O Carnaval é um dos eventos mais aguardados pelos brasileiros e, nos últimos anos, tornou-se cada vez mais comum que tutores levem seus animais de estimação para blocos de rua, eventos festivos e até desfiles voltados ao público pet. Apesar de parecer inofensivo incluir os animais na celebração, essas programações exigem atenção redobrada, pois podem representar riscos significativos à saúde e ao bem-estar dos animais.
A exposição prolongada ao calor é um dos principais fatores de risco nesses eventos, especialmente durante desfiles e apresentações. Cães e gatos não suam como os seres humanos, o que dificulta a regulação da temperatura corporal e pode levar à hipertermia (aumento da temperatura corporal), condição ainda mais grave em filhotes, idosos e raças braquicefálicas (de focinho curto). Além disso, o barulho intenso e a grande circulação de pessoas podem causar estresse sensorial, desencadeando ansiedade, tentativas de fuga e até comportamentos agressivos.
Sinais como ofegação excessiva, língua arroxeada, vômitos ou desorientação indicam emergência. Na presença de qualquer um desses sintomas, o tutor deve retirar o animal imediatamente do local e buscar atendimento veterinário.
No entanto, com o aumento da demanda de eventos
para pets, surgiram bloquinhos considerados “pet friendly”, geralmente menores e com
estrutura mais adequada para os animais. Nesses casos, estamos nos referindo
principalmente aos cães, já que gatos se estressam com facilidade e não é
recomendado levá-los a esse tipo de evento. Ainda assim, mesmo nesses espaços,
a participação do pet deve ser avaliada com cautela. A seguir, destaco alguns
cuidados essenciais ao levar animais para programações de Carnaval,
especialmente aquelas que envolvem fantasias e desfiles:
Pets vacinados e
vermifugados
O contato com outros animais e com o público em
geral aumenta o risco de transmissão de doenças. Por isso, é fundamental que o
pet esteja com a vacinação e a vermifugação em dia.
Estilo com segurança: fantasia adequada
Nem toda fantasia é segura para os pets. Muitas são confeccionadas com tecidos sintéticos e pouco ventilados. O ideal é optar por acessórios leves e confortáveis, de preferência com uso de botinhas próprias para evitar queimaduras por asfalto quente. Caso o animal demonstre incômodo, a fantasia deve ser retirada imediatamente. Evite o uso de tinturas, mesmo as que parecem inofensivas. A pele dos pets é sensível e o uso desses produtos aumenta o risco de dermatites e alergias desnecessárias.
Hidratação constante
Oferecer água fresca com frequência é
indispensável. Nunca se deve depender da disponibilidade de água no local do
evento, principalmente em dias quentes. Sachês, que são alimentos úmidos,
também podem ser oferecidos para auxiliar na hidratação do animal.
Uso de guia, coleira e
identificação
O pet nunca deve ficar solto em ambientes com
grande fluxo de pessoas. O uso de coleira com identificação visível (nome e
telefone) é essencial para segurança caso se assuste ou tente fugir.
Atenção redobrada ao ambiente
Evite que o pet tenha contato com alimentos,
bebidas, principalmente alcoólicas, ou resíduos no chão. Prefira horários mais
frescos e mantenha-o longe de asfalto quente, caixas de som e locais
barulhentos, prevenindo queimaduras e estresse. Observe sinais de desconforto e
busque áreas tranquilas, com sombras ventiladas.
Avaliar se o pet realmente
deve ir
Muitas vezes, deixar o pet em casa pode ser a alternativa mais segura, principalmente se for filhote, idoso ou tiver alguma condição de saúde, como problemas respiratórios ou cardíacos. Um ambiente tranquilo, ventilado, com água fresca e longe de barulho é o mais adequado para garantir o bem-estar do animal. Levar o pet ao Carnaval deve ser uma decisão consciente, priorizando sempre sua saúde e segurança.
O bem-estar do animal durante o Carnaval depende
inteiramente da responsabilidade do tutor. Reconhecer os limites do pet e agir
preventivamente é essencial para evitar que a festa termine em uma emergência
veterinária. O Carnaval é sinônimo de celebração e alegria, e nossa ética nos
convoca a garantir que essa alegria se estenda também aos nossos companheiros
de quatro patas.
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