Médicos trazem mitos e verdades sobre os
principais riscos à saúde durante o período e orientam sobre o que fazer e o
que evitar durante os dias de festa
Com
a chegada do Carnaval, manter a saúde em dia é essencial para poder curtir o
feriado com tranquilidade. Entre ensaios, festas e bloquinhos, muitas práticas
comuns durante a época de folia podem esconder riscos – seja pela ingestão
excessiva de álcool, dores musculares ou até mesmo exposição exagerada ao sol.
Para
que o período seja marcado somente pela alegria e celebração, especialistas da Rede Mater
Dei de Saúde esclarecem as principais dúvidas e orientam sobre
como se cuidar em meio à folia, inclusive indicando quando é necessário
procurar ajuda médica. Confira:
1.
Misturar álcool com energético ajuda a ter mais energia?
Mito. Segundo a cardiologista Marianna
Andrade, coordenadora da Cardiologia do Hospital Mater Dei Salvador, essa
combinação é perigosa porque a cafeína mascara os efeitos do álcool, reduzindo
a percepção da embriaguez. "Isso leva ao consumo excessivo sem que o
organismo sinalize seus limites, elevando o risco de arritmias e picos de
pressão", explica a médica. “Além de evitar a mistura, é importante
intercalar o consumo de bebida alcoólica com água, alimentar-se bem, respeitar
seus limites e descansar bem. Afinal, a festa passa, mas as consequências podem
ficar.”
Sinais
como palpitações, dor no peito, falta de ar, tonturas extremas ou crises de ansiedade
são comuns nos serviços de emergência nesta época e não devem ser ignorados.
"A folia deve terminar em boas lembranças, não em atendimento de
emergência", enfatiza a Dra. Marianna.
2.
"Segurar o xixi" pode causar problemas de saúde?
Verdade. Seja no bloquinho ou no sambódromo, muitas vezes os foliões não têm acesso a um banheiro próximo, ou até mesmo seguram o xixi porque não querem perder a festa. Porém, esse hábito pode ser prejudicial à saúde e elevar os riscos de infecção urinária, conforme ressalta a nefrologista Bárbara Oliveira, que atua no Hospital Mater Dei Salvador.
“Uma
boa hidratação é a principal medida para prevenir infecções urinárias. É
crucial não prender a urina, um hábito que aumenta o risco, especialmente para
as mulheres, devido à uretra ser mais curta”, reforça a médica. “Além disso,
muitas vezes as pessoas deixam de ingerir líquidos para não ter que urinar, o
que não é uma boa estratégia. Para pacientes com função renal normal, o ideal é
ingerir água, água de coco e isotônicos, pois perdemos muito sódio e líquidos
em atividades físicas intensas e, neste calor do verão, as perdas são ainda
maiores”.
3.
Beijar ou ter relações sexuais com pessoas desconhecidas apresenta risco à
saúde?
Verdade. Para uma proteção completa durante o Carnaval, é crucial adotar cuidados que previnam as doenças transmitidas pelo contato íntimo. Um exemplo é a mononucleose, conhecida como a “doença do beijo”, causada pelo vírus Epstein-Barr, transmitida principalmente pela saliva, e que não possui vacina. A Dra. Silvana Barros, Chefe do Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar da Rede Mater Dei, explica que “a prevenção depende de evitar beijos com pessoas desconhecidas ou que apresentem sintomas como febre, dor de garganta e fadiga. Além disso, manter boa hidratação, sono adequado e a imunidade fortalecida ajuda a reduzir o risco de infecções em geral”.
Já
em relação às ISTs, o uso da camisinha (masculina ou feminina) é a forma mais
eficaz de prevenção contra HIV, sífilis, hepatites B e C e outras infecções,
reforça a infectologista: “o Ministério da Saúde reforça que a camisinha deve
ser usada em todas as relações sexuais, seja no bloquinho, na praia ou em casa.
Manter a vacinação em dia (como contra hepatite B e HPV) também é uma medida
preventiva importante contra algumas ISTs”.
4.
Posso me queimar com o sol mesmo em dias nublados?
Verdade.
O período de
Carnaval expõe a pele a diversos fatores de risco, como alta radiação solar,
calor, transpiração intensa, maquiagem pesada e desidratação. Para aproveitar a
folia sem preocupações, a Dra. Raquel Queiroz, dermatologista de Mater Dei,
explica que é fundamental adotar medidas preventivas, mesmo em dias nublados ou
de chuva.
“Isso
inclui a proteção
solar constante,
utilizando diariamente protetor solar de amplo espectro (UVA/UVB) com FPS
mínimo de 30 e reaplicando a cada 2 ou 3 horas. Deve-se também optar por barreiras
físicas, como chapéus, bonés, óculos de sol e roupas com
proteção UV para reforçar a defesa contra o sol. A hidratação
é crucial, tanto do corpo (ingestão de líquidos) quanto da pele (hidratantes
tópicos), para preservar a função de barreira cutânea. Por fim, a limpeza
adequada é indispensável para remover completamente a maquiagem
no final do dia, usando produtos específicos para o seu tipo de pele, a fim de
evitar irritações e o surgimento de acne”, detalha a especialista.
5.
Beber água entre as doses de álcool ou tomar medicamentos para o fígado podem
evitar a ressaca?
Mito. A água não evita a intoxicação alcoólica, mas pode ajudar a minimizar os efeitos da ressaca, conforme explica o Dr. Célio Gomes, gastroenterologista de Mater Dei.
“A água auxilia na eliminação de toxinas (acetaldeído, principalmente) que causam a fadiga e sensação de mal-estar típicos dos ressaqueados. Os efeitos da ressaca podem ser minimizados, essencialmente, mantendo-se o repouso e boa hidratação – repondo líquidos e minerais – e priorizando alimentos de fácil digestão. O uso de analgésicos e antieméticos também pode ajudar. Porém, não há medicamentos que exerçam alguma ação sobre o fígado a fim de se evitar a ressaca. Até o momento, a melhor maneira de reduzir as chances de ressaca é a moderação no consumo de álcool”, aponta o médico.
A
ressaca dura de 12 a 24 horas. Busque atendimento médico imediato em casos de
sintomas gastrointestinais intensos e persistentes (vômitos, diarreia, dor
abdominal), dor de cabeça forte, confusão mental, visão embaçada, febre alta ou
hipotermia.
6.
Usar glitter ou maquiagem vencida pode causar lesões graves nos olhos?
Verdade. O glitter, muito utilizado durante o carnaval, consiste em micropartículas,
geralmente metálicas ou revestidas por materiais como alumínio, PVC ou
polietileno, cortadas em pequenas dimensões. Ao aplicar no rosto ou em outras
partes do corpo, há risco do produto entrar nos olhos, seja acidentalmente ou
ao levar as mãos com glitter ao globo ocular.
Isso
é perigoso, de acordo com o Dr. Cesar Sampaio, oftalmologista da Rede Mater
Dei, pois, “caso caiam no olho, as partículas podem provocar microlesões,
resultando em conjuntivite, irritação, vermelhidão, lacrimejamento e ardência,
e também pode haver o desenvolvimento de uma infecção secundária sobre a
lesão”. A gravidade pode variar desde uma conjuntivite simples, que melhora em
poucos dias, até casos complicados como a formação de úlceras de córnea, que
exigem tratamento imediato. “Caso a lavagem ocular e o uso de colírios não
aliviem os sintomas, é imprescindível procurar um oftalmologista imediatamente,
devido aos riscos de infecções graves que podem implicar até na perda da
visão”, alerta o especialista.
Unidades
Minas Gerais: Hospital Mater Dei Santo Agostinho, Hospital Mater Dei Contorno, Hospital Mater Dei Betim-Contagem, Hospital Mater Dei Nova Lima, Hospital Mater Dei Santa Genoveva, CDI Imagem e Hospital Mater Dei Santa Clara.
Bahia: Hospital Mater Dei Salvador e Hospital Mater Dei Emec
Goiás: Hospital Mater Dei Goiânia
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