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sábado, 20 de setembro de 2025

Primavera dos aromas: aromaterapeuta explica como óleos essenciais florais podem beneficiar corpo e mente

No dia 22 de setembro começa a Primavera e as flores ocupam um lugar de destaque e os óleos essenciais florais. Segundo a aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência Daiana Petry, cada óleo extraído das flores carrega propriedades únicas que podem ajudar tanto na saúde física quanto no equilíbrio emocional. “A primavera é um convite para reconectar-se com a vitalidade da natureza, e os óleos essenciais florais são grandes aliados nesse processo. Eles trazem calma, promovem energia, aliviam tensões e até equilibram hormônios”, explica a especialista.


Benefícios dos óleos essenciais florais

  • Ylang Ylang – Conhecido como “flor das flores”, o óleo essencial de ylang ylang tem efeito afrodisíaco e calmante para o sistema nervoso. “É excelente para momentos de excesso de pensamentos, estresse e para promover autoestima e confiança”, diz Daiana.

Ele deve ser usado sempre em pequenas quantidades, pois seu aroma é intenso: em difusores, pingue de 3 a 5 gotas em água para perfumar o ambiente e trazer relaxamento; em massagens, dilua 2 gotas em 1 colher de sopa (15 ml) de óleo vegetal para aplicar em regiões como nuca, ombros ou pés; nos cuidados com a pele, use apenas 1 gota diluída em uma colher de sopa de óleo vegetal, evitando aplicação pura; para os cabelos, misture 1 gota em uma colher de óleo de semente de uva e passe nas pontas; e em banhos aromáticos, dilua 3 gotas em uma colher de sabonete líquido neutro antes de adicionar à água.

  • Lavanda – Um dos mais populares, é considerado “coringa” da aromaterapia. “A lavanda ajuda a acalmar, melhorar o sono, aliviar dores de cabeça e até irritações na pele. É um óleo essencial que traz sensação de acolhimento”, ressalta a aromaterapeuta.

O óleo essencial de lavanda é versátil e pode ser usado de várias formas: em difusores, pingue de 3 a 5 gotas para relaxar, melhorar o sono e reduzir a ansiedade; em massagens, dilua 2 gotas em 1 colher de sopa de óleo vegetal para aliviar dores musculares ou tensões; nos cuidados com a pele, utilize 1 gota diluída em óleo vegetal para acalmar irritações ou pequenas queimaduras; nos cabelos, misture 1 gota em uma colher de óleo de jojoba para nutrir e dar brilho; e em banhos aromáticos, dilua 3 a 5 gotas em uma colher de sabonete líquido neutro para um efeito relaxante.

  • Rosa – Além do aroma marcante, é reconhecido por sua ação antidepressiva e de equilíbrio emocional. “O óleo essencial de rosa ajuda em quadros de tristeza profunda, ansiedade e também é aliado do cuidado com a pele”, explica.

O óleo essencial de rosa é delicado e potente, devendo ser usado sempre em pequenas quantidades: em difusores, basta 2 a 3 gotas para promover bem-estar emocional e aliviar tristeza ou ansiedade; em massagens, dilua 1 gota em 1 colher de sopa de óleo vegetal para estimular autoestima; nos cuidados com a pele, adicione 1 gota em 1 colher de sopa de óleo vegetal ou creme neutro para suavizar linhas finas; e em banhos aromáticos, dilua 2 gotas em uma colher de sabonete líquido para criar um momento de relaxamento e acolhimento.

  • Camomila-Romana – Tradicional no combate à insônia, também auxilia no alívio de cólicas, tensão muscular e irritabilidade. “É um óleo que acalma corpo e mente, indicado inclusive para crianças em momentos de agitação”, orienta Daiana.

O óleo pode ser usado para acalmar corpo e mente: em difusores, pingue 3 a 5 gotas para reduzir ansiedade e facilitar o sono; em massagens, dilua 2 gotas em 1 colher de sopa de óleo vegetal para aliviar cólicas, tensão muscular e irritabilidade; nos cuidados com a pele, use 1 gota diluída em óleo vegetal ou creme neutro para acalmar inflamações e sensibilidade; e em banhos aromáticos, dilua 3 gotas em uma colher de sabonete líquido neutro para promover relaxamento profundo.

  • Sálvia Esclareia – Um poderoso aliado feminino, conhecido por aliviar os sintomas da TPM e da menopausa. “Além disso, auxilia em casos de ansiedade e falta de clareza mental”, afirma a especialista.

Sálvia esclareia reduz os sintomas de estresse: em difusores, utilize 3 a 5 gotas para aliviar ansiedade, fadiga mental e trazer clareza; em massagens, dilua 2 gotas em 1 colher de sopa de óleo vegetal para amenizar cólicas, sintomas da TPM ou da menopausa; nos cuidados com a pele, aplique 1 gota diluída em óleo vegetal ou creme neutro para ajudar no equilíbrio da oleosidade; e em banhos aromáticos, adicione 3 gotas diluídas em sabonete líquido neutro para promover sensação de bem-estar e relaxamento.

  • Jasmim – Um dos óleos mais luxuosos, ligado ao bem-estar emocional e sensualidade. “Ele promove sensação de otimismo, eleva a autoestima e é usado há séculos para aumentar a sensação de alegria”, destaca Daiana Petry.

Esse óleo deve ser usado sempre em pequenas quantidades: em difusores, pingue 2 a 3 gotas para estimular otimismo, confiança e elevar o humor; em massagens, dilua 1 gota em 1 colher de sopa de óleo vegetal para promover relaxamento e aumentar a sensação de bem-estar; nos cuidados com a pele, adicione 1 gota em óleo vegetal ou creme neutro para elevar o humor; e em banhos aromáticos, dilua 2 gotas em sabonete líquido neutro para criar um ambiente acolhedor e revigorante.

Para a aromaterapeuta, essa estação é ideal para trazer novos hábitos de autocuidado. “Assim como a natureza floresce, nós também podemos florescer em equilíbrio físico e emocional. Os óleos essenciais florais são um caminho natural para despertar essa energia vital”, finaliza Daiana. 



Daiana Petry @daianagpetry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial.

Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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Pais precisam reaprender a dizer “não”: limites constroem resiliência e saúde emocional, alerta psicóloga

Dra. Andrea Beltran explica por que evitar frustrações pode comprometer o desenvolvimento das novas gerações


Em uma época em que muitos pais acreditam que proteger os filhos de qualquer frustração é sinônimo de cuidado, especialistas têm feito um alerta: a ausência de limites pode comprometer o desenvolvimento emocional das crianças e adolescentes. 

Pesquisas apontam que estilos parentais mais equilibrados — que combinam afeto e regras — estão diretamente ligados a melhores resultados em autonomia, desempenho escolar e saúde mental. Já a superproteção, segundo um estudo conduzido pela Universidade de Cambridge, aumenta o risco de ansiedade, depressão e sintomas emocionais internalizados em jovens adultos. A meta-análise, publicada na revista Development and Psychopathology, reuniu dezenas de estudos e confirmou que o chamado overparenting tem impacto estatisticamente significativo no bem-estar psicológico. 

Para a Dra. Andrea Beltran, psicóloga clínica e especialista em psicologia analítica junguiana, o “não” exerce um papel essencial nesse processo: 

“Quando os pais tentam suprir todas as necessidades dos filhos, evitando qualquer tipo de frustração, acabam impedindo que a criança se depare com o limite — esse ponto de tensão tão necessário para aprender a criar novas respostas, desenvolver resiliência e integrar experiências opostas dentro de si. O ‘não’ bem colocado não ameaça o amor — pois este nunca está em questão —, mas oferece à criança uma oportunidade de elaborar simbolicamente a diferença entre desejo e possibilidade.” 

A ciência reforça essa visão. Pesquisadores da Universidade de Stanford identificaram que estudantes vindos de lares superprotetores tiveram mais dificuldades de adaptação ao ambiente universitário, revelando maior dependência emocional e menor capacidade de autorregulação. Já a American Academy of Pediatrics recomenda que pais estabeleçam regras claras, consistentes e afetuosas como forma de preparar os filhos para lidar com os desafios reais da vida. 

Segundo a Dra. Andrea, vivenciar frustrações controladas ajuda crianças e adolescentes a desenvolver criatividade, tolerância, paciência e capacidade de encontrar caminhos alternativos — competências que se tornam fundamentais na vida adulta. “Ao ouvir um ‘não’, a criança tem a chance de experimentar simbolicamente a diferença entre o desejo e o real, aprendendo a lidar com a espera, a negociar e a pensar em soluções”, completa a especialista. 

Mais do que um ato de negação, o limite se apresenta, portanto, como um investimento no futuro emocional das novas gerações. Para a especialista, dizer “não” com firmeza e afeto é um gesto de amor que ajuda a formar adultos mais resilientes, equilibrados e preparados para enfrentar as inevitáveis frustrações da vida.


Recessão sexual: por que estamos mais conectados, mas menos próximos


Nos últimos anos, observou-se uma queda significativa na atividade sexual em diversas sociedades ocidentais, refletindo mudanças profundas nas estruturas sociais, culturais e psicológicas. Estudos recentes indicam que apenas 37% dos adultos americanos entre 18 e 64 anos relatam ter relações sexuais semanalmente, uma queda em relação aos 55% registrados em 1990. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 24% afirmam não ter tido relações sexuais no último ano, o dobro da taxa observada em 2010. 

O impacto não é restrito aos solteiros. Entre os casados, a frequência de relações semanais caiu de 59% entre 1996 e 2008 para 49% entre 2010 e 2024. Essa tendência também é observada no Reino Unido, onde uma pesquisa com 15 mil voluntários entre 16 e 44 anos revelou que a frequência média de relações sexuais caiu para 4,9 vezes por mês entre homens e 4,8 entre mulheres, comparado a mais de seis vezes por mês nas edições de 1990-91 e 1999-2001.

 

Fatores Socioculturais e Psicológicos

A recessão sexual não ocorre isoladamente; é resultado de múltiplos fatores sociais e culturais:

  • Mudanças nos padrões de relacionamento: a autonomia individual e a menor pressão social por casamento ou filhos reduzem oportunidades para relações estáveis e intimidade regular.
  • Hiperconexão digital e distrações modernas: videogames, serviços de streaming como Netflix e redes sociais ocupam grande parte do tempo livre, diminuindo a energia para encontros presenciais.
  • Uso de pornografia online: a sociedade atual é grande consumidora de pornografia, com efeitos negativos nas relações sexuais. O consumo excessivo aumenta ansiedade, obsessão com o corpo e pode estimular comportamentos negativos em relacionamentos heterossexuais. Além disso, quem passa horas assistindo sozinho a filmes pornográficos tem menos tempo para buscar parceiros reais. Pesquisa do canal BBC Three revelou que cerca de 55% dos homens entre 18 e 25 anos usam filmes pornô como principal fonte de educação sexual.
  • Pressões financeiras e estresse laboral: problemas econômicos e o excesso de trabalho reduzem disposição para a intimidade.
  • Aplicativos de namoro: apesar de facilitarem encontros, podem gerar relações superficiais e aumentar a frustração, contribuindo para menos atividade sexual regular.

No contexto urbano, essas tendências podem ser percebidas em polos empresariais de alta concentração, como Alphaville, Paulista, Berrini e Itaim, onde profissionais enfrentam jornadas intensas, deslocamentos e alta exposição a estímulos digitais, fatores que se refletem na vida social e sexual.

 

Perspectiva Antropológica

A antropologia permite entender a recessão sexual além das estatísticas:

  • Sexualidade como construção social: normas culturais moldam expectativas e práticas sexuais. A valorização da autonomia, da autenticidade e do consentimento altera profundamente a forma como jovens e adultos experienciam o sexo.
  • Mudanças nos padrões de convivência: adiamento do casamento, dependência prolongada da família e individualização da vida adulta influenciam a frequência e a qualidade da intimidade sexual.
  • Influência da mídia digital: exposição a padrões irreais de corpo e comportamento, somada ao consumo de pornografia, altera percepção de sexo e relacionamento.

A diminuição da atividade sexual evidencia um fenômeno maior: estamos vivendo mais conectados virtualmente, mas cada vez mais distantes em nossas relações reais. Mais do que menos sexo, a recessão sexual revela como as relações humanas estão sendo remodeladas na sociedade contemporânea. Estamos mais conectados digitalmente do que nunca, mas, ao mesmo tempo, mais distantes na vida real. 

A recessão sexual não é só sobre menos sexo ou libido reduzida; para mim, ela é um reflexo de como estamos vivendo hoje. Entre a hiperconexão digital, o estresse do trabalho e as mudanças na forma como nos relacionamos, criar laços duradouros ficou mais difícil. No fim, esse fenômeno mostra algo maior: estamos constantemente conectados pelas telas, mas cada vez mais distantes na vida real. Mais do que uma queda na frequência sexual, a recessão sexual evidencia como nossas relações humanas estão sendo redesenhadas na sociedade contemporânea. 

 

Jhonata Lima - Coordenador de Marketing da Confirp Contabilidade, com mais de 10 anos de experiência em branding, marketing digital e performance. Atuou em grandes agências atendendo clientes como Itaú, Microsoft e SBT, e hoje lidera estratégias de comunicação e inovação para fortalecer a presença da marca no mercado.


5 motivos importantes para conhecer o passado e não repetir sistemas de opressão

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Ao refletir sobre a história, descobrimos lições valiosas para resistir à opressão e preservar a liberdade 

 

A história recente do Brasil guarda feridas que ainda ecoam na sociedade. Entre elas, estão os episódios de violência e silenciamento vividos durante a ditadura militar. Revisitar esse período não significa apenas relembrar dores, mas compreender os mecanismos que sustentaram um sistema de opressão — e que, de diferentes formas, podem ressurgir se não houver vigilância crítica. 

Em Quase-romance nos pomares da eternidade, Silvio Damasceno recria, em forma de ficção, a morte de um estudante dentro da universidade. Inspirado em fatos reais, o livro expõe a brutalidade da repressão e a luta de jovens que ousaram sonhar em meio ao autoritarismo. A partir dessa obra, elencamos cinco razões pelas quais conhecer o passado é essencial para não repetir os mesmos erros coletivos. Confira: 

1. Preservar a memória coletiva

A memória histórica é um patrimônio social. Conhecer episódios de violência e resistência permite que a sociedade mantenha viva a lembrança daqueles que lutaram e sofreram com a opressão. 

2. Reconhecer mecanismos de repressão

Estudar o passado ajuda a identificar como funcionam as engrenagens de regimes autoritários — censura, perseguição política, manipulação da informação. Esse conhecimento é fundamental para não deixar que essas práticas sejam normalizadas novamente. 

3. Fortalecer a democracia

Ao refletir sobre períodos de ditadura, aprendemos a valorizar a importância da liberdade de expressão, do voto e das instituições democráticas. Esses direitos, muitas vezes, só são percebidos em sua plenitude quando ameaçados. 

4. Dar voz às vítimas silenciadas

Recontar as histórias interrompidas, como a de Zé Luiz no livro de Damasceno, é uma forma de justiça simbólica. Honrar essas trajetórias contribui para que as vítimas não sejam esquecidas e suas lutas permaneçam como referência. 

5. Estimular pensamento crítico nas novas gerações

O contato com narrativas históricas inspira jovens a questionar, refletir e se posicionar diante das injustiças do presente. Assim, o passado cumpre seu papel pedagógico: servir de alerta para um futuro mais justo. 



Silvio Damasceno - paraense, nascido em Ourém e morador de Ulianópolis. Aos 70 anos, é formado em Direito e atua como tabelião. Como escritor, publica o livro Quase-romance nos pomares da eternidade, inspirado em César Moraes Leite, um estudante que foi morto enquanto assistia às aulas na Universidade Federal do Pará.



A ciência mostra como os óleos essenciais podem aliviar sintomas do ciclo feminino


As mulheres vivenciam transformações físicas e emocionais ao longo da vida — do ciclo menstrual à menopausa — e cada uma dessas fases traz desafios únicos. Pesquisas científicas recentes apontam que a aromaterapia pode ser uma aliada natural e eficaz para aliviar sintomas comuns, oferecendo suporte tanto para o corpo quanto para as emoções. 

Segundo a aromaterapeuta Daiana Petry, os óleos essenciais agem de forma profunda, interligando os sistemas hormonal e nervoso, o que permite um cuidado mais abrangente para a saúde da mulher.
 

Cólica menstrual

Um estudo clínico publicado no Journal of Alternative and Complementary Medicine mostrou que a massagem abdominal com óleo essencial de sálvia esclaréia diluído em óleo vegetal foi mais eficaz que o paracetamol para o alívio da dor menstrual.

Outro ensaio clínico reforça esse efeito, indicando que a sálvia esclaréia atua como analgésico, antiespasmódico e calmante, reduzindo significativamente as cólicas.

Além disso, estudos apontam que o óleo absoluto de rosa também pode ajudar: a aplicação reduziu a intensidade e a duração das cólicas menstruais em mulheres.

Outro dado relevante é que a rosa reduz o cortisol e apresenta efeito antidepressivo, podendo amenizar o humor deprimido durante a menstruação.
 

TPM

Em um outro estudo feito com 100 participantes, a inalação do óleo essencial de grapefruit demonstrou reduzir irritabilidade, fadiga, ansiedade e humor deprimido durante o período pré-menstrual, além de melhorar a qualidade do sono e reduzir o inchaço.

Já o óleo essencial de lavanda, conhecido por seu efeito calmante, apresentou resultados na redução do fluxo menstrual, mostrando ser uma opção segura e natural para esse período do ciclo.
 

Menopausa

Mais estudos ainda indicam benefícios da aromaterapia também na fase da menopausa. A sálvia esclaréia e a bergamota demonstraram reduzir sintomas depressivos e melhorar o bem-estar em mulheres climatéricas.

Além disso, uma pesquisa mostrou que a massagem com óleos essenciais de lavanda, grapefruit e cipreste contribuiu para reduzir a gordura abdominal típica da menopausa, que costuma aumentar com a queda de estrogênio.

Outro estudo apontou que a combinação de lavanda com manjericão ou rosa pode diminuir dores de cabeça associadas à menopausa, sintoma relatado com frequência nessa faz.
 

Um cuidado que acolhe corpo e emoções

“É fundamental lembrar que os sintomas físicos da menstruação e da menopausa muitas vezes estão ligados a fatores emocionais e hormonais. A aromaterapia oferece esse cuidado integrado, trazendo alívio e bem-estar para o corpo e para a mente”, afirma Daiana Petry.

Ela ainda reforça que, quando utilizada de forma segura e orientada, a aromaterapia pode ser uma aliada poderosa para melhorar a qualidade de vida das mulheres em todas as fases do ciclo feminino.

 


Daiana Petry - Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência. Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia. Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial.
Fundadora da Harmonie Aromaterapia.
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@daianagpetry

 

Estudos:

1) Kazemzadeh R, Nikjou R, Rostamnegad M, Norouzi H. Effect of lavender aromatherapy on menopause hot flushing: A crossover randomized clinical trial. J Chin Med Assoc. 2016 Sep;79(9):489-92. doi: 10.1016/j.jcma.2016.01.020. Epub 2016 Jul 4. PMID: 27388435.

2) Levenberg K, Edris W, Levine M, George DR. Considering a Potential Role of Linalool as a Mood Stabilizer for Bipolar Disorder. Curr Pharm Des. 2020;26(40):5128-5133. doi: 10.2174/1381612826666200724160742. PMID: 32713332.

3) Dos Reis Lucena L, Dos Santos-Junior JG, Tufik S, Hachul H. Lavender essential oil on postmenopausal women with insomnia: double-blind randomized trial. Complement Ther Med. 2021 Jun;59:102726. Doi:10.1016/j.ctim.2021.102726.

4) Khadivzadeh T, Najafi MN, Ghazanfarpour M, Irani M, Dizavandi FR, Shariati K. Aromatherapy for Sexual Problems in Menopausal Women: A Systematic Review and Meta-analysis. J Menopausal Med. 2018 Apr;24(1):56-61. doi: 10.6118/jmm.2018.24.1.56. Epub 2018 Apr 30. PMID: 29765928; PMCID: PMC5949309.

5) Hur MH, Yang YS, Lee MS. Aromatherapy massage affects menopausal symptoms in korean climacteric women: a pilot-controlled clinical trial. Evid Based Complement Alternat Med. 2008 Sep;5(3):325-8. doi: 10.1093/ecam/nem027. PMID: 18830459; PMCID: PMC2529395.
  

IA e saúde mental: especialista alerta para riscos do uso de tecnologia no diagnóstico psicológico


 Professor de Psicologia da Una Jataí destaca a importância da escuta humana qualificada no cuidado com transtornos mentais e alerta sobre os perigos do autodiagnóstico

 

Com o avanço da inteligência artificial (IA) na área da saúde, surgem também dúvidas sobre os limites e responsabilidades no uso dessas tecnologias para o diagnóstico de transtornos mentais como depressão, ansiedade ou TDAH. Para o professor Murilo Assis, do curso de Psicologia da Una Jataí, é fundamental reforçar que a IA não substitui o olhar clínico e a escuta qualificada de um profissional. 

“A IA não é recomendada para identificar transtornos mentais. Para isso, são necessários testes específicos, avaliação clínica, observação do comportamento verbal e não verbal, anamnese e todo um conjunto de práticas que são inerentes ao trabalho humano”, afirma o professor. 

Segundo Assis, um dos principais riscos está no autodiagnóstico baseado em plataformas digitais e testes online. “Muitas pessoas acabam se rotulando com base em conteúdos de redes sociais, o que pode gerar ansiedade, reatividade ou até mesmo piorar quadros de saúde mental. Essas ferramentas aumentam a probabilidade de falácias e respostas ansiogênicas”, explica. 

Embora a IA possa ser útil como ferramenta auxiliar, ela precisa ser mediada por profissionais qualificados. “A tecnologia pode ter funcionalidade na triagem inicial, desde que utilizada por psicólogos ou psiquiatras capacitados. O problema está quando ela é usada de forma isolada ou sem critério técnico”, destaca o professor. 

Assis também ressalta que o uso de IA ou conteúdo automatizado em saúde mental não deve ferir o Código de Ética da profissão. “As diretrizes do Conselho Federal de Psicologia impedem que qualquer tecnologia substitua o papel do psicólogo. Ainda não existe ferramenta capaz de substituir o contato humano, a escuta empática e o manejo clínico especializado.” 

Para quem busca apoio, o professor recomenda atenção aos sinais de alerta, como prejuízos na vida social ou profissional, sofrimento emocional constante e perda de interesse por atividades cotidianas. “Nesses casos, a busca por acompanhamento psicológico é indispensável. O profissional é preparado para escutar, acolher e conduzir o processo terapêutico de forma segura.” 

Ele também reforça a necessidade de uma maior psicoeducação da população sobre o tema. “Temos observado um aumento de pessoas que chegam ao consultório com autodiagnósticos feitos a partir de vídeos, posts ou testes de internet. Nosso papel é acolher essas demandas, mas também orientar sobre a importância de se basear em fontes confiáveis e procurar ajuda qualificada.” 

Para Assis, a IA pode ser uma aliada — desde que usada com ética, responsabilidade e como suporte ao trabalho humano. “Nada substitui a escuta. Nada substitui o vínculo”, conclui.

Una


Obsolescência programada de afetos

Leio uma matéria de jornal e percebo, com um sorriso, que a minha relação de casamento atual já ultrapassou a média de duração dos casamentos no Brasil, que é de 13,8 anos, segundo o IBGE. Há apenas uma década, a duração média dos casamentos era de 16 anos. Confesso que foi um longo caminho para que eu chegasse a este estado de fidelidade a um projeto de permanência com o outro, tranquilo, maduro e agradável. Custou-me os dois primeiros casamentos, até que, enfim, eu entendesse como funciona a vida a dois. E agora, olhando com a confiança que só a experiência em tropeços permite, vejo que, particularmente nas gerações mais jovens, houve um expressivo aumento de resistência aos perrengues próprios das relações duradouras. Ninguém parece estar mais disposto a esperar pra ver se vai dar certo. Ou já deu certo ou então bola pra frente. Pior: parece que ninguém mais considera importante sequer conversar sobre os problemas comuns ao relacionamento a dois. Quando cansa, vira as costas e vaza, sem aviso prévio ou, quando muito, com uma mensagem anódina no WhatsApp . 

A mistura entre os discursos de empreendedorismo, sucesso financeiro e felicidade parece ter sido a pá de cal no amor romântico. Tudo se reduz a performance e publicização. Se não for instagramável, o sentimento parece que não é o mesmo, decepciona, não engaja, e o parceiro para de curtir. Bloqueia e vai buscar um match em outra freguesia. 

Trago comigo as cicatrizes das minhas relações rompidas. Memórias de dor que se estendem no tempo e povoam minhas memórias sombrias. Se houve o fim do envolvimento, não houve interrupção do tempo, que incorporou a alegria e a tristeza como personagens de um mesmo romance. Hoje, o romance é mais um modelo de representação falido. O que vale é o tuíte, Reels, TikTok. Coisa rápida, encenada, e inescapavelmente esquecível, sem qualquer solução de continuidade.

Pesquisa da Market Analysis informa que, de cada 25 matches, apenas seis viram um encontro pessoal, o que não significa nada de mais consistente ou duradouro. No entanto, dos usuários pesquisados, 21% não conseguem nenhum match. Se for maior de 50 anos, esse percentual avança para 58%. Ou seja, mesmo nos aplicativos criados para surfar no mar de volatilidade emocional, o que temos são oásis de conversas rápidas em meio a um deserto de frustrações e de silêncio constrangedor nessas apostas de afeto mínimo. 

O outro aspecto que parece se correlacionar com esse ambiente de obsolescência programada de afetos é o aumento alarmante de problemas de saúde mental entre os millenials e a geração z. Segundo pesquisa da BBC, um dos fatores desses sintomas entre os jovens é o temor diante da “obrigatoriedade" de ter um bom desempenho nas relações sociais, e demonstrar um perfil de “bem sucedido” nas conquistas amorosas. Não há dúvida de que hoje as relações estáveis e pouco agitadas não parece figurar entre os objetivos mais desejados. Por outro lado, a busca por novas conformações sentimentais aumenta na mesma proporção das filas nos consultórios dos terapeutas.

Lembro-me aqui, para terminar, de uma tira do personagem Garfield, que ilustra bem a angústia desses tempos: quatro ratos saem da toca e Garfield apanha-os um a um, ficando com um ratinho sob cada pata. Daí sai mais um rato da toca. O gato bonachão, então, fita o leitor e solta os quatro ratos para apanhar o solitário retardatário. De sua cabeça sai o balão com o pensamento: melhor do que ter, é obter.

Sinal desses tempos.

 

Daniel Medeiros - doutor em Educação Histórica e professor no Curso e Colégio Positivo. @profdanielmedeiros


Confira 5 dicas para auxiliar as crianças nas habilidades de leitura e escrita

Especialista do Sistema Anglo de Ensino, Maria Célia Assumpção, explica como os pais e professores podem ser aliados do desenvolvimento desses atributos nos pequenos

 

Estudos em psicologia indicam que habilidades cognitivas, linguísticas e socioemocionais se manifestam em ritmos distintos, mesmo entre crianças da mesma idade. Por isso, identificar dificuldades de aprendizagem é uma questão complexa, uma vez que o desenvolvimento é altamente individual e sujeito a grande variabilidade. Assim, o acompanhamento deve ser realizado por profissionais da escola e por pediatras, que podem observar padrões de desempenho e comportamento ao longo do tempo.   

Os responsáveis também possuem um papel fundamental ao relatarem suas percepções fora da sala de aula. No entanto, qualquer avaliação definitiva deve ser realizada por especialistas capacitados, evitando rótulos precipitados que podem impactar negativamente a autoestima e o processo de aprendizagem da criança. De acordo com a autora do material de Educação Infantil, psicopedagoga clínica, especializada em Alfabetização do Sistema Anglo de Ensino, Maria Célia Assumpção, é importante, de qualquer forma, que pais e professores estejam atentos a mudanças bruscas de comportamento, pois elas podem sinalizar as dificuldades da criança, indicando a necessidade de maior acolhimento e acompanhamento.   

Segundo a especialista, embora o ensino de letras, sons e sílabas seja necessário, a ênfase exclusiva na memorização e na articulação mecânica desses elementos pode tornar a aprendizagem desmotivadora, afastando a criança da leitura e limitando a compreensão do sistema de escrita. “O desafio é proporcionar experiências significativas com a linguagem escrita, em que professores e pais façam mediações adequadas, oferecendo suporte, incentivo e oportunidades de exploração lúdica e afetiva da leitura e da escrita. Para que a alfabetização seja, de fato, efetiva, a criança precisa compreender não apenas os mecanismos formais do sistema alfabético, mas também a função social da escrita”, destaca.  

Além disso, a exploração lúdica das palavras permite que a criança compreenda princípios fundamentais da escrita, como o princípio da ordem em que cada letra ocupa um determinado lugar para formar as palavras. Maria Célia aponta que, conforme a criança interage de forma prazerosa com letras e sons, ela internaliza gradualmente a correspondência entre fonemas e grafemas, compreendendo como a escrita representa a linguagem oral. “Essas experiências interativas e contextualizadas são essenciais para que a alfabetização seja efetiva, significativa e motivadora, construindo a aprendizagem de forma ativa e consciente, ajudando a criança a avançar no processo de alfabetização”, afirma.  

Por isso, para ajudar os pais e professores, a especialista traz 5 dicas para auxiliar as crianças no desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita. Confira! 

1.   Ofereça contato com diferentes tipos de textos: o contato desde cedo com textos narrativos, informativos, poéticos e instrucionais ampliam o repertório de conhecimentos da criança; 

2.   Ensine estratégias de compreensão leitora: Mostre que é possível explorar o texto antes de ler ou ouvir a leitura, observando capa, título, imagens, legendas e marcadores; 

3.   Promova leituras compartilhadas em voz alta: essa é uma estratégia para fortalecer a relação entre oralidade e escrita e estimulando perguntas e reflexões sobre o conteúdo; 

4.   Incentive a criança a relatar oralmente: reproduzir o que entendeu desenvolve sua capacidade de interpretar e organizar ideias; 

5.   Ofereça experiências de escrita lúdicas: escrever textos como bilhetes, listas ou pequenos relatos, ajudando a familiarizar-se com o sistema de escrita de forma prazerosa e a construir autonomia e motivação. Segundo a especialista, é importante que essas estratégias sejam vivenciadas mesmo antes da leitura autônoma, com a mediação de adultos leitores que, ao ler em voz alta, oferecem suporte e significado às experiências iniciais com a escrita.  

Por fim, Maria Célia aconselha que os professores e responsáveis priorizem sempre a leitura em voz alta para crianças pequenas. Essa prática é essencial, pois faz a mediação entre a escrita e a oralidade: por meio dela, a criança escuta os sons, o ritmo e o significado das palavras enquanto acompanha o texto escrito. É a única forma de possibilitar o acesso verdadeiro à linguagem escrita e de compreender o sistema de escrita de qualquer grupo linguístico. “Sem a leitura em voz alta, a criança não consegue internalizar a relação entre sons e letras, comprometendo o desenvolvimento da leitura e da escrita no futuro”, conclui.  

 

Anglo
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Ancorados na esperança da graça

Com a graça de Deus estamos caminhando neste ano jubilar, proposto pelo saudoso papa Francisco, com muitas iniciativas de reflexões, peregrinações e atividades movimentadas pelas nossas dioceses, a fim de acender no coração do povo de Deus a certeza que o Senhor é a nossa verdadeira e plena esperança, e Nele precisamos estar “ancorados”.

A figura da âncora é muito emblemática quando relacionada à virtude da esperança. O papa Francisco apresenta esta imagem no final da Bula de proclamação do Ano Santo no parágrafo 25: “No caminho rumo ao Jubileu, voltemos à Sagrada Escritura e sintamos, dirigidas a nós, estas palavras: ‘Nós que procuramos refúgio n’Ele, encontramos grande estímulo agarrando-nos à esperança proposta. Nessa esperança, temos como que uma âncora segura e firme da alma, que penetra até ao interior do véu, onde Jesus entrou como nosso precursor’ (Hb 6, 18-20). É um forte convite a nunca perder a esperança que nos foi dada, a mantê-la firme, encontrando refúgio em Deus.”

Hoje vemos na sociedade um cenário de insegurança e medo. São as enfermidades, a instabilidade financeira que gera divisões e diferenças sociais gritantes, a falta de cuidado com os mais fragilizados, a indiferença da parte daqueles que deveriam ter um olhar mais cuidadoso e responsável com o povo. Além disso, a guerra, a fome, a miséria e, por fim, cada vez mais uma dessacralização e perda do sentido da vida. Tais realidades fazem com que o coração humano se torne um barco à deriva, levado às maiores tempestades.

Em meio às tormentas da vida, o ser humano precisa ser restaurado na sua capacidade de confiar. Confiança que foi se perdendo por conta das decepções e frustrações que todos nós somos passíveis de experimentar. Mas não podemos perder a visão que tais decepções são apenas as provas que precisamos passar. Infelizmente, hoje, raramente estamos dispostos a sofrer, a perceber que o Senhor permite que vivamos certas provações e privações porque a forja nos possibilita crescer na fé, em santidade, a fim de alcançarmos a promessa do Céu.

Vemos inclusive, uma geração de jovens muito capacitados no que diz respeito às novas tecnologias e redes sociais, porém, afetivamente muito fragilizados, inconstantes e superficiais nas relações que estabelecem. Quando se deparam com as provas que a vida impõe, não são capazes de suportar a angústia e o sofrimento, e o resultado, muitas vezes, é o adoecimento psíquico.

É preciso retomar a confiança, a certeza de que temos um Deus que cuida de nós. Como o Papa nos fala, temos confiança e esperança que as tempestades da nossa vida não irão prevalecer. Maior é o nosso Deus, é a esperança que precisa ser reavivada em nossos corações, que supera a tristeza, a insegurança, o pecado e a morte.

Precisamos, sim, recorrer às pessoas, ao acompanhamento clínico, porque Deus também se utiliza de meios e pessoas para nos auxiliar. Contudo, como refletido na Carta aos Hebreus anteriormente, nas horas de tempestade é no Senhor que precisamos encontrar refúgio, não nas coisas, nas pessoas, no trabalho. O nosso auxílio e confiança precisam estar no Senhor e na sua graça que não nos abandona.

A esperança na graça de Deus nos impulsiona a prosseguir corajosamente e decididamente, mesmo se o caminho se apresenta tortuoso e escuro. A esperança na graça nos coloca como totalmente dependentes do cuidado de Deus, na certeza de que tudo vai passar e não precisamos cair no desespero que, inclusive, é a maior investida do inimigo de Deus contra nós.

Que neste percurso do Ano Jubilar o Senhor renove a nossa alegria, fé, o nosso desejo de nos levantar, mesmo, muitas vezes, sem forças. Não estamos à deriva, conosco está a nossa “âncora”, a certeza de que não vamos perecer em meio às tempestades. É o próprio Senhor que nos olha e diz: “Não tenha medo, coragem, sou Eu!” Que o Senhor nos ajude, pois a esperança não decepciona! Deus abençoe!



 
Padre Leonardo Ribeiro - missionário da Comunidade Canção Nova.


Presença de arma em residência aumenta de três a cinco vezes o risco de suicídio

Número de armas de fogo registradas no Brasil subiu 3,2% entre
 2023 e 2024,  totalizando mais de 2 milhões em sistema oficial de controle
 (imagem: Nelson Provazi/
Pesquisa FAPESP)

Revisão de 467 estudos aponta também que, em vez de aliviar a sensação de medo e ansiedade, armas aumentam esses sentimentos, além de exacerbar comportamentos controladores, provocando violência doméstica

 

 O acesso a armas de fogo, além dos riscos físicos e à vida, tem impacto na saúde mental: aumenta o número de suicídios, intensifica quadros de fragilidade psicológica e amplia dinâmicas de violência. É o que conclui uma pesquisa publicada na edição de setembro da revista científica Harvard Review of Psychiatry.

Liderado por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), o grupo fez uma revisão sistemática de 467 estudos de diversos países divulgados até março de 2023. A maior parte – 81% do total (378) – foi realizada nos Estados Unidos, 6% na Europa Ocidental, 4% na Austrália, 3% no Canadá e o restante distribuído em outras regiões.

A análise explorou as ligações entre acesso a armas de fogo, comportamento agressivo, uso e abuso de substâncias, violência social e doméstica e suas influências na saúde mental. Foram identificados três mecanismos psicológicos relacionados a esses fatores.

O primeiro deles é que as armas facilitam atos impulsivos em momentos de crise ou sofrimento. O suicídio é o principal desfecho – apareceu em 284 estudos (61% do total). A análise demonstrou que a presença de arma em uma residência aumenta de três a cinco vezes o risco de suicídio, independentemente do estado de saúde mental anterior do indivíduo. Quando há armazenamento seguro, esse risco diminui, porém permanece em patamar considerado alto.

Um segundo mecanismo é que a arma funciona como uma espécie de “amplificador psicológico”, acentuando quadros de alguns transtornos mentais. Ou seja, em vez de aliviar a sensação de medo e ansiedade, aumenta esses sentimentos, derivando em agressões. Além disso, agrava os sintomas de trauma em pessoas expostas à violência armada, criando um ciclo de retroalimentação, em que piora o sofrimento em vez de aliviar.

Por fim, ela serve como símbolo que transforma dinâmicas de poder e percepções de vulnerabilidade, exacerbando comportamentos controladores e derivando em casos de violência social e doméstica.

“Entendendo que todas as pessoas estão suscetíveis a fragilidades humanas, a possibilidade de haver ferramentas altamente letais disponíveis nas mãos da população em geral, em vez de aumentar a sensação de segurança e de proteção e melhorar a regulação emocional do indivíduo, acaba tendo efeito contrário, como vemos nos estudos. Evidencia as fragilidades emocionais, aumenta a sensação de medo e a agressividade, com elevação de casos de assédios e violência”, explica à Agência FAPESP o psiquiatra Rodolfo Furlan Damiano, autor correspondente do artigo.

Juntamente com o professor da Faculdade de Medicina da USP Eurípedes Constantino Miguel Filho, Damiano coordena o Programa de Ensino, Pesquisa e Assistência em Depressão Resistente ao Tratamento, Autolesão e Suicidalidade (Pro-DRAS). Tem o apoio da FAPESP por meio de bolsa de pós-doutorado em um projeto que busca fornecer informações sobre a eficácia e a viabilidade de intervenções rápidas para a prevenção do suicídio.

No ano passado, outra pesquisa coordenada por Damiano mapeou fatores de risco e proteção para comportamentos suicidas, mostrando que pessoas com transtornos de controle de impulso (TCIs) estão no grupo de risco (leia mais em: agencia.fapesp.br/52881).


Triagem dos estudos

A revisão seguiu uma diretriz conhecida como Prisma (sigla para Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), um conjunto de 27 itens que sistematiza a coleta e extração de dados para esse tipo de pesquisa.

Partiu de uma base de 3.930 artigos da PubMedScopusWeb of Science e PsycInfo. O protocolo de triagem deu prioridade a estudos das áreas de criminologia, saúde pública e sociologia, com desfechos diretos e/ou implicações comprovadas em fatores psicológicos. Resultou, assim, nos 467 artigos abordando posse de armas, violência e políticas e seus efeitos na saúde mental.

“A ideia desse trabalho nasceu da ligação de suicídio e armas de fogo, porém detectamos que poderia ser algo mais abrangente. Quando se trata de acesso a armas, a discussão sempre está relacionada ao tema da segurança pública. Nosso objetivo com a pesquisa não foi lidar nessa esfera, mas sim na da saúde mental, que é um ponto importante e pouco contemplado”, explica Damiano.

Nas conclusões, os cientistas sugerem a adoção de políticas públicas que englobem evidências científicas também ligadas à saúde.

“Essa revisão destaca a necessidade urgente de políticas abrangentes que abordem o acesso a armas de fogo, enfrentem as determinantes sociais dos danos causados por elas e promovam intervenções em saúde mental. Uma abordagem integrada, que considere esses fatores individuais e sociais, é essencial para mitigar os complexos caminhos psicológicos pelos quais afetam diferentes populações”, escrevem os autores no artigo.


Situação no Brasil

Mesmo tendo uma pequena base amostral de pesquisas no Brasil, Damiano diz que os resultados são aplicáveis também à realidade do país. “Estamos tratando do ponto de vista da saúde mental e do impacto humano, que é possível extrapolar”, afirma o psiquiatra.

A compra de armas de fogo no Brasil – tanto de uso permitido como de calibre restrito – tem uma série de regras e é feita após a autorização de órgãos federais – como a Polícia Federal e o Exército, em alguns casos. Além de ter no mínimo 25 anos, a pessoa deve, entre outros, apresentar certidão negativa de antecedentes criminais e comprovar capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio.

Mesmo com a desaceleração no ritmo de crescimento desde 2018, o número de armas de fogo registradas no Brasil subiu 3,2% entre 2023 e 2024, totalizando 2,154 milhões de registros no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), ligado à Polícia Federal. Os dados estão no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.

Damiano diz que pretende continuar o trabalho de revisão, com foco em leis de restrição de acesso a armas.

O artigo The impact of firearm ownership, violence, and policies on mental health: a systematic scoping review pode ser lido em: https://journals.lww.com/hrpjournal/abstract/2025/09000/the_impact_of_firearm_ownership,_violence,_and.1.

 

Luciana Constantino
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/presenca-de-arma-em-residencia-aumenta-de-tres-a-cinco-vezes-o-risco-de-suicidio/55908



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