Pesquisar no Blog

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O mercado pet amadureceu, mas parte da gestão ainda ficou no passado


Opinião 

 

O mercado pet brasileiro cresceu, se sofisticou e se tornou altamente competitivo, mas uma parcela relevante dos empresários ainda administra como se estivesse à frente de um negócio simples e informal. Essa é a principal distorção do setor atualmente. Enquanto o segmento avança em escala, complexidade e exigência, muitas empresas continuam tomando decisões no improviso, sem dados concretos, processos estruturados ou visão estratégica. A tese é clara: o mercado amadureceu em ritmo mais acelerado do que a gestão de parte dos negócios.

Essa transformação aparece de forma objetiva nos números. Segundo o Panorama do Mercado Pet em 2024 e Tendências para 2025, divulgado pelo SindPetShop com base em dados do Instituto Pet Brasil e da Abinpet, o setor faturou cerca de R$ 77 bilhões em 2024, com crescimento aproximado de 12% em relação ao ano anterior. O segmento de pet food lidera esse avanço, movimentando R$ 42,3 bilhões, o que evidencia um mercado de grande escala e alta competitividade. Além disso, a digitalização acelerou o nível de complexidade. Levantamento da Consulog aponta que 40,6% das vendas do setor já ocorrem por canais online, exigindo logística estruturada, controle de estoque e integração entre físico e digital.

Apesar desse avanço estrutural, o problema é que a gestão não acompanhou esse salto. Dados divulgados pelo portal Contábeis, com base na PNAD Contínua e análises do Sebrae, mostram que 66,4% dos pequenos negócios brasileiros ainda operam na informalidade. No setor pet, essa informalidade se traduz em dificuldades práticas: crédito limitado, impossibilidade de investir em expansão, problemas tributários e dificuldade de contratar profissionais qualificados. Além disso, impede que o negócio cresça para franquias, redes ou operações multicanais, limitando o alcance e competitividade do empreendimento.

Embora pareça que no mercado pet a proximidade com o cliente e a paixão pelos animais compensariam a falta de método, isso não é suficiente. Segundo o Sebrae, o próprio crescimento do setor ampliou a demanda por serviços especializados, como creches, hotéis e cuidados personalizados, que exigem padronização, gestão de pessoas e controle operacional. Negócios que não padronizam procedimentos e serviços correm o risco de comprometer a qualidade do atendimento, prejudicar a reputação da marca e perder clientes para concorrentes mais organizados.

Estudos do Sebrae mostram que micro e pequenas empresas enfrentam desafios significativos de gestão, especialmente na área financeira, incluindo planejamento, controle de fluxo de caixa e análise de indicadores, que impactam sua capacidade de converter o crescimento de faturamento em lucro sustentável. Segundo análises da própria instituição, deficiências em planejamento e gestão estão entre os principais fatores associados ao desempenho inferior de muitos pequenos negócios. Além disso, dados do Sebrae com base na PNAD Contínua do IBGE indicam que cerca de 20 milhões de brasileiros atuam no empreendedorismo informal, muitas vezes sem estrutura, processos ou indicadores que favoreçam a escalabilidade dos negócios e a profissionalização da gestão.

A indústria pet já não é mais um espaço movido apenas pela paixão pelos animais ou pelo instinto empreendedor. Hoje, o sucesso depende de gestão estruturada, análise de dados e estratégias bem definidas. A dedicação continua sendo um fator importante, mas não substitui planejamento financeiro, processos organizados e decisões baseadas em informação concreta. Quem persistir em administrar como há uma década corre o risco de ficar à margem de um setor que cresce rapidamente e se profissionaliza a cada dia. Em um mercado que amadureceu, improviso deixou de ser um diferencial e passou a representar um risco real para quem deseja se consolidar e prosperar.

*Ricardo de Oliveira é especialista em negócios pet e fundador da Fórmula Pet Shop, empresa referência em capacitação e consultoria estratégica para pet shops em todo o Brasil. Com mais de 10 anos de atuação no setor, Ricardo já acompanhou a inauguração de mais de 70 pet shops, orientando desde a escolha do ponto comercial até o mix de produtos, layout e estratégias de marketing. À frente da Fórmula, já capacitou mais de 8.700 empreendedores por meio de mentorias, treinamentos e consultorias, se consolidando como uma das principais vozes na profissionalização do varejo pet nacional. Sua experiência prática e visão de negócio ajudam empreendedores a saírem do amadorismo e construírem empresas lucrativas e sustentáveis.

  

Ricardo de Oliveira - CEO do Fórmula Pet Shop, sócio e diretor de expansão da Bable Pet, especialista do mercado pet.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados