Especialista orienta sobre mononucleose, herpes e outras infecções que podem ser transmitidas pelo beijo durante a folia
Com a chegada do Carnaval, aumenta não apenas o número de
foliões nas ruas e blocos, mas também o contato físico entre as pessoas. O
beijo na boca, comum nesse período, pode facilitar a transmissão de vírus e
bactérias. A orientação de especialistas é aproveitar a festa com
responsabilidade, sem alarmismo, mas com informação e prevenção.
Segundo a infectologista Dra. Carolina Brites, uma das doenças
mais comentadas nesta época é a chamada “doença do beijo”, conhecida
popularmente, mas cujo nome correto é mononucleose infecciosa. “Ela é causada
pelo vírus Epstein-Barr e tem maior contaminação pelo beijo porque o vírus
permanece em células da mucosa oral e da orofaringe”, explica.
De acordo com a médica, embora existam outras infecções
transmissíveis pelo contato íntimo, a mononucleose ganha destaque no Carnaval
devido às aglomerações e à troca frequente de parceiros. Do ponto de vista
biológico, a transmissão ocorre porque o vírus está presente na saliva e nas secreções
da boca e garganta.
Sobre o risco de transmissão, a Dra. Carolina alerta que ele não
depende apenas do tempo ou da intensidade do beijo. “Muitas vezes a pessoa já
pode estar transmitindo o vírus mesmo sem sintomas, até um mês antes do
surgimento dos sinais clínicos. Por isso, é difícil estabelecer um momento
exato de risco.”
Sintomas de alerta após a folia
Após o Carnaval, alguns sinais devem servir de atenção. Entre
eles estão febre, aumento dos gânglios cervicais — principalmente na parte
posterior do pescoço —, mal-estar, indisposição, falta de apetite e lesões na
pele (exantema).
A especialista também chama atenção para sintomas menos
perceptíveis, como aumento do fígado e do baço, identificados por meio de
avaliação médica, além de edema ao redor dos olhos, considerado bastante
característico da mononucleose infecciosa.
Aglomeração favorece a transmissão de vírus
Além da mononucleose, vírus transmitidos por contato
respiratório, como herpes simples e citomegalovírus, também tendem a circular
mais em períodos de aglomeração. “Quanto mais fechado e mais cheio o ambiente,
maior a chance de transmissão”, afirma Dra. Carolina.
Ela orienta que, sempre que possível, os foliões optem por
ambientes ao ar livre, mantenham boa hidratação, evitem exageros no consumo de
álcool e cuidem da alimentação. Essas medidas ajudam a manter o sistema
imunológico mais equilibrado.
Pessoas com imunidade baixa precisam de atenção redobrada. “O
ideal é evitar grandes aglomerações, manter alimentação saudável, hidratação adequada
e não fazer uso de álcool ou drogas, que podem impactar ainda mais a
imunidade”, ressalta.
Infecções sexualmente transmissíveis também
preocupam
Durante o Carnaval, também cresce a preocupação com infecções
sexualmente transmissíveis (ISTs). A principal recomendação é o uso consistente
de preservativos. “É fundamental estimular o cuidado com o próprio corpo. Caso
a pessoa tenha se exposto a uma situação de risco, pode procurar um serviço de
saúde em até 72 horas. Existem medicações específicas para profilaxia
pós-exposição”, explica.
A médica destaca ainda a importância da PrEP (profilaxia
pré-exposição) para quem se considera em situação de vulnerabilidade antes
mesmo de uma possível exposição. “É possível procurar o serviço de saúde e
iniciar a profilaxia antes de se colocar em risco”, orienta.
No campo da prevenção, vacinas também desempenham papel
essencial. Para ISTs, as imunizações contra HPV e hepatite B são consideradas
fundamentais. Já para a mononucleose infecciosa, não há vacina disponível.
Quando procurar atendimento
De forma geral, sintomas leves permitem a manutenção da rotina.
Porém, quando há sensação de maior debilidade, febre persistente, dor intensa
ou piora do quadro geral, é importante buscar avaliação médica para descartar
complicações.
A recomendação final da especialista é equilibrar diversão e responsabilidade. “Aproveite o Carnaval com consciência, hidrate-se além do que o corpo pede, mantenha uma alimentação leve e saudável e, sempre que possível, evite ambientes fechados e muito aglomerados”, conclui Dra. Carolina Brites.
Carolina Brites -concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP. Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.
Carolina Brites CRM-SP: 115624 | RQE: 122965

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