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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Carnaval e saúde: beijo pode transmitir doenças e exige atenção aos sintomas

Especialista orienta sobre mononucleose, herpes e outras infecções que podem ser transmitidas pelo beijo durante a folia 

 

Com a chegada do Carnaval, aumenta não apenas o número de foliões nas ruas e blocos, mas também o contato físico entre as pessoas. O beijo na boca, comum nesse período, pode facilitar a transmissão de vírus e bactérias. A orientação de especialistas é aproveitar a festa com responsabilidade, sem alarmismo, mas com informação e prevenção.

Segundo a infectologista Dra. Carolina Brites, uma das doenças mais comentadas nesta época é a chamada “doença do beijo”, conhecida popularmente, mas cujo nome correto é mononucleose infecciosa. “Ela é causada pelo vírus Epstein-Barr e tem maior contaminação pelo beijo porque o vírus permanece em células da mucosa oral e da orofaringe”, explica.

De acordo com a médica, embora existam outras infecções transmissíveis pelo contato íntimo, a mononucleose ganha destaque no Carnaval devido às aglomerações e à troca frequente de parceiros. Do ponto de vista biológico, a transmissão ocorre porque o vírus está presente na saliva e nas secreções da boca e garganta.

Sobre o risco de transmissão, a Dra. Carolina alerta que ele não depende apenas do tempo ou da intensidade do beijo. “Muitas vezes a pessoa já pode estar transmitindo o vírus mesmo sem sintomas, até um mês antes do surgimento dos sinais clínicos. Por isso, é difícil estabelecer um momento exato de risco.”


Sintomas de alerta após a folia

Após o Carnaval, alguns sinais devem servir de atenção. Entre eles estão febre, aumento dos gânglios cervicais — principalmente na parte posterior do pescoço —, mal-estar, indisposição, falta de apetite e lesões na pele (exantema).

A especialista também chama atenção para sintomas menos perceptíveis, como aumento do fígado e do baço, identificados por meio de avaliação médica, além de edema ao redor dos olhos, considerado bastante característico da mononucleose infecciosa.


Aglomeração favorece a transmissão de vírus

Além da mononucleose, vírus transmitidos por contato respiratório, como herpes simples e citomegalovírus, também tendem a circular mais em períodos de aglomeração. “Quanto mais fechado e mais cheio o ambiente, maior a chance de transmissão”, afirma Dra. Carolina.

Ela orienta que, sempre que possível, os foliões optem por ambientes ao ar livre, mantenham boa hidratação, evitem exageros no consumo de álcool e cuidem da alimentação. Essas medidas ajudam a manter o sistema imunológico mais equilibrado.

Pessoas com imunidade baixa precisam de atenção redobrada. “O ideal é evitar grandes aglomerações, manter alimentação saudável, hidratação adequada e não fazer uso de álcool ou drogas, que podem impactar ainda mais a imunidade”, ressalta.


Infecções sexualmente transmissíveis também preocupam

Durante o Carnaval, também cresce a preocupação com infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A principal recomendação é o uso consistente de preservativos. “É fundamental estimular o cuidado com o próprio corpo. Caso a pessoa tenha se exposto a uma situação de risco, pode procurar um serviço de saúde em até 72 horas. Existem medicações específicas para profilaxia pós-exposição”, explica.

A médica destaca ainda a importância da PrEP (profilaxia pré-exposição) para quem se considera em situação de vulnerabilidade antes mesmo de uma possível exposição. “É possível procurar o serviço de saúde e iniciar a profilaxia antes de se colocar em risco”, orienta.

No campo da prevenção, vacinas também desempenham papel essencial. Para ISTs, as imunizações contra HPV e hepatite B são consideradas fundamentais. Já para a mononucleose infecciosa, não há vacina disponível.


Quando procurar atendimento

De forma geral, sintomas leves permitem a manutenção da rotina. Porém, quando há sensação de maior debilidade, febre persistente, dor intensa ou piora do quadro geral, é importante buscar avaliação médica para descartar complicações.

A recomendação final da especialista é equilibrar diversão e responsabilidade. “Aproveite o Carnaval com consciência, hidrate-se além do que o corpo pede, mantenha uma alimentação leve e saudável e, sempre que possível, evite ambientes fechados e muito aglomerados”, conclui Dra. Carolina Brites.



Carolina Brites -concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.
Carolina Brites CRM-SP: 115624 | RQE: 122965

 

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