Especialista
em comportamento animal alerta para riscos físicos e emocionais e orienta
tutores sobre como garantir segurança e bem-estar dos pets durante o Carnaval
Carnaval é sinônimo de alegria, música e aglomeração para os humanos, mas para cães e gatos pode representar um período de alto risco. Barulho excessivo, calor intenso, multidões e mudanças bruscas na rotina estão entre os principais fatores que afetam o bem-estar físico e emocional dos animais. Segundo Cleber Santos, especialista em comportamento animal e CEO do Grupo Comportpet, o Carnaval já é a segunda data mais estressante para os pets, perdendo apenas para o Ano Novo por conta dos fogos de artifício.
“O tutor precisa entender que o que é diversão para ele pode ser uma verdadeira tortura para o animal. Falta empatia em muitas situações. O pet não escolhe estar ali”, afirma o especialista.
A seguir, Cleber
lista 5 sinais claros de que seu pet não deve ir ao bloco,
além de orientações práticas para protegê-lo do barulho e da folia.
1.
Sensibilidade extrema a sons altos
“Os cães possuem
uma audição muito mais aguçada do que a humana. Apitos, caixas de som, batuques
e gritos comuns nos bloquinhos podem causar estresse intenso, medo e até danos
auditivos. Animais que já apresentam reações negativas a fogos de artifício ou
trovões estão entre os mais vulneráveis, pois entram em estado de alerta muito
rapidamente. Mesmo locais próximos aos blocos não são indicados. O animal não
consegue identificar a origem do barulho, não entende que aquilo é temporário e
passa a viver em alerta constante, o que impacta diretamente o emocional e o
comportamento”, explica Cleber.
2.
Sinais de estresse, medo ou tentativa de fuga
“Tremores,
respiração ofegante, choros, vocalizações excessivas, agressividade repentina
ou tentativas de se esconder são sinais claros de sobrecarga emocional. Em
ambientes cheios, com muitas pessoas e estímulos, o instinto de fuga pode ser
acionado. Fuga não é desobediência, é desespero. Muitos acidentes graves
acontecem porque o pet está tentando apenas sobreviver ao medo, correndo risco
de atropelamentos, quedas ou ferimentos ao tentar escapar por portas, portões
ou janelas”, alerta.
3.
Risco elevado de hipertermia e desidratação
“Os cães têm, em
média, dois graus a mais de temperatura corporal do que os humanos. O calor
excessivo, somado ao asfalto quente, à aglomeração e à dificuldade de acesso à
água, pode levar rapidamente à hipertermia e à desidratação. Se está quente
para você, está ainda pior para o pet. Algumas raças, como o Spitz Alemão,
podem ter queda de glicose, desmaios e até convulsões em situações de calor
intenso associado ao estresse emocional”, explica o especialista.
4.
Exposição a perigos físicos invisíveis
“Vidros quebrados,
lixo no chão, restos de comida, bebidas alcoólicas derramadas e objetos
pontiagudos fazem parte dos riscos invisíveis do Carnaval de rua. Além disso, o
excesso de pessoas aumenta o risco de pisoteamento e machucados. Fantasias,
adereços e acessórios também podem causar dermatites, feridas, assaduras e
desconforto térmico. Muitas vezes, o tutor só percebe o problema quando o dano
já está feito”, pontua Cleber.
5.
Mudanças bruscas na rotina e excesso de pessoas
“Reuniões com
muitos amigos e familiares, casas cheias e movimentação fora do comum afetam
diretamente o emocional dos pets. Animais que vivem em ambientes tranquilos
podem se sentir acuados, inseguros ou reagir de forma defensiva ao tentar proteger
o território. Muitas casas ficam vazias o ano inteiro e, de repente, recebem 20
pessoas para uma festa de carnaval, por exemplo. O animal não está preparado
emocionalmente para essa mudança brusca de rotina e estímulos, o que pode gerar
ansiedade, medo e comportamentos indesejados”, diz.
6.
Perigo de ingestão de alimentos durante os blocos
“Em bloquinhos de
Carnaval, é comum haver restos de comida no chão, além de pessoas oferecendo
petiscos sem autorização do tutor. Alimentos como chocolate, doces, carnes
temperadas, ossos, frituras e até bebidas alcoólicas podem ser ingeridos
rapidamente pelo pet, causando vômitos, diarreia, intoxicação e, em casos mais
graves, risco de vida. O animal come por impulso, não por escolha. Por isso,
levar o pet para ambientes com comida espalhada representa um risco real e
imediato à saúde”, alerta.
7.
Risco de ferimentos com objetos nas ruas
“O chão dos blocos
costuma ficar coberto de vidro quebrado, latinhas, tampinhas, espetinhos e
outros objetos cortantes. Mesmo com atenção, é impossível controlar todos os
passos do animal em meio à multidão. Cortes nas patas, perfurações, ferimentos
na boca e infecções são ocorrências comuns nesse tipo de ambiente. Muitas
lesões só são percebidas horas depois, quando o pet já está mancando ou
sentindo dor”, explica o especialista.
Como
proteger o pet durante o Carnaval
A recomendação do especialista é direta: se a ideia for curtir a folia fora de casa, o mais seguro é deixar o pet em um ambiente preparado para isso. Creches, hotéis pet ou serviços de day use estruturados oferecem supervisão, rotina e cuidados adequados, reduzindo significativamente o risco de estresse, acidentes e sobrecarga emocional. Já para quem vai passar o Carnaval em casa, alguns cuidados simples fazem toda a diferença.
“Manter portas e janelas fechadas ajuda a reduzir os ruídos externos e evita fugas, enquanto abafar o som da rua com televisão ligada, música ambiente ou até o barulho do ventilador contribui para diminuir o impacto dos estímulos sonoros. Também é importante criar um espaço seguro para o pet, com caminhas, brinquedos e água sempre disponíveis, permitindo que ele se recolha quando se sentir ameaçado", comenta.
“O Carnaval pode
ser divertido para todos, mas só quando o tutor entende que o bem-estar do pet
vem antes da fantasia ou da foto. Amor também é saber deixar o animal em paz e
fazer escolhas responsáveis”, finaliza Cleber Santos.
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