Especialista
esclarece como identificar os sintomas respiratórios e cutâneos, indicando
maneiras de lidar com a condição sem prejudicar os pets
Imagine um dia comum em que, ao visitar a casa de
um amigo que tem gato, o contato inicial parece inofensivo. Com o passar do
tempo, no entanto, surgem os primeiros sinais: espirros repetidos, nariz
congestionado, coceira nos olhos e dificuldade para respirar. Ao deixar o
ambiente, os sintomas diminuem, reforçando a ideia de que a convivência com
gatos seria incompatível com quadros alérgicos.
Essa leitura, apesar de comum, não corresponde
exatamente ao que ocorre do ponto de vista imunológico. A alergia associada aos
gatos não está relacionada ao pelo em si, mas à exposição a proteínas
específicas produzidas pelo próprio organismo do animal. A principal delas é a
Fel d 1, presente na saliva, na urina e nas glândulas sebáceas dos felinos. Durante
o hábito natural de se lamber, o gato espalha essa substância por toda a
superfície do corpo.
Após a secagem, as partículas de Fel d 1 se
desprendem com facilidade e permanecem suspensas no ar ou depositadas em
superfícies como sofás, cortinas, tapetes e roupas. Por isso, a reação alérgica
não exige contato direto com o animal e pode se manifestar mesmo em ambientes
nos quais o gato não está presente naquele momento.
Segundo Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da
Alergoshop, rede especializada no desenvolvimento de itens hipoalergênicos, a
associação direta entre alergia e pelo dificulta o controle adequado do quadro.
“O pelo funciona apenas como um vetor. O que desencadeia a resposta imunológica
é a Fel d 1, uma proteína microscópica e altamente dispersível, que entra em
contato com as vias respiratórias e a pele das pessoas sensibilizadas”,
explica.
De acordo com a profissional, a intensidade dos
sintomas varia conforme o grau de sensibilização e o tempo de exposição. Em
alguns indivíduos, predominam manifestações respiratórias, como espirros,
congestão nasal, chiado no peito e falta de ar. Em outros, surgem reações
cutâneas, incluindo prurido, vermelhidão e irritação ocular. Diante dessa
diversidade de sinais, o diagnóstico médico é essencial para diferenciar
alergias de outras condições respiratórias ou dermatológicas.
Outro equívoco frequente é considerar o afastamento
do animal como única alternativa após a confirmação da alergia. Em quadros
leves a moderados, o manejo adequado envolve a redução da carga alergênica no
ambiente, associada a cuidados contínuos com o próprio pet. Nesse contexto, a
saúde da pele do gato exerce papel central.
Como evitar os sintomas
“A pele funciona como uma barreira fisiológica.
Quando está ressecada ou sensibilizada, ocorre maior liberação de resíduos no
ambiente, favorecendo a dispersão da Fel d 1. Em contrapartida, uma pele
íntegra e bem hidratada contribui para a diminuição desse processo”, esclarece
Julinha. A especialista pontua que, atualmente, é possível encontrar no mercado
de healthcare
formulações dermatológicas seguras para os gatos, que auxiliam na restauração
da barreira cutânea, na retenção de água e na redução da descamação.
Ingredientes como ceramidas participam da
recomposição dessa barreira, enquanto ativos vegetais com propriedades
calmantes e que auxiliam na desinflamação ajudam a controlar irritações e
desconfortos cutâneos. “O cuidado dermatológico contínuo do animal não se
limita ao bem-estar individual. Ele interfere diretamente na qualidade do
ambiente compartilhado e na exposição do tutor às proteínas alergênicas”,
ressalta Julinha.
A higienização do pet também requer atenção. O uso
de agentes de limpeza suaves preserva o equilíbrio fisiológico da pele e evita
o ressecamento excessivo, condição que tende a intensificar a liberação de
partículas alergênicas. A regularidade desses cuidados, associada à escolha
criteriosa das formulações, favorece resultados progressivos ao longo do tempo.
Ainda assim, o acompanhamento médico permanece
indispensável. A avaliação profissional permite estabelecer a gravidade da
alergia, orientar o tratamento adequado e definir limites seguros para o
convívio. Em casos de hipersensibilidade mais acentuada, podem existir
restrições mais severas, que devem ser avaliadas individualmente.
Alergoshop
https://alergoshop.com.br/
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