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quarta-feira, 17 de junho de 2026

O "seguro nutricional": especialistas alertam sobre a importância da suplementação em usuários de GLP-1

Com a redução drástica do apetite provocada pelos análogos de GLP-1, a densidade de nutrientes ingeridos torna-se vital para evitar o efeito rebote

 

A ascensão dos medicamentos inovadores para perda de peso, como os análogos de GLP-1, transformou o tratamento da obesidade globalmente. No entanto, médicos e nutricionistas acendem o alerta para um efeito colateral silencioso: a desnutrição seletiva. Ao reduzir drasticamente o esvaziamento gástrico e a sensação de fome, esses medicamentos levam os pacientes a consumirem porções muito menores. Se essa alimentação reduzida não for compensada com nutrientes de alta qualidade, o organismo cobra o preço: fadiga extrema, queda de cabelo, flacidez e perda acelerada de massa muscular.   

Para responder a esse desafio, a Puravida, marca do ecossistema Nestlé Health Science, introduz o conceito de "seguro nutricional" — uma estratégia de suplementação focada em máxima densidade de nutrientes e alta biodisponibilidade para proteger o organismo enquanto o ponteiro da balança desce. 

"A perda de peso saudável não pode acontecer às custas da vitalidade do corpo. Quando o volume de comida ingerida diminui de forma drástica, cada caloria precisa contar. Suplementar de forma inteligente não é um luxo para quem usa essas medicações; é o seguro que garante que o paciente está perdendo gordura, e não saúde", afirma Luciana Buzolin, diretora de Marketing da divisão de Nutrição e Saúde Nestlé.  

Para manter o metabolismo ativo e evitar a perda de tecido muscular, a Puravida destaca três pilares indispensáveis na rotina de quem faz uso desses tratamentos:

  • Proteínas de alta absorção (Whey Protein Isolado e Colágeno): a escassez de proteína na dieta faz o organismo degradar os próprios músculos para obter aminoácidos. A ingestão diária de proteínas de alta qualidade ajudam a preservar a massa magra, essencial para manter o metabolismo queimando calorias e evitar a flacidez acentuada;
  • Multivitamínicos: com menos comida no prato, a quantidade de vitaminas e minerais cai significativamente. O aporte de micronutrientes essenciais (como vitaminas do complexo B, vitamina D, zinco e ferro) contribui para o funcionamento do sistema imunológico, a saúde da pele e dos cabelos, e a prevenção da fadiga crônica;
  • Saúde intestinal e fibras: medicamentos emagrecedores reduzem a motilidade do estômago e do intestino, o que frequentemente causa constipação severa. O consumo diário de fibras prebióticas e hidratação adequada são fundamentais para manter a microbiota equilibrada e o trânsito intestinal regular. 

A Puravida reforça que o foco desse público deve migrar da quantidade para a eficiência. Suplementos livres de aditivos artificiais, corantes sintéticos ou açúcares ocultos tornam-se grandes aliados, pois entregam o que o organismo necessita sem sobrecarregar o sistema digestivo, que já opera de forma mais lenta sob o efeito da medicação. 

O "seguro nutricional" funciona como uma salvaguarda para que o processo de emagrecimento seja sustentável a longo prazo, preparando o corpo para manter os resultados mesmo após o término do tratamento médico.


Nestlé


Dor crônica no sexo é confundida com fim da libido na maturidade

 Falta de informação faz mulheres aceitarem o isolamento afetivo como parte do envelhecimento, ignorando disfunções físicas tratáveis em consultório.

 

A diminuição do desejo sexual após os 40 anos é uma queixa frequente entre as mulheres, mas nem sempre a libido é a verdadeira responsável pelo afastamento da vida íntima. Em muitos casos, o que leva ao desinteresse é a dor durante a relação sexual, um sintoma que costuma surgir com a chegada da menopausa e do climatério e que, por desconhecimento, acaba sendo encarado como uma consequência inevitável do envelhecimento.

Segundo estimativas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de metade das mulheres na pós-menopausa apresenta sintomas relacionados à síndrome geniturinária da menopausa, que inclui ressecamento vaginal, perda de elasticidade dos tecidos, irritação, sensação de queimação e dor durante o sexo. Apesar do impacto direto na qualidade de vida e nos relacionamentos, muitas deixam de buscar ajuda por vergonha ou por acreditar que “é normal da idade”.

Para a ginecologista e pós-doutora Alessandra Clarizia, sócia da Clarizia Saúde da Mulher e especialista em ginecologia regenerativa, esse pensamento contribui para um ciclo silencioso de sofrimento. “Muitas pacientes chegam ao consultório dizendo que perderam a libido, mas, na verdade, desenvolveram um mecanismo de defesa para evitar a dor. Quando a relação passa a ser associada ao desconforto, o cérebro naturalmente reduz o interesse sexual como forma de proteção”, explica.

Além das alterações hormonais, fatores como enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico, cicatrizes, tensão muscular e disfunções ginecológicas podem contribuir para o surgimento da dor. Felizmente, boa parte desses quadros possui tratamento, que pode envolver fisioterapia pélvica, terapias regenerativas, ajustes hormonais quando indicados e mudanças no estilo de vida.

“A mulher não precisa aceitar a dor como parte do envelhecimento. Hoje contamos com recursos que promovem melhora da lubrificação, recuperação da saúde íntima e fortalecimento da musculatura pélvica, permitindo que ela volte a viver sua sexualidade com conforto e confiança”, destaca Dra. Alessandra.

Outro problema frequente é o impacto emocional causado pelo afastamento da vida sexual. Muitas mulheres passam a evitar momentos de intimidade, sentem culpa, insegurança ou acreditam que perderam definitivamente sua feminilidade. Isso pode afetar a autoestima, os relacionamentos e até favorecer quadros de ansiedade e depressão.

Segundo a especialista, romper esse tabu é fundamental para que mais pacientes procurem atendimento. “O sofrimento silencioso é muito comum porque ainda existe a ideia de que falar sobre sexualidade na maturidade é um assunto proibido. Mas a saúde íntima faz parte da qualidade de vida e merece a mesma atenção que qualquer outra área da saúde.”

Ela reforça que a prevenção também desempenha papel importante. Consultas ginecológicas regulares permitem identificar alterações precocemente e iniciar tratamentos antes que a dor se torne um fator limitante para a vida afetiva e sexual.

“Envelhecer não significa abrir mão do prazer ou da intimidade. A menopausa marca uma nova fase da vida, mas não precisa ser acompanhada de dor ou isolamento. Com informação e tratamento adequado, é possível recuperar o bem-estar e resgatar uma vivência saudável da sexualidade”, conclui. 


Fonte: Dra. Alessandra Clarizia - Ginecologista e pós-doutora, expert em ginecologia regenerativa e sócia da Clarizia Saúde da Mulher.

 

Câncer não precisa significar o fim do sonho da maternidade: preservação da fertilidade ganha respaldo da Justiça e se torna aliada no tratamento oncológico

Freepik
Prof. Dr. José Carlos Sadalla, da Clínica Andrade & Sadalla, explica como diferentes tipos de câncer impactam a fertilidade e por que a preservação deve ser discutida antes do início do tratamento

 

Receber um diagnóstico de câncer é, por si só, um dos momentos mais difíceis na vida de qualquer pessoa. Mas para muitos pacientes em idade reprodutiva, esse momento carrega uma segunda perda silenciosa: a possibilidade de ter filhos no futuro. Quimioterapia e radioterapia, embora essenciais para salvar vidas, podem comprometer de forma definitiva a fertilidade. A boa notícia é que, com planejamento e agilidade, essa perda pode ser evitada e a Justiça brasileira tem reforçado esse direito. 

Decisões recentes do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios determinaram que planos de saúde devem custear integralmente o congelamento de óvulos para pacientes oncológicas, reconhecendo o procedimento como etapa acessória do tratamento do câncer. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também tem reconhecido decisões favoráveis às pacientes nesse sentido, ampliando o acesso a um procedimento que, até pouco tempo, era visto como privilégio de poucos.
 

Cada câncer, um impacto diferente na fertilidade 

Para o Prof. Dr. José Carlos Sadalla, médico oncoginecologista e cofundador da Clínica Andrade & Sadalla, entender como cada tipo de câncer afeta a fertilidade é o primeiro passo para que o paciente possa tomar decisões informadas — e rápidas. 

"O tempo é o maior inimigo nessa equação. Cada tipo de câncer tem suas particularidades, e cada tratamento tem um impacto diferente sobre os órgãos reprodutivos. Por isso, a discussão sobre preservação da fertilidade precisa acontecer antes do início do tratamento oncológico, idealmente já na primeira consulta após o diagnóstico", explica o especialista. 

No câncer de mama, um dos mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva, a quimioterapia pode reduzir drasticamente a reserva ovariana, e tratamentos hormonais prolongados — que podem durar de 5 a 10 anos — postergam significativamente o momento ideal para engravidar. No câncer de colo do útero, dependendo do estádio, cirurgias podem comprometer diretamente o útero, tornando a preservação da fertilidade uma decisão urgente antes de qualquer intervenção. 

Já no câncer de ovário, a situação é particularmente delicada: o próprio órgão responsável pela fertilidade pode precisar ser removido, unilateral ou bilateralmente, dependendo da extensão da doença — o que exige avaliação rápida e individualizada sobre a viabilidade da preservação. 

Nos linfomas e leucemias, comuns também em pacientes jovens, a quimioterapia de alta intensidade e, em alguns casos, o transplante de medula óssea, têm efeito direto sobre a função ovariana, tornando a preservação da fertilidade uma etapa frequentemente recomendada antes do início do protocolo.

 

As opções disponíveis 

Entre as técnicas de preservação da fertilidade estão o congelamento de óvulos, de embriões, ou de fragmentos de tecido ovariano. As taxas de sucesso variam: o congelamento de embriões, por serem técnicas mais consolidadas, apresentam os melhores resultados, enquanto o congelamento de óvulos tem demonstrado taxas de gravidez ao redor de 30%.

"Não existe uma resposta única. A escolha da técnica depende do tipo de câncer, da urgência em iniciar o tratamento, da idade da paciente e até do estado civil. Mulheres solteiras, por exemplo, geralmente optam pelo congelamento de óvulos, enquanto casais podem considerar o congelamento de embriões. O papel do médico é apresentar essas opções com clareza, sem gerar falsas expectativas, mas também sem negar essa possibilidade a quem deseja preservá-la", completa o Dr. Sadalla.
 

Uma conversa que precisa acontecer 

Para o especialista, o maior obstáculo ainda não é técnico, mas de comunicação. Muitos pacientes não sabem que essa opção existe, e muitos oncologistas, focados na urgência do tratamento contra o câncer, podem não abordar o tema no tempo adequado. 

"A preservação da fertilidade não compete com o tratamento do câncer — ela faz parte dele. Em geral, é possível realizar a estimulação ovariana e o congelamento de óvulos em um intervalo de 10 a 14 dias, sem atrasar de forma significativa o início da quimioterapia. O que defendemos é que essa conversa aconteça sempre, para que o paciente decida com informação completa. Ninguém deveria descobrir, anos depois de vencer o câncer, que perdeu também a chance de ser pai ou mãe sem nunca ter sido informado sobre essa possibilidade", afirma.
  
 

Clínica Andrade & Sadalla
Av. Ibirapuera, 2.907, conjunto 720 — Moema, São Paulo.
Instagram: @clinicaandradesadalla



Menopausa sem hormônios: quando a fitoterapia pode ser uma aliada no controle dos sintomas

Para mulheres que não podem ou não desejam fazer reposição hormonal, ativos naturais associados à alimentação adequada podem ajudar no controle de sintomas como insônia, alterações de humor, baixa libido e ganho de peso. 

 

Ondas de calor, dificuldade para dormir, mudanças de humor, queda da libido e ganho de peso estão entre as principais queixas de mulheres que atravessam a menopausa. Embora a terapia de reposição hormonal seja considerada uma opção eficaz para muitas pacientes, ela não é indicada para todos os casos. Mulheres com contraindicações clínicas ou que optam por não utilizar hormônios têm buscado alternativas mais naturais, e ainda sim capazes de amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Nesse contexto, a fitoterapia, quando associada a uma alimentação equilibrada e acompanhada por profissionais de saúde, pode ser uma importante aliada.

O interesse por compostos naturais tem crescido justamente porque algumas plantas apresentam fitoestrógenos, substâncias de origem vegetal que interagem com receptores hormonais e podem contribuir para o alívio de sintomas do climatério. Estudos apontam que ativos presentes na soja (Glycine max), no trevo-vermelho (Trifolium pratense) e na cimicífuga (Cimicifuga racemosa), por exemplo, vêm sendo estudados como alternativas para mulheres que não utilizam terapia hormonal, com resultados promissores para o controle dos fogachos e de outros desconfortos da menopausa.

Segundo a nutricionista funcional Ana Paula Matos, no entanto, não existe uma solução única para todas as mulheres. “A fitoterapia pode oferecer benefícios importantes, mas precisa ser individualizada. Antes de indicar qualquer ativo, é fundamental avaliar sintomas, histórico de saúde, exames laboratoriais e hábitos de vida. O uso indiscriminado de suplementos naturais também pode trazer riscos”, explica.

A especialista destaca que a alimentação exerce papel central nesse processo. Uma dieta rica em fibras, proteínas de qualidade, gorduras boas e alimentos antioxidantes contribui para reduzir processos inflamatórios, preservar a massa muscular e minimizar alterações metabólicas comuns durante a menopausa.

“Quando associamos uma estratégia nutricional adequada a fitoterápicos bem indicados, conseguimos potencializar resultados no controle da insônia, das alterações de humor e até da baixa energia. Mas isso não substitui uma abordagem completa, que inclui atividade física, manejo do estresse e acompanhamento profissional”, afirma Ana Paula.

Entre os sintomas que mais impactam a rotina feminina está o ganho de peso, consequência não apenas da queda hormonal, mas também da redução natural do metabolismo e das mudanças na composição corporal. Para a nutricionista, recorrer apenas a dietas restritivas costuma ser um erro.

“Muitas mulheres entram em um ciclo de restrição alimentar que acaba piorando o quadro. O foco deve ser preservar massa magra, controlar a inflamação e fornecer nutrientes que favoreçam o equilíbrio hormonal. É um trabalho que vai muito além da contagem de calorias”, ressalta.

Embora os fitoterápicos despertem cada vez mais interesse, especialistas reforçam que eles não são isentos de contraindicações e interações medicamentosas. A escolha do tratamento deve ser feita de forma personalizada e sempre com orientação profissional, especialmente para mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente, doenças hepáticas ou outras condições clínicas específicas.

Para Ana Paula Matos, o mais importante é compreender que a menopausa não precisa ser enfrentada com sofrimento. “Hoje existem diferentes estratégias para promover qualidade de vida nessa fase. A fitoterapia é uma delas, mas faz parte de um cuidado integrado, que respeita a individualidade de cada mulher e busca restaurar seu bem-estar de forma segura e sustentável.”

 

Fonte: Ana Paula Matos – nutricionista funcional.


Gripes, viroses e dores no corpo: por que o clínico geral deve ser o primeiro profissional a procurar no inverno?

Com o aumento das doenças respiratórias e infecções típicas da estação, o clínico médico é a porta de entrada para o diagnóstico inicial, tratamento adequado e encaminhamento para outras especialidades quando necessário.

 

Quem nunca acordou em uma manhã fria com aquela sensação de corpo pesado, garganta arranhando e a dúvida cruel de qual remédio tomar ou a qual médico recorrer? Com a chegada do inverno, o aumento nos casos de gripes, viroses e dores musculares costuma lotar os consultórios. De acordo com os boletins do InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as internações por infecções respiratórias dão um salto expressivo no país durante os meses mais frios. Diante desse cenário, antes de sair correndo para um pronto-socorro ou tentar adivinhar qual especialista resolve o seu problema, o caminho mais seguro e inteligente é começar pelo clínico geral.

Na UniClínica BH, é possível perceber no dia a dia o quanto essa primeira consulta faz a diferença. O clínico médico funciona como uma verdadeira porta de entrada para a sua saúde, olhando para o paciente de forma integral, e não apenas para um sintoma isolado. Em vez de perder tempo tentando descobrir se aquela dor de cabeça pede um neurologista ou se a tosse exige um pneumologista, é esse profissional quem vai organizar o que você está sentindo e traçar a rota certa para o seu bem-estar.

Leonardo Silveira Rocha, da Clínica Acor UniClínica BH, alerta sobre o perigo de tentar se tratar sozinho ou de procurar a especialidade errada logo de cara. "No inverno, é muito comum as pessoas acharem que qualquer febre ou mal-estar é só uma bobeira passageira e recorrerem à automedicação. O clínico geral tem a visão global necessária para diferenciar uma virose simples de uma pneumonia ou outra complicação bacteriana, prescrevendo a conduta exata logo no início", explica.

Além de diagnosticar e tratar a imensa maioria das doenças típicas do frio, o clínico também poupa o paciente de exames desnecessários e desgastes emocionais. Quando o quadro realmente pede um suporte mais específico, é ele quem faz o encaminhamento correto. "Muitas vezes, o paciente chega ao consultório focado em uma única queixa, quando na verdade o problema pode ser resolvido de imediato, sem que ele precise peregrinar por vários consultórios", ressalta Leonardo.

Outro ponto importante é que buscar o clínico geral em uma consulta agendada ajuda a evitar as longas e exaustivas esperas nos prontos-socorros, que ficam completamente sobrecarregados nessa época do ano. Optar por esse atendimento focado em você garante um acolhimento mais humanizado e calmo, onde o médico consegue entender todo o seu histórico de saúde, criando um vínculo de confiança que faz toda a diferença na hora de se recuperar.

Para atravessar o inverno sem sustos, o conselho de toda a equipe da UniClínica BH é não ignorar os sinais que o corpo envia e, claro, manter as vacinas em dia. Se as dores persistirem, a febre apertar ou o cansaço aumentar, não espere a situação piorar para procurar ajuda. Cuidar de si mesmo começa por saber ouvir o corpo e escolher o profissional certo para guiar seus passos rumo à recuperação.

 

Fonte: Leonardo Silveira Rocha


Clínica Acor Uniclínica BH
@uniclinicabh


69% das pessoas com enxaqueca no Brasil não fazem acompanhamento médico, revela pesquisa inédita Radar da Enxaqueca

Levantamento mostra abandono do cuidado, baixa adesão ao tratamento preventivo e barreiras de acesso à saúde no país 


A enxaqueca ainda é tratada de forma insuficiente no Brasil. Dados da pesquisa inédita Radar da Enxaqueca, que avalia a prevalência de sintomas de enxaqueca, estima a proporção de indivíduos que não têm diagnóstico no país e mede o nível de impacto que essa condição tem na vida pessoal e profissional dos pacientes, revelam que 69% das pessoas que convivem com a condição não realizam acompanhamento médico atualmente, sendo que 43% já chegaram a procurar um médico, mas abandonaram o cuidado ao longo do tempo. 

O levantamento, realizado pela Imagem Corporativa para a Teva Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (ABRACES), chama atenção para desafios relacionados ao acesso ao diagnóstico, continuidade do cuidado e tratamento adequado.

Apesar do impacto da doença na qualidade de vida, a pesquisa aponta que muitos pacientes ainda tratam apenas os sintomas agudos da enxaqueca. Segundo o levantamento, 42% realizam somente tratamento durante as crises, sem estratégia preventiva para controle das crises.

“Os dados mostram que muitos pacientes ainda convivem com a enxaqueca sem acompanhamento contínuo e sem acesso adequado ao tratamento preventivo, mesmo diante do impacto significativo da doença na rotina e na qualidade de vida. A falta de informação, barreiras de acesso e o desconhecimento sobre opções terapêuticas disponíveis contribuem para atrasos no cuidado e para a subnotificação da gravidade da condição”, afirma Dr. Mario Peres, Presidente da ABRACES.

A falta de informação aparece como uma das principais barreiras para o tratamento preventivo da enxaqueca. Entre os entrevistados que não realizam prevenção, 24% afirmam não saber que existem opções para controle da doença, enquanto 21% relatam medo de efeitos colaterais. Além disso, 17% dizem nunca ter recebido indicação médica para prevenção e 16% consideram a terapêutica muito cara.

A pesquisa reforça ainda a predominância do uso de medicamentos sem acompanhamento médico. Entre os entrevistados, 77% utilizam remédios prescritos por médicos durante as crises, mas 64% fazem uso sem prescrição.

Mario Peres explica que a enxaqueca é uma doença neurológica incapacitante que exige acompanhamento contínuo e individualizado. “A enxaqueca não deve ser tratada apenas no momento da dor. Quando o paciente não recebe acompanhamento adequado, existe maior risco de cronificação, piora da qualidade de vida, impacto emocional e uso excessivo de medicamentos para crise. O tratamento preventivo pode reduzir frequência, intensidade e incapacidade associadas à doença”, afirma o neurologista e presidente da ABRACES.

Os resultados também mostram desigualdades importantes no acesso ao cuidado. Entre as pessoas que possuem plano de saúde, 39% fazem acompanhamento médico, enquanto entre aqueles sem plano esse índice cai para 28%. Entre aqueles que não fazem acompanhamento médico, 35% recorrem ao SUS apenas durante as crises e 11% buscam atendimento via plano de saúde. Outros 26% afirmam nunca ter realizado acompanhamento para tratar a doença.

 

NOTA METODOLÓGICA

O estudo “Radar Sobre Enxaqueca no Brasil”, desenvolvido e coordenado pela consultoria Imagem Corporativa a pedido da farmacêutica Teva, foi dividida em dois módulos.

O primeiro módulo consistiu em pesquisa quantitativa de abrangência nacional realizado entre os dias 5 e 9 de junho de 2025, pela Ipsos-Ipec a pedido da Imagem Corporativa, com o objetivo de identificar a prevalência de pessoas com enxaqueca no Brasil e a subnotificação de diagnósticos da doença.

A amostra é representativa da população brasileira com 16 anos ou mais. Foram realizadas 2.000 entrevistas em 132 municípios, segundo cotas de sexo, idade, região, escolaridade, cor autodeclarada e ramos de atividade conforme dados do CENSO2022 e PNADC 2023.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, sobre os resultados encontrados no total da amostra.

O segundo módulo do estudo também é composto por uma pesquisa quantitativa, com o universo de brasileiros adultos (18 anos ou mais) mas apenas dos que já têm o diagnóstico formal de enxaqueca.

A abordagem foi online por meio de painel representativo do Instituto de Pesquisas Qualibest. Foram realizadas 408 entrevistas entre os dias 23 e 29 de junho de 2025. A margem de erro é de 5 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

  

Teva Pharmaceutical Industries Ltd.
www.tevabrasil.com.br

ABRACES


10 coisas que você precisa saber sobre a nova droga para câncer de pâncreas que foi destaque na ASCO 2026

Estudo apresentado na ASCO 2026 mostrou que o daraxonrasib praticamente dobrou a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático previamente tratados. Entenda quem pode se beneficiar da nova droga, como ela funciona e por que os resultados chamaram a atenção dos especialistas no maior evento de Oncologia Clínica, em Chicago 

 

O estudo mais comentado da ASCO 2026, principal congresso mundial de oncologia clínica, realizado em Chicago, nos Estados Unidos apresentou resultados promissores para pacientes com câncer de pâncreas avançado e o assunto teve ampla repercussão mundial nas últimas semanas. Em dez tópicos, o cirurgião oncológico brasileiro Felipe José Fernández Coimbra, secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO), explica o motivo para o tema ter sido o destaque do evento. A pesquisa avaliou uma nova droga chamada daraxonrasib e mostrou aumento da sobrevida, maior controle da doença, mais respostas tumorais e menos efeitos adversos graves em comparação com a quimioterapia utilizada atualmente nesse cenário. Embora ainda existam perguntas importantes sem resposta, os dados representam um dos avanços mais relevantes observados nos últimos anos para esse tipo de tumor. Confira as dez informações para entender o que os resultados realmente significam: 


1 - O estudo foi realizado em um dos cânceres mais difíceis de tratar

Embora represente uma parcela relativamente pequena dos diagnósticos de câncer, o câncer de pâncreas está entre as principais causas de morte pela doença em todo o mundo. Isso acontece porque os sintomas costumam surgir apenas em fases mais avançadas, quando o tumor já cresceu significativamente ou se espalhou para outros órgãos. Como consequência, muitos pacientes recebem o diagnóstico quando as possibilidades de cura já são limitadas.

Além disso, o câncer de pâncreas é conhecido por seu comportamento agressivo e por responder menos aos tratamentos do que outros tumores. Nas últimas décadas, a oncologia registrou avanços importantes em áreas como câncer de mama, pulmão, melanoma e alguns tumores hematológicos. No entanto, os progressos no câncer de pâncreas ocorreram de forma mais lenta, fazendo com que a doença continuasse associada a altas taxas de mortalidade e poucas opções terapêuticas capazes de mudar significativamente seu prognóstico.

Foi justamente nesse cenário que o daraxonrasib chamou a atenção dos especialistas durante a ASCO 2026. O estudo envolveu pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático, a forma mais comum do câncer de pâncreas. Isso significa que a doença já havia se espalhado para outras partes do corpo, como fígado, pulmões ou peritônio. Nessa fase, a cirurgia normalmente deixa de ser uma opção curativa e o tratamento passa a ter como objetivos controlar o crescimento do tumor, aliviar sintomas, preservar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida.

Por se tratar de uma população com doença avançada e prognóstico historicamente desfavorável, qualquer ganho consistente em sobrevida ou controle tumoral costuma despertar grande interesse da comunidade científica. É uma das razões pelas quais os resultados do daraxonrasib foram considerados um dos destaques do congresso deste ano.


2 - Os pacientes já haviam recebido outros tratamentos e é justamente por isso que o estudo chamou a atenção

O daraxonrasib não foi testado em pessoas recém-diagnosticadas com câncer de pâncreas. Todos os participantes já haviam recebido tratamento anterior e apresentaram progressão da doença. Em outras palavras, neste grupo de pacientes, o câncer continuou crescendo apesar das terapias utilizadas até então.

No câncer de pâncreas metastático, o tratamento inicial geralmente envolve combinações de quimioterapia. Quando a doença volta a crescer ou deixa de responder, os médicos precisam recorrer a outras opções terapêuticas, conhecidas como segunda ou terceira linha de tratamento. Historicamente, os resultados nessa fase costumam ser mais limitados.

É justamente nesse contexto que o daraxonrasib foi estudado. A droga pertence a uma categoria chamada terapia-alvo. Diferentemente da quimioterapia, que atua principalmente sobre células que se multiplicam rapidamente, as terapias-alvo procuram bloquear mecanismos específicos que ajudam o tumor a crescer.

Uma forma simples de entender a diferença é imaginar uma árvore cheia de galhos. A quimioterapia tenta reduzir o crescimento da árvore como um todo. Já a terapia-alvo procura identificar qual raiz está alimentando aquele crescimento e interferir diretamente nela.

No caso do daraxonrasib, o alvo é uma via molecular relacionada ao gene KRAS, alterada em mais de 90% dos adenocarcinomas pancreáticos. Muitos especialistas descrevem essa alteração como um acelerador travado na posição máxima. Mesmo quando a célula deveria parar de crescer, ela continua recebendo sinais para se multiplicar. O objetivo da nova droga é justamente interferir nesse mecanismo.


3 - O estudo comparou a nova droga diretamente com a quimioterapia

Os pesquisadores recrutaram 500 pacientes na América do Norte, Europa e Ásia e os distribuíram aleatoriamente para receber daraxonrasib ou quimioterapia. Esse tipo de comparação direta é considerado um dos métodos mais rigorosos da pesquisa clínica porque permite avaliar se o novo tratamento realmente oferece vantagens em relação ao padrão atualmente utilizado.

Estudos desse tipo são fundamentais para demonstrar se um novo medicamento produz benefícios reais para os pacientes. Ao comparar diretamente as duas estratégias, os pesquisadores conseguem avaliar diferenças em sobrevida, controle da doença, resposta tumoral e segurança.


4 - A sobrevida praticamente dobrou

O principal resultado do estudo foi o aumento da sobrevida global. Os pacientes tratados com daraxonrasib alcançaram uma sobrevida mediana de 13,2 meses. Entre aqueles que receberam quimioterapia, a sobrevida foi de aproximadamente 6,7 meses.

Embora os números absolutos possam parecer modestos para quem não está familiarizado com a oncologia, a diferença chamou atenção porque ganhos dessa magnitude são raramente observados em pacientes com câncer de pâncreas metastático previamente tratado. 


5 - O ganho de alguns meses é considerado relevante pelos especialistas

Uma dúvida comum é por qual motivo um aumento de sobrevida de alguns meses pode ser considerado importante. A resposta está no contexto da doença. O câncer de pâncreas continua sendo um dos tumores mais agressivos da medicina. Apesar dos avanços observados em diversas áreas da oncologia nas últimas décadas, poucas terapias conseguiram alterar de forma significativa a evolução natural desse câncer, especialmente quando ele já se encontra metastático.

Por isso, os especialistas não analisam apenas o número absoluto de meses ganhos, mas também o tamanho do benefício em relação ao que existia anteriormente. No estudo apresentado na ASCO 2026, a sobrevida mediana passou de aproximadamente 6,7 meses para 13,2 meses. Na prática, isso significa que os pacientes tratados com a nova droga viveram quase o dobro do tempo observado no grupo que recebeu quimioterapia.

Segundo o cirurgião oncológico Felipe José Fernández Coimbra, secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO), os resultados precisam ser interpretados dentro da realidade da doença. “Quando falamos de câncer de pâncreas metastático, estamos diante de um cenário em que os avanços costumam ocorrer de forma incremental. Por isso, observar um ganho dessa magnitude em pacientes previamente tratados chama a atenção e merece ser acompanhado com muito cuidado pela comunidade oncológica”, afirma Coimbra, que é também coordenador da Comissão de Neoplasias Hepato-Bilio-Pancreáticas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e Líder do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo Cancer Center. 


6 - Mais pacientes tiveram redução dos tumores

Nem sempre um tratamento que aumenta a sobrevida consegue reduzir significativamente os tumores. Por isso, outro resultado que chamou atenção foi a taxa de resposta objetiva, indicador utilizado para medir quantos pacientes apresentaram diminuição importante das lesões cancerosas. Entre os pacientes tratados com daraxonrasib, a taxa de resposta foi de 31,6%. No grupo que recebeu quimioterapia, esse percentual foi de 11,2%.

Na prática, isso significa que aproximadamente um em cada três pacientes apresentou redução relevante dos tumores com a nova droga, quase três vezes mais do que com o tratamento convencional. Para muitos pacientes, isso pode representar não apenas controle da doença, mas também redução de sintomas relacionados ao crescimento tumoral. “Isso também abre a oportunidade para novos estudos desta droga combinadas a cirurgia em tumores inicialmente não passíveis de serem removidos”, afirma Coimbra.


7 - A doença demorou mais para voltar a crescer

Além de aumentar a sobrevida, o daraxonrasib conseguiu prolongar o tempo de controle da doença. A chamada sobrevida livre de progressão foi de 7,2 meses entre os pacientes tratados com a nova terapia, contra 3,6 meses no grupo que recebeu quimioterapia.

Esse indicador mede quanto tempo o câncer permanece estável antes de voltar a crescer. Embora não represente cura, ele ajuda os médicos a avaliar por quanto tempo um tratamento consegue manter a doença sob controle.

Quando um medicamento consegue retardar a progressão tumoral, os pacientes tendem a permanecer por mais tempo em uma mesma estratégia terapêutica antes da necessidade de novas mudanças de tratamento.


8 - Você sabia que a proteína atacada pela droga foi considerada “inalcançável” durante décadas?

Hoje a proteína KRAS é um dos alvos mais estudados da oncologia, mas por muitos anos ela foi considerada praticamente impossível de ser bloqueada por medicamentos. Os cientistas sabiam que ela desempenhava papel central no crescimento de vários tipos de câncer, incluindo o de pâncreas. O problema era encontrar uma forma de interferir nesse mecanismo de maneira eficaz.

Uma analogia usada por especialistas é imaginar uma fechadura cujo mecanismo interno está desgastado. A chave até consegue entrar, mas não encontra os pontos necessários para girar e acionar o sistema. Durante décadas, os pesquisadores tentaram encontrar formas de interferir nessa engrenagem sem sucesso clínico consistente.

Por isso, muitos consideram que os resultados do daraxonrasib representam mais do que o sucesso de uma única droga. Eles demonstram que um dos principais motores biológicos do câncer de pâncreas pode finalmente começar a ser controlado terapeuticamente.


9 - O tratamento apresentou menos efeitos adversos graves do que a quimioterapia

Os resultados não mostraram apenas benefícios em eficácia. Eventos adversos graves ocorreram em 43,6% dos pacientes tratados com daraxonrasib, contra 57,5% daqueles que receberam quimioterapia.

A necessidade de interromper o tratamento por toxicidade também foi menor: apenas 1,2% dos pacientes deixaram de usar a droga devido aos efeitos colaterais, enquanto esse percentual chegou a 11,2% no grupo controle.

Embora nenhum tratamento oncológico seja totalmente livre de efeitos adversos, esses resultados sugerem que o benefício clínico observado não ocorreu à custa de um aumento importante da toxicidade.


10 - Ainda existem perguntas sem resposta e a droga não está disponível no Brasil

Apesar dos resultados apresentados na ASCO 2026, o daraxonrasib não deve ser interpretado como uma cura para o câncer de pâncreas. O estudo foi realizado exclusivamente em pacientes com doença metastática previamente tratada. Ainda não se sabe qual será o desempenho da droga quando utilizada em fases mais precoces da doença, se ela poderá ser combinada à imunoterapia ou se terá algum papel antes ou depois da cirurgia.

Como destaca Felipe Coimbra, uma das questões mais importantes agora é entender como este avanço poderá ser incorporado ao longo da jornada do paciente. “Se estamos aprendendo a controlar melhor a doença avançada, uma pergunta inevitável é o que poderá acontecer quando essas estratégias forem testadas mais cedo, em pacientes que ainda têm possibilidade de cirurgia, principalemente por que a cirurgia ainda é o principal tratamento com chance de cura desta doença”, observa.

Além disso, o medicamento ainda está em avaliação regulatória e não está disponível para uso rotineiro no Brasil. Embora os resultados aumentem as expectativas em relação à futura aprovação da droga, ainda não há definição sobre quando ela poderá chegar aos pacientes brasileiros. 

 

Felipe Coimbra – Médico cirurgião oncológico referência nacional e mundial em câncer abdominal, Felipe José Fernández Coimbra se graduou em Medicina pela Universidade Federal do Pará, fez Residência Médica em Cirurgia Geral na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e em Cirurgia Oncológica no A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Atualmente é secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO), diretor do Instituto Integra e líder do Centro de Referência de Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo. Presidiu a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncologia no biênio 2015-2017 e foi o primeiro brasileiro a presidir a Americas Hepato-Pancreato-Biliary Association (AHPBA), em 2019/2020. Faz parte do comitê científico internacional da International Hepato Pancreato Biliary Association (IHPBA) e é representante internacional da Society of Surgical Oncology Americana (SSO).


Calendário de imunização deve ser mantido mesmo após suspensão da vacina contra a dengue

Demais vacinas para prevenção de doenças que impactam a saúde individual e coletiva seguem disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade reforça a importância da imunização durante o outono e o inverno
 

Diante da recente suspensão da vacinação contra a dengue pelo Ministério da Saúde para investigação de eventos adversos graves, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) reforça que a população deve manter o calendário vacinal em dia e continuar procurando as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para receber as vacinas recomendadas para cada faixa etária e condição de saúde. 

A interrupção temporária da vacina contra a dengue não altera a importância das demais vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente neste período do ano, quando aumentam os casos de doenças respiratórias e outras infecções que podem ser prevenidas por imunização. 

Vacinas como as da influenza e outras indicadas para grupos específicos seguem disponíveis nas UBS e são fundamentais para reduzir o risco de adoecimento, complicações, internações e óbitos, principalmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. 

“Até o momento, sabemos que os eventos ocorreram após a vacinação. Isso preenche um dos critérios para se discutir causalidade: a temporalidade. No caso atual, temos um sinal importante que merece investigação. Mas vários desses critérios ainda não estão esclarecidos. Por isso existe a farmacovigilância. Os estudos clínicos são fundamentais, mas não conseguem detectar todos os eventos extremamente raros. Quando uma vacina passa a ser utilizada em centenas de milhares ou milhões de pessoas, situações inesperadas podem surgir e precisam ser analisadas com rigor”, explica Euclides Colaço, médico de família e comunidade, vice-presidente da Associação Mineira de Medicina de Família e Comunidade e membro da SBMFC. 

Além das vacinas de rotina, pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), podem ter indicação para vacinação contra o pneumococo pelo SUS. Tradicionalmente, essa proteção foi oferecida por meio da vacina Pneumocócica 23-valente (Pneumo 23), que continua disponível para grupos específicos. No entanto, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) vem ampliando gradativamente o uso de vacinas pneumocócicas conjugadas mais modernas, como a Pneumo 20, conforme critérios clínicos e disponibilidade nos serviços de referência. Essas vacinas ajudam a prevenir pneumonias, meningites e outras infecções graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae. 

A vacina é indicada para pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas e para indivíduos com condições clínicas especiais, como doenças cardíacas e pulmonares crônicas, diabetes, imunodeficiências, ausência ou disfunção do baço, pessoas transplantadas, imunossuprimidas e pessoas vivendo com HIV, conforme os critérios estabelecidos pelo SUS.

Outro diferencial da Atenção Primária à Saúde é a realização da busca ativa, estratégia utilizada pelas equipes de Saúde da Família para identificar pessoas com vacinas em atraso ou que necessitam de acompanhamento. Essa ação é baseada no conhecimento do território e no vínculo construído entre profissionais de saúde e a comunidade. 

Médicos(as) de família e comunidade, enfermeiros(as), técnicos(as) de enfermagem e agentes comunitários(as) de saúde atuam de forma integrada para identificar necessidades, orientar a população e facilitar o acesso aos cuidados preventivos. 

“A lógica é simples: se eles não vêm até a gente, nós vamos até eles. Ao longo do acompanhamento, os profissionais das UBS passam a conhecer as características, necessidades, modo de vida e contexto familiar das pessoas. Esses fatores influenciam diretamente na saúde e também na adesão aos cuidados recomendados. A partir desse vínculo, conseguimos promover um acompanhamento mais efetivo, com foco na prevenção, na vacinação e nos tratamentos necessários, contribuindo para melhores resultados em saúde”, reforça Colaço, mestre em Bioética pela Universidade do Vale do Sapucaí (Univás). 

A SBMFC destaca que as vacinas continuam sendo uma das estratégias mais seguras e eficazes para a prevenção de doenças e a proteção da saúde coletiva. Em caso de dúvidas sobre indicações, esquemas vacinais ou atualização da caderneta, a orientação é procurar a equipe de saúde da Unidade Básica de Saúde de referência.

 

Proposta inédita busca viabilizar Wegovy no SUS para pacientes com obesidade e alto risco cardiovascular

Nova submissão à CONITEC prioriza pacientes de maior gravidade e combina evidência clínica com proposta econômica voltada à sustentabilidade do sistema público 

 

A Novo Nordisk protocolou junto à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) uma nova proposta para a incorporação de Wegovy (semaglutida biológica original injetável). O pleito inclui um desconto de 59% para o governo e uma análise econômica alinhada aos critérios de custo-efetividade do Ministério da Saúde, buscando viabilizar o acesso sustentável ao tratamento no SUS. 

Diferente da submissão anterior, a iniciativa prioriza pacientes com obesidade que já sofreram infarto, focando na prevenção de novos eventos cardiovasculares graves. A abordagem busca direcionar o tratamento para uma população de maior risco clínico e maior impacto potencial para o sistema de saúde. 

O embasamento científico inclui dados do estudo clínico SELECT¹, que demonstraram uma redução de 20% no risco de morte cardiovascular, infarto e AVC, em pacientes com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, mas com doença cardiovascular estabelecida. 

“Trata-se de uma iniciativa voltada a pacientes de alto risco, com potencial de reduzir a recorrência de eventos graves e a necessidade de cuidados intensivos. Estamos propondo mais uma solução para a saúde pública, com potencial de ampliar o acesso, gerar eficiência e contribuir para a sustentabilidade do sistema. Essa intervenção médica é crucial para evitar que o paciente infartado volte a ocupar um leito de UTI”, explica Leonardo Bia, Vice-Presidente de Assuntos Corporativos da Novo Nordisk no Brasil. “Nosso objetivo é oferecer um caminho que seja clinicamente relevante e financeiramente viável para o SUS”.

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Foco em prevenção e redução de filas 


A população elegível inclui adultos a partir de 45 anos, com IMC entre 30 e 40, sem diabetes, mas com histórico comprovado de infarto. A estratégia considera que a prevenção secundária nesse grupo pode reduzir internações de alta complexidade e a pressão sobre o sistema público de saúde. 

Atualmente, a obesidade atinge 60 milhões de brasileiros. “Tratar o paciente de alto risco cardiovascular é uma estratégia de saúde pública para reduzir mortalidade e melhorar a qualidade de vida, além de gerar economia a longo prazo para o Estado”, reforça João Salles, médico endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).


Experiência prática no SUS 

Para embasar o modelo de cuidado, gerar evidências e promover a ampliação do tratamento, a companhia já mantém projetos-piloto de acesso equitativo em parceria com o SUS, como a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro-RJ e o Grupo Hospitalar Conceição, hospital público federal situado em Porto Alegre (RS). Essas iniciativas geram dados reais sobre como a gestão integrada da obesidade e fatores de risco associados pode melhorar os indicadores de saúde populacional e otimizar os recursos públicos.


Caminhos para ampliar o acesso ao tratamento da obesidade

Segundo dados do Atlas Mundial da Obesidade², mais de 30% da população adulta brasileira vive com obesidade, e as projeções indicam crescimento desse percentual nos próximos anos. Para Fabio Trujillo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), o cenário reforça a necessidade de discutir políticas públicas voltadas ao cuidado da obesidade. “A doença impõe desafios crescentes ao sistema de saúde e exige estratégias baseadas em evidências, com foco em prevenção, tratamento e redução de complicações”, afirma. 

No mercado privado, a Novo Nordisk também tem avançado em iniciativas para facilitar o acesso aos tratamentos, combinando uma nova dinâmica de preços para medicamentos à base de semaglutida com parcerias estratégicas. 

Entre as ações recentes, estão condições diferenciadas para Wegovy (semaglutida biológica original injetável) e Rybelsus® (semaglutida oral), que buscam reduzir o custo de entrada e dar maior previsibilidade à jornada do paciente.

 

Sobre o estudo SELECT¹

SELECT¹ (Efeitos da Semaglutida nos Desfechos Cardiovasculares em Pessoas com Sobrepeso ou Obesidade) foi um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e dirigido por eventos, desenhado para avaliar a eficácia da semaglutida 2,4 mg em comparação ao placebo como um complemento ao tratamento padrão cardiovascular para reduzir o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores em pessoas com DCV estabelecida e com sobrepeso ou obesidade, sem histórico prévio de diabetes. O estudo, iniciado em 2018, recrutou 17.604 adultos e foi conduzido em 41 países, em mais de 800 centros de investigação. 



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Referências:

  1. Lincoff AM, et al. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. N Engl J Med. 2023 Dec 14;389(24):2221–32.
  2. Atlas mundial obesidade. Disponível em world-obesity-atlas-2025-v7.pdf. Acessado em junho de 2026.

 

Então por que as veias ficam mais aparentes após emagrecimento rápido?

A explicação está na própria perda de gordura corporal. 

 

Quando uma pessoa emagrece, especialmente após uma redução significativa de peso, ocorre uma diminuição da camada de tecido adiposo localizada abaixo da pele. Como consequência, estruturas que antes estavam mais "escondidas" passam a ficar visíveis. Entre elas estão as veias superficiais.

"Muitas vezes o paciente tem a impressão de que surgiram novas veias após emagrecer. Na realidade, elas já estavam presentes, mas ficaram mais aparentes porque existe menos gordura cobrindo essa região", explica Dr. Caio.

 

Veia aparente é a mesma coisa que varizes?

Não necessariamente. O especialista destaca que existe uma diferença importante entre veias visíveis e varizes.

“As veias superficiais podem ficar mais evidentes em pessoas magras, atletas ou indivíduos que passaram por uma perda importante de peso, sem que isso represente uma doença vascular. Já as varizes são veias dilatadas e tortuosas, que surgem devido a alterações no funcionamento do sistema venoso”, explica.

 

Quando a maior visibilidade das veias merece atenção?

Apesar de a maior visibilidade das veias nem sempre indicar um problema, alguns sinais merecem atenção: 

Dor persistente nas pernas;

Inchaço frequente;

Sensação de queimação ou peso;

Veias dilatadas e tortuosas;

Alterações na pele, como escurecimento ou feridas. 

Nesses casos, a avaliação especializada é fundamental para identificar possíveis doenças venosas e indicar o tratamento adequado. "Quando o paciente emagrece, as pernas ficam mais definidas e as veias passam a aparecer mais. Isso não significa que o medicamento causou varizes, mas sim que estruturas que já existiam ficaram mais evidentes e em alguns casos, é preciso investigar", conclui Dr. Caio Focássio.

 

FONTE: Dr. Caio Focássio - cirurgião vascular e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, formado pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pós graduado em Cirurgia Endovascular pelo Hospiten – Tenrife (Espanha). Médico assistente da Cirurgia Vascular da Santa Casa de São Paulo.
Instagram: @drcaiofocassiovascular


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