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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Julho Amarelo: hepatites silenciosas acumulam mais de 826 mil casos no Brasil desde 2000 e acendem alerta para exames de rotina


Campanha nacional reforça a importância do diagnóstico precoce para evitar a evolução de infecções assintomáticas, como cirrose e câncer de fígado
 

 

A campanha Julho Amarelo alerta a população brasileira sobre o perigo das hepatites virais. Consideradas uma ameaça oculta, elas costumam agir de forma assintomática no organismo por décadas, fazendo com que a descoberta tardia seja um dos principais desafios para o controle clínico das infecções. A conscientização e o rastreio proativo são ferramentas essenciais para frear a evolução dessas patologias antes que gerem danos irreversíveis. 

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, publicado em 2025, o Brasil confirmou um total de 826.031 casos entre os anos de 2000 e 2024. Desse montante acumulado em 24 anos, exatamente 302.351 notificações corresponderam a infecções pelo vírus da hepatite B. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam cerca de 304 milhões de pessoas vivendo com infecções crônicas pelos vírus dos tipos B ou C. 

A gastro-hepatologista Dra. Natália Trevizoli, do Centro de Excelência em Doenças do Fígado do Hospital Santa Lúcia (HSL), em Brasília, explica que as hepatites virais, especialmente as causadas pelos vírus B e C, podem permanecer por muitos anos sem provocar sintomas. Quando eles surgem, na maioria dos casos, já refletem doença hepática avançada. Se não diagnosticadas e tratadas, essas infecções podem evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado. Globalmente, as hepatites B e C são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de mortes por ano. 

“Durante esse período, o vírus continua causando inflamação no fígado de forma lenta e progressiva. Muitas pessoas descobrem a doença apenas quando já apresentam cirrose ou câncer de fígado. Por isso, o diagnóstico precoce por meio de exames é fundamental”, alerta a médica. “A infecção crônica pode levar à inflamação persistente do fígado, favorecendo o desenvolvimento de fibrose, que é a formação de cicatrizes no órgão. Com o passar dos anos, essa fibrose pode evoluir para cirrose, aumentando o risco de insuficiência hepática e de carcinoma hepatocelular." 

Por outro lado, o avanço da cobertura vacinal gerou um reflexo estatístico positivo recente. Entre os anos de 2014 e 2024, a taxa de mortalidade provocada pelas hepatites virais no Brasil registrou um declínio de 50%, consolidando o papel da imunização na proteção coletiva.

 

Como se prevenir 

Para interromper a cadeia de transmissão das hepatites do tipo B e C, os cuidados envolvem desde hábitos de higiene até mesmo a vigilância em procedimentos estéticos. "A principal forma de prevenção da hepatite B é a vacinação, que inclusive está disponível no SUS. Também é importante utilizar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar objetos perfurocortantes, como lâminas, alicates de unha e seringas, e garantir que procedimentos como tatuagens e piercings sejam realizados em locais que utilizem materiais esterilizados ou descartáveis. Para a hepatite C ainda não existe vacina, tornando a prevenção e o diagnóstico precoce ainda mais importantes”, enfatiza a hepatologista do Hospital Santa Lúcia. “A redução da mortalidade observada na última década reflete a ampliação da vacinação contra hepatite B, o acesso ao tratamento da hepatite C e melhorias no diagnóstico precoce.”

 

Quem deve se testar? 

Embora a maioria dos portadores permaneça assintomática por anos, o surgimento de manifestações clínicas tardias pode incluir fadiga persistente, náuseas, perda de apetite, dor na região abdominal, urina escura, coceira intensa na pele e icterícia (pele e olhos amarelados). O rastreio é feito por meio de testes rápidos e exames moleculares baseados em um perfil epidemiológico específico. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a testagem para hepatites B e C pelo menos uma vez na vida para toda a população adulta, além da testagem periódica dos grupos de maior risco.

 

A testagem é priorizada para os seguintes grupos de pacientes: 

  • Adultos que nunca realizaram testagem para hepatites B e C, especialmente aqueles acima de 40 anos ou com fatores de risco;
  • Indivíduos que receberam transfusão de sangue antes da implementação da triagem sorológica obrigatória no Brasil, realizada em 1992;
  • Usuários de drogas injetáveis ou inaladas;
  • Profissionais da área da saúde expostos a materiais biológicos;
  • Pessoas privadas de liberdade;
  • Indivíduos com múltiplos parceiros sexuais ou pessoas vivendo com HIV;
  • Pacientes submetidos a programas de hemodiálise;
  • Gestantes, bem como familiares e parceiros sexuais de indivíduos sabidamente diagnosticados com hepatite B.

 

Revolução na cura da hepatite C 

O prognóstico para os pacientes diagnosticados precocemente melhorou nos últimos anos devido à evolução da engenharia farmacológica. No caso da hepatite C, a medicina passou a trabalhar com a perspectiva de erradicar completamente o patógeno no organismo. 

"Hoje, a hepatite C é considerada uma doença curável na grande maioria dos casos", afirma a gastro-hepatologista. "Os antivirais de ação direta permitem taxas de cura superiores a 95%, com tratamentos que costumam durar entre 8 e 12 semanas, apresentam poucos efeitos colaterais e são altamente eficazes. Quanto mais precocemente o tratamento é iniciado, menores são as chances de danos permanentes ao fígado. É importante ressaltar que mesmo após a erradicação (cura) do vírus, pessoas com fibrose ou cirrose já instalada devem manter seguimento regular." 

Para garantir o suporte assistencial necessário em todas as fases das patologias hepáticas, o Centro de Excelência em Doenças do Fígado do Hospital Santa Lúcia Sul oferece uma linha de cuidado multidisciplinar integrada. A estrutura hospitalar foi projetada para realizar desde o diagnóstico laboratorial especializado e exames de imagem avançados até biópsias hepáticas e esquemas terapêuticos individualizados. Nos quadros clínicos de extrema gravidade em que há falência do órgão, a instituição oferece suporte para a realização de transplante hepático, assegurando assistência integral e resolutiva na região Centro-Oeste.

 

Estudos relativizam associação entre chocolate e sintomas da TPM

No Dia Mundial do Chocolate, especialistas esclarecem por que o alimento ganhou fama de "companheiro da TPM" e explicam que sua relação com a saúde da mulher é mais complexa do que o senso comum sugere

 

Comemora-se em 7 de julho, o Dia Mundial do Chocolate. E, no imaginário popular, poucas associações são tão conhecidas quanto a de mulheres que recorrem ao chocolate durante a TPM, especialmente. A imagem, repetida por décadas em campanhas publicitárias, filmes e redes sociais, consolidou a ideia de que o alimento seria uma necessidade biológica feminina nesse período. 

A literatura científica, porém, mostra um cenário mais complexo. Embora muitas mulheres relatem aumento do desejo por chocolate antes da menstruação, os estudos indicam que fatores culturais, emocionais e comportamentais têm papel tão importante quanto as alterações hormonais.

Uma pesquisa publicada na revista científica Appetite comparou mulheres dos Estados Unidos e da Espanha e encontrou diferenças marcantes na frequência do desejo por chocolate durante o período pré-menstrual. Enquanto entre as norte-americanas essa associação foi amplamente relatada, entre as espanholas ela apareceu em proporção muito menor. Os pesquisadores concluíram que a cultura exerce influência significativa sobre esse comportamento, enfraquecendo a hipótese de que exista um mecanismo fisiológico universal responsável pelo chamado "desejo de chocolate na TPM".

Para a médica ginecologista Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina, esse é um dos principais equívocos quando o assunto é saúde feminina. "Existe uma tendência de atribuir qualquer mudança de humor ou de apetite exclusivamente aos hormônios. O ciclo menstrual realmente provoca alterações hormonais capazes de influenciar o funcionamento do organismo, mas a resposta de cada mulher é individual. Aspectos emocionais, hábitos alimentares, qualidade do sono, nível de estresse e até fatores culturais participam dessa equação”, ela defende. 

A TPM representa um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais que podem surgir nos dias que antecedem a menstruação. Irritabilidade, ansiedade, maior sensibilidade emocional, retenção de líquidos, fadiga e alterações do apetite figuram entre as manifestações mais frequentes. Ainda assim, a intensidade varia amplamente entre as mulheres e, em alguns casos, os sintomas sequer aparecem.

Embora seja comum ouvir que o chocolate melhora o humor por estimular a produção de serotonina, a ciência mostra que esse efeito costuma ser mais discreto do que se imagina. O alimento reúne compostos bioativos, como flavonoides, teobromina e pequenas quantidades de cafeína, além de proporcionar prazer sensorial, fatores que podem contribuir para uma sensação temporária de bem-estar. Isso, entretanto, não significa que ele trate a TPM ou corrija alterações hormonais.

"A alimentação pode ser uma aliada importante para reduzir alguns desconfortos do ciclo menstrual, mas nenhum alimento, isoladamente, funciona como tratamento. O chocolate pode fazer parte de uma dieta equilibrada, principalmente quando possui maior concentração de cacau, porém ele não substitui acompanhamento médico nem mudanças no estilo de vida quando a mulher apresenta sintomas intensos", completa Roberta.

Outro mito frequentemente repetido é o de que mulheres precisam consumir chocolate porque estariam com deficiência de magnésio durante a TPM. Essa hipótese chegou a ser discutida por pesquisadores nas últimas décadas, mas não encontrou confirmação consistente. Estudos clínicos que avaliaram possíveis relações entre progesterona, tensão emocional e desejo por chocolate também não conseguiram demonstrar que alterações hormonais específicas sejam as responsáveis diretas pela compulsão alimentar nesse período.

A médica explica que o aumento do apetite observado na fase lútea, período entre a ovulação e a menstruação, faz parte de uma adaptação fisiológica do organismo. "É esperado que algumas mulheres apresentem maior fome nessa fase do ciclo. Isso não significa perda de controle ou fraqueza emocional. O importante é compreender esses sinais do corpo e buscar estratégias alimentares que promovam saciedade, sem transformar o chocolate em um alimento proibido ou em uma solução para todos os sintomas”, aconselha. 

Ao final, Roberta indica que está liberado comemorar o o No Dia Mundial do Chocolate, mas a principal mensagem da ciência é que não existe motivo para demonizar o alimento nem para atribuir a ele poderes terapêuticos. “O chocolate pode integrar uma alimentação equilibrada e, para muitas mulheres, representar um momento de prazer. Transformá-lo, porém, em símbolo obrigatório da TPM ou da saúde feminina significa perpetuar um mito que a própria literatura científica vem desmontando há anos”, finaliza.

 

Férias escolares aumentam o risco de acidentes com crianças

 

Freepik
Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico destaca que o aumento das atividades recreativas nas férias exige maior atenção à segurança das crianças dentro e fora de casa 

 

As férias escolares são sinônimo de diversão, viagens e muito tempo dedicado às brincadeiras. No entanto, o período também costuma ser marcado pelo aumento dos acidentes envolvendo crianças. A combinação entre mudanças na rotina, maior tempo dedicado às atividades recreativas, prática de esportes, exploração de novos ambientes e, muitas vezes, menor supervisão dos adultos contribui para o crescimento desses casos nos serviços de urgência e emergência. 

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO), Dr. Luiz Henrique Penteado, o aumento dos casos está relacionado à maior exposição das crianças a atividades que envolvem velocidade, altura e impacto. 

“Durante as férias, as crianças passam mais tempo brincando, experimentam novas atividades e permanecem por mais horas em parques, condomínios, clubes e áreas externas. Isso aumenta naturalmente a exposição a situações de risco. O problema não está na brincadeira, mas na ausência de medidas de segurança, como o uso de equipamentos de proteção, a escolha de locais adequados e a supervisão de um adulto”, explica. 

Entre as lesões mais frequentes estão as fraturas de punho, antebraço, clavícula e cotovelo, geralmente provocadas por quedas de bicicleta, skate ou patinete. Entorses de tornozelo e joelho, luxações e contusões também fazem parte dos atendimentos mais comuns nessa época do ano. 

“O uso de capacete, joelheiras, cotoveleiras e munhequeiras faz toda a diferença. Esses equipamentos não eliminam completamente o risco de acidentes, mas reduzem o impacto das quedas e diminuem significativamente a gravidade das lesões. Da mesma forma, verificar as condições dos brinquedos, respeitar a faixa etária recomendada e incentivar brincadeiras em locais seguros são atitudes fundamentais para prevenir acidentes”, destaca o médico. 

O especialista também chama atenção para o uso de camas elásticas. O risco aumenta quando várias crianças utilizam o equipamento ao mesmo tempo ou quando ele não possui rede de proteção adequada. Nos playgrounds, a orientação é observar se os brinquedos estão em boas condições de conservação e se o piso é apropriado para amortecer possíveis quedas. 

Dentro de casa, os riscos também merecem atenção. Escadas sem proteção, pisos molhados, móveis instáveis, janelas sem telas de segurança, tapetes escorregadios e brinquedos espalhados pelo chão aumentam as chances de acidentes, principalmente entre crianças menores, que passam mais tempo explorando os ambientes durante as férias.

 

O que fazer em caso de acidente? 

Em caso de queda e o relato de dor intensa, apresentação de deformidade, inchaço importante ou dificuldade para movimentar um braço ou uma perna, a recomendação é procurar atendimento médico e evitar manipular o membro lesionado. ‘Muitas vezes, a criança consegue continuar brincando logo após o acidente, mas isso não significa que a lesão seja leve. Algumas fraturas podem apresentar poucos sinais nas primeiras horas. Por isso, sempre que houver suspeita de lesão, o ideal é buscar avaliação médica para que o diagnóstico e o tratamento sejam realizados precocemente”, orienta Penteado. 

O presidente da SBTO reforça que a prevenção continua sendo a principal aliada das famílias durante o período de férias. “As férias devem ser um período de boas lembranças. Com medidas simples, como supervisão constante, uso de equipamentos de proteção e atenção ao ambiente onde a criança brinca, é possível reduzir significativamente o número de acidentes e garantir um recesso muito mais seguro para toda a família”, conclui.

 

Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico - SBTO

 

Estudos relativizam associação entre chocolate e sintomas da TPM

No Dia Mundial do Chocolate, especialistas esclarecem por que o alimento ganhou fama de "companheiro da TPM" e explicam que sua relação com a saúde da mulher é mais complexa do que o senso comum sugere

 

Comemora-se em 7 de julho, o Dia Mundial do Chocolate. E, no imaginário popular, poucas associações são tão conhecidas quanto a de mulheres que recorrem ao chocolate durante a TPM, especialmente. A imagem, repetida por décadas em campanhas publicitárias, filmes e redes sociais, consolidou a ideia de que o alimento seria uma necessidade biológica feminina nesse período. 

A literatura científica, porém, mostra um cenário mais complexo. Embora muitas mulheres relatem aumento do desejo por chocolate antes da menstruação, os estudos indicam que fatores culturais, emocionais e comportamentais têm papel tão importante quanto as alterações hormonais.

Uma pesquisa publicada na revista científica Appetite comparou mulheres dos Estados Unidos e da Espanha e encontrou diferenças marcantes na frequência do desejo por chocolate durante o período pré-menstrual. Enquanto entre as norte-americanas essa associação foi amplamente relatada, entre as espanholas ela apareceu em proporção muito menor. Os pesquisadores concluíram que a cultura exerce influência significativa sobre esse comportamento, enfraquecendo a hipótese de que exista um mecanismo fisiológico universal responsável pelo chamado "desejo de chocolate na TPM".

Para a médica ginecologista Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina, esse é um dos principais equívocos quando o assunto é saúde feminina. "Existe uma tendência de atribuir qualquer mudança de humor ou de apetite exclusivamente aos hormônios. O ciclo menstrual realmente provoca alterações hormonais capazes de influenciar o funcionamento do organismo, mas a resposta de cada mulher é individual. Aspectos emocionais, hábitos alimentares, qualidade do sono, nível de estresse e até fatores culturais participam dessa equação”, ela defende. 

A TPM representa um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais que podem surgir nos dias que antecedem a menstruação. Irritabilidade, ansiedade, maior sensibilidade emocional, retenção de líquidos, fadiga e alterações do apetite figuram entre as manifestações mais frequentes. Ainda assim, a intensidade varia amplamente entre as mulheres e, em alguns casos, os sintomas sequer aparecem.

Embora seja comum ouvir que o chocolate melhora o humor por estimular a produção de serotonina, a ciência mostra que esse efeito costuma ser mais discreto do que se imagina. O alimento reúne compostos bioativos, como flavonoides, teobromina e pequenas quantidades de cafeína, além de proporcionar prazer sensorial, fatores que podem contribuir para uma sensação temporária de bem-estar. Isso, entretanto, não significa que ele trate a TPM ou corrija alterações hormonais.

"A alimentação pode ser uma aliada importante para reduzir alguns desconfortos do ciclo menstrual, mas nenhum alimento, isoladamente, funciona como tratamento. O chocolate pode fazer parte de uma dieta equilibrada, principalmente quando possui maior concentração de cacau, porém ele não substitui acompanhamento médico nem mudanças no estilo de vida quando a mulher apresenta sintomas intensos", completa Roberta.

Outro mito frequentemente repetido é o de que mulheres precisam consumir chocolate porque estariam com deficiência de magnésio durante a TPM. Essa hipótese chegou a ser discutida por pesquisadores nas últimas décadas, mas não encontrou confirmação consistente. Estudos clínicos que avaliaram possíveis relações entre progesterona, tensão emocional e desejo por chocolate também não conseguiram demonstrar que alterações hormonais específicas sejam as responsáveis diretas pela compulsão alimentar nesse período.

A médica explica que o aumento do apetite observado na fase lútea, período entre a ovulação e a menstruação, faz parte de uma adaptação fisiológica do organismo. "É esperado que algumas mulheres apresentem maior fome nessa fase do ciclo. Isso não significa perda de controle ou fraqueza emocional. O importante é compreender esses sinais do corpo e buscar estratégias alimentares que promovam saciedade, sem transformar o chocolate em um alimento proibido ou em uma solução para todos os sintomas”, aconselha. 

Ao final, Roberta indica que está liberado comemorar o o No Dia Mundial do Chocolate, mas a principal mensagem da ciência é que não existe motivo para demonizar o alimento nem para atribuir a ele poderes terapêuticos. “O chocolate pode integrar uma alimentação equilibrada e, para muitas mulheres, representar um momento de prazer. Transformá-lo, porém, em símbolo obrigatório da TPM ou da saúde feminina significa perpetuar um mito que a própria literatura científica vem desmontando há anos”, finaliza.


Acidentes domésticos com crianças aumentam nas férias de julho

IA   ChatGPT
Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) orienta sobre as ocorrências mais comuns envolvendo mãos e dedos durante o período e explica como prevenir 

 

Com a chegada das férias escolares de julho, muitas crianças passam mais tempo em casa enquanto os pais conciliam o trabalho com a rotina da família. Nesse período, é comum que elas tenham mais liberdade para brincar, explorar os ambientes e participar de atividades do dia a dia. Embora esses momentos sejam importantes para o desenvolvimento infantil, também aumentam as chances de acidentes domésticos, especialmente aqueles que atingem as mãos e os dedos.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Roberto Luiz Sobania, lembra que as mãos estão entre as partes do corpo mais expostas. “A criança conhece o mundo pelas mãos. Ela toca, segura, escala, abre portas, mexe em objetos e ainda não consegue avaliar todos os riscos. Por isso, as mãos acabam sendo uma das regiões mais atingidas em acidentes domésticos”, fala.
 

Entre os acidentes mais frequentes estão os esmagamentos de dedos em portas e gavetas, cortes provocados por facas, tesouras e objetos de vidro, além de queimaduras e lesões causadas pelo contato com eletrodomésticos ou ferramentas. Quedas durante brincadeiras, passeios de bicicleta, patins e skate também podem provocar fraturas, torções e outros traumas nas mãos e nos punhos. 

"Nem sempre é possível evitar todos os acidentes, mas a maior parte deles pode ser prevenida com supervisão e um ambiente mais seguro. Também é importante orientar as crianças, de acordo com a idade, sobre os riscos de determinados objetos e atividades”, diz. 

Algumas medidas simples podem evitar que as férias se transformem em transtorno, como manter objetos cortantes fora do alcance das crianças, restringir o acesso a eletrodomésticos em funcionamento, instalar travas ou protetores em portas e gavetas para evitar o esmagamento dos dedos, além de supervisão constante. “Muitos acidentes acontecem em poucos segundos”, salienta o especialista.

 

O que fazer quando o acidente acontece? 

Em caso de acidente, o atendimento rápido faz toda diferença. “Lesões de tendões, nervos e vasos podem parecer pequenas externamente, mas podem comprometer a função da mão se não forem tratadas adequadamente”, ressalta o Dr. Sobania. “Antes de chegar ao hospital, algumas orientações são compressão em caso de sangramento, não recolocar dedos no lugar, não aplicar substâncias caseiras em queimaduras e procurar atendimento rapidamente”, destaca. 

Já em casos de amputação, o segmento amputado deve ser envolvido em gaze ou pano limpo e seco, colocado em um saco plástico bem fechado e, em seguida, acondicionado em um recipiente com gelo e água gelada. É importante que a parte amputada não fique em contato direto com o gelo, pois isso pode causar lesão por congelamento e reduzir as chances de reimplante. A vítima deve ser encaminhada imediatamente a um serviço de urgência especializado. 

“As férias devem ser um período de diversão. Com alguns cuidados e atenção redobrada dos adultos, é possível reduzir significativamente esses riscos e garantir que as crianças aproveitem esse momento com alegria e segurança”, conclui Dr. Sobania. 



SBCM - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão
www.cirurgiadamao.org.br


Mulheres são mais vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis por fatores biológicos, revela especialista

 

As doenças infectocontagiosas continuam representando um importante desafio para a saúde da mulher. Infecções causadas por vírus, bactérias, fungos e parasitas podem comprometer não apenas a saúde ginecológica, mas também a fertilidade, a qualidade de vida e o bem-estar feminino. Entre as principais doenças estão HIV, hepatites virais, HPV, herpes genital, sífilis, gonorreia, clamídia, tricomoníase, vaginose bacteriana e candidíase, que podem apresentar manifestações variadas e, em muitos casos, evoluir de forma silenciosa.

 

Segundo a Dra. Iara Moreno Linhares, ginecologista, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, as mulheres apresentam maior vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis devido a fatores biológicos. “A natureza dotou o sêmen de propriedades imunossupressoras para permitir a fecundação. Como consequência, ocorre uma redução temporária da imunidade local na vagina após a relação sexual, facilitando a instalação de agentes infecciosos”, conta.

 

Entre os sinais que merecem atenção estão feridas na região genital, corrimentos anormais, coceira, ardor ao urinar, irritação, verrugas, desconforto no baixo-ventre e dor. No entanto, a especialista destaca que algumas infecções podem não apresentar sintomas, o que torna o acompanhamento médico ainda mais importante. “Doenças como clamídia e gonorreia podem ser totalmente silenciosas, mas causar complicações graves, como inflamação das trompas e infertilidade. Por isso, a consulta periódica com o ginecologista é fundamental, mesmo na ausência de sintomas”, ressalta a ginecologista.

 

A sífilis, por exemplo, costuma se manifestar inicialmente por uma ferida indolor que desaparece espontaneamente, levando muitas pacientes a acreditarem que o problema foi resolvido. Já o herpes genital geralmente provoca pequenas bolhas que evoluem para feridas dolorosas. A tricomoníase pode causar corrimento amarelado e irritação local, a vaginose bacteriana causa corrimento com odor desagradável enquanto a candidíase costuma provocar coceira intensa e corrimento característico. O HPV merece atenção especial por incluir tipos virais associados ao desenvolvimento de câncer do colo do útero, da vagina e da vulva.

 

A principal forma de prevenção continua sendo o uso correto e consistente do preservativo masculino ou feminino durante as relações sexuais. “Muitas mulheres ainda acreditam que a confiança no parceiro elimina os riscos de infecção, mas o uso da camisinha continua sendo a medida mais eficaz para reduzir a transmissão das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), afirma a médica.

 

A especialista explica que, durante as relações sexuais, o contato natural entre as mucosas do pênis e da vagina pode provocar pequenas microlesões, popularmente descritas como "cortinhos", que geralmente passam despercebidas. Embora sejam imperceptíveis, essas lesões facilitam a entrada de vírus e outros agentes infecciosos, aumentando o risco de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV. “A mulher apresenta uma área de mucosa genital mais extensa do que a do homem, o que amplia a superfície de exposição aos microrganismos e contribui para uma maior vulnerabilidade feminina à aquisição dessas infecções”, explica a Dra. Iara.

 

A relevância das infecções sexualmente transmissíveis para a saúde pública foi reforçada recentemente por uma Nota Técnica publicada pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), do Ministério da Saúde, em parceria com a FEBRASGO. O documento orienta profissionais de saúde sobre a ampliação da oferta da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para mulheres, incluindo gestantes, puérperas e lactantes, com o objetivo de reduzir novas infecções por HIV, fortalecer a prevenção da transmissão vertical e ampliar o acesso a estratégias eficazes de prevenção.

 

O diagnóstico das doenças infectocontagiosas é realizado por meio da avaliação clínica, exame físico e exames laboratoriais, que podem incluir coleta de material do trato genital e exames de sangue. Quando identificadas precocemente, grande parte dessas infecções são tratadas de maneira eficaz, reduzindo o risco de complicações futuras. “Sempre que houver qualquer alteração ou sintoma, a mulher deve procurar assistência médica. Mas é importante lembrar que muitas infecções não causam sinais evidentes. Por isso, o acompanhamento ginecológico regular é indispensável para a prevenção, o diagnóstico precoce e a preservação da saúde feminina”, conclui a Dra. Iara.




Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO - Comprometida com o pleno respeito à saúde e bem-estar das mulheres, lidera a Campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher,
https://www.febrasgo.org.br/pt/
@febrasgooficial
@feitoparaelaoficial


Julho Amarelo: hepatites silenciosas acumulam mais de 826 mil casos no Brasil desde 2000 e acendem alerta para exames de rotina

Campanha nacional reforça a importância do diagnóstico precoce para evitar a evolução de infecções assintomáticas, como cirrose e câncer de fígado 

 

A campanha Julho Amarelo alerta a população brasileira sobre o perigo das hepatites virais. Consideradas uma ameaça oculta, elas costumam agir de forma assintomática no organismo por décadas, fazendo com que a descoberta tardia seja um dos principais desafios para o controle clínico das infecções. A conscientização e o rastreio proativo são ferramentas essenciais para frear a evolução dessas patologias antes que gerem danos irreversíveis. 

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, publicado em 2025, o Brasil confirmou um total de 826.031 casos entre os anos de 2000 e 2024. Desse montante acumulado em 24 anos, exatamente 302.351 notificações corresponderam a infecções pelo vírus da hepatite B. Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam cerca de 304 milhões de pessoas vivendo com infecções crônicas pelos vírus dos tipos B ou C. 

A gastro-hepatologista Dra. Natália Trevizoli, do Centro de Excelência em Doenças do Fígado do Hospital Santa Lúcia (HSL), em Brasília, explica que as hepatites virais, especialmente as causadas pelos vírus B e C, podem permanecer por muitos anos sem provocar sintomas. Quando eles surgem, na maioria dos casos, já refletem doença hepática avançada. Se não diagnosticadas e tratadas, essas infecções podem evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular, o tipo mais comum de câncer de fígado. Globalmente, as hepatites B e C são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de mortes por ano. 

“Durante esse período, o vírus continua causando inflamação no fígado de forma lenta e progressiva. Muitas pessoas descobrem a doença apenas quando já apresentam cirrose ou câncer de fígado. Por isso, o diagnóstico precoce por meio de exames é fundamental”, alerta a médica. “A infecção crônica pode levar à inflamação persistente do fígado, favorecendo o desenvolvimento de fibrose, que é a formação de cicatrizes no órgão. Com o passar dos anos, essa fibrose pode evoluir para cirrose, aumentando o risco de insuficiência hepática e de carcinoma hepatocelular." 

Por outro lado, o avanço da cobertura vacinal gerou um reflexo estatístico positivo recente. Entre os anos de 2014 e 2024, a taxa de mortalidade provocada pelas hepatites virais no Brasil registrou um declínio de 50%, consolidando o papel da imunização na proteção coletiva.

 

Como se prevenir 

Para interromper a cadeia de transmissão das hepatites do tipo B e C, os cuidados envolvem desde hábitos de higiene até mesmo a vigilância em procedimentos estéticos. "A principal forma de prevenção da hepatite B é a vacinação, que inclusive está disponível no SUS. Também é importante utilizar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar objetos perfurocortantes, como lâminas, alicates de unha e seringas, e garantir que procedimentos como tatuagens e piercings sejam realizados em locais que utilizem materiais esterilizados ou descartáveis. Para a hepatite C ainda não existe vacina, tornando a prevenção e o diagnóstico precoce ainda mais importantes”, enfatiza a hepatologista do Hospital Santa Lúcia. “A redução da mortalidade observada na última década reflete a ampliação da vacinação contra hepatite B, o acesso ao tratamento da hepatite C e melhorias no diagnóstico precoce.”

 

Quem deve se testar? 

Embora a maioria dos portadores permaneça assintomática por anos, o surgimento de manifestações clínicas tardias pode incluir fadiga persistente, náuseas, perda de apetite, dor na região abdominal, urina escura, coceira intensa na pele e icterícia (pele e olhos amarelados). O rastreio é feito por meio de testes rápidos e exames moleculares baseados em um perfil epidemiológico específico. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a testagem para hepatites B e C pelo menos uma vez na vida para toda a população adulta, além da testagem periódica dos grupos de maior risco. 

A testagem é priorizada para os seguintes grupos de pacientes: 

  • Adultos que nunca realizaram testagem para hepatites B e C, especialmente aqueles acima de 40 anos ou com fatores de risco;
  • Indivíduos que receberam transfusão de sangue antes da implementação da triagem sorológica obrigatória no Brasil, realizada em 1992;
  • Usuários de drogas injetáveis ou inaladas;
  • Profissionais da área da saúde expostos a materiais biológicos;
  • Pessoas privadas de liberdade;
  • Indivíduos com múltiplos parceiros sexuais ou pessoas vivendo com HIV;
  • Pacientes submetidos a programas de hemodiálise;
  • Gestantes, bem como familiares e parceiros sexuais de indivíduos sabidamente diagnosticados com hepatite B.

 

Revolução na cura da hepatite C 

O prognóstico para os pacientes diagnosticados precocemente melhorou nos últimos anos devido à evolução da engenharia farmacológica. No caso da hepatite C, a medicina passou a trabalhar com a perspectiva de erradicar completamente o patógeno no organismo. 

"Hoje, a hepatite C é considerada uma doença curável na grande maioria dos casos", afirma a gastro-hepatologista. "Os antivirais de ação direta permitem taxas de cura superiores a 95%, com tratamentos que costumam durar entre 8 e 12 semanas, apresentam poucos efeitos colaterais e são altamente eficazes. Quanto mais precocemente o tratamento é iniciado, menores são as chances de danos permanentes ao fígado. É importante ressaltar que mesmo após a erradicação (cura) do vírus, pessoas com fibrose ou cirrose já instalada devem manter seguimento regular." 

Para garantir o suporte assistencial necessário em todas as fases das patologias hepáticas, o Centro de Excelência em Doenças do Fígado do Hospital Santa Lúcia Sul oferece uma linha de cuidado multidisciplinar integrada. A estrutura hospitalar foi projetada para realizar desde o diagnóstico laboratorial especializado e exames de imagem avançados até biópsias hepáticas e esquemas terapêuticos individualizados. Nos quadros clínicos de extrema gravidade em que há falência do órgão, a instituição oferece suporte para a realização de transplante hepático, assegurando assistência integral e resolutiva na região Centro-Oeste.


Frio exige atenção redobrada com doenças respiratórias

Doctor Clin orienta sobre prevenção, vacinação e sinais de alerta durante o outono e o inverno 

 

A combinação de baixas temperaturas, tempo seco e maior permanência em ambientes fechados favorece a circulação de vírus e bactérias, aumentando os casos de resfriados, gripes, bronquiolite, pneumonia e agravamento de doenças crônicas, como rinite alérgica e asma. Na região de atuação da Doctor Clin, a orientação é reforçar medidas preventivas e buscar atendimento diante de sinais de alerta. Segundo a médica pneumologista da Doctor Clin, Dra. Ariana Alvarez Segabinazzi, o aumento das doenças respiratórias nesse período está relacionado tanto às condições climáticas quanto ao comportamento das pessoas nos dias frios.

“As doenças respiratórias aumentam no inverno devido à combinação de tempo seco e baixas temperaturas, que favorecem alterações nas vias respiratórias, como o ressecamento das mucosas e a redução das defesas naturais. Além disso, as pessoas passam mais tempo em locais fechados e com maior aglomeração, o que facilita a transmissão de vírus e bactérias”, explica. 

Entre os quadros mais comuns no outono e no inverno estão o resfriado comum, a gripe, a bronquiolite e a pneumonia. Também é frequente a piora de condições respiratórias já existentes, especialmente em pacientes com rinite alérgica, asma ou outras doenças crônicas. Por isso, a atenção deve ser ainda maior em crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.

Um alerta importante é que alguns sintomas não devem ser ignorados. Falta de ar, tosse persistente, seca ou com catarro, dor no peito, chiado no peito e febre são sinais que indicam a necessidade de avaliação médica, principalmente quando há piora progressiva do quadro ou dificuldade para respirar.

“A vacinação contra doenças respiratórias é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a incidência de infecções e suas complicações, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. Ela diminui significativamente o risco de quadros graves e hospitalizações”, reforça a médica.

A prevenção segue sendo uma das principais formas de cuidado. Manter os ambientes bem ventilados, evitar locais fechados com aglomeração, higienizar as mãos com frequência, hidratar-se adequadamente e manter a vacinação em dia são atitudes simples que ajudam a reduzir o risco de infecções respiratórias.

 

Marcelo Matusiak

Doctor Clin


Pessoas produtivas também adoecem: o crescimento da chamada “ansiedade funcional” entre jovens adultos

 Condição muitas vezes passa despercebida porque pacientes mantêm rotina intensa, alta performance e vida social aparentemente estável

 

Nem toda ansiedade paralisa. Em alguns casos, ela se esconde atrás de agendas lotadas, produtividade constante e uma rotina que, à primeira vista, parece funcionar perfeitamente. É o que tem sido chamado de “ansiedade funcional”, um quadro cada vez mais observado entre jovens adultos que conseguem manter compromissos profissionais, estudos e vida social, mas convivem diariamente com sintomas intensos de ansiedade, autocobrança e exaustão emocional. 

Ansiedade funcional não é um problema classificado nos manuais diagnósticos e o próprio nome carrega uma certa contradição, já que por definição os transtornos ansiosos implicam em comprometimento funcional, segundo os critérios diagnósticos. O termo se refere a quando, apesar da ansiedade, a pessoa continua dando conta das tarefas, como se isso fosse sinal de saúde. Mas continuar funcionando bem “por fora” não significa estar bem “por dentro”: essa mesma pessoa costuma viver em estado de alerta constante, com medo de falhar e uma sensação permanente de insuficiência. O problema é que justamente essa aparente funcionalidade pode atrasar a busca por ajuda. 

Dormir mal com frequência, não conseguir desacelerar, sentir culpa ao descansar e viver em tensão constante são sinais de alerta mesmo quando a rotina parece sob controle. 

“Existe uma ideia equivocada de que, se a pessoa continua entregando resultados, então ela está bem. Mas muitos pacientes vivem em estado constante de alerta, tensos, com sensação de insuficiência, medo constante de falhar e dificuldade real de descansar”, explica o psiquiatra da São Leopoldo Mandic, Dr. Celso Garcia Junior. “Não atingir uma performance elevada não é doença. O que adoece é o contrário: a exigência constante de manter esse desempenho, sem pausa, vai acumulando estresse ao longo do tempo, e é esse estresse crônico que abre caminho para o sofrimento psíquico”. 

Entre os principais sinais estão pensamentos acelerados, irritabilidade, insônia, dificuldade de relaxar, necessidade excessiva de controle, culpa ao descansar e sensação permanente de estar “devendo alguma coisa”. Em muitos casos, a ansiedade funcional também aparece associada ao perfeccionismo e à pressão pelo alto desempenho, especialmente em uma geração acostumada a competir, se comparar e estar disponível o tempo todo. 

O risco é que, sem a atenção adequada, o quadro evolua para quadros ansiosos mais graves, aí sim, com impacto profundo na saúde física, emocional e no bem-estar psicossocial. 

Outro desafio é que pessoas com ansiedade funcional costumam demorar mais para reconhecer o próprio sofrimento. Como conseguem cumprir tarefas e manter uma imagem de estabilidade, muitas só procuram ajuda quando o corpo começa a dar sinais mais intensos de esgotamento. 

O especialista reforça que dormir mal com frequência, não conseguir desacelerar, sentir culpa ao descansar e viver em estado constante de tensão são sinais de alerta importantes mesmo quando a rotina parece sob controle. 

“Conseguir entregar resultados não elimina o sofrimento. Muitas vezes ela apenas mascara um adoecimento que já está acontecendo”, conclui.


 

São Leopoldo Mandic

 

Anvisa aprova nova opção de terapia que reduz em 46% o risco de progressão ou morte por câncer de próstata avançado

Apoiada nos resultados do estudo de Fase III ARANOTE, a aprovação da darolutamida associada apenas à terapia de privação androgênica (ADT) reforça o compromisso da Bayer com a inovação oncológica para mais eficácia, segurança e flexibilidade 

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar uma nova indicação para o uso da darolutamida, tratamento oncológico da Bayer. A terapia, aprovada anteriormente no combate ao câncer de próstata hormônio sensível metastático (CPHSm) em combinação com a quimioterapia, agora recebe o aval para ser utilizada também em terapia dupla — ou seja, a darolutamida associada à terapia de privação androgênica (ADT). A aprovação foi baseada nos resultados consistentes do estudo clínico global de Fase III ARANOTE. 

Para Dr. Denis Jardim, médico oncologista e Professor de Pós Graduação no Hospital Sírio Libanês, a aprovação traz um impacto direto para o desafiador cenário de saúde do país. "O Brasil registra hoje cerca de 48 mortes por dia em decorrência do câncer de próstata. Diante desse cenário, a nova aprovação da Anvisa é um marco, pois permite controlar o avanço da doença com um tratamento altamente eficaz e que também promove segurança, tolerabilidade e manutenção da qualidade da vida. Nosso foco é garantir que esses homens tenham mais tempo de vida com qualidade, mantendo sua capacidade funcional e bem-estar para continuarem ativos e presentes com suas famílias", destaca. 

Os achados do estudo ARANOTE revelaram uma expressiva redução de 46% no risco de progressão radiológica ou morte nos pacientes tratados com a terapia dupla. A eficácia clínica foi confirmada em diversos perfis da doença, alcançando uma redução de risco de 70% nos casos de baixo volume metastático e de 40% naqueles de alto volume. Além disso, a nova abordagem apresentou ganhos substanciais em outros marcadores da jornada do paciente, como o atraso no tempo para a progressão da dor e um maior tempo até a resistência à castração. O grande diferencial está na segurança: a incidência de eventos adversos (como fadiga) foi baixa e muito semelhante ao grupo placebo, atestando o excelente perfil de tolerabilidade da molécula. 

A eficácia da terapia dupla no controle da doença ganha ainda mais peso com os dados do estudo de fase II ARASEC. Esse levantamento comprovou que a darolutamida associada à terapia padrão (ADT) reduziu o risco de morte pela metade (50%) em comparação com o uso isolado apenas da terapia de privação androgênica. Além disso, o risco de a doença avançar ou de o paciente ir a óbito foi 71% menor para quem utilizou a combinação. 

Outro pilar fundamental da terapia validado pela ciência é a preservação da qualidade de vida. O recente estudo clínico comparativo ARACOG demonstrou que os pacientes tratados com a darolutamida mantêm uma melhor função cognitiva em domínios-chave quando comparados aos pacientes submetidos a outras terapias do mercado (como a enzalutamida). Enquanto os homens no tratamento com a darolutamida apresentaram pontuações estáveis ou aumentadas nos testes cognitivos, o grupo da enzalutamida apresentou evidências de declínio. Essa manutenção mental é crucial para garantir que os pacientes possam permanecer independentes, criando memórias e interagindo ativamente com suas famílias no dia a dia. 

Atualmente, o Brasil representa a terceira maior operação global da Bayer. A divisão de oncologia da companhia no país registrou um crescimento de 40% em 2023. A darolutamida vem sendo o grande destaque desse portfólio, consolidando inovações que garantem abordagens cada vez mais personalizadas aos pacientes.

 

Sobre câncer de próstata metastático sensível a hormônio

O câncer de próstata é o segundo câncer mais comum entre homens e a quinta causa mais comum de morte por câncer em homens em todo o mundo.1 Em 2022, o número estimado de homens diagnosticados com câncer de próstata foi de 1,5 milhão, e cerca de 397.000 morreram em decorrência da doença em todo o mundo.1 Prevê-se que os diagnósticos de câncer de próstata aumentem de 1,4 milhão anualmente em 2020 para 2,9 milhões em 2040.2 

No momento do diagnóstico, a maioria dos pacientes possuem o câncer de próstata localizado, o que significa que o câncer está confinado à próstata e pode ser tratado com cirurgia ou radioterapia. CPHSm é um estágio da doença em que o câncer se espalhou para fora da próstata e para outras partes do corpo. Cerca de 10% dos pacientes apresentarão CPHSm ao diagnóstico. Para pacientes com CPHSm, ADT é a base do tratamento, muitas vezes em combinação com docetaxel (quimioterapia) e/ou um inibidor do receptor de andrógeno (ARi). Apesar do tratamento, a maioria dos pacientes com CPHSm acabará por progredir para câncer de próstata resistente à castração (CRPC), uma condição com sobrevivência limitada.

 

Sobre o câncer de próstata na Bayer

A Bayer está empenhada em fornecer ciência para uma vida melhor, através do desenvolvimento de um portfólio de tratamentos inovadores. A empresa tem paixão e determinação para desenvolver novos medicamentos. A Bayer está focada em atender às necessidades únicas dos pacientes com câncer da próstata, fornecendo tratamentos que prolongam as suas vidas ao longo das diferentes fases da doença e permitindo-lhes continuar com as suas atividades diárias, permitindo que os pacientes possam viver vidas mais longas e melhores.

 

Bayer

  

Referências

  1. Bray F et al. Global Cancer Statistics 2022: GLOBOCAN Estimates of Incidence and Mortality Worldwide for 36 Cancers in 185 Countries. Link Accessed: Agosto de 2024
  2. James ND et al. Lancet 2024; 403: 1683–722.

Você sente um cansaço que não passa durante ou após o ciclo menstrual? Entenda o que pode ser

Fadiga intensa, indisposição e falta de concentração podem estar relacionadas à perda de ferro durante a menstruação

 

Sentir um pouco mais de indisposição durante o período menstrual é relativamente comum. No entanto, quando o cansaço se torna intenso, frequente e persiste mesmo após o fim do ciclo, pode ser um sinal de alerta para condições como deficiência de ferro ou anemia.

A menstruação representa uma perda natural de sangue e, consequentemente, de ferro, mineral essencial para a produção de hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio no organismo. Em mulheres com fluxo menstrual intenso ou prolongado, esse impacto pode ser ainda maior.

De acordo com o Dr. Carlos Alberto Reyes Medina, Diretor Médico da Carnot Laboratórios, muitas mulheres normalizam sintomas que merecem investigação. “Cansaço persistente, falta de energia, dificuldade de concentração, palidez e queda de cabelo são sinais frequentemente associados apenas à rotina ou ao período menstrual, mas podem indicar deficiência de ferro”, explica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% das mulheres entre 15 e 49 anos no mundo apresentam anemia, sendo a deficiência de ferro a principal causa. Mulheres em idade reprodutiva estão entre os grupos mais vulneráveis justamente devido às perdas menstruais recorrentes e ao aumento das demandas fisiológicas ao longo da vida.

Dados do Ministério da Saúde também apontam a anemia ferropriva como uma das deficiências nutricionais mais comuns entre mulheres brasileiras, especialmente em fases como adolescência, idade fértil, gestação e pós-parto.

Além do fluxo intenso, outros fatores podem contribuir para níveis baixos de ferro, como alimentação inadequada, baixa absorção intestinal, dietas restritivas e condições ginecológicas que causam sangramento aumentado.

Quando não tratada, a deficiência de ferro pode afetar não apenas a disposição física, mas também imunidade, desempenho cognitivo e qualidade de vida. Em casos mais avançados, pode causar falta de ar, palpitações e tonturas frequentes.

A investigação costuma ser feita por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais, permitindo identificar tanto a deficiência quanto sua causa. O tratamento varia de acordo com o quadro individual e pode incluir ajustes alimentares e suplementação sob orientação médica.

A recomendação é observar padrões. Se o cansaço se repete todos os meses, piora durante ou após a menstruação ou interfere na rotina, vale buscar avaliação profissional.

Nem todo cansaço menstrual deve ser considerado normal. Ouvir os sinais do corpo é fundamental para prevenir deficiências nutricionais e garantir mais qualidade de vida ao longo do ciclo feminino.

  

Carnot® Laboratórios

 

Adium apoia campanha "Brasil sem Dor" e reforça compromisso com a conscientização sobre a dor crônica

 

Parceria com a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) marca as ações do Julho Verde, mês dedicado à conscientização sobre a dor crônica no Brasil

 

Durante todo o mês de julho, a campanha ‘Brasil sem Dor’ promoverá uma série de iniciativas educativas voltadas à população, pacientes e profissionais de saúde. Entre as ações previstas estão conteúdos de conscientização nas redes sociais, lives com especialistas, atividades de educação continuada para médicos e demais profissionais da saúde, além do lançamento de um aplicativo educacional desenvolvido para apoiar pacientes e profissionais no manejo da dor. 

No Brasil, a dor crônica representa um importante desafio para a saúde pública. Um levantamento do Ministério da Saúde aponta que 36,9% dos brasileiros com mais de 50 anos convivem com dores crônicas¹, impactando significativamente a qualidade de vida, a capacidade funcional, a saúde mental e a produtividade. Apesar de sua elevada prevalência, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades para obter diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado. 

"O apoio à campanha ‘Brasil sem Dor’ reforça o compromisso da Adium com a promoção da educação em saúde e com iniciativas que contribuam para ampliar o conhecimento sobre a dor crônica. A informação qualificada é essencial para favorecer o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e uma melhor qualidade de vida para milhões de pessoas que convivem diariamente com essa condição", afirma a Dra. Daniela Lourenço, gerente médica da Adium Brasil. 

Para a presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), Dra. Luci Mara França Correia, a mobilização de diferentes setores fortalece o alcance da campanha. "A campanha ‘Brasil sem Dor’ representa um movimento coletivo em prol da conscientização sobre a dor crônica. Quando diferentes instituições e profissionais caminham juntos, ampliamos o alcance da informação qualificada, fortalecemos o cuidado ao paciente e contribuímos para que a dor seja reconhecida e tratada de forma adequada”.
 

Dor aguda X Dor crônica: entender a diferença é fundamental 

Embora a dor seja um importante mecanismo de defesa do organismo, ela pode assumir características diferentes ao longo do tempo. A dor aguda geralmente surge como resposta imediata a uma lesão, cirurgia, trauma ou processo inflamatório. Em geral, possui duração limitada e tende a desaparecer conforme a causa é tratada. 

Já a dor crônica persiste por três meses ou mais, podendo permanecer mesmo após a resolução da causa inicial. Nesse estágio, ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser reconhecida como uma condição clínica complexa, que exige avaliação multidisciplinar e tratamento individualizado. Além dos impactos físicos, a dor crônica pode comprometer aspectos emocionais, sociais e profissionais da vida dos pacientes. 

“A conscientização sobre essas diferenças é essencial para que pacientes procurem assistência especializada precocemente e tenham acesso às terapias mais adequadas. Seja qual for o tipo de dor, a recomendação é procurar ajuda clínica e não se automedicar.”, explica a Dra. Daniela Lourenço.
 

Compromisso com o tratamento da dor 

O objetivo do tratamento da dor é aliviar o sofrimento do paciente, preservar sua funcionalidade e proporcionar melhor qualidade de vida. Nesse contexto, a Adium disponibiliza um portfólio abrangente de terapias voltadas ao manejo da dor, contemplando desde o tratamento da dor aguda até a dor crônica. 

Recentemente, a companhia ampliou esse portfólio com o lançamento dos adesivos transdérmicos Lusanda® (buprenorfina)² e do Nusira® (cloridrato de tramadol + diclofenaco sódico)³, reforçando seu compromisso em oferecer alternativas terapêuticas inovadoras que contribuam para um cuidado cada vez mais individualizado e centrado nas necessidades dos pacientes

 

Referencias:

  1. Ministério da Saúde. Pesquisa aponta que quase 37% dos brasileiros acima de 50 anos têm dores crônicas. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: Link. Acesso em: 1 jul. 2026.
  2. ADIUM BRASIL. Bula do Lusanda® (buprenorfina, adesivos transdérmicos). São Paulo, 2026. Disponível em: Link. Acesso em: 01/07/2026
  3. ADIUM BRASIL. Bula do Nusira® (cloridrato de tramadol + diclofenaco sódico). São Paulo, 2025. Disponível em: Link. Acesso em: 01/07/2026

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