Em períodos de
grandes jogos, estímulos sonoros intensos podem desencadear medo, tentativas de
fuga e alterações fisiológicas nos cães. Preparo do ambiente e manejo adequado
ajudam a tornar a rotina mais segura
Divulgação
A Copa do Mundo costuma transformar a rotina das
casas. A televisão fica mais alta, familiares e amigos se reúnem, buzinas
aparecem nas ruas e, em muitos lugares, fogos de artifício e rojões fazem parte
das comemorações. Para os torcedores, esses sons representam celebração. Para
muitos cães, no entanto, chegam de outra forma: como um estímulo imprevisível,
intenso e ameaçador.
"Quando o tutor entende que o medo do barulho
não é birra nem exagero, mas uma resposta real do organismo, ele passa a agir
de forma mais eficiente. Antecipar o cuidado é sempre melhor do que tentar
controlar o problema no auge da crise", afirma Bianca Fenner,
médica-veterinária e coordenadora de marketing da Unidade Pet da Ceva Saúde
Animal.
Por que o barulho afeta tanto
os cães?
A audição dos cães é mais sensível que a dos
humanos em diversos aspectos. Eles percebem frequências sonoras mais altas e
captam estímulos que, para as pessoas, podem passar despercebidos. Sons
explosivos como fogos e rojões têm uma característica especialmente
desafiadora: surgem de forma abrupta e muitas vezes em sequência, sem qualquer
previsibilidade.
Essa combinação pode ativar mecanismos fisiológicos
associados ao estresse agudo. O organismo interpreta o som como ameaça e aciona
respostas de defesa, com liberação de adrenalina e hormônios do estresse. Na
prática, isso pode se manifestar como taquicardia, aumento da frequência
respiratória, inquietação e tentativa de escapar do ambiente.
"Quando falamos de fogos ou rojões, não
estamos tratando apenas de volume alto. Para o cão, o problema envolve
intensidade, imprevisibilidade e falta de controle sobre o estímulo. Ele não
entende de onde vem o som, nem quando vai acabar, e isso pode ativar uma
resposta de medo muito intensa", explica Bianca Fenner.
Em cães sensíveis, a repetição de episódios sem
suporte adequado pode evoluir para fobia sonora – quadro em que o animal passa
a reagir de forma desproporcional, com antecipação do medo e dificuldade de
recuperação mesmo depois que o barulho cessa. Com o tempo, a resposta pode se
estender a sons associados, como gritos, buzinas, trovões ou barulhos de
motocicleta.
Durante a Copa do Mundo, esse risco se amplifica
porque os estímulos não se concentram em uma única noite. Ao longo de várias
semanas, jogos decisivos, comemorações em horários diferentes e movimentação
incomum dentro de casa alteram a previsibilidade da rotina.
Como preparar o ambiente
O primeiro passo é preparar um local seguro antes
do início dos jogos. O ideal é escolher um cômodo mais silencioso,
preferencialmente distante da rua, com portas e janelas fechadas, cortinas ou
persianas para reduzir estímulos visuais e objetos familiares, como cama,
cobertor e brinquedos. O espaço deve funcionar como refúgio – o cão precisa
poder entrar e sair livremente, e nunca deve ser preso como forma de contenção.
Sons constantes e previsíveis, como música
tranquila ou ruído branco em volume moderado, também ajudam a mascarar os
barulhos externos e a reduzir o contraste entre o silêncio do ambiente e um
estrondo repentino.
Outro cuidado essencial é evitar o acesso a áreas
de risco. Cães assustados podem tentar fugir por portas, janelas, portões ou
varandas. Por isso, antes dos jogos, é importante checar se o ambiente está
seguro, manter identificação atualizada na coleira e redobrar a atenção com
entradas e saídas da casa.
Passeios e atividades físicas devem ser realizados
antes do início das comemorações, em horários mais tranquilos. Um cão que já
gastou energia tende a lidar melhor com períodos de recolhimento. Nos momentos
de maior movimentação, os passeios devem ser evitados, já que um estampido
repentino na rua pode desencadear fuga ou acidentes.
Como o tutor deve agir durante
os episódios
A forma como o tutor se comporta influencia
diretamente a resposta do cão. Gritar ou tentar forçar o animal a
"enfrentar" o barulho tende a piorar o quadro. O ideal é agir com
calma, oferecer presença e segurança, sem superestimular o pet. Se o cão buscar
contato, o acolhimento pode ajudar; se preferir se esconder, essa escolha deve
ser respeitada, desde que ele esteja em local seguro.
"A ideia não é ignorar o medo, nem o reforçar
de maneira inadequada. O tutor deve oferecer suporte, previsibilidade e segurança.
Para o cão, perceber que existe um ambiente protegido e uma referência calma
faz diferença", orienta Bianca Fenner.
Brinquedos recheáveis, petiscos de longa duração e
atividades de farejamento podem ser aliados para cães que ainda conseguem
interagir durante os episódios. No entanto, em animais com medo intenso, o
apetite e o interesse por brincadeiras tendem a diminuir. Nesses casos, o foco
deve ser reduzir a exposição e garantir segurança.
Recursos de apoio e orientação
veterinária
Além das medidas ambientais e comportamentais,
recursos que ajudam a promover sensação de segurança podem ser integrados à
rotina. ADAPTIL®, solução a base do análogo sintético do odor
materno canino, atua como uma ferramenta de apoio em situações desafiadoras,
contribuindo para transmitir sensação de conforto e bem-estar. Em períodos de
maior estresse, como jogos com grande movimentação e risco de fogos, o produto
pode ser utilizado no ambiente ou na forma de coleira como parte de um plano de
manejo mais amplo.
Esse recurso deve ser entendido como complementar:
não substitui a preparação do ambiente, a conduta adequada do tutor ou a
avaliação veterinária em casos mais graves.
Em cães com histórico de pânico, tentativas de
fuga, destruição intensa ou sinais físicos severos, a orientação do
médico-veterinário é indispensável. Alguns animais podem precisar de um plano
individualizado, que inclui manejo comportamental e, em situações específicas,
suporte medicamentoso prescrito por profissional. A automedicação nunca deve
ser considerada.
"Um ponto importante é que o medo pode se
intensificar quando o animal passa repetidamente por experiências negativas sem
suporte adequado. Cada episódio pode reforçar a percepção de ameaça e tornar a
próxima reação ainda mais intensa", afirma a veterinária.
Mais do que impedir que o cão se assuste, o objetivo é reduzir sofrimento e prevenir acidentes. A Copa do Mundo é um momento de festa para as pessoas, mas não precisa ser um período de medo para os pets. Com preparo, ambiente seguro e atenção aos sinais do animal, é possível acompanhar os jogos sem comprometer o bem-estar dos cães.
Ceva Saúde Animal
www.ceva.com.br
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