Pesquisar no Blog

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Dia dos Pais: diagnóstico precoce é o principal aliado para ampliar a longevidade masculina no Brasil

Com mais de 17 mil mortes registradas por doenças cardio e cerebrovasculares entre janeiro e maio de 2026, um volume 11,8% maior que entre as mulheres, especialistas explicam como a resistência a consultas e exames preventivos pode contribuir para diagnósticos graves

 

O Dia dos Pais é tradicionalmente lembrado como uma data de afeto e cuidado. No entanto, a população masculina brasileira, culturalmente, não tem zelado muito pela própria saúde ao buscar menos por atendimento médico e exames. E isso tem custado vidas: o IBGE¹ demonstrou que os homens vivem, em média, cerca de sete anos menos do que as mulheres. Informações divulgadas na Tábua de Mortalidade 2022 indicaram que a expectativa do sexo masculino era de 72 anos e, para elas, de 79. 

Essa disparidade reflete diretamente o comportamento em relação à medicina preventiva. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU)² reforça a gravidade desse cenário ao revelar que 46% dos homens só procuram ajuda médica quando já apresentam algum sintoma. O estudo aponta ainda que apenas 32% dos homens acima de 40 anos afirmam estar realmente atentos ao próprio bem-estar. 

“Com homens procurando menos os serviços de saúde para diagnóstico precoce, é muito provável que esses pacientes, quando finalmente chegarem ao ambiente hospitalar, já estejam em estágio crítico. Por isso, é fundamental romper esse tabu cultural e incentivar a consulta médica regular, a prática de check-ups e a execução de exames preventivos”, analisa Márcio Nunes, coordenador técnico do São Marcos Saúde e Medicina, marca Dasa em Minas Gerais.
 

Doenças cardiovasculares e cerebrovasculares lideram a mortalidade masculina 

A falta de prevenção entre os homens também fica evidente nos indicadores de mortalidade no Brasil por doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, que estão entre as principais causas de morte masculina em relação à feminina. Um levantamento do Datasus³ revelou que, de janeiro a maio deste ano, mais de 17 mil homens faleceram em decorrência de AVCs, infarto, insuficiência cardíaca e outras condições, configurando uma mortalidade 11,8% maior se comparada com as mulheres. 

O cardiologista Alex Félix, da clínica CDPI, também da Dasa, no Rio de Janeiro, reforça que o diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares pode evitar parte desses casos. “O infarto do miocárdio e o AVC podem ser a ponta do iceberg de um processo silencioso de aterosclerose que se desenvolve ao longo de muitos anos, frequentemente associado à hipertensão e a outros fatores de risco detectáveis e controláveis preventivamente.

O check-up cardíaco não se limita a uma consulta com eletrocardiograma básico. Hoje, dispomos de exames como o teste ergométrico, o escore de cálcio coronariano, a angiotomografia de artérias coronárias, o Doppler de carótidas e o ecocardiograma, que permitem visualizar direta e indiretamente a presença de aterosclerose de forma precoce ou disfunção da contratilidade cardíaca, antes de complicações potencialmente fatais”, ressalta o especialista. 

No entanto, nem todos os eventos cardiovasculares podem ser explicados pelos fatores de risco tradicionais ou identificados apenas pelos exames convencionais. Segundo o cardiologista Marcelo Bittencourt, da Dasa Genômica, parte dos infartos precoces está relacionada com doenças cardiovasculares hereditárias que permanecem sem diagnóstico. 

“Muitas pessoas não se enquadram nos critérios tradicionais de risco e, por isso, não são investigadas de forma aprofundada. Quando existe uma carga genética importante, o primeiro sinal pode ser justamente um evento grave, como um infarto precoce”, explica..

Nesses casos, o Escore de Risco Poligênico para Doença Coronariana surge como uma ferramenta complementar de prevenção ao analisar milhares de variantes genéticas associadas ao risco de aterosclerose e eventos coronarianos. “Estudos mostram que pessoas com escore poligênico elevado podem apresentar um risco significativamente maior de desenvolver doença coronariana, independentemente da idade ou do estilo de vida”, afirma Bittencourt. 

A avaliação é especialmente indicada para pessoas com histórico familiar de infarto precoce, morte súbita ou doença coronariana em parentes de primeiro grau. “Genética não é sentença, é ferramenta de antecipação. Identificar o risco cedo pode evitar eventos potencialmente fatais no futuro”, conclui.
 

Guia de prevenção: check-up masculino por faixa etária
 

De acordo com a endocrinologista Maria Helane Gurgel, diretora médica dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa no Rio de Janeiro, a implantação de uma rotina contínua de exames preventivos dividida por faixas etárias pode contribuir para a longevidade masculina.

 

Entre 20 e 30 anos

“A partir dessa faixa etária, o homem pode realizar avaliações laboratoriais básicas, incluindo hemograma completo, perfil lipídico (colesterol, HDL, LDL e triglicerídeos), dosagem de lipoproteína (a), glicemia de jejum, hemoglobina glicada, TSH, testes de função hepática e renal. Também faz-se importante a aferição da pressão arterial (ambulatorial ou se necessário através do exame MAPA), assim como do peso corporal através de índices tradicionais como o IMC (Índice de Massa Corporal) , mas também através de exames de imagem como a densitometria de corpo total (DEXA) de grande aplicação na avaliação da “massa gorda e da massa magra” em paciente que vive com sobrepeso e ou obesidade.”, revela Helane.
 

De 35 a 40 anos

O rastreio cardiológico pode ser importante, em especial em casos de história familiar de doença cardiovascular precoce ou na presença de fatores de risco como tabagismo, sedentarismo, diabetes, hipertensão, dislipidemia, doenças autoimunes e obesidade. Nesse contexto, durante a avaliação médica podem ser solicitados exames como MAPA, teste ergométrico, teste cardiopulmonar, ecocardiograma trans torácico, ultrassom doppler de carótidas, tomografia para avaliar escore de cálcio coronarianos e angio tomografia de coronárias para mapeamento vascular.
 

De 45 a 50 anos

Somam-se ao protocolo a investigação oncológica específica, com a dosagem de PSA total e livre, associado, quando indicado pelo médico, o exame de toque retal e à ultrassonografia de próstata, a realização da colonoscopia para detecção precoce do câncer de cólon e reto e o ultrassom de abdômen total também podem ser considerados.

 

  

Referências

¹https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/38455-em-2022-expectativa-de-vida-era-de-75-5-anos

²https://portaldaurologia.org.br/novidades/noticias/apenas-um-terco-dos-homens-se-considera-muito-preocupado-com-a-sua-propria-saude

³ https://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sih/cnv/nruf.def

 

Agosto Dourado: Leite materno é aliado na proteção contra infecções nos primeiros meses de vida

divulgação
Especialistas da Rede Oto destacam a importância do alimento "padrão ouro" e reforçam o papel da rede de apoio no combate aos principais desafios da amamentação. 

 

Com o início da campanha nacional Agosto Dourado, voltada à conscientização e incentivo ao aleitamento materno, o debate sobre a saúde materno-infantil ganha destaque nas agendas de saúde em todo o país. Classificado pela Organização Mundial da Saúde como o alimento “padrão ouro” para a nutrição dos bebês, o leite materno vai além da função nutricional e atua como uma verdadeira vacina natural nos primeiros meses de vida. Segundo a equipe de Pediatria e Ginecologia/Obstetrícia da Rede Oto, o aleitamento exclusivo até os seis meses transfere anticorpos vitais da mãe para o recém-nascido, prevenindo complicações graves e infecções frequentes na infância.

A importância dessa proteção biológica é reforçada pela Coordenadora de Enfermagem do Oto Meireles, Jéssica Rocha, que destaca como o leite materno é rico em imunoglobulinas e nutrientes específicos. Essa composição protege o bebê contra infecções respiratórias, diarreia e alergias nos primeiros meses de vida, período em que o sistema imunológico da criança ainda está em processo de desenvolvimento e maturação.

Apesar dos benefícios comprovados, o processo de amamentar nem sempre é simples e costuma envolver desafios físicos e emocionais, como fissuras mamilares, pega incorreta, dores e cansaço extremo. Para apoiar as mães nesse momento, os especialistas da Rede Oto orientam que o primeiro passo para uma amamentação bem-sucedida é o ajuste da pega, garantindo que o bebê abocanhe a maior parte da aréola e não apenas o mamilo, o que previne lesões e garante a extração adequada do leite.

Além do ajuste técnico, a manutenção da livre demanda nos primeiros meses permite que o bebê mame sempre que demonstrar sinais de fome, sem a necessidade de estipular horários rígidos. Da mesma forma, a saúde e a rotina da mãe impactam diretamente na produção de leite, sendo fundamental a ingestão adequada de água e momentos de repouso sempre que possível. Os médicos alertam ainda que sentir dor contínua ao amamentar não é normal, tornando essencial a busca por suporte especializado logo nos primeiros dias para evitar o desmame precoce.

Para oferecer uma assistência completa e humanizada a mães e bebês em Fortaleza, a Rede Oto conta com uma infraestrutura estruturada para o atendimento infantil e materno. As unidades da rede dispõem de suporte multiprofissional com equipes compostas por pediatras, enfermeiros e gineco-obstetras, preparados para acompanhar a família desde o pré-natal e o parto até os desafios do aleitamento e a fase de introdução alimentar.

Como referência em atendimento médico e hospitalar no Ceará, a Rede Oto reúne tecnologia, estrutura moderna e um corpo clínico especializado no cuidado materno-infantil, pronto para atender urgências, emergências e consultas de rotina.

 

Cessão de créditos trabalhistas: quando receber antes pode valer mais do que esperar


A Justiça do Trabalho foi criada para assegurar que o trabalhador receba, em tempo razoável, verbas essenciais à sua sobrevivência. Entretanto, entre a sentença favorável e o efetivo pagamento, muitas vezes há um longo percurso marcado por recursos, dificuldades na execução, mudanças jurisprudenciais e incertezas quanto à capacidade financeira do devedor. Nesse cenário, cresce no Brasil um mercado ainda pouco debatido, mas que responde a uma necessidade concreta: a cessão de créditos trabalhistas. 

O instituto desperta resistências. Há quem enxergue a venda do crédito com deságio como uma perda patrimonial para o trabalhador. Essa percepção, embora compreensível, nem sempre resiste a uma análise econômica mais ampla. Em diversas situações, antecipar o recebimento representa uma decisão racional, eficiente e socialmente vantajosa. 

A legislação brasileira não proíbe a cessão de créditos trabalhistas. Ao contrário, o Código Civil autoriza a cessão de créditos como regra geral, inexistindo vedação expressa na Consolidação das Leis do Trabalho para créditos já reconhecidos judicialmente. A jurisprudência também caminhou nessa direção ao reconhecer que a natureza alimentar do crédito permanece preservada mesmo após sua cessão. 

É importante distinguir duas situações que frequentemente são confundidas. Uma coisa é a irrenunciabilidade dos direitos do trabalhador durante a relação de emprego, princípio essencial para evitar abusos decorrentes da desigualdade entre empregado e empregador. Outra, completamente diferente, é a disponibilidade patrimonial de um crédito já reconhecido por decisão judicial definitiva. Nesse momento, o direito deixa de ser apenas uma expectativa e passa a integrar o patrimônio do trabalhador, podendo ser administrado segundo seus interesses pessoais. 

A discussão, portanto, não deveria girar em torno da legitimidade da cessão, mas da liberdade do trabalhador para decidir como administrar seu patrimônio. Afinal, ninguém questiona quando uma empresa antecipa seus recebíveis comerciais, vende duplicatas ou realiza operações de securitização para melhorar seu fluxo de caixa. Por que o trabalhador deveria ser impedido de tomar decisão semelhante em relação a um crédito que lhe pertence? 

Sob a ótica econômica, o debate torna-se ainda mais interessante. O Brasil continua convivendo com elevados níveis de endividamento das famílias e algumas das maiores taxas de juros do mundo para pessoas físicas. Enquanto um crédito trabalhista aguarda anos para ser pago, o trabalhador pode estar financiando despesas no cartão de crédito, utilizando cheque especial ou recorrendo ao crédito pessoal, modalidades cujos juros frequentemente superam, em muitas vezes, a remuneração incidente sobre o crédito judicial. 

Nessas circunstâncias, aceitar um deságio para receber imediatamente pode representar ganho financeiro líquido. O trabalhador substitui um ativo de liquidez incerta por recursos disponíveis para quitar dívidas caras, investir em educação, iniciar um pequeno negócio, custear tratamento de saúde ou simplesmente reorganizar sua vida financeira. O que aparenta ser perda nominal pode significar ganho econômico efetivo. 

Outro aspecto pouco explorado diz respeito ao risco. O crédito judicial não é um ativo livre de incertezas. A demora na execução, a insolvência do devedor, a dificuldade na localização de patrimônio e, sobretudo, as constantes mudanças de entendimento dos tribunais superiores afetam diretamente a previsibilidade do recebimento. Nos últimos anos, diversos temas trabalhistas foram suspensos pelo Supremo Tribunal Federal, retardando milhares de processos em todo o país. O tempo do processo passou a representar um custo econômico relevante. 

Quando ocorre a cessão, parte desse risco é transferida para quem adquire o crédito. O comprador assume a possibilidade de demora, eventual redução do valor, dificuldades de execução e alterações jurisprudenciais. Esse risco possui valor econômico e explica parte do deságio praticado pelo mercado. Não se trata apenas de antecipação financeira, mas de uma operação de transferência de risco semelhante às existentes em diversos segmentos do mercado de capitais. 

Isso não significa que todo contrato de cessão seja automaticamente vantajoso. Como qualquer operação financeira, exige transparência, informação e equilíbrio contratual. O trabalhador deve compreender exatamente quanto vale seu crédito, quais são os riscos envolvidos na continuidade do processo e quais alternativas possui antes de tomar qualquer decisão. 

Nesse contexto, a atuação do advogado assume papel decisivo. É ele quem conhece o estágio processual, a situação patrimonial do devedor, os riscos de recursos pendentes e as perspectivas reais de recebimento. Sua orientação reduz a assimetria de informações existente entre trabalhadores e empresas especializadas na aquisição de créditos judiciais, funcionando como importante mecanismo de proteção jurídica e econômica. 

Também é desejável que esse mercado evolua sob parâmetros claros de governança. Contratos transparentes, informações padronizadas, fiscalização adequada e concorrência entre empresas interessadas tendem a reduzir deságios excessivos e aumentar a segurança para todas as partes. Quanto maior a competição e a transparência, maior será o benefício para o trabalhador. 

O verdadeiro debate não deve opor proteção social à liberdade econômica. Ao contrário, ambas podem caminhar juntas. Proteger o trabalhador não significa impedi-lo de tomar decisões patrimoniais conscientes. Significa garantir que essas decisões sejam livres, informadas e tomadas sem abuso ou assimetria de poder. 

Num país em que execuções trabalhistas frequentemente se prolongam por anos, a liquidez também possui valor social. O dinheiro recebido hoje pode evitar o superendividamento, preservar o patrimônio familiar, financiar um tratamento médico ou impedir que uma família mergulhe em situação de vulnerabilidade. O tempo, afinal, também faz parte da justiça. 

Mais do que discutir se a cessão de créditos trabalhistas deve existir, o Brasil precisa discutir como tornar esse mercado mais seguro, competitivo e transparente. Afinal, um direito reconhecido judicialmente somente cumpre sua função social quando consegue produzir efeitos concretos na vida de quem dele depende. E, muitas vezes, receber menos hoje pode significar preservar muito mais amanhã.

 

Ricardo Pereira de Freitas Guimarães - advogado, professor articulista e autor de inúmeras obras. Especialista, mestre e doutor pela PUC-SP, titular da cadeira 81 da Academia Brasileira de Direito do Trabalho

 

Volta às aulas: como a tecnologia pode impulsionar o aprendizado sem comprometer o pensamento crítico

 Especialista explica como a inteligência artificial já faz parte da rotina de alunos e professores

 

Seja para elaborar trabalhos, pesquisar conteúdos, criar planos de aula ou personalizar atividades, ferramentas baseadas em IA já são utilizadas por alunos e professores em diferentes etapas do ensino. Agora, o desafio não é decidir se elas devem estar presentes no ambiente escolar, mas compreender como podem ser incorporadas de forma responsável e pedagógica. 

De acordo com a pesquisa TIC Educação 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), 70% dos estudantes do Ensino Médio utilizam inteligência artificial generativa para realizar pesquisas escolares. Entre os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, esse percentual é de 39%, enquanto 15% dos estudantes dos anos iniciais também já fazem uso da tecnologia. Apesar da rápida adoção, apenas 32% dos estudantes afirmam ter recebido orientação da escola sobre como utilizar essas ferramentas da melhor forma , evidenciando um descompasso entre o avanço tecnológico e a preparação das instituições de ensino. 

Outro levantamento, esse da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que mais da metade dos professores brasileiros já utilizam recursos de inteligência artificial para apoiar atividades como planejamento de aulas, criação de exercícios, adaptação de conteúdos e elaboração de avaliações. Ao mesmo tempo, muitos profissionais ainda relatam falta de capacitação específica para explorar todo o potencial dessas ferramentas de maneira segura. 

Para Giovanni La Porta, CEO da Vortice.ai e especialista em inteligência artificial, a IA deve ser utilizada como um recurso de apoio ao processo de aprendizagem, e não pode ser vista como um substituto da construção do conhecimento.

"A inteligência artificial é uma tecnologia de apoio à tomada de decisão e à construção do conhecimento. Ela automatiza tarefas operacionais e amplia o acesso à informação, mas não substitui competências cognitivas complexas, como pensamento crítico, interpretação, argumentação e capacidade de resolver problemas. A escola deve integrar essas ferramentas de forma estratégica, garantindo que a tecnologia potencialize e não substitua o processo de aprendizagem".
 

Personalização do ensino e inclusão entre os principais benefícios 

Diferente dos modelos tradicionais, ferramentas baseadas em IA conseguem adaptar conteúdos conforme o ritmo, as dificuldades e o perfil de cada estudante, oferecendo exercícios personalizados, explicações alternativas e feedbacks praticamente em tempo real. 

Essa capacidade também representa um crescimento importante para a educação inclusiva. Recursos como leitura automática de textos, legendas em tempo real, tradução, adaptação da linguagem, síntese de conteúdos e assistentes conversacionais contribuem para ampliar o acesso ao conhecimento por estudantes com deficiência visual, deficiência auditiva, dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), por exemplo e outras necessidades específicas. 

"A IA consegue reduzir barreiras que antes dificultavam o acesso ao aprendizado. Um aluno pode receber uma explicação em outra linguagem, transformar um texto complexo em algo mais acessível ou contar com recursos de acessibilidade instantaneamente. Isso amplia oportunidades, mas exige acompanhamento do professor para que a tecnologia realmente promova inclusão", explica Giovanni. 

Além dos ganhos para os estudantes, a inteligência artificial também pode reduzir o tempo gasto pelos professores com tarefas operacionais, permitindo maior dedicação ao acompanhamento individual das turmas.
 

Dependência da IA e plágio 

Uma das principais dificuldades está relacionada à dependência excessiva da tecnologia. Quando utilizada apenas para gerar respostas prontas, a IA pode reduzir o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como pesquisa, escrita, interpretação e pensamento crítico. Em vez de construir conhecimento, o estudante passa apenas a reproduzir conteúdos produzidos pela ferramenta. 

Outro ponto de atenção é o plágio. Com a facilidade para gerar textos completos em poucos segundos, cresce a preocupação das instituições de ensino em diferenciar o uso responsável da inteligência artificial da simples cópia de conteúdos. Como consequência, muitas escolas e universidades vêm reformulando seus métodos de avaliação, priorizando apresentações orais, projetos, resolução de problemas e atividades desenvolvidas em sala de aula.

"A pergunta que professores e escolas devem fazer e supervisionar, é a forma que o aluno utiliza a IA dentro de sala de aula. A tecnologia pode contribuir para organizar ideias, o problema surge quando ela substitui completamente o processo de aprendizagem. É necessário equilibrar", afirma Giovanni.
 

IA exige letramento digital e novas competências

À medida que a inteligência artificial se consolida nas escolas, cresce a necessidade de desenvolver o chamado letramento em IA, conjunto de competências que permite compreender o funcionamento dessas ferramentas. Em vez de competir com a tecnologia, educadores podem intervir como mediadores da aprendizagem.

“Ferramentas como ChatGPT, Gemini, Microsoft Copilot, Claude, NotebookLM, Khanmigo e plataformas voltadas à criação de planos de aula, apresentações e atividades pedagógicas já fazem parte da rotina de muitas instituições de ensino. No entanto, nenhuma delas substitui a mediação pedagógica”, conclui Giovanni.

 

vortice.ai
Para mais informações, clique aqui.



CIEE disponibiliza 1,7 mil vagas de estágio no interior e 1,5 mil na capital e Região Metropolitana de São Paulo

São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto,  Santos, São José dos Campos, Guarulhos e Barueri lideram a oferta de vagas de estágio no estado

 

O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) está com oportunidades em todo o país. No estado de São Paulo, o interior reúne 1,7 mil vagas, distribuídas por 131 cidades, reforçando o alcance da atuação do CIEE na conexão entre estudantes e empresas. Os municípios com maior número de vagas são Campinas, Ribeirão Preto, Santos e São José dos Campos. 

Já na capital paulista, estão disponíveis 936 vagas de estágio. Considerando toda a Região Metropolitana de São Paulo, são 573 oportunidades distribuídas por 31 municípios. Depois da capital, os destaques ficam para Guarulhos, Barueri e Franco da Rocha, cidades que registram o maior volume de vagas na região, evidenciando a forte demanda por estagiários em diferentes polos econômicos do entorno da capital. 

No total, são 7,2 mil vagas de estágio abertas em todo o Brasil nesta semana. As oportunidades contemplam estudantes de diferentes níveis de ensino e estão distribuídas por diversos estados, com destaque para São Paulo, Distrito Federal, Ceará, Piauí e Bahia, que concentram o maior número de vagas.

 Entre as áreas com maior número de oportunidades, tanto no Brasil quanto no estado de São Paulo — incluindo o interior, a capital e a Região Metropolitana — destacam-se Administração, Educação e Direito, refletindo a demanda do mercado por estudantes dessas formações.

 

Serviço

Vagas de estágio CIEE

·         Brasil: 7,2 mil vagas

·         Interior de São Paulo: 1,7 mil vagas

·         Capital paulista: 936 vagas

·         Região Metropolitana de São Paulo: 573 vagas

 

Como se cadastrar


Para participar dos processos seletivos, o estudante deve realizar o cadastro no portal do CIEE, ciee.online. É fundamental manter informações como CEP, e-mail e telefone atualizadas para receber oportunidades compatíveis com o seu perfil.

 

Na plataforma, os candidatos também têm acesso gratuito a cursos de capacitação e podem fortalecer o perfil com recursos como vídeo de apresentação e redação on-line, aumentando as chances de contratação.

 

Os interessados também podem esclarecer dúvidas pelo WhatsApp, no número (11) 3003-2433 (é necessário utilizar o DDD 11).




Brasil será a maior potência global de Data Centers?

Divulgação
Professor e doutor em Física defende que o país possui todas as condições naturais para liderar a revolução da inteligência artificial, desde que invista em educação

 

Quando você envia uma mensagem, assiste a um vídeo online ou faz uma pergunta para uma Inteligência Artificial, essas informações não ficam flutuando no ar. Elas viajam até estruturas físicas chamadas Data Centers: galpões repletos de computadores de altíssima performance que processam e armazenam todos os dados do planeta. Se a economia do século XX dependia de estradas e portos, a economia do século XXI depende dessas verdadeiras catedrais de dados 

Com a explosão da IA, a demanda por esses centros de processamento disparou no mundo inteiro, mas esbarrou em um grave problema ecológico. Esses supercomputadores funcionam como fábricas digitais que consomem quantidades astronômicas de energia e água. No Hemisfério Norte, onde a maior parte dessas estruturas está concentrada, a expansão acelerada começou a sobrecarregar as redes elétricas e a gerar um alto impacto ambiental devido ao uso de usinas a carvão ou gás natural. 

É exatamente nessa lacuna internacional que o Brasil se destaca com duas vantagens competitivas: energia limpa e abundância de recursos. 

Enquanto a média global de uso de energia renovável na matriz elétrica mal supera os 30%, o Balanço Energético Nacional mostra que mais de 80% da eletricidade brasileira vem de fontes limpas, como a hídrica, a eólica e a solar. Para as grandes empresas globais de tecnologia, as chamadas Big Techs, instalar Data Centers no Brasil significa conseguir a alta capacidade de processamento que a IA exige sem abandonar suas metas de neutralidade de carbono e sustentabilidade ambiental. 

Essa posição favorável é reforçada pela posição geopolítica neutra do país e por uma infraestrutura de comunicação estratégica, marcada por cabos submarinos de fibra óptica de alta velocidade que conectam o litoral brasileiro diretamente aos Estados Unidos, à Europa e à África. 

Mas a ilusão de um protagonismo inevitável esbarra em um obstáculo estrutural crítico: a histórica escassez de investimentos na educação e na formação de mão de obra qualificada. Como alertam relatórios do Fórum Econômico Mundial sobre o futuro do trabalho, um hub tecnológico não se sustenta apenas com concreto, energia e cabos; ele exige engenheiros de dados, especialistas em biossegurança digital, arquitetos de nuvem e técnicos em eficiência energética.  

O Brasil corre o risco de se tornar mero exportador de energia e importador de inteligência se não reformar urgentemente sua base educacional. A carência de incentivo à pesquisa científica, o sucateamento do ensino técnico e o déficit crônico no ensino de ciências e matemática formam um gargalo que pode limitar o país a um papel secundário no ecossistema da inovação global. 

Para que o Brasil deixe de ser apenas um hospedeiro de máquinas e passe a ser um criador de valor, é indispensável superar essa miopia estratégica. Isso exige alinhar políticas públicas ambientais a um choque de investimento na educação de base e na capacitação tecnológica.  

A revolução digital do século XXI precisa de uma casa sustentável, e o Brasil possui todas as condições naturais para oferecê-la, desde que compreenda que o algoritmo mais potente da nova economia continua sendo o cérebro humano. 

 

Marco Aurelio Alvarenga Monteiro - professor associado e livre-docente da UNESP, mestre e doutor em Educação para a Ciência, com atuação em Física e Robótica Educacional. É autor do livro Nos Labirintos do Eu, obra que aborda temas relacionados ao autoconhecimento, comportamento e desenvolvimento humano.

 

Como o Open Gateway reduz o custo por aquisição de clientes?

Reduzir o Custo de Aquisição de Clientes (CAC) é um dos resultados mais promissores de qualquer empresa, o qual pode ser conquistado através da otimização de campanhas, melhora da segmentação de mídia ou aumento da taxa de conversão de landing pages, por exemplo. Embora essas iniciativas continuem relevantes, um fator passou a ganhar espaço na estratégia das empresas, viabilizando essa conquista: o Open Gateway.  

Muito além de um novo conjunto de APIs, ele representa uma forma de aproximar aplicações digitais da infraestrutura das operadoras de telecomunicações. Dessa forma, ao invés de tratar a rede apenas como um meio de transporte de dados, as empresas passam a acessar capacidades que, antes, estavam restritas às operadoras, como verificação de número de telefone, validação da troca de SIM Card, confirmação da qualidade da conexão e autenticação baseada na própria rede móvel. 

O resultado é uma mudança importante na relação entre as partes: processos que, antes, dependiam de etapas adicionais de validação, passam a acontecer de forma transparente para o usuário, aumentando sua confiança e credibilidade com a marca. Isso, além de reduzir um dos maiores inimigos da conversão: o atrito. 

É comum, por exemplo, encontrar jornadas onde o cliente precisa informar um código recebido por SMS, responder perguntas de segurança ou repetir informações apenas para comprovar sua identidade. Cada etapa adicionada representa uma nova oportunidade de abandono. Mas, com APIs como Number Verification, por exemplo, uma empresa consegue confirmar que aquele dispositivo realmente pertence ao número informado, sem exigir nenhuma ação adicional do usuário. O processo se torna praticamente invisível. 

Quanto mais difícil fica identificar se um usuário é legítimo, maior será o investimento necessário para validar cadastros, combater fraudes e recuperar abandonos de jornada. Esse custo quase nunca aparece isolado nas planilhas de marketing, mas impacta diretamente o CAC. Nesse sentido, ter menos etapas que encurtem a jornada eleva as chances de conversão daquele potencial cliente. 

Ainda, de todos esses benefícios, talvez o maior impacto esteja na redução das fraudes. Setores como bancos, fintechs, seguradoras, varejo, marketplaces e concessionárias convivem, diariamente, com tentativas de criação de contas falsas, tomada de identidade e golpes envolvendo troca indevida de chips telefônicos. Além do prejuízo financeiro, cada fraude aumenta o custo operacional e obriga empresas a investir mais em mecanismos de prevenção. 

O Open Gateway muda essa lógica ao permitir consultas em tempo real sobre eventos críticos da linha telefônica, como alterações recentes de SIM Card. Isso reduz, significativamente, ataques que exploram exatamente esse tipo de vulnerabilidade, reduzindo as perdas corporativas e bloqueios para clientes legítimos. 

Hoje, muitas empresas endurecem processos de autenticação para impedir ataques, o que apenas aumenta a fricção para todos os usuários, inclusive aqueles que nunca representaram qualquer risco. Mas, quando a validação se torna mais inteligente, é possível oferecer uma experiência mais simples, sem abrir mão da segurança, assegurando um equilíbrio que favorece, diretamente, o CAC. 

Há ainda outro aspecto pouco discutido: a qualidade dos dados. Campanhas de marketing frequentemente desperdiçam investimento tentando adquirir usuários inexistentes, cadastros duplicados ou números inválidos. Quanto mais cedo essas inconsistências são identificadas, menor o desperdício de mídia e maior a eficiência das campanhas. Aqui, o Open Gateway deixa de ser apenas uma tecnologia de autenticação, e passa a atuar como uma camada de inteligência para toda a jornada digital. 

Isso muda também a forma como empresas pensam na inovação. Ao invés de desenvolverem soluções isoladas para cada problema de segurança, identidade ou conectividade, torna-se possível consumir essas capacidades como serviços padronizados, disponíveis para qualquer aplicação que deseje utilizá-las. Esse é, justamente, um dos principais objetivos do Open Gateway: transformar funcionalidades complexas das redes móveis em APIs abertas, interoperáveis e escaláveis. 

Nos próximos anos, a discussão deixará de ser "quem utiliza Open Gateway" para se tornar "quais jornadas ainda não utilizam Open Gateway". Porque, no fim, reduzir o CAC nunca foi apenas gastar menos em mídia, sempre foi eliminar tudo aquilo que impede um cliente legítimo de concluir sua jornada. E é exatamente nesse ponto que essa iniciativa pode se tornar uma das mais relevantes para aquisição digital na próxima década. 

 

Werique Franca - Product & Business Manager na Pontaltech.
Pontaltech


Mounjaro e retinopatia diabética: o que as evidências mais recentes mostram sobre a saúde dos olhos


Nos últimos meses, a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, deixou de ser assunto restrito aos consultórios médicos para se tornar um dos medicamentos mais comentados do país. Inicialmente indicada para o tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, ela representa um importante avanço no tratamento de doenças metabólicas que afetam milhões de brasileiros.

Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), aproximadamente 589 milhões de adultos vivem com diabetes no mundo, número que deve ultrapassar 850 milhões até 2050. 

O Brasil está entre os países com maior número de pessoas convivendo com a doença, o que torna natural o crescente interesse por terapias capazes de controlar melhor a glicemia e promover perda de peso. Mas, junto com esse avanço, surgiu uma dúvida frequente entre pacientes: afinal, o Mounjaro pode prejudicar a visão de quem já apresenta retinopatia diabética? 

A resposta que a ciência oferece hoje é tranquilizadora, mas acompanhada de um importante alerta.

 

A retinopatia diabética é uma das principais complicações do diabetes e ocorre quando o excesso de glicose danifica os pequenos vasos sanguíneos da retina, estrutura responsável pela formação das imagens. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a doença pode evoluir silenciosamente até provocar perda importante da visão e, em casos mais graves, cegueira.

Durante algum tempo, existiu a preocupação de que medicamentos da classe dos agonistas dos receptores de GLP-1 pudessem acelerar a progressão da retinopatia. Essa hipótese surgiu principalmente após estudos envolvendo a semaglutida. Entretanto, as pesquisas mais recentes envolvendo a tirzepatida apresentam resultados bastante diferentes. 

Estudos publicados em 2026, acompanhando pacientes com diabetes tipo 2 considerados de alto risco, demonstraram que o uso da tirzepatida não aumentou a progressão da retinopatia quando comparado a outros tratamentos para o diabetes. Além disso, pesquisas publicadas na revista científica Ophthalmology sugerem que o medicamento pode até estar associado a um menor risco de desenvolvimento ou agravamento da doença, reduzindo também a necessidade de tratamentos como aplicações intraoculares e fotocoagulação a laser. 

Esses resultados reforçam que o medicamento, por si só, não representa uma ameaça à retina. Pelo contrário, o bom controle glicêmico continua sendo um dos principais fatores para reduzir as complicações do diabetes ao longo do tempo. 

Isso, porém, não significa que todo paciente possa iniciar o tratamento sem acompanhamento oftalmológico.

Existe um fenômeno já conhecido na medicina chamado "piora precoce da retinopatia diabética". Ele pode acontecer sempre que a glicemia sofre uma redução muito rápida, seja com insulina, seja com outros medicamentos altamente eficazes no controle do diabetes. Nesses casos, uma retina que já estava comprometida pode apresentar uma piora temporária antes da estabilização do quadro. Não se trata de um efeito exclusivo da tirzepatida, mas de uma resposta fisiológica descrita há décadas na literatura médica.

 

Na prática clínica, esse é o principal ponto de atenção. 

Muitos pacientes chegam ao consultório motivados pelos benefícios do medicamento para o controle do diabetes ou para a perda de peso, mas iniciam o tratamento sem uma avaliação prévia da retina. Para quem convive há muitos anos com diabetes ou já apresenta algum grau de retinopatia, esse exame é fundamental. 

Na minha experiência como especialista em retina, vítreo e catarata, a principal orientação continua sendo a prevenção. Antes de iniciar a tirzepatida, o paciente deve realizar um exame de fundo de olho para identificar possíveis alterações já existentes. Se houver retinopatia, ela deve ser acompanhada durante os primeiros meses de tratamento, período em que normalmente ocorre a redução mais intensa da glicemia. Na grande maioria dos casos, esse acompanhamento é suficiente para garantir segurança durante o uso do medicamento. 

Também é importante que o paciente conheça os sinais que merecem avaliação imediata. O surgimento de moscas volantes, flashes luminosos, visão embaçada que piora rapidamente, perda parcial do campo visual ou qualquer alteração importante da visão deve motivar uma consulta oftalmológica sem demora. Embora essas situações sejam pouco frequentes, o diagnóstico precoce continua sendo decisivo para preservar a visão. 

Outro aspecto que merece atenção é a forma como esse medicamento vem sendo adquirido. O crescimento da procura por tirzepatida foi acompanhado pelo aumento da venda irregular e da manipulação sem controle sanitário, prática desaconselhada por entidades como a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Essas versões não oferecem garantias quanto à pureza, concentração, estabilidade ou esterilidade do produto e podem representar riscos importantes à saúde. 

Desde 2025, a Anvisa passou a exigir receita médica em duas vias para a dispensação desses medicamentos, com retenção de uma delas pela farmácia, medida que busca aumentar a segurança dos pacientes e reduzir o comércio irregular. 

O Mounjaro representa um dos maiores avanços recentes no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. As evidências científicas mais atuais indicam que seu uso não aumenta o risco de retinopatia diabética no longo prazo e pode, inclusive, contribuir para reduzir complicações oculares ao melhorar o controle metabólico. Ainda assim, nenhum medicamento substitui o acompanhamento médico. 

Quando endocrinologista e oftalmologista atuam de forma integrada, o paciente ganha mais do que controle da glicemia ou perda de peso. Ganha a oportunidade de preservar a visão, a qualidade de vida e a autonomia por muitos anos. 



Dr. Cristiano Toesca Espinhosa - CRM-PR 21.959 | RQE 13.518 - Especialista em Retina, Vítreo e Catarata.
Membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
www.rafaelasalomon.com.br



O futuro dos pagamentos será cada vez mais integrado

Nova legislação dos Estados Unidos sobre stablecoins reforça uma transformação que vai além das criptomoedas e evidencia a importância de plataformas capazes de integrar diferentes tecnologias para tornar as transações mais simples, seguras e eficientes

 

Márcio Andrade é CEO do Grupo MA9, ecossistema de tecnologia que reúne as empresas Claps e PagueOn. O Claps conecta consumidores à contratação digital de produtos e serviços, enquanto a PagueOn integra a infraestrutura responsável pelo processamento dos meios de pagamento, oferecendo uma experiência digital simples, segura e eficiente para empresas e consumidores.

 

Quando uma das maiores economias do mundo estabelece regras para uma nova tecnologia financeira, dificilmente seus efeitos ficam restritos às suas fronteiras. A recente regulamentação das stablecoins nos Estados Unidos representa mais um passo na consolidação de um movimento que vem transformando a forma como pessoas e empresas movimentam recursos em todo o mundo.

 

Embora o tema ainda seja frequentemente associado ao universo das criptomoedas, a discussão vai muito além dos ativos digitais. O que está em pauta é a construção de uma infraestrutura financeira mais eficiente, capaz de tornar pagamentos, transferências e liquidações internacionais mais rápidas, seguras e menos burocráticas.

 

As stablecoins surgem nesse contexto por reunirem duas características importantes: utilizam a tecnologia blockchain para registrar transações e, ao mesmo tempo, buscam reduzir a volatilidade típica das criptomoedas ao manter seu valor atrelado a moedas tradicionais, como o dólar. Isso faz com que passem a ser observadas não apenas como ativos digitais, mas como instrumentos capazes de modernizar operações financeiras e comerciais.

 

Na prática, empresas que atuam em mercados internacionais ainda convivem com processos que envolvem diversos intermediários, custos elevados e prazos de liquidação incompatíveis com a velocidade da economia digital. Toda tecnologia capaz de reduzir essas barreiras tende a ganhar espaço, principalmente quando passa a operar dentro de um ambiente regulatório mais claro.

 

Esse é, na minha visão, o principal impacto da nova legislação americana. Mais do que estabelecer regras para um determinado ativo digital, ela contribui para ampliar a confiança em novos modelos de transação e acelera discussões que inevitavelmente chegarão a outros mercados, inclusive ao Brasil.

 

Nos últimos anos, o Brasil demonstrou sua capacidade de liderar importantes transformações nos meios de pagamento. A popularização do Pix, a evolução do Open Finance e o desenvolvimento do Drex mostram que o sistema financeiro nacional possui uma base tecnológica robusta e está preparado para absorver novas soluções que tragam mais eficiência às operações.

 

Ao mesmo tempo, o Banco Central vem consolidando um ambiente regulatório que incentiva a inovação sem abrir mão da segurança e da proteção aos usuários. Esse equilíbrio tem sido um dos fatores que colocam o Brasil entre os países mais avançados quando o assunto é transformação dos meios de pagamento.

 

No entanto, acredito que a próxima grande evolução não estará concentrada em uma tecnologia específica. O futuro dos pagamentos será construído pela integração entre diferentes soluções. Pix, boletos, cartões, débito em conta, carteiras digitais, Open Finance, Drex e, futuramente, stablecoins deverão coexistir, cada um atendendo necessidades específicas de consumidores e empresas.

 

Essa convivência exigirá uma mudança importante de mentalidade. Empresas deixarão de enxergar cada meio de pagamento como uma solução isolada para adotar plataformas capazes de conectar diferentes tecnologias em uma única jornada digital. Quanto mais integrada for essa experiência, maiores serão os ganhos em eficiência, segurança, escalabilidade e conveniência.

 

É justamente nesse ponto que a tecnologia assume um papel estratégico. Mais do que processar transações, será necessário integrar diferentes ecossistemas financeiros, automatizar processos, conectar parceiros e oferecer inteligência para apoiar decisões de negócio em tempo real.

 

No Grupo MA9, acompanhamos essa transformação diariamente porque ela faz parte do nosso negócio. O Claps conecta consumidores à contratação digital de produtos e serviços, enquanto a PagueOn reúne toda a infraestrutura responsável pela integração dos meios de pagamento utilizados nessa jornada. Hoje, essa infraestrutura já contempla soluções como Pix, boleto, cartões e débito em conta, e continuará evoluindo para incorporar novas tecnologias à medida que elas ganhem maturidade regulatória e relevância para o mercado.

 

A regulamentação das stablecoins representa apenas mais um capítulo dessa transformação. O movimento, porém, é muito mais amplo. Estamos caminhando para um ambiente financeiro cada vez mais conectado, interoperável e digital, no qual a capacidade de integrar diferentes meios de pagamento e tecnologias será um diferencial competitivo tão importante quanto a própria inovação.

 

Quem compreender esse cenário desde agora estará mais preparado para aproveitar as oportunidades que surgirão à medida que a infraestrutura financeira continuar evoluindo. Afinal, o futuro dos pagamentos não será definido por um único meio de pagamento, mas pela capacidade de integrar diferentes tecnologias em uma experiência única, simples e segura para empresas e consumidores. 



Claps
www.claps.com.br


Posts mais acessados