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sábado, 31 de janeiro de 2026

Professores podem ser os primeiros a identificar sofrimento emocional em adolescentes, aponta cartilha do Instituto Vita Alere

Material gratuíto reúne sinais de alerta, orientações práticas e caminhos para apoiar educadores na prevenção do agravamento do sofrimento psíquico

 

Em um contexto em que muitos jovens não chegam espontaneamente aos serviços de saúde, mas estão diariamente nas salas de aula, o instituto de pesquisa em saúde mental, Vita Alere lança a cartilha digital Saúde Mental de Adolescentes para Educadores, voltada a professores, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, gestores escolares e demais profissionais da educação de escolas públicas e privadas de todo o país. 

O material, que poderá ser baixado gratuitamente no site do mapa saúde mental, foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar. “Essa cartilha faz parte da estratégia do Vita Alere de democratizar e ampliar o acesso a conteúdos sobre saúde mental, confiáveis e baseados em evidências para todos, e neste caso, profissionais de educação, sem exercer uma função terapêutica”, explica Karen Scavacini, doutora em psicologia pela USP, fundadora do Instituto Vita Alere e coordenadora do conteúdo. 

Essa é a terceira cartilha lançada pelo Instituto, que no ano passado distribuiu materiais sobre “Saúde Mental para Crianças” e “Saúde Mental nas Empresas”. Foram quase dois mil, sendo mais de 1.300 só do guia voltado ao ambiente corporativo.
 

O que observar: sinais de sofrimento emocional no cotidiano escolar
 

A cartilha orienta educadores a reconhecerem mudanças que, quando persistentes ou combinadas, podem indicar sofrimento emocional, como:

  • alterações bruscas de humor, irritabilidade ou apatia;
  • isolamento social e afastamento de colegas;
  • queda repentina no rendimento escolar ou abandono de atividades;
  • mudanças no sono, na alimentação ou no autocuidado;
  • falas recorrentes sobre desesperança, morte ou desejo de desaparecer;
  • comportamentos de risco, incluindo autolesão.

Como agir, e até onde vai o papel da escola?“É importante entender quais são os limites éticos e técnicos da atuação dos educadores, destacando que professores não devem realizar diagnósticos nem guardar segredos em situações de risco”, explica Karen. Entretando, a especialista afirma que esses profissionais têm um papel central na promoção de ambientes emocionalmente seguros, na mediação de conflitos, no enfrentamento do bullying, da discriminação e da violência, e no encaminhamento adequado aos serviços de saúde e assistência. 

Entre os caminhos de apoio indicados estão as Unidades Básicas de Saúde (UBS), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPSi), que podem ser acessados através do mapa saude mental, além dos números dos serviços de emergência e organizações que possuem canais digitais especializados em saúde mental e prevenção do suicídio. 

Para Karen, a escola ocupa uma posição estratégica na prevenção do suicídio entre crianças e adolescentes. “Muitos adolescentes não chegam aos serviços de saúde, mas chegam aos professores. A cartilha foi criada para oferecer linguagem, sinais, limites de atuação e rotas de cuidado, sem sobrecarregar os educadores. Uma escuta atenta, a validação do sofrimento e um encaminhamento responsável podem mudar trajetórias e reduzir riscos”, afirma.


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