evite sair escondida, já que despedidas sinceras, mesmo quando provocam choro, reforçam a confiança e ajudam a criança a perceber que pode contar com o adulto.

Nesse mesmo sentido, promessas vagas como “já volto” costumam piorar a ansiedade, e por isso vale ser claro sobre o tempo, explicar de maneira simples quando haverá o reencontro e combinar expectativas reais, o que tranquiliza a criança e favorece a adaptação escolar. 

Preparar a família emocionalmente é tão necessário quanto preparar a criança, porque sentir insegurança nessa fase é natural, mas transmitir confiança ajuda o filho a se perceber acolhido e capaz de atravessar a novidade. Também vale valorizar as conquistas diárias, como fazer um novo amigo, participar de uma atividade diferente ou comentar algo que descobriu na escola, já que esse reconhecimento reforça o lado positivo do processo e fortalece o vínculo com o ambiente escolar. 

À medida que a família demonstra interesse pelo que acontece ali, participa de eventos e se aproxima de outras pessoas da comunidade escolar, a criança tende a construir um sentimento maior de pertencimento, contribuindo para que a adaptação escolar avance mais tranquilamente.

 

Adaptação escolar nos anos iniciais 

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a adaptação escolar assume novos contornos, uma vez que, embora as crianças já tenham vivenciado experiências escolares antes, esse período traz mudanças importantes, como regras diferentes, mais autonomia e um novo grupo de colegas. Cada estudante possui seu próprio ritmo, e respeitar essas individualidades é fundamental par o processo. 

Quando os educadores observam com atenção essas diferenças, conseguem ajustar a forma de acolher e orientar cada criança, enquanto a família pode acompanhar mais de perto mantendo um diálogo aberto sobre o dia a dia escolar, perguntando como foi a rotina, o que ela sentiu, do que gostou e com quem se aproximou, de modo que a criança perceba que não está atravessando essa transição sozinha. 

Além disso, a empatia dentro de casa continua sendo um dos pilares do acolhimento nessa etapa, e reservar um tempo para ouvir a criança com atenção, reforçar aquilo que está indo bem e tratar os desafios cotidianos como parte do caminho ajuda a tornar a adaptação mais leve. 

Comparações com colegas ou irmãos costumam aumentar a ansiedade e a insegurança, por isso é preferível reconhecer o esforço individual e valorizar pequenas evoluções. A rotina, de novo, tem papel decisivo, já que horários estáveis para dormir, acordar, alimentar-se e realizar as tarefas escolares organizam o dia e dão previsibilidade, fortalecendo a sensação de segurança. Vale reforçar que, nesse período, os estudantes estão lidando com novas dinâmicas acadêmicas e sociais, e esse ajuste socioemocional acontece aos poucos, de forma singular para cada criança.
 

Processo contínuo de adaptação escolar 

A adaptação escolar, seja na Educação Infantil ou nos Anos Iniciais, influencia a relação que a criança vai construir com a escola desde o início. Quando família e equipe pedagógica conduzem esse período com combinados claros, rotina estável e escuta atenta, o dia a dia fica mais previsível para a criança, e isso reduz a insegurança típica das primeiras semanas. A confiança vai se formando aos poucos, nas pequenas experiências diárias, como reconhecer a sala, entender quem são os adultos de referência, se aproximar dos colegas e perceber que a escola é um lugar onde ela pode ficar bem. 

Sendo assim, respeitar o tempo de cada criança, manter um diálogo constante com a escola e reconhecer os avanços que aparecem no cotidiano são atitudes que sustentam a adaptação escolar de uma maneira mais consistente. Esse acompanhamento não elimina o desconforto inicial, mas ajuda a criança a atravessar essa fase com menos tensão, porque ela percebe que existem adultos atentos ao que sente e ao que precisa. Quando família e escola atuam em sinergia, com expectativas realistas e rotinas bem estabelecidas, essa adaptação passa a ser parte de um processo de construção de segurança e autonomia ao longo da vida escolar.




Flavia Armond Carvalho Chaves - Coordenadora de Projetos Pedagógicos da
Rede de Colégios Santa Marcelina, instituição que alia tradição à uma proposta educacional sociointeracionista e alinhada às principais tendências do mercado de educação.


O palco como resposta aos impasses da sala de aula

Artes cênicas integradas ao currículo ajudam crianças e jovens a ampliarem repertório, organizar a própria voz e construir vínculos na escola 

 

Em um momento em que dados recentes do IBGE, do Unicef e de institutos de pesquisa educacional apontam crescimento do tempo de crianças e adolescentes diante de telas, dificuldades de comunicação presencial e desafios nas relações entre pares, a escola volta a ser cobrada por formar sujeitos capazes de escutar, argumentar e se posicionar. Nesse contexto, práticas que articulam corpo, linguagem e convivência ganham centralidade no debate educacional, especialmente aquelas que ampliam repertório cultural e ajudam estudantes a construir uma relação mais consciente consigo mesmos e com o mundo.

É a partir dessa compreensão que uma escola de São Caetano do Sul estruturou um currículo que integra conhecimento acadêmico, formação social e desenvolvimento crítico por meio das artes cênicas. Na Escola Villare, o teatro acompanha os alunos da educação infantil ao ensino médio e funciona como uma linguagem que atravessa a experiência escolar, organizando modos de aprender, conviver e se expressar.

O trabalho se desenvolve em processos contínuos. “O ponto de partida é sempre o convite”, afirma Elaine Ferreira, professora de artes cênicas da escola. A metodologia se ancora no brincar e no jogo, com foco na construção de vínculo e presença. Desde os primeiros anos, os estudantes se aproximam da linguagem teatral como espaço de experimentação, curiosidade e escuta.

Ao longo do tempo, a cena passa a assumir outras camadas. Corpo, voz e silêncio se transformam em ferramentas para formular ideias, investigar conflitos e sustentar posições diante do coletivo. As investigações não seguem um roteiro único. Cada grupo constrói suas próprias perguntas, de acordo com o momento vivido.

Em um coletivo numeroso do ensino médio, formado por alunos do 9º ano à 3ª série, a necessidade era reorganizar a escuta. A provocação escolhida foi uma palavra simples: silêncio. A partir dela, os estudantes pesquisaram poesia, música e literatura, escreveram coletivamente e criaram uma cena autoral.

Em outro grupo, atravessado por relatos de ansiedade e cansaço, a pergunta lançada foi o que é terapia. O processo deu origem a vídeos, personagens e cenas que ajudaram os alunos a elaborarem medos e tensões. Em alguns casos, o percurso se encerra no próprio processo. “Enquanto processo, é saudável”, diz Elaine.

Conteúdos de outras áreas aparecem com frequência na cena. Temas de História, Ciências, Língua Portuguesa ou Matemática surgem como matéria-prima para reflexão. O humor ocupa lugar central nesse percurso, usado pelos estudantes para questionar conceitos, brincar com ideias e reorganizar experiências.

Os temas contemporâneos emergem das inquietações dos próprios grupos e passam por um cuidado rigoroso. Antes de levar questões como alcoolismo, violência, pobreza ou manipulação política ao palco, os alunos pesquisam, leem reportagens e discutem contextos e limites de representação. Em uma produção recente, estudantes articularam pesquisa sobre a ditadura militar com vídeos autorais, criando sobreposições entre imagens históricas e o presente.

A centralidade do corpo atravessa todo o trabalho. Ao longo dos anos, os estudantes desenvolvem segurança para falar em público, organizar ideias e escutar o outro. Professores de outras áreas observam mudanças em alunos antes reservados. As famílias relatam avanços na autonomia, na confiança e na forma como os filhos se comunicam.

Nos momentos de transição entre segmentos, o teatro atua como espaço de pertencimento. O jogo favorece a construção de vínculos e o reconhecimento do grupo como coletivo, criando um ambiente em que experimentar faz parte do aprendizado.

O que se vê no palco resulta de um trabalho contínuo. A cada ano, os estudantes ampliam repertório, refinam a expressão e aprofundam perguntas. Ex-alunos relatam segurança em apresentações acadêmicas, entrevistas e processos seletivos. “O teatro ajuda a formar pessoas que se entendem melhor e conseguem

 

Cecilia Galvão - Jornalista


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Destino que atrai muitos casais, a praia pode ser o cenário ideal para o casório, ao unir natureza, intimismo e luxo

 

A escolha do local do casamento determina o tom da celebração. Quando a decisão é pelo litoral, o cenário ganha ainda mais significado, ao passo que celebrar com os pés na areia e ao som das ondas, transforma o momento em uma experiência única e memorável. Embora exija uma série de cuidados e decisões que fazem toda a diferença para que o grande dia aconteça sem imprevistos — do clima à escolha de fornecedores que conhecem bem a região —, a praia imprime à cerimônia uma atmosfera leve e natural. 

Com um extenso litoral e paisagens exuberantes que se transformam em cenários ideais para cerimônias à beira-mar, o Brasil reúne cinco destinos que se destacam entre os preferidos dos casais: São Miguel dos Milagres (AL), Trancoso (BA), Pipa (RN), Ilhabela (SP) e Búzios (RJ). O ranking foi elaborado pelo blog Casamento Pé na Areia, com base em dados de coberturas realizadas pela equipe e na experiência acumulada no universo dos casamentos. 

Pensando nisso, Camila Piccini, sócia e fundadora do Casar.com, maior plataforma de sites e listas de casamento do Brasil, e Niege, idealizadora do blog Casamento Pé na Areia, referência quando o assunto é casamento na praia, listam abaixo algumas dicas para os casais que escolhem a praia como local para a celebração. Confira:
 

Infraestrutura - tenha em mente as demandas de um ambiente aberto. Inicialmente, defina qual a capacidade real de convidados para que todos tenham a mesma experiência e oferta de serviços. O uso de estruturas temporárias, como geradores, banheiros e cobertura é recomendado, além da definição prévia de um hotel ou espaço com disposição para a festa, visto que imprevistos climáticos podem surgir. 

“Não é só escolher uma praia bonita, é pensar em conforto, segurança e, principalmente, na experiência de todos para que tudo saia conforme o planejado e sem imprevistos, aproveitando tudo que uma paisagem como a praia tem a oferecer”, comenta Piccini.
 

Experiência dos convidados - casar na praia é optar por um destination wedding — e todo destination wedding é, acima de tudo, uma vivência. Por isso, o destino precisa ser pensado estrategicamente também sob a perspectiva de quem estará chegando. A facilidade de acesso por estradas ou aeroportos é fundamental para evitar atrasos e garantir alternativas aos convidados. Da mesma forma, a oferta variada de hospedagem, restaurantes, passeios e atividades deve entrar no planejamento, permitindo atender a diferentes perfis e tornar a experiência mais personalizada e especial. 

Niege ressalta que, para além da cerimônia, vale ter na manga uma programação possível para os dias que antecedem e sucedem o casamento, fortalecendo a conexão do casal com os convidados e criando ainda mais memórias. “Quando o destino funciona bem, os convidados chegam mais tranquilos e isso muda completamente o clima da celebração”, destaca.
 

Trâmites e documentações - cada praia tem suas próprias regras e respeitar essas normas é fundamental desde o planejamento. Piccini menciona que os principais trâmites envolvem: autorização da prefeitura ou do órgão local responsável; permissão ambiental, especialmente quando a área é de proteção; contrato com hotel, pousada ou administração da praia e alvará para uso de som, estruturas temporárias e iluminação. O ideal é alinhar tudo isso com antecedência, evitando que a rota precise ser recalculada de última hora. 

“Esses documentos garantem que o evento esteja regularizado, evitando surpresas no dia e protegendo tanto os casais quanto os fornecedores. Isto oferece segurança na assinatura de contratos e na destinação correta dos gastos. Tudo precisa estar formalizado”, detalha Piccini.

 

O que não pode faltar? - alguns cuidados simples fazem toda a diferença na experiência dos convidados em um ambiente externo. Ter repelentes à disposição é uma boa sacada, assim como oferecer leques ou sombrinhas para se proteger do sol. Pensar em opções refrescantes para o welcome drink também auxilia no conforto térmico. “Água gelada, aromatizada ou de coco são boas escolhas, garantindo uma variedade que agrada o máximo de convidados possíveis”, frisa Niege. 

A especialista ainda ressalta a importância de ter um cerimonialista no processo, peça importante na indicação de fornecedores que já possuem experiência com trabalhos em ambientes de praia, preparados para lidar com todos os cenários possíveis no dia da cerimônia. 

Já pensando em decoração e trajes, Piccini considera poderosa uma estética mais leve e integrada à paisagem, com estilos tropicais, tecidos leves e cores claras. “Deve-se respeitar a identidade do casal e o perfil do casamento, seja ele mais descontraído ou sofisticado”, finaliza.

 

Verdade, liberdade e contemporaneidade caótica



A chamada pós-verdade existe em uma zona nebulosa, com graves riscos científicos, éticos, políticos e históricos para a vida coletiva na sociedade contemporânea. Vivemos uma era estranha e caótica, que possibilita diversas dissimulações, sem que se considere isso uma desonestidade. Ainda que se espalhem as falsidades, as mentiras, ninguém se vê ou é visto como um falsário ou mentiroso. 

Falsidade e falso, mentira e mentiroso passaram a ser palavras expurgadas na era da pós-verdade, caracterizada por seus apelos à emoção e à crença pessoal como critérios para aceitação do que se diz, não só na esfera privada, mas também na esfera pública. 

No entanto, a questão que se coloca é se essa pós-verdade teria se instalado, na contemporaneidade, em decorrência de um esquecimento da verdade, tão cara a uma visão metafísica dessa mesma verdade. 

Mesmo que sempre tenha havido mentirosos, geralmente, as mentiras são contadas com hesitação, uma dose de ansiedade, um pouco de culpa, vergonha, pelo menos algum acanhamento. Agora, “pessoas inteligentes” criam justificativas para adulterar a verdade e, por conseguinte, a noção mais realista de liberdade, para que possam dissimular as coisas sem culpa. É o que se chama de era da pós-verdade. 

Uma era que se distancia, e muito, do próprio ensinamento bíblico bastante conhecido: “[…] conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). Mentira e mentiroso passaram a ser palavras que soam muito duras, como se fossem proferidas em tom de severo julgamento, o que parece não ter mais cabimento na era da pós-verdade.  

Os homens, em particular, são extremamente cuidadosos para evitar dar a outros homens qualquer oportunidade de dizer: “Tu estás me chamando de mentiroso?” Uma vez ditas essas palavras fatais, é difícil que o diálogo tenha continuidade, sem acirramento de ânimos. Parece que não há mais mentiras. Quando muito se diz: “não fui tão feliz em minha fala” ou, ainda, “não fui bem compreendido em minha comunicação”. 

O problema se agrava quando essa chamada pós-verdade, extrapolando a esfera privada, na qual já é capaz de gerar situações caóticas, se dissemina na esfera pública, assumindo os rumos da ciência, da política e da história no amplo universo da comunicação social. 

Um antídoto para esse cenário caótico, instalado na contemporaneidade, pode ser a retomada da metafísica aristotélica, em uma de suas configurações principais, qual seja, a metafísica como “ciência da verdade” (Aristoteles, 1993, p. 73). 

Aristóteles sublinha que conhecer o verdadeiro significa conhecer a causa e, em particular, que conhecer a verdade metafísica significa conhecer as causas que fazem ser verdadeiras as outras coisas que delas dependem. A verdade de que fala aqui Aristóteles é, portanto, identificada com o ser mesmo, dado que “[…] cada coisa possui tanto de verdade quanto possui de ser” (Aristoteles, 1993, p. 73). Vale ressaltar: essa verdade não é uma verdade particular, mas sim a verdade última das coisas (Reale, 1993, p. 13). 

A verdade requer a afirmação da primazia de algo, da existência por si mesma subsistente, antes e independente desta ou daquela opinião ou consciência, quaisquer que sejam elas.

Há um contraponto forte para a pós-verdade. Trata-se do reposicionamento, na sociedade contemporânea, de uma das concepções metafísicas de Aristóteles, que já assinalava a importância de se reconhecer essa filosofia primeira como ciência da verdade última das coisas, a qual foi amplamente comentada por Tomás de Aquino, o escolástico que repisou a razão teórica como especulativa, cujo fim é o conhecimento da verdade como fim último. 

Como essa filosofia primeira ou metafísica não é prática, mas especulativa, na releitura tomista, ela deve mesmo ser chamada de ciência da verdade, porque considera, em grau máximo de excelência, a verdade em suas causas primeiras. A filosofia objetivista, de linha aristotélico-tomista, insiste na verdade como o reconhecimento da realidade, o que exige reafirmação do fundamento metafísico, cujo axioma primordial consiste em admitir, sem caprichos solipsistas, que a existência existe, vale dizer, que as coisas são o que elas são, que elas possuem uma natureza específica, uma identidade própria, antes e independente de qualquer opinião ou mesmo consciência supostamente verdadeira ou falsa sobre elas.

  

Marcius Tadeu Maciel Nahur -  Coordenador do Curso de Filosofia da Faculdade Canção Nova.


Franqueada Bia Yuri Sato de Souza, aposta na educação como propósito e leva a metodologia Rockfeller para a terceira cidade mais populosa do estado paranaense 

 

O ano começou e com ele aquela vontade de dar um novo rumo à vida profissional e aos estudos. Mas, se você já tentou melhorar sua rotina antes, sabe: não é tão simples assim. Apesar do otimismo que cresce entre os brasileiros para 2026, com 69% acreditando que sua situação pessoal vai melhorar neste ano, a realidade é que manter as resoluções não é fácil. De acordo com pesquisa da Drive Research, 43% das pessoas desistem de suas metas de ano novo até o final de janeiro.

Para André Belz, especialista em carreiras e CEO da Rockfeller Language Center, uma das redes de escolas de idiomas mais reconhecidas e prestigiadas do Brasil, transformar metas em realidade começa com escolhas práticas. “Iniciar um novo conhecimento ou estabelecer uma meta de aprendizado, como aprender um idioma, é extremamente positivo para o cérebro. Além de estimular a memória e o raciocínio, esses desafios ajudam a elevar sua confiança e a construir um futuro profissional mais sólido.”
Pensando nisso, selecionamos 5 estratégias que realmente ajudam você a cumprir seus objetivos em 2026:

  1. Aprimorar conhecimentos e iniciar um curso de inglês: Dominar um novo idioma amplia horizontes culturais e profissionais, que oferece melhores oportunidades no mercado de trabalho. Escolha um curso de idiomas oportunizando aulas práticas e foco em situações reais de conversação. Reserve um horário fixo na sua rotina para estudar, pratique diariamente com aplicativos ou plataformas online e complemente com atividades como assistir filmes, ouvir músicas e podcasts em inglês. 
  1. Investir em uma nova especialização ou graduação: O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo, e aprimorar conhecimentos técnicos e acadêmicos pode ser um diferencial. Aposte em uma área de interesse alinhada aos seus objetivos profissionais e busque cursos de especialização, pós-graduação ou certificações. Muitas instituições oferecem opções online e flexíveis para facilitar o aprendizado. 
  1.  Desenvolver habilidades digitais: Com a crescente transformação digital, conhecimentos em tecnologia são cada vez mais valorizados. Se deseja crescer na carreira, aprenda sobre análise de dados, inteligência artificial, programação ou marketing digital. 
  1. QI: Indicação ainda é tudo: Ter uma rede de contatos sólida pode abrir portas para oportunidades de trabalho e crescimento profissional. Participe de eventos, conferências e workshops da sua área de atuação, conecte-se com profissionais pelo LinkedIn e mantenha contato com colegas e mentores. O networking bem-feito pode ser decisivo para novas oportunidades. 
  1.  Melhorar a gestão do tempo e produtividade: Organizar a rotina de estudos e trabalho de forma eficiente pode aumentar a produtividade e reduzir o estresse. Utilize ferramentas como planners, calendários digitais e aplicativos de organização para estabelecer metas diárias e semanais. Definir prioridades e evitar procrastinação são passos essenciais para alcançar seus objetivos em 2025. 

 

Rockfeller


Professores podem ser os primeiros a identificar sofrimento emocional em adolescentes, aponta cartilha do Instituto Vita Alere

Material gratuíto reúne sinais de alerta, orientações práticas e caminhos para apoiar educadores na prevenção do agravamento do sofrimento psíquico

 

Em um contexto em que muitos jovens não chegam espontaneamente aos serviços de saúde, mas estão diariamente nas salas de aula, o instituto de pesquisa em saúde mental, Vita Alere lança a cartilha digital Saúde Mental de Adolescentes para Educadores, voltada a professores, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, gestores escolares e demais profissionais da educação de escolas públicas e privadas de todo o país. 

O material, que poderá ser baixado gratuitamente no site do mapa saúde mental, foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar. “Essa cartilha faz parte da estratégia do Vita Alere de democratizar e ampliar o acesso a conteúdos sobre saúde mental, confiáveis e baseados em evidências para todos, e neste caso, profissionais de educação, sem exercer uma função terapêutica”, explica Karen Scavacini, doutora em psicologia pela USP, fundadora do Instituto Vita Alere e coordenadora do conteúdo. 

Essa é a terceira cartilha lançada pelo Instituto, que no ano passado distribuiu materiais sobre “Saúde Mental para Crianças” e “Saúde Mental nas Empresas”. Foram quase dois mil, sendo mais de 1.300 só do guia voltado ao ambiente corporativo.
 

O que observar: sinais de sofrimento emocional no cotidiano escolar
 

A cartilha orienta educadores a reconhecerem mudanças que, quando persistentes ou combinadas, podem indicar sofrimento emocional, como:

  • alterações bruscas de humor, irritabilidade ou apatia;
  • isolamento social e afastamento de colegas;
  • queda repentina no rendimento escolar ou abandono de atividades;
  • mudanças no sono, na alimentação ou no autocuidado;
  • falas recorrentes sobre desesperança, morte ou desejo de desaparecer;
  • comportamentos de risco, incluindo autolesão.

Como agir, e até onde vai o papel da escola?“É importante entender quais são os limites éticos e técnicos da atuação dos educadores, destacando que professores não devem realizar diagnósticos nem guardar segredos em situações de risco”, explica Karen. Entretando, a especialista afirma que esses profissionais têm um papel central na promoção de ambientes emocionalmente seguros, na mediação de conflitos, no enfrentamento do bullying, da discriminação e da violência, e no encaminhamento adequado aos serviços de saúde e assistência. 

Entre os caminhos de apoio indicados estão as Unidades Básicas de Saúde (UBS), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPSi), que podem ser acessados através do mapa saude mental, além dos números dos serviços de emergência e organizações que possuem canais digitais especializados em saúde mental e prevenção do suicídio. 

Para Karen, a escola ocupa uma posição estratégica na prevenção do suicídio entre crianças e adolescentes. “Muitos adolescentes não chegam aos serviços de saúde, mas chegam aos professores. A cartilha foi criada para oferecer linguagem, sinais, limites de atuação e rotas de cuidado, sem sobrecarregar os educadores. Uma escuta atenta, a validação do sofrimento e um encaminhamento responsável podem mudar trajetórias e reduzir riscos”, afirma.


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