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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Sente coceira e falta de ar ao se aproximar de gatos? A resposta pode ser alergia, mas tem solução

Especialista esclarece como identificar os sintomas respiratórios e cutâneos, indicando maneiras de lidar com a condição sem prejudicar os pets 

 

Imagine um dia comum em que, ao visitar a casa de um amigo que tem gato, o contato inicial parece inofensivo. Com o passar do tempo, no entanto, surgem os primeiros sinais: espirros repetidos, nariz congestionado, coceira nos olhos e dificuldade para respirar. Ao deixar o ambiente, os sintomas diminuem, reforçando a ideia de que a convivência com gatos seria incompatível com quadros alérgicos.

Essa leitura, apesar de comum, não corresponde exatamente ao que ocorre do ponto de vista imunológico. A alergia associada aos gatos não está relacionada ao pelo em si, mas à exposição a proteínas específicas produzidas pelo próprio organismo do animal. A principal delas é a Fel d 1, presente na saliva, na urina e nas glândulas sebáceas dos felinos. Durante o hábito natural de se lamber, o gato espalha essa substância por toda a superfície do corpo.

Após a secagem, as partículas de Fel d 1 se desprendem com facilidade e permanecem suspensas no ar ou depositadas em superfícies como sofás, cortinas, tapetes e roupas. Por isso, a reação alérgica não exige contato direto com o animal e pode se manifestar mesmo em ambientes nos quais o gato não está presente naquele momento.

Segundo Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop, rede especializada no desenvolvimento de itens hipoalergênicos, a associação direta entre alergia e pelo dificulta o controle adequado do quadro. “O pelo funciona apenas como um vetor. O que desencadeia a resposta imunológica é a Fel d 1, uma proteína microscópica e altamente dispersível, que entra em contato com as vias respiratórias e a pele das pessoas sensibilizadas”, explica.

De acordo com a profissional, a intensidade dos sintomas varia conforme o grau de sensibilização e o tempo de exposição. Em alguns indivíduos, predominam manifestações respiratórias, como espirros, congestão nasal, chiado no peito e falta de ar. Em outros, surgem reações cutâneas, incluindo prurido, vermelhidão e irritação ocular. Diante dessa diversidade de sinais, o diagnóstico médico é essencial para diferenciar alergias de outras condições respiratórias ou dermatológicas.

Outro equívoco frequente é considerar o afastamento do animal como única alternativa após a confirmação da alergia. Em quadros leves a moderados, o manejo adequado envolve a redução da carga alergênica no ambiente, associada a cuidados contínuos com o próprio pet. Nesse contexto, a saúde da pele do gato exerce papel central.

 

Como evitar os sintomas

“A pele funciona como uma barreira fisiológica. Quando está ressecada ou sensibilizada, ocorre maior liberação de resíduos no ambiente, favorecendo a dispersão da Fel d 1. Em contrapartida, uma pele íntegra e bem hidratada contribui para a diminuição desse processo”, esclarece Julinha. A especialista pontua que, atualmente, é possível encontrar no mercado de healthcare formulações dermatológicas seguras para os gatos, que auxiliam na restauração da barreira cutânea, na retenção de água e na redução da descamação.

Ingredientes como ceramidas participam da recomposição dessa barreira, enquanto ativos vegetais com propriedades calmantes e que auxiliam na desinflamação ajudam a controlar irritações e desconfortos cutâneos. “O cuidado dermatológico contínuo do animal não se limita ao bem-estar individual. Ele interfere diretamente na qualidade do ambiente compartilhado e na exposição do tutor às proteínas alergênicas”, ressalta Julinha.

A higienização do pet também requer atenção. O uso de agentes de limpeza suaves preserva o equilíbrio fisiológico da pele e evita o ressecamento excessivo, condição que tende a intensificar a liberação de partículas alergênicas. A regularidade desses cuidados, associada à escolha criteriosa das formulações, favorece resultados progressivos ao longo do tempo.

Ainda assim, o acompanhamento médico permanece indispensável. A avaliação profissional permite estabelecer a gravidade da alergia, orientar o tratamento adequado e definir limites seguros para o convívio. Em casos de hipersensibilidade mais acentuada, podem existir restrições mais severas, que devem ser avaliadas individualmente.

 

Alergoshop
https://alergoshop.com.br/

 

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