A busca pela “barriga trincada” é um dos motivos que levam as passistas a sofrerem com o problema; o único tratamento possível é cirúrgico
A preparação física intensa exigida das passistas de escola de samba pode estar por trás de um problema de saúde comum, mas que ganha características específicas nesse grupo: as hérnias da parede abdominal. No Brasil, estima-se que entre 20% e 25% da população adulta desenvolverá algum tipo de hérnia ao longo da vida.
Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Christiano Claus, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Hérnia, a origem está na própria anatomia. A hérnia surge em um ponto de fraqueza da musculatura abdominal. Quando há aumento repetido da pressão dentro do abdome, essa região fragilizada pode se abrir. E assim, algum órgão pode “passar” por esse defeito da musculatura aberta e causar um aumento de volume “bolinha” localizado que pode estar associado a dor principalmente aos esforços.
No caso das passistas, a rotina de treinos inclui exercícios que elevam significativamente a pressão intra-abdominal. Agachamentos, abdominais intensos, levantamento de peso e movimentos explosivos de quadril e tronco estão entre os principais fatores. Esse aumento repetido e frequente da pressão força os pontos de fraqueza, que podem evoluir para aberturas na musculatura.
Há
ainda outro elemento importante. Como a maioria das passistas é formada por
mulheres, muitas já passaram por gestações. Durante a gravidez, o crescimento
do útero provoca aumento sustentado da pressão intra-abdominal e distensão da
parede muscular, especialmente na região do umbigo. Esse processo pode deixar
áreas mais vulneráveis ao surgimento de hérnias no futuro.
Tipos
de hérnias mais comuns no Brasil
No
país, os tipos de hérnias mais registrados são:
- Hérnia inguinal: ela surge na
virilha e é a mais comum, representando cerca de 75% dos casos diagnosticados,
sendo especialmente prevalente em adultos.
- Hérnia umbilical: ocorre próxima
ao umbigo e é mais frequente em pessoas que passaram por gestação ou
realizam esforço físico intenso.
- Hérnia epigástrica e outras hérnias ventrais: ocorrem na parte superior do abdome, entre o umbigo e o osso esterno. São menos frequentes, mas ainda significativas em pacientes que exercitam intensamente a musculatura do tronco.
Embora
a hérnia inguinal lidere as estatísticas gerais, entre mulheres fisicamente
ativas e com forte trabalho abdominal, as hérnias umbilicais e epigástricas
tendem a aparecer com maior relevância clínica.
Sintomas
e tratamento
Os sintomas costumam incluir uma protuberância visível ou palpável no abdome ou na virilha, que pode aumentar ao tossir ou fazer esforço. Também é comum dor ao levantar peso e sensação de pressão local. Em alguns casos, há apenas desconforto leve.
Quando provoca dor intensa ou há risco de encarceramento - situação em que o conteúdo herniado fica preso para fora do músculo - o tratamento cirúrgico é indicado com a máxima urgência. Atualmente, a cirurgia é a única forma definitiva de correção.
O procedimento pode ser feito com uso de tela cirúrgica para reforço da musculatura, por sutura direta dos tecidos ou por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que costuma proporcionar recuperação mais rápida. O Sistema Único de Saúde oferece essas abordagens tanto em cirurgias eletivas quanto em atendimentos de emergência.
Especialistas ressaltam que a prática de atividade física não deve ser evitada, mas orientada. Treinos acompanhados por profissionais, fortalecimento equilibrado da musculatura do core e avaliação médica diante de dor persistente são medidas importantes para reduzir riscos e garantir que o preparo para o carnaval não comprometa a saúde.
Conheça
mais o trabalho do Dr. Christiano Claus, cirurgião do aparelho digestivo
dedicado ao tratamento das hérnias abdominais, nas redes sociais.
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