Especialista reforça a importância da prevenção diante do crescimento de casos de sífilis, HIV e hepatites virais no período de folia
Com blocos lotados, festas prolongadas e maior circulação de pessoas em todo o
país, o Carnaval também traz à tona um desafio de saúde pública: o aumento do
risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Dados do Ministério da
Saúde indicam que períodos de grandes aglomerações costumam ser acompanhados
por um crescimento na exposição a essas doenças, o que reforça a necessidade de
informação e cuidados básicos.
Ao longo dos dias de folia, a combinação de consumo de álcool, encontros ocasionais e relaxamento das medidas de prevenção cria um cenário propício para a transmissão de ISTs como sífilis, HIV, gonorreia, clamídia e hepatites B e C. Muitas dessas infecções podem ser assintomáticas em um primeiro momento, o que contribui para a disseminação silenciosa do vírus ou bactéria.
Segundo Lidiane
Reis, coordenadora do curso de Enfermagem da Universidade Veiga de Almeida, a
desinformação ainda é um dos principais obstáculos no combate às ISTs:
“Diferente do senso comum, as Infecções Sexualmente Transmissíveis
frequentemente não apresentam manifestações clínicas imediatas. Essa natureza
assintomática favorece a transmissão involuntária por indivíduos que
desconhecem sua condição sorológica”, explica.
A orientação dos
profissionais de saúde é procurar um médico ou uma unidade de saúde sempre que
houver relação sexual desprotegida, rompimento do preservativo ou contato
considerado de risco. Além disso, sinais como corrimentos, feridas na região
genital, ardência ao urinar, manchas na pele, ínguas ou febre sem causa
aparente também exigem avaliação imediata.
“Mesmo sem
sintomas, quem passou por uma situação de risco deve procurar uma Unidade
Básica de Saúde ou um CTA (centro de testagem e aconselhamento) para
orientação. O SUS oferece gratuitamente testes rápidos para HIV, sífilis e
hepatites B e C, com resultados em até 30 minutos. Após uma possível exposição,
a testagem é essencial. O Ministério da Saúde recomenda buscar atendimento
imediato para avaliação, inclusive para o uso da PEP (Profilaxia Pós-Exposição)
em até 72 horas, além da realização de testes rápidos”, destaca Lidiane. Em
alguns casos, o atendimento precoce permite iniciar tratamentos ou medidas de
prevenção que reduzem significativamente o risco de complicações e transmissão.
A sífilis, por
exemplo, tem apresentado crescimento expressivo nos últimos anos no Brasil,
enquanto o HIV segue como uma preocupação constante, especialmente entre jovens
adultos. Já as hepatites virais, apesar de menos lembradas, também podem ser
transmitidas por via sexual e causar danos graves ao fígado quando não
diagnosticadas precocemente.
Para a
especialista, o Carnaval deve ser encarado como um momento de celebração, mas
também de responsabilidade: “A prevenção envolve o uso da camisinha (masculina
ou feminina) em todas as relações e a estratégia de Prevenção Combinada, que
associa diferentes estratégias de prevenção ao HIV, em uma perspectiva voltada
à saúde integral das pessoas. O SUS disponibiliza gratuitamente testes rápidos,
além de orientações e cuidados em todas as Unidades Básicas de Saúde”, afirma a
professora.
De acordo com a
professora, o acesso rápido à informação e aos serviços de saúde
pode fazer toda a diferença após uma situação de risco. “Ao se expor a uma
situação de risco, a orientação é não esperar: a Profilaxia Pós-Exposição (PEP)
é uma medida de urgência e deve ser iniciada em até 72 horas. Já para quem
busca proteção contínua, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma alternativa
eficaz. A recomendação é procurar uma unidade de saúde, utilizar preservativo e
aproveitar a festa com responsabilidade. O Sistema Único de Saúde (SUS) garante
atendimento gratuito e sigiloso”, diz.
Além disso,
campanhas públicas costumam intensificar a distribuição de preservativos e
materiais informativos durante o período carnavalesco, justamente para reduzir
os impactos da folia na saúde da população. A recomendação dos profissionais é
clara: aproveitar a festa sem abrir mão de cuidados que fazem diferença não só
durante o Carnaval, mas ao longo de todo o ano.
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