Opinião
O mercado pet brasileiro
cresceu, se sofisticou e se tornou altamente competitivo, mas uma parcela
relevante dos empresários ainda administra como se estivesse à frente de um
negócio simples e informal. Essa é a principal distorção do setor atualmente.
Enquanto o segmento avança em escala, complexidade e exigência,
muitas empresas continuam tomando decisões no improviso, sem dados concretos,
processos estruturados ou visão estratégica. A tese é clara: o mercado
amadureceu em ritmo mais acelerado do que a gestão de parte dos negócios.
Essa transformação
aparece de forma objetiva nos números. Segundo o Panorama do Mercado Pet em
2024 e Tendências para 2025, divulgado pelo SindPetShop com base em dados do
Instituto Pet Brasil e da Abinpet, o setor faturou cerca de R$ 77 bilhões em
2024, com crescimento aproximado de 12% em relação ao ano anterior. O segmento
de pet food lidera esse avanço, movimentando R$ 42,3 bilhões, o que evidencia
um mercado de grande escala e alta competitividade. Além disso, a digitalização
acelerou o nível de complexidade. Levantamento da Consulog aponta que 40,6% das
vendas do setor já ocorrem por canais online, exigindo logística estruturada,
controle de estoque e integração entre físico e digital.
Apesar desse avanço
estrutural, o problema é que a gestão não acompanhou esse salto. Dados
divulgados pelo portal Contábeis, com base na PNAD Contínua e análises do
Sebrae, mostram que 66,4% dos pequenos negócios brasileiros ainda operam na
informalidade. No setor pet, essa informalidade se traduz em dificuldades
práticas: crédito limitado, impossibilidade de investir em expansão, problemas
tributários e dificuldade de contratar profissionais qualificados. Além disso,
impede que o negócio cresça para franquias, redes ou operações multicanais,
limitando o alcance e competitividade do empreendimento.
Embora pareça que no
mercado pet a proximidade com o cliente e a paixão pelos animais compensariam a
falta de método, isso não é suficiente. Segundo o Sebrae, o próprio crescimento
do setor ampliou a demanda por serviços especializados, como creches, hotéis e
cuidados personalizados, que exigem padronização, gestão de pessoas e controle
operacional. Negócios que não padronizam procedimentos e serviços correm o
risco de comprometer a qualidade do atendimento, prejudicar a reputação da
marca e perder clientes para concorrentes mais organizados.
Estudos do Sebrae
mostram que micro e pequenas empresas enfrentam desafios significativos de
gestão, especialmente na área financeira, incluindo planejamento, controle de
fluxo de caixa e análise de indicadores, que impactam sua capacidade de
converter o crescimento de faturamento em lucro sustentável. Segundo análises
da própria instituição, deficiências em planejamento e gestão estão entre os
principais fatores associados ao desempenho inferior de muitos pequenos
negócios. Além disso, dados do Sebrae com base na PNAD Contínua do IBGE indicam
que cerca de 20 milhões de brasileiros atuam no empreendedorismo informal,
muitas vezes sem estrutura, processos ou indicadores que favoreçam a
escalabilidade dos negócios e a profissionalização da gestão.
A indústria pet já não é
mais um espaço movido apenas pela paixão pelos animais ou pelo instinto
empreendedor. Hoje, o sucesso depende de gestão estruturada, análise de dados e
estratégias bem definidas. A dedicação continua sendo um fator importante, mas
não substitui planejamento financeiro, processos organizados e decisões
baseadas em informação concreta. Quem persistir em administrar como há uma
década corre o risco de ficar à margem de um setor que cresce rapidamente e se
profissionaliza a cada dia. Em um mercado que amadureceu, improviso deixou de
ser um diferencial e passou a representar um risco real para quem deseja se
consolidar e prosperar.
*Ricardo de Oliveira é
especialista em negócios pet e fundador da Fórmula Pet Shop, empresa referência
em capacitação e consultoria estratégica para pet shops em todo o Brasil. Com
mais de 10 anos de atuação no setor, Ricardo já acompanhou a inauguração de
mais de 70 pet shops, orientando desde a escolha do ponto comercial até o mix
de produtos, layout e estratégias de marketing. À frente da Fórmula, já
capacitou mais de 8.700 empreendedores por meio de mentorias, treinamentos e
consultorias, se consolidando como uma das principais vozes na
profissionalização do varejo pet nacional. Sua experiência prática e visão de
negócio ajudam empreendedores a saírem do amadorismo e construírem empresas
lucrativas e sustentáveis.
Ricardo de Oliveira - CEO do Fórmula Pet Shop, sócio e
diretor de expansão da Bable Pet, especialista do mercado pet.
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