Dias seguidos de festas, blocos lotados e encontros
que se estendem até a madrugada transformam o Carnaval em um dos períodos de
maior consumo de álcool no Brasil. A ideia de que “é só nessa época” reforça a
percepção de que exagerar na bebida é pontual e inofensivo. No entanto, especialistas
alertam que mesmo o chamado “beber socialmente” pode gerar efeitos cumulativos
sobre sono, humor e capacidade de concentração, especialmente quando acontece
por vários dias consecutivos.
Do ponto de vista biológico, o álcool atua diretamente no sistema nervoso central e pode levar à dependência, especialmente quando associado a fatores emocionais e culturais. De acordo com Karen Scavacini, psicóloga, pesquisadora e fundadora do Instituto Vita Alere, o impacto do álcool se manifesta antes de sinais visíveis de embriaguez, afetando sono, humor, níveis de ansiedade e a capacidade de concentração. “Não é apenas a quantidade ingerida que importa, mas também a frequência e o contexto em que a bebida é consumida. Quando o álcool passa a ser usado como mecanismo para aliviar estresse ou lidar com emoções, mesmo que apenas em festas ou finais de semana, isso já configura um padrão de risco”, explica.
Beber está profundamente ligado a fatores culturais. É socialmente esperado em celebrações, encontros com amigos e até momentos de sofrimento, como se a bebida precisasse integrar todas as experiências emocionais. Durante o Carnaval, essa expectativa se intensifica e pode tornar menos evidente quando o consumo deixa de ser ocasional e passa a cumprir uma função emocional, como aliviar ansiedade social ou facilitar interações.
Mesmo grupos que, em geral, bebem menos, como a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012), não estão totalmente livres dos riscos. Estudos mostram que essa geração consome cerca de 20% menos álcool que os millennials, com 39% bebendo apenas ocasionalmente e 21,5% abstendo-se completamente. Muitos adotam hábitos de moderação ou evitam álcool por motivos de saúde e bem-estar, preferindo alternativas não alcoólicas e encontros focados em experiências ou atividades físicas. Ainda assim, a exposição a dias consecutivos de festas pode gerar efeitos cumulativos sobre sono, humor e concentração, mostrando que o contexto social intenso ainda exerce grande influência sobre o consumo de álcool.
Entre os fatores que explicam o menor consumo da Geração Z estão maior consciência sobre saúde física e mental, compreensão do álcool como depressor do sistema nervoso central, impacto das redes sociais na socialização e restrições financeiras. Diferentes padrões de gênero também aparecem: homens tendem a beber mais frequentemente que mulheres da mesma faixa etária.
Estudos indicam que não existe uma dose totalmente segura de álcool, e o consumo mesmo moderado, repetido ao longo de dias consecutivos de festa, pode afetar sono, humor, níveis de ansiedade e capacidade de concentração, muitas vezes sem percepção direta da relação com a bebida.
Mesmo jovens da Geração Z, que em geral bebem menos, não estão totalmente imunes: dias intensos de Carnaval podem gerar efeitos cumulativos sobre corpo e mente. Por isso, especialistas do Instituto Vita Alere reforçam que atenção, moderação e consciência do contexto social são essenciais para reduzir riscos e preservar a saúde mental durante as celebrações.
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