As arquitetas da Dantas & Passos Arquitetura explicam quais elementos transformam uma casa em um espaço capaz de acolher, desacelerar a rotina e melhorar a qualidade de vida dos moradores
Mais do que
possuir um endereço legal ou ambientes aesthetics, o lar precisa ser refúgio,
principalmente, naqueles dias intensos já que são nessas horas que vemos como a
casa precisa ser um espaço de recuperação física e emocional. Mas afinal, o que
faz um ambiente transmitir essa sensação de acolhimento? O que existe nos
projetos residenciais que faz algumas casas parecerem tão agradáveis de viver?
Para as
arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, à frente da Dantas & Passos
Arquitetura, a resposta sobre o bem-estar residencial está na
relação entre corpo, emoção e ambiente.
“Bem-estar
não é apenas um conceito abstrato e nem apenas estético, ele acontece quando o
ambiente facilita a vida cotidiana, reduz tensões, promove o acolhimento e cria
uma sensação única de pertencimento. Os projetos residenciais mais relevantes
hoje são aqueles que conseguem equilibrar conforto físico, identidade,
personalidade e funcionalidade de maneira harmoniosa e exclusiva”,
explicam.
Casa
‘gostosa de morar’
Parece repetitivo falar que o lar precisa ser refúgio, mas segundo a dupla de profissionais, essa sensação tão subjetiva de acolhimento nasce de uma soma coerente de estímulos e sensações, como a junção do conforto térmico, iluminação equilibrada, sensação de amplitude, respiros visuais, materiais agradáveis ao toque, boa acústica, organização e proporções bem resolvidas entre móveis e espaços.
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| Objetos afetivos, lembranças de viagens, obras de arte e peças com significado ajudam a construir a identidade dos ambientes | Projeto Dantas & Passos Arquitetura Foto: Henrique Ribeiro |
Mas existe um elemento ainda mais
importante: identidade. “Muitas vezes, ambientes considerados perfeitos do
ponto de vista estético podem parecer impessoais quando não carregam
referências dos moradores. Quando os espaços incorporam memórias, objetos
afetivos e elementos que contam histórias, eles criam uma conexão emocional
muito mais forte”, comenta Paula Passos.
Outro aspecto importante é a fluidez da
rotina. As casas bem planejadas eliminam obstáculos invisíveis do dia a dia e
tudo parece funcionar de forma natural, da organização dos armários à
circulação entre os ambientes, a experiência do morar se torna mais leve.
“O projeto começa compreendendo quem vive ali, quais
são seus hábitos, suas necessidades e seus momentos de convivência. Os
ambientes precisam apoiar a rotina das pessoas e não o contrário”,
acrescenta a arquiteta.
O bem-estar mora nos detalhes
sensoriais
Embora a funcionalidade seja fundamental, ela não atua sozinha. A forma como percebemos um ambiente também está ligada aos estímulos sensoriais presentes no espaço. É por isso que materiais, revestimentos, tecidos, texturas e acabamentos são essenciais na construção da atmosfera de uma residência.
“Um ambiente
pode ser visualmente lindo e ainda assim parecer desconfortável para
determinado usuário. Da mesma forma, espaços extremamente funcionais, mas sem
personalidade, podem se tornar impessoais. O bem-estar nasce dessas camadas
trabalhando juntas”, explica Danielle Dantas.
Atualmente, tons
terrosos, verdes suaves, argilas, areias, beges quentes e off-whites aparecem
com frequência em projetos voltados ao conforto por criarem composições
visualmente mais tranquilas e conectadas à natureza. No entanto, para as
arquitetas, não existe uma fórmula única.
“Mais
importante do que seguir uma cartela específica é entender quais sensações os
moradores desejam experimentar dentro de casa”, observam.
Além disso, os
materiais naturais também desempenham papel relevante nesse contexto,
principalmente madeira, linho, algodão, fibras naturais, palha e pedras para
criar ambientes mais acolhedores e menos artificiais. Mas além da estética,
cortinas, tapetes, mantas e tecidos contribuem para o conforto acústico e proporcionam
experiências táteis que tornam os ambientes mais agradáveis no dia a dia.
“As texturas deixam os ambientes menos cenográficos. Espaços excessivamente lisos e brilhantes costumam transmitir uma sensação mais fria e distante”, explica Danielle.
Uma
boa iluminação
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| A luz natural aumenta demais a sensação de bem estar durante o dia | Projeto Dantas & Passos Arquitetura | Foto: Maura Mello |
Durante muito
tempo, a iluminação branca foi associada à ideia de modernidade, mas hoje, a
busca por ambientes mais acolhedores tem provocado uma mudança importante na
forma como a luz é utilizada dentro dos projetos residenciais. Para tanto,
Danielle e Paula indicam temperaturas de cor mais quentes, entre 2700K e 3000K,
que favorecem sensações de relaxamento e conforto, especialmente em ambientes
destinados ao descanso e à convivência.
Já para quem
deseja abandonar gradualmente a iluminação excessivamente branca, uma
alternativa é começar pelas temperaturas neutras e, aos poucos, introduzir
fontes de luz mais quentes em pontos estratégicos da casa.
Mas não é apenas a
cor da luz que faz a diferença. “Combinar luz indireta, luminárias de apoio,
arandelas, pendentes e iluminação decorativa cria profundidade, flexibilidade e
diferentes experiências dentro do mesmo ambiente”, enfatiza Paula.
A possibilidade de
dimerização também ganhou força nos últimos anos por permitir ajustar a
intensidade luminosa conforme o momento do dia e a necessidade dos moradores.
Além disso, a presença de luz natural continua sendo indispensável para
promover conforto e influenciar positivamente o humor, produtividade e
qualidade de vida.
O erro mais comum? Projetar para fotos e não para pessoas
Nas redes sociais,
é comum encontrar ambientes visualmente impecáveis. O problema surge quando a
preocupação com a imagem supera a experiência real de quem utiliza os espaços
diariamente. Para as arquitetas, esse é um dos equívocos mais frequentes nos
projetos residenciais.
“Excesso de informações visuais, iluminação fria, falta de tratamento acústico, móveis desproporcionais, excesso de superfícies duras e ambientes que seguem tendências sem considerar a rotina dos moradores acabam criando casas bonitas, mas pouco humanas”, pontua a dupla.
Ou
seja...a resposta
Se antes a casa
era vista principalmente como um local de permanência, hoje ela passou a
desempenhar um papel muito mais complexo, pois é onde muitas pessoas trabalham,
descansam, recebem amigos, convivem com a família e encontram momentos de pausa
em meio à correria cotidiana. Por isso, o bem-estar não está necessariamente
relacionado a acabamentos sofisticados, móveis caros ou grandes metragens, a
verdadeira sensação surge quando existe coerência entre os espaços e a forma
como seus moradores vivem.
“Os ambientes
que mais acolhem são aqueles que fazem o usuário respirar, relaxar e sentir que
pertence àquele lugar. Uma casa que promove bem-estar é uma casa que faz
sentido para quem vive nela”, finalizam Danielle Dantas e Paula
Passos.
Dantas & Passos Arquitetura
@dantaspassos.arquitetura
Tel. e WhatsApp: (11) 99366-9690 (Danielle Dantas)
Tel. e WhatsApp: (11) 98339-9096 (Paula Passos)






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