Para Renata Seldin, mentora de carreiras com 25 anos de experiência em gestão, celebrar a data não é suficiente para provocar mudanças verdadeiras no mercado de trabalho
O Dia das Mulheres nas empresas costuma ser mais
uma data para romantizar a força feminina do que um momento de reflexão
sobre como gerar mudanças reais em prol da igualdade de gênero no mercado de
trabalho. As profissionais recebem flores, brindes e chocolates, enquanto
continuam a exercer funções que levam à sobrecarga física e
emocional.
Para uma transformação efetiva, é
necessário estabelecer metas alcançáveis e claras em busca do
bem-estar feminino na rotina empresarial – somente assim o Dia das Mulheres
pode se tornar um verdadeiro marco para o reconhecimento dos
direitos das profissionais.
Com esse olhar, a mentora de carreiras com 25
anos de experiência como executiva, doutora em Gestão da Inovação,
palestrante sobre igualdade de gênero e autora de “As perdas no caminho”,
Renata Seldin, apresenta seis passos para que as empresas
proporcionem mudanças efetivas no dia a dia das mulheres:
1. Reconhecerque igualdade não
é tratar todo mundo igual
Igualdade de gênero não é esperar que mulheres se
adaptem a modelos pensados por e para homens. Quando a empresa confunde
igualdade com homogeneização, perpetua a desigualdade e ainda chama isso de
meritocracia.
2. Olhar para os
dados negligenciados
Salários, promoções, avaliações de desempenho,
desligamentos, licenças, adoecimentos. Sem dados, não há diagnóstico. Sem
diagnóstico, qualquer ação no Dia das Mulheres vira atuação para dizer que algo
foi feito.
3. Pararde romantizar a
resiliência feminina
Mulheres não precisam ser mais fortes. Precisam de
estruturas menos violentas. Celebrar quem “aguenta mais” é uma forma
elegante de normalizar jornadas abusivas, sobrecarga emocional e
silenciamento.
4. Tratarsaúde mental como
tema organizacional
Adoecimento não é falha pessoal. É reflexo da
cultura da empresa. Burnout, ansiedade e exaustão entre mulheres têm
relação direta com expectativas irreais, dupla jornada, vieses de avaliação e
ambientes hostis. Oferecer meditação, aplicativo de ginástica ou psicólogo
na empresa sem rever metas e cobranças é cinismo institucional.
5. Incluirhomens na conversa,
mas não no protagonismo
Igualdade de gênero não é um “tema das mulheres”. É
um tema social. Fala de poder, distribuição de oportunidades e decisões
organizacionais. Homens precisam ser parte da mudança, especialmente os
que ocupam cargos de liderança.
6. Trocara campanha por
compromissos públicos e mensuráveis
Metas claras. Prazos definidos. Pessoas
responsáveis. Transparência. O Dia das Mulheres não deve ser o auge da
pauta, mas um lembrete do quanto ainda falta fazer nos outros 364 dias do ano.
Instagram: @renata_seldin

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